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FromMessage
pereicel

12/02/2003
11:58:51

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Subject: ----------> Conexão Macaxeira (7a.página)

Message:
Pessoal

Iniciamos mais uma página.

Gostaria que voces consultassem as ultimas mensagens deixadas na 6a. página pelo brunosergiom.

Um abraço e Boa sorte.

Celso


pereicel

12/02/2003
15:58:33

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MATCH - The Motley Fools

Message:
Pessoal

Iniciamos mais um match:

board #1301189 Conexão itapetininga (1643) vs Motley nevilhutchinson (1561)
board #1301190 Conexão itapetininga (1643) vs Motley nevilhutchinson (1561)
board #1301191 Conexão piresrod (1494) vs Motley uguagliare (1540)
board #1301192 Conexão piresrod (1494) vs Motley uguagliare (1540)
board #1301193 Conexão duck (1432) vs Motley dutch12 (1495)
board #1301194 Conexão duck (1432) vs Motley dutch12 (1495)

Boa sorte a todos os escalados.

Celso


brunosergiom

12/03/2003
07:33:37

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Capablanca

Message:
José Raoul Capablanca Y Graupera nasceu em 1888 e faleceu em 1942. Quando tinha 4 anos aprendeu os movimentos do xadrez observando o seu pai a jogar. Sabemos isto porque uma vez Capablanca gracejou durante uma partida que o pai fazia com um amigo. Quando lhe perguntaram por que ria o rapaz respondeu "porque moveste o teu cavalo para uma casa incorrecta". O pai de Capablanca começou imediatamente levá-lo ao clube Central de Xadrez de Cuba, em Havana, onde tiveram que empilhar livros na cadeira para que Capablanca pudesse alcançar o tabuleiro. Quando Capablanca tinha 11 anos tornou-se Campeão de Xadrez de Cuba, vencendo Juan Corzo em 1900.
Capablanca recusou-se a estudar xadrez e nunca leu um livro de xadrez ou sequer estudou aberturas. Incrivelmente, apesar disto, tornou-se Campeão Mundial de Xadrez. Portanto ele era obviamente o maior jogador nato que alguma vez existiu.

Em 1905, com 17 anos, entrou na Universidade de Columbia, nos EUA, e visitou o Clube de Xadrez de Manhattan vencendo o seu campeão. Em 1906 o campeão mundial de xadrez, o Dr. Lasker, fez ali uma exibição de simultâneas e José Capablanca ganhou contra ele num jogo fulminante.

Em 1908, Capablanca partiu pela primeira vez em tourné pelos EUA e bateu todos os recordes, tanto com os seus resultados como com a rapidez do seu jogo de simultâneas. Fez 168 partidas em 10 sessões consecutivas antes de ter a sua primeira derrota. No total, a sua pontuação era de 703 vitórias, 19 empates e 12 derrotas.

Então, em 1909, Capablanca deixou o mundo xadrezístico de boca aberta. (E também a mim, que ainda nem sequer tinha nascido!) Ele participou no Campeonato Americano Frank Marshall e ganhou 8-1, com 14 empates.

O Torneio de San Sebastian de 1911 ficou na história por duas razões: primeiro, Capablanca foi convidado para o Torneio à última hora, sendo este o seu primeiro torneio internacional; segundo, Nimzowitch queixou-se que um jogador tão fraco como o Capablanca não devia sequer ter sido convidado. Capablanca não só venceu Nimzowitch na primeira volta, como venceu o torneio. Isto fez de Capablanca o mais sério candidato ao título mundial de Lasker.

Em 1913, Capablanca obteve um cargo no Gabinete dos Assuntos Externos de Cuba com o título de "Embaixador Geral plenipotenciário do Governo de Cuba para o Restante Mundo". Este título foi-lhe conferido apenas com o propósito de permitir que ele viajasse pelo mundo e participasse em torneios de Xadrez, Mas, infelizmente, depois do divórcio da sua primeira mulher, a sua família foi relegada para o cargo de "Adidos Comerciais".

Apenas para ilustrar a sua força, em certa ocasião Capablanca obrigou o Presidente da Câmara de Havana a retirar toda a gente da sala do torneiro para que ninguém presenciasse a sua desistência numa partida frente a Frank Marshall, em 1913. Certa vez, Capablanca até recusou posar com uma beldade do cinema dizendo: " por que é que eu lhe hei-de dar publicidade?"

No entanto, o Dr. Lasker ganhou o grande Torneio de S. Petersburgo de 1914, onde Capablanca se classificou em 2º lugar, tornando-se assim um dos cinco Grandes- Mestres iniciais nomeados pelo Czar Nicholas. Entre 1916 e 1924 o primeiro jogo que Capablanca perdeu foi com Richard Reti no magnífico torneio Internacional de Nova Iorque de 1924. Esta derrote correu o mundo. Este feito de oito anos foi o melhor dos melhores. É o imortal dos imortais.

Passaram-se dois acontecimentos interessantes no Grande Torneio de Moscovo, em 1925. numa exibição de simultâneas, Capablanca ganhou todas as partidas excepto um empate contra o rapaz de óculos de 12 anos a quem ele disse de pois da partida: "Um dia serás um campeão". Esse rapaz era Mikail Botvinnik que, não só venceu Capablanca em AVRO 13 anos depois, como também veio a tornar-se Campeão mundial. A certa altura nesse torneio, a maravilhosa mulher de Capablanca entrou no átrio ele ficou aparentemente tão encantado que deixou o seu cavalo en prise. Perdeu o cavalo e a partida.

Em 1927, Capablanca, o génio não estudioso de xadrez, perdeu o seu título mundial para o estudioso génio de xadrez Alekhine. Com o recorde de quebrar 25 empates, Alekhine venceu 6-4. É a mais longa partida num campeonato mundial da história.

Triste é que, naqueles tempos, o campeão mundial tinha uma dica sobre quem ele haveria de defrontar para o título. Apesar de Capablanca ser o candidato óbvio para o Campeonato do Mundo, Alekhine recusou o desafio e, em vez disso, jogou para o título com Bogoljubov e com Euwe. Isto foi 100% injusto. (Estou a bater com o punho na mesa neste momento!)

Em 567 jogos, Capablanca apenas perdeu 36 em toda a sua carreira. Não perdeu um único jogo entre 1916 e 1924. Capablanca nunca teve um tabuleiro de xadrez em casa. Morreu enquanto analisava uma partida no Clube de Xadrez de Manhattan. Esta era provavelmente a maneira como ele gostaria de ter morrido. O Presidente de Cuba, o General Batista, encarregou-se pessoalmente da cerimónia fúnebre.


-----Terry Crandal

Fonte: www.aac.uc.pt/~xadrez/Devaneios/Biografias/capablanca.html


brunosergiom

12/03/2003
07:40:07

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Topalov,V (2745) - Bareev,E (2726) / Def. Francesa

Message:

Topalov,V (2745) - Bareev,E (2726)
[C11] Defesa Francesa
Sparkassen sf Playoff Dortmund GER (2), 17.07.2002

Bareev vinha "atropelando" literalmente todos os adversários, enquanto Topalov demonstrava sua principal característica, o espírito de luta. Quem sairia vencedor deste duelo de t**ãs? Veja abaixo.

1.e4 e6
Nenhuma surpresa, já que Bareev joga normalmente a Francesa contra 1.e4.

2.d4 d5 3.Cc3 Cf6 4.Bg5
Esta e uma das linhas principais desta abertura, tendo sido jogada em diversas partidas importantes.

4...dxe4 5.Cxe4 Cbd7
A linha mais popular é 5. ... Be7. Mas o lance 5... Cbd7, favorito de Bareev, é perfeitamente jogável.

6.Cf3 Be7 7.Cxf6+ Bxf6 8.h4 c5 9.Dd2 cxd4 10.Cxd4 h6
Este sim é um lance praticamente desconhecido, sendo que, na imensa maioria das partidas desta linha, joga-se comumente 10. ... 0-0. Uma continuação comum seria 11.0-0-0 Db6 12.Th3 e5 13.Cb3 Cc5 14.Bxf6 Cxb3+.

11.Bxf6 Cxf6 12.Db4 Cd5 13.Da3 De7
As Pretas não têm maiores problemas depois dos primeiros dez lances. Mas este é o tipo de posição traiçoeira, onde um erro pode ser fatal.

14.Bb5+
E Topalov vai atrás de uma pequena vantagem - eliminar o Roque das Pretas.

14. ... Bd7 15.Bxd7+ Rxd7 16.Da4+ Dc7
O único problema da posição das Pretas é a falta do Roque. Mas como as Brancas podem tirar proveito da desconfortável posição deste "Rei Errante"?

17.Th3!
Bom lance. A idéia é incorporar a Torre ao ataque, sem perda de tempo.

17...a6 18.Tb3 Dc5 19.0-0-0
Se formos parar para analisar a posição, veremos que Topalov tem todas as peças voltadas para a Ala da Dama do adversário, na qual o Rei desabrigado se encontra. Por outro lado, não existe linha forçada para a vitória, portanto o que vai decidir a sorte da partida são os próximos lances de Bareev.

19...b5?!
Olha, serei sincero numa coisa: é impossível, neste momento, vislumbrar o golpe que definirá a partida. O fato concreto e que este Peão "boi de piranha" de b5 é um ponto ideal para se sacrificar... resta saber quando e como! Seria melhor 19...Cb6, e a troca das Damas facilita a defesa das Pretas

20.Da5+ Db6 21.De1
Logicamente, a troca das Damas só facilitaria a defesa das Pretas. Agora, as Brancas têm a idéia bastante agradável de levar sua Dama para o Centro do tabuleiro, através da casa e5.

21...Rb7
Aqui, já não sobram bons lances para as Pretas. Seu Rei está inseguro e a posição das peças Brancas é ideal. Difícil é fazer algum lance que não perca!

22.De2
E agora, todas as peças estão prontas para o ataque final!

22...Ra7 (D)
E este lance é aquele popular "quero ver se tem homem pra isso!"

23.Cxb5+!!
Lance brilhante de Topalov. Aqui, o Fritz7 dá imediatamente mais de 1,25 de vantagem para as Brancas, ou seja, vantagem suficiente para o ganho. E Topalov reforça a mäxima "estou ganho... até que provem o contrario".

23...axb5 24.Txb5 Dc6 25.Tdxd5!
Isto é que é inspiração! O GM Topalov cria uma pequena obra-prima. É realmente impressionante o desfecho da partida!

25...exd5 26.De7+ Ra6 27.Tb3
E aqui Bareev abandonou. Para não levar mate, as Pretas têm que trocar sua Dama pela Torre das Brancas, e o final é totalmente perdido. Uma partida super-inspirada do GM búlgaro Veselin Topalov !!

1-0




Rodrigo Teodoro
editor de Xadrez Barbarense


Fonte: www.firew.org/xb/mes001.php


brunosergiom

12/03/2003
07:52:20

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EMANUEL LASKER

Message:
EMANUEL LASKER

Lasker viveu em Berlim grande parte de sua vida, mas, na velhice, emigrou primeiro para Moscou, depois para Nova York. Foi campeão mundial por 27 anos (1894-1921) e sua longevidade no xadrez foi excepcional: sua primeira partida brilhante foi um duplo sacrifício de bispos em 1889 e sua última grande conquista foi o terceiro prêmio de Moscou em 1936, quase aos setenta anos de idade. Apesar de seus inúmeros sucessos em torneios e matches, seu estilo tem permanecido objeto de polêmicas e é considerado um mistério. Segundo uma das opiniões sobre Lasker, ele teria sido um estrategista refinado que adicionou uma nova dimensão tática a seu jogo, combinando-a com uma habilidade superlativa nos finais. Outra visão o descreve como um lutador, que jogava tanto com o homem quanto com o tabuleiro, deliberadamente aceitando posições inferiores mas complexas para fazer crescer a tensão. Entretanto, evitou adversários fortes em matches e gozava de uma sorte fenomenal em partidas críticas. Sugeriram até que seu gosto peculiar por charutos fortes visava minar a resistência física do oponente. A verdade é que nenhum enxadrista poderia permanecer tanto tempo com o título mundial ou atingir tanto e repetidos sucessos em torneios sem uma grande dose de capacidade geral. Na maioria das partidas, Lasker derrubava os adversários por sua familiaridade com o xadrez estratégico e posicional, no qual, em certos aspectos, estava bem adiante de seu tempo. Seu domínio das casas fracas, do jogo de ataque frontal e de como desviar o ataque entre duas frentes foi alcançado muito antes de Nimzovitch formular esses conceitos em seu clássico livro My system. Lasker aplicou os princípios de Steinitz e aperfeiçoou-os para enfrentar as batalhas do xadrez competitivo. Lasker tinha um vigor excepcional e exibia uma postura calma e pragmática em suas partidas mais críticas. Sua reputação de "magia negra" surgiu devido ao fato de ele mostrar-se mais forte e seguro que o adversário em algumas das partidas mais críticas de sua carreira - por exemplo, em sua vitória contra Schlechter na última partida do match de 1910, que Lasker precisava vencer para manter o título mundial; em sua vitória contra Capablanca em São Petersburgo, 1914, que lhe deu o primeiro prêmio na frente de seu principal rival, e na segunda partida do seu match de 1908 com Tarrasch. Em todas essas vitórias, Lasker demonstrou sua habilidade em criar tensão nos adversários, que acabavam não jogando o que sabiam. Sua perseverança transparece também nos bons resultados que obtinha em últimas rodadas e na freqüência com que superava os rivais na segunda metade de um torneio - por exemplo, em Hastings, 1895, e nos três torneios de São Petersburgo em 1896, 1909 e 1914. A perseverança de Lasker fornece uma lição importante para o enxadrista amador ou de clubes e para o jovem ambicioso. Na teoria, todas as partidas de xadrez têm peso idêntico e uma vitória na primeira rodada tem o mesmo valor de uma vitória na final - mas isso não ocorre na prática. Por exemplo, nos torneios que seguem o sistema suíço, os enxadristas enfrentam adversários com resultados semelhantes, e um início pobre ou uma derrota nas rodadas intermediárias podem ser compensados com vitórias contra adversários mais fracos nas fases finais do torneio. As vitórias nas rodadas finais de um torneio suíço - principalmente na última delas têm, na verdade, um peso extra, pois decidem os prêmios. Pela carreira de Lasker, vemos que ele levava em conta a importância das partidas na final de torneios. Nas rodadas de abertura de uma competição, todo jogador briga por um bom resultado, mas quando o torneio avança alguns perdem o interesse ou a autoconfiança enquanto outros, lutando pelos primeiros lugares, sofrem uma tensão excessiva. Em tal situação, o enxadrista forte e experiente, acostumado ao sucesso, pode utilizar sua técnica superior ou seus poderes táticos para levar o adversário a cometer erros. Assim, uma das qualidades mais importantes de Lasker, apesar de praticamente esquecida em todos os inúmeros comentários sobre seu estilo, era saber dar o ritmo de jogo durante os torneios e decisões de longa duração. Lasker conquistou um recorde inigualável em matches, vencendo dezenove, empatando dois e perdendo apenas para seu sucessor no título mundial, Capablanca. Isso se deu em parte por sua habilidade na escolha dos adversários, principalmente no período entre 1900 e 1914, quando - por três vezes - aceitou o comparativamente fraco Janóvski, que tinha um patrocinador rico, enquanto driblava os perigosos desafiantes Maroczy, Rubinstein e Capablanca. Mas, nos matches que jogou, demonstrou sua habilidade no combate corpo a corpo, especialmente nas vitórias de 8 a 0 contra Marshall e Janóvski e 6 a 0 contra Blackburne. Na sua concepção simples das aberturas, Lasker estabeleceu um modelo que foi seguido por alguns de seus sucessores no título mundial, como Capablanca, Petrossian e Karpov, adeptos também de um enfoque de base nos estágios iniciais da partida. Já vimos seu tratamento da abertura Ruy López, e na defesa Francesa com as brancas preferia linhas como 1. e4 e6 2. d4 d5 3. Cc3 Bb4 4. Ce2 ou 1. e4 e6 2. d4 d5 3. Cc3 Cf6 4. Bg5 Bb4 5. exd5 Dxd5 6. Bxf6 gxf6. Um dos problemas de uma postura tão antiteórica com as peças brancas é como enfrentar a defesa Siciliana 1. e4 c5, a mais aguda e a mais analisada de todas as aberturas, mas Lasker também soube lidar com ela nos últimos anos de sua carreira. Jogando com as pretas, preferia um desenvolvimento rápido e simples com o mínimo possível de lances com os peões, como na defesa de Lasker ao gambito da Dama 1. d4 d5 2. c4 e6 3. Cc3 Cf6 4. Bg5 Be7 5. e3 0-0 6. Cf3 h6 7. Bh4 Ce4, ou como na defesa "à moda antiga" contra a abertura Ruy López, que muitas vezes lhe serviu bem. Lasker teria sido o maior enxadrista de todos os tempos, como querem certos comentaristas? Certamente - de acordo com as avaliações históricas de Elo ele inclui-se entre a meia dúzia de principais campeões mundiais junto com Capablanca, Alekhine, Botvinnik, Fischer e provavelmente Karpov e Kasparov. Parece razoável supor, também, que os principais grandes mestres da atualidade saberiam explorar o rotineiro repertório de aberturas de Lasker melhor do que o fizeram seus contemporâneos. Algumas de suas vitórias que partiram de posições duvidosas teriam sido improváveis contra enxadristas familiarizados com o xadrez psicológico. Mas seu conhecimento das posições e sua capacidade analítica deram muito trabalho a jogadores contemporâneos na década de 30; não importa se Lasker era ou não "o maior", ele pode ser considerado o primeiro dos enxadristas modernos e o expoente máximo do xadrez prático.

Fonte: pessoal.onda.com.br/carvalhovisk/lasker.htm



brunosergiom

12/03/2003
09:48:51

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Primeira partida jogada no espaço.

Message:
A primeira partida de Xadrez jogada entre o espaço e a Terra realizou-se no dia 9 de Junho de 1970 e foi jogada entre a tripulação do Soyuz-9 contra os seus companheiros na Terra. Os cosmonautas jogaram sobre um tabuleiro desenhado para a ocasião, tendo em conta a ausência de gravidade. A partida terminou empatada.

Fonte: www.maisxadrez.com/oxadrez/


brunosergiom

12/03/2003
11:06:38

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Grandes Jogadores...

Message:

Grandes Jogadores, Rankings, Listas...
de Arlindo Vieira

Tudo o que for escrito neste artigo é subjectivo, polémico até...mas é meu, é a minha opinião, como tal "falaciosa", parcial, enfermada pelo meu vício do gosto de análise e reflexão sobre a história do xadrez e jogadores de xadrez! Como será evidente, muitos não concordarão com esta análise, outros sim , e, outros ainda nem serão a favor nem contra!
Escrevo este artigo, em primeiro lugar, para recordar certos jogadores-grandes jogadores - esquecidos hoje na voragem das figuras omnipresentes nas capas das revistas de xadrez, ou nas partidas das bases de dados. É bom para mim, faz-me bem recordar esta gente a quem devo muito da minha paixão pelo xadrez, é bom para os "velhinhos" do Luso Xadrez, recordar e re-ouvir estes nomes familiares, é bom para os jovens descobrir, grandes jogadores, para além dos Kaspa, dos Moro, dos Chuky, dos Kram...!

Neste artigo vão estar os grandes Campeões do Mundo, ou grandes jogadores, mas também, aquilo que podemos apelidar de segundos planos, que não deixaram de ser grandes jogadores, mas que, por razões, que a história do xadrez desconhece estão, estão remetidos a uma qualquer entrada de uma enciclopédia xadrezística, pese terem sido fabulosos jogadores de xadrez!

Que fique claro: Os nomes escolhidos são opção minha e a sua colocação na lista em muitos casos aleatória, por exemplo: colocar 1.º Fischer e depois Kasparov, para mim é indiferente colocar ao contrário. Também a época, ou a escola de xadrez me é indiferente! Um grande jogador de ataque foi, é e será um jogador de ataque independentemente da época Romântica, Hipermoderna, Clássica, Informática, etc! Também a classificação dos jogadores em categorias de estilo de jogo não pode deixar de ser problemática e polémica! Petrosyan foi um génio da defesa , mas querem dezenas de partidas deste genial jogador com ataques sensacionais? Tal foi para mim o maior génio de ataque do xadrez do século XX , mas querem dezenas e dezenas de partidas em que o " Mago De Riga " mostrou uma mestria defensiva de alto gabarito? É evidente que para a minha classificação , procuro seguir a tendência, a regra, embora todos os grandes jogadores tivessem e tenham a capacidade da valorização posicional, associado a capacidades de cálculo concreto de variantes, e visão táctica apuradas! Quem quiser estatísticas e análises rebuscadas só para agradar ao patrão e, mostrar que Kasparov foi o maior jogador de todos os tempos, faça o favor vá ler os artigos de um tal Jeff Sonas, no site do Kasparov.

Então o enquadramento dos jogadores em categorias de estilo que proponho é o seguinte:

A- Jogadores de ATAQUE

Isto é, jogadores que procuravam e procuram a iniciativa desde cedo, e que na primeira oportunidade, sacrificavam material, ou para obter um ataque directo ao rei, ou para obter vantagem duradoura e significativa de posição que lhes permitia a vitória. Geralmente uma boa maioria de partidas destes jogadores, são caracterizadas por sacrifícios espectaculares, ou ataques ao rei adversário de uma enorme beleza. Não interessa, aqui discutir, se muitos desses sacrifícios eram ou não formalmente correctos, se eram ou não refutados, por uma defesa correcta, ou análises profundas à posteriori ! Não estamos a falar de Fritz 6, ou Junior, ou outros programas! Quem foram então os maiores jogadores de ataque da História do xadrez?

1.º Mikhail TAL ( 1936 - 1992 )
2.º Leonid STEIN ( 1934 - 1973 )
3.º Adolf ANDERSSEN ( 1818 - 1879 )
4.º Johannes ZUKERTORT ( 1842 - 1888 )
5.º Paul KERES ( 1916 - 1975 )
6.º Alexei SHIROV ( 1972 - )
7.º Alexander MOROZEVITCH ( 1977 - )
8.º Frank MARSHALL ( 1877 - 1944 )
9.º Henry BLACKBURNE ( 1841 - 1924 )
10.º David JANOWSKY ( 1868 - 1927 )
11.º Rudolf SPIELMANN ( 1883 - 1942 )
12.º Jacques MIESES ( 1865 - 1954 )
13.º Veselin TOPALOV ( 1975 - )
14.º Saviely TARTAKOWER ( 1887 - 1956 )
15.º Rudolf CHAROUSEK ( 1873 - 1900 )
16.º Rashid NEZHMETDINOV ( 1912 - 1974 )
17.º Alexander TOLUSH ( 1910 - 1969 )
18.º Viktor KUPREICHIK ( 1949 - 1991 )
19.º Igor BONDAREVSKY ( 1913 - 1979 )
20.º Vladimir SIMAGIN ( 1919 - 1968 )
21.º Ignatz KOLISCH ( 1837 - 1889 )
22.º Leonid SHAMKOVICH ( 1923- )
23.º Max WEISS ( 1857 - 1927 )
o 16.º, 17.º e 18.º são meus" heróis secretos " e hei-de escrever um artigo sobre eles!



B- Os Grandes Jogadores de estilo defensivo-DEFESA

Estes jogadores caracterizavam e caracterizam o seu jogo, através de uma apurada técnica defensiva, prevendo os planos adversários, solucionando de forma por vezes brilhante, ataques violentos dos seus adversários, tendo sempre em atenção formas de contra-ataque, que muitas vezes lhes davam a vitória. Muitos deles eram , e são, não será por acaso, excepcionais jogadores de finais, pelo que usavam-usam, não raras vezes a técnica da simplificação para salvar posições aparentemente comprometidas. Tenho uma ternura especial por estes jogadores, pois numa época, em que se lauda o xadrez de ataque, dá-me vontade de rir, muita gente não perceber que a defesa no xadrez é das coisas mais difíceis de apreender e estudar! É um estilo , não muito adequado a muitos jogadores, mas todos os grandes jogadores defensivos têm em comum, uma eloborada concepção estratégica da posição, bem como uma excelente capacidade de previsão táctica, aliada a uma não menos óptima capacidade de cálculo, independentemente de gostarem de posições mais ou menos restringidas.

1.º Emanuel LASKER ( 1868 - 1941 )
2.º Tigran PETROSYAN ( 1929 - 1984 )
3.º Carl SCHLECHTER ( 1874 - 1918 )
4.º Geza MAROCZY ( 1870 - 1951 )
5.º Oldrich DURAS ( 1882 - 1957 )
6.º Richard TEICHMANN ( 1868 - 1925 )
7.º Ulf ANDERSSON ( 1951-)
8.º Peter LEKO ( 1979 - )
9.º Amos BURN( 1848 - 1925 )



C- Jogadores de ESTILO UNIVERSAL -" all around "

São geralmente grandes jogadores que se movimentam em qualquer tipo de posição. O seu jogo, é por assim dizer universal, mostrando em todas as fases de jogo um alto domínio técnico, conforme os conhecimentos da época, claro! Muitos dos grandes campeões do mundo, coloco-os neste grupo. As suas grandes partidas, são exemplos acabados de uma profunda compreensão posicional, a sua visão táctica era e é apuradissima, bem como a sua capacidade de jogar os finais , extremamente desenvolvida. Por vezes as partidas destes jogadores ( dos grandes, dos outros grupos também-é óbvio! ) mostram um grau de consecução e perfeição, que quase poderiamos dizer perfeito e, quando analisamos as suas partidas, muitas vezes existe nelas uma lógica, um encadeamento estratégico-táctico notáveis, que por vezes nos dão a sensação de tudo aquilo ser muito fácil, os lances parecem fluir com naturalidade, tal como a lógica da partida! Aviso desde já, que dentro desta universalidade, existem variações bem marcadas entre o estilo dos jogadores: ninguém poderá comparar, a cristalinidade do jogo de Fischer, com a beleza obscura e "arvorizada" das concepções estratégicas e tácticas de Kasparov! Apesar de tudo, podemos comparar, quase o mesmo grau de pesquisa e perfeiçonamento dos dois jogadores a nível de aberturas! Posso também referir que os cinco primeiros jogadores desta lista, estão ordenados só pela ordenação, isto é, não corresponde a um "finca-pé" meu numa ordem rigída. Eu explico: Fischer, Kasparov, Capablanca, Alekhine, Morphy-podem colocá-los na ordem que bem quiserem, que eu concordo! E se lhes quiserem acrescentar Tal e Lasker dos outros grupos, também não está mal! E até podem perguntar porque não Alekhine como génio de ataque? Foi-o, como também o foram Fischer, e o é Kasparov, todavia a classe em todas as fases do jogo, a forma como se afirmaram durante anos numa élite mundial, torna-os difíceis de catalogar numa só categoria.

1.º- Bobby FISCHER ( 1943 - )
2.º-Garry KASPAROV ( 1963 - )
3.º José Raul CAPABLANCA ( 1888 - 1942 )
4.º Alexander ALEKHINE ( 1892 - 1946 )
5.º Paul MORPHY ( 1837 - 1884 )
6.º Anatoli KARPOV ( 1951 - )
7.º Wilhelm STEINITZ ( 1836 - 1900 )
7.º Mikhail BOTVINNIK ( 1911 - 1995 )
8.º Vladimir KRAMNIK ( 1975 - )
9.º Boris SPASSKY ( 1937 - )
10.ºViswanathan ANAND ( 1969 - )
11.º Viktor KORCHNOI ( 1931 - )
12.º Vasily SMYSLOV ( 1921 - )
13.º Mykhail CHIGORIN ( 1850 - 1908 )
14.º Akiba RUBINSTEIN ( 1882- 1961 )
15.º David BRONSTEIN ( 1924 - )
16.º Siegbert TARRASCH ( 1862 - 1934 )
17.ºAaron NIMZOWITSCH ( 1886 - 1935 )
18.º Harry Nelson PILLSBURY ( 1872 - 1906 )
19.º Max EUWE ( 1901 - 1981 )
20.º Samuel RESHEVSKY ( 1911 - 1992 )
21.º Lajos PORTISCH ( 1937 - )
22.º Svetozar GLIGORICH ( 1923 - )
23.º Vasily IVANCHUK ( 1969 - )
24.º Reuben FINE ( 1914 - 1993 )
25.º Jan TIMMAN ( 1951 - )
26.º Bent LARSEN ( 1935 - )
27.º Richard RETI ( 1889 - 1929 )
28.º Gyula BREYER ( 1893 - 1921 )
29.º Efim BOGOLJUBOW ( 1889 - 1952 )
30.º Efim GELLER ( 1925 - )
31.º Lev POLUGAYEVSKY ( 1934 - 1995 )
32.º Alexander BELYAVSKY ( 1953 - )
33.º Isaak BOLESLAVSKY ( 1919 - 1977 )
34.º Mark TAIMANOV ( 1926 - )
35.º Miguel NAJDORF ( 1910 - 1997 )
36.º Yuri AVERBAKH ( 1922 - )
37.º Salo FLOHR ( 1908 -83 )
38.º Ljubomir LJUBOJEVICH ( 1950 - )
39.º Gata KAMSKY ( 1974 - )
40.ºAlexander KOTOV ( 1913 - 1981 )
41.º Henrique MECKING ( 1952 -)
42.º Gideon STAHLBERG ( 1908 - 1967 )
43.º Howard STAUTON ( 1810 - 1874 )
44.º Milan VIDMAR ( 1885 - 1962 )
45.º Szymon WINAWER ( 1838 - 1920 )
46.º Ossip BERNSTEIN ( 1882 - 1962 )

D- Jogadores -categoria " NÃO SEI ONDE OS COLOCAR "

São jogadores fabulosos, em que algumas das suas partidas osa colocam na galeria de grandes jogadores...mas sinceramente onde os colocar? Um ou outro nos jogadores de ataque, ou defesa, mas a maioria na de jogadores universais, todavia, confesso que esta última é tão grandiosa e polémica, que me é difícil tirar um e por outro! Mas santo Deus, onde colocar jogadores do calibre de:

PAULSEN
BIRD
KHALIFMAN
GELFAND
SALOV
OLAFSSON
IVKOV
SEIRAWAN
RAGOZIN
SHOWALTER
ELISKASES
SULTAN KHAN
MARCO
PHILIDOR
LABOURDONNAIS
WALBRODT
LEVENFISH
LILIENTHAL
GUNSBERG
HUBNER
ALAPIN
ALBIN
KOSTICH
ETC. , ETC. , ETC...


E pronto...desculpem a "lonjura" do artigo, que até é curto em função da imensidão da grandeza da História do xadrez ! Repito, que esta ordenação é subjectiva, quer no número, quer na própria catalogação dos jogadores em categorias e, por isso dizerem -me que o 9,º é melhor que o 10.º, ou que Pillsbury, podia ser enquadrado num dos jogadores de ataque mais brilhantes do século XX, terá como resposta minha: aceito! O que pretendia é que me chamassem à atenção sobre o esquecimento de algum importante jogador, principalmente do passado, sobre a escrita incorrecta de algum nome, ou das datas assinaladas! Espero que esta lista de nomes vos abra a curiosidade, para explorar as partidas de alguns destes jogadores! Sem presunção, mas com certa vaidade, posso afirmar que possuo livros de partidas ou biografias sobre estes jogadores na proporção de quase 70% desta lista! Qualquer informação bibliográfica será dada com todo o gosto!

Saudações xadrezísticas para todos!

Fonte: br.groups.yahoo.com/group/LusoXadrez/message/275?source=1



brunosergiom

12/04/2003
02:26:34

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Regras e comportamentos

Message:
Data: Qua Out 15, 2003 7:16 am
Assunto: Regras e comportamentos, de Vitor Guerra.


Olá a todos ,

Esta recente abordagem ao tema das penalizações , deu-me alento para escrever
sobre uma coisa que me tem torturado ao longo destes últimos tempos .

Refiro-me às inumeras cenas de comportamentos errados no tabuleiro , a que tenho
assistido , em que não só as regras de xadrez não têm sido respeitadas , mas
também as mais elementares '' regras '' do bom senso , e educação , têm sido
esquecidas , muitas vezes convenientemente .

Enquanto jogador e àrbitro , especialmente desde que comecei a arbitrar , tenho
percebido melhor , o total desconhecimento das regras que existe por parte dos
jogadores . A verdade é que apenas uma muito pequena percentagem dos jogadores
conhece vagamente as regras de xadrez .

Mas o que me incomoda acima de tudo , é que os jogadores mesmo não sabendo as
regras de xadrez , deviam saber como se comportar durante uma partida de xadrez
, e como se comportar em face do jogador que está à nossa frente , adversário ,
mas colega jogador !

Por vezes fico pasmo , e até irritado com certas atitudes , como levar comida
para a mesa , comer sentado em frente ao adversário , dia após dia permitir que
o telemovel toque , como se não fosse nada connosco , propor empate quando o
outro jogador está a pensar , propor empate várias vezes , arrumar as peças
quando o outro está a pensar , há ainda os que se ''esquecem'' de anotar as
jogadas em apuros , os que falam com os adversários em apuros de tempo .... etc
... etc .... , os que mastigam pastilha elastica ou rebuçados e parece que fazem
questão em ser ouvidos do outro lado da sala , e há também os que tentam voltar
atrás com a jogada , umas vezes calados , outras até pedem ... os que mandam com
as peças quando perdem ....sei lá , é só estar com atenção em qualquer torneio
para assistir a casos destes .

O tocar do telemovel aqui discutido , é talvez , o desrespeito mais visivel ,
mas nem por isso o mais prejudicial para o adversário . qualquer uma destas
coisas , que atrás referi me deixa muito mais irritado e desconcentrado do que o
telemovel . imagino que acontecerá o mesmo com muitos jogadores .

A pergunta é , o que fazer para mudar esta situação . Como educar os jogadores ?

Porque ninguém quer ter o trabalho de ler as regras !

É uma chatice ... parece que aquilo tem para aí umas 10 ou 12 paginas , e nem
sequer tem quadradinhos , como é que querem que a malta leia aquilo !

Por incrivel que pareça , num destes últimos nacionais de Sub-18 que arbitrei ,
depois de perceber que não sabiam capturar na passagem , passei a ensinar uma
regra por dia . Antes de dar inicio à sessão , lá explicava mais um regra : ''
.... não se pode usar as duas mãos para jogar .... , pode-se rocar grande se a
casa b1 ou b8 estiver atacada .... '' etc ...

Mas além do processo me deixar infeliz e ser de eficácia duvidosa , é pouco
abrangente .

Pode parecer ridiculo , mas em primeiro lugar sugeria que se fizesse uma coisa
que até vem nas regras , e deixo um apelo a todos os organizadores de provas ,
oficiais ou não .

POR FAVOR , PASSEM A AFIXAR AS REGRAS NA SALA DO TORNEIO !!

Em segundo , uma sugestão que já fiz a algumas pessoas , durante as próximas
provas de jovens , como os nacionais , ou o recente torneio no Barreiro , em que
se conseguir reunir um grande número de jogadores jovens , penso que a FPX ou o
CNA deve elaborar um documento do tipo '' As regras de xadrez e comportamentos a
ter , versão para crianças '' .

No Associação de Xadrez de Lisboa , já está em marcha uma iniciativa desse tipo
por parte da àrbitra Ilda Miranda e respectivo Conselho distrital de arbitragem
,

mas como não seria fantástico se todos nós , agentes desportivos tomássemos
medidas activas no sentido de melhor educar .

talvez , com uma melhor educação e conhecimento das regras , algumas das
noticias de jornal que envergonham o xadrez não existissem ...


Sobre o caso da atribuição de derrota a um jogador por ter tocado o seu
telemovel , já vi casos em que eu como árbitro dava derrota imediatamente ,
devido á repetitividade do acto , e outros em que percebi perfeitamente que fora
esquecimento , sempre achei que devia ser dada liberdade ao àrbitro para avaliar
caso a caso , pois acima de tudo o jogo deve ser ganho por quem pratica melhor
xadrez e não porque o outro se esqueceu de desligar o seu telefone.

Existe até a possibilidade de eu perceber que o telefone do meu adversário está
ligado e fazer com que alguém lhe telefone ...

Se a derrota for a punição adotada para essa infração ( como regra ) , também
não fico escandalizado, preferia de outra maneira , mas aceito . Sugiro só que
se afixe essa punição ou regra em vários sitios bem visiveis para todos na sala
de jogo .

POR FAVOR , PASSEM A AFIXAR AS REGRAS NA SALA DO TORNEIO !!
POR FAVOR , RESPEITEM O TEMPO DE REFLEXÃO DO ADVERSÁRIO !!

Um abraço .
Vitor Guerra.

Fonte: br.groups.yahoo.com/group/LusoXadrez/message/2818
Nota de brunosergiom:

Devemos observar que o texto apresenta uma crítica sobre o comportamento de jogadores portugueses. Contudo, a realidade brasileira não é diferente... Creio que o texto é oportuno. Os jogadores do Conexão Macaxeira que participam de torneios em clubes ou abertos, com certeza, possuem muitas histórias sobre "adversário de comportamento estranho ou difícil" para serem relatadas.

Um abraço,
Bruno



brunosergiom

12/04/2003
02:29:05

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Da ética desportiva

Message:
Data: Qui Out 16, 2003 1:37 pm
Assunto: Da ética desportiva, de Dinis Lameira


Gostaria apenas de recordar que a ética ou a moral não são um problema
específico do xadrez de competição mas um problema social alargado e
multifacetado.
Quanto aos casos específicos de telemóveis a tocar volto a dize-lo, o
problema reside nos reincidentes e nos que o atendem em vez de o desligar já
que estes últimos apenas o fazem para não gastar dinheiro na chamada de
volta, como penalidades proponho apenas as desportivas, desde retirar 0.5 a
1 ponto por cada caso até destituir qualquer falador de qualquer prémio caso
venha a merece-lo pela classificação no final do torneio.
A mensagem é simples, se falas então não mamas.
No entanto em Portugal a FPX tem seguido a dura linha das sanções
pecuniárias para equipas faltosas, não me admiraria se o mesmo “remédio”
fosse aplicado para outros problemas.
Aos Kibitzers faladores um amável convite para desaparecerem da sala de jogo
de uma vez por todas até que estejam bem longe e sem vontade de retornar,
para isso lá estão os árbitros.
A afixação de cartazes com as regras do jogo ou regras de comportamento é
bem intencionada mas parece-me ineficaz, já vi folhas que mais pareciam
sinais de trânsito a proibir o uso de telemóveis na sala de jogo mas estes
tocam na mesma.
Aqueles que comem as suas refeições na mesa de jogo penso que deveriam pelo
menos ter o consentimento do adversário, e a razão é simples uma pessoa com
apetite que vê outra a mastigar tem tendência para começar a salivar
imediatamente o que é um pouco desagradável.
Como exemplo posso dar o meu, quando era mais jovem costumava receber todas
as pessoas que me batiam à porta de mensagens religiosas em punho, com uma
maçã ou uma pêra que comia ruidosamente à frente delas, não me orgulho disso
mas não ficava satisfeito enquanto não as via engolir em seco, ou seja a
alimentação à frente de outra pessoa pode ser tomada como uma ofensa mesmo
quando sem intenção .


Um abraço
Dinis Lameira

Fonte: br.groups.yahoo.com/group/LusoXadrez/message/2825


brunosergiom

12/05/2003
01:28:49

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ABERTURAS DO PEÃO DO REI

Message:

ABERTURAS DO PEÃO DO REI


Abertura do Bispo - 1. P4R/P4R 2. B4B

Variante - 2. .../C3BR 3. P4D/PxP 4. C3BR/CxP 5. DxP/C3BR

Variante - 2. .../P3BD


Contra Gambito do Peão da Dama - 1. P4R/P4R 2. C3BR/P4D 3. PxP/DxP 4. C3B/D3R 5. B5C+/B2D 6. 0-0

Gambito do Rei - 1. P4R/P4R 2. P4BR

Contra Gambito Falkbeer - 2. .../P4D 3. PRxP/P5R 4. P3D/C3BR 5. C2D 5. .../P6R

Gambito do Rei Aceito - 2. .../PxP

Gambito do Bispo do Rei - 3. B4B/P4D 4. BxP/C3BR 5. C3BD/B5CD

Gambito do Cavalo do Rei - 3. C3BR/C3BR 4. P5R/C4TR 5. P4D/P4D

Gambito Muzio - 3. C3BR/P4CR 4. B4B/P5C 5. 0-0

Gambito Kieseritski - 3. C3BR/P4CR 4. P4TR/P5C 5. C5R

Variante - 2. .../B4B 3. C3BR/P3D 4. C3B/C3BR 5. B4B/C3B



Gambito Letão (Contra Gâmbito Grego) - 1. P4R/P4R 2. C3BR/P4BR

Variante - 3. CxP/D3B 4. P4D/P3D 5. C4B/PxP 6. C3B/D3C

Variante - 3. P4D/PBxP 4. CxP/C3BR 5. B4BD/P4D 6. B3C/B3R



Partida Alekhine - 1. P4R/C3BR

Variante Principal - 2. P5R/C4D 3. P4BD/C3C 4. P4D/P3D 5. P4B/PxP

Variante - 2. C3BD/P4D 3. PxP/CxP 4. B4B/C3C 5. B3C/P4BD

Variante - 2. P5R/C4D 3. P4BD/C3C 4. P4D/P3D 5. C3BR/B5C

Variante - 2. P5R/C4D 3. P4BD/C3C 4. P4D/P3D 5. PxP/PRxP

Variante - 2. P5R/C4D 3. P4BD/C3C 4. P5B/C4D 5. C3BD/CxC 6. PDxC 6. .../P3D

Variante - 2. P5R/C4D 3. P4D/P3D 4. C3BR/B5C 5. B2R/P3BD



Partida Berlinesa - 1. P4R/P4R 2. B4B/C3BR

Variante - 3. C3BR/CxP 4. C3B/CxC 5. PDxC/P3BR

Variante - 3. P3D/B4B 4. C3BD/P3D

Variante - 3. P3D/C3B 4. P4B/PxP

Variante - 3. P4D/P3BD 4. PxP/CxP 5. C2R

Variante - 3. P4D/PxP 4. C3BR/CxP



Partida Caro-Kann - 1. P4R/P3BD 2. P4D/P4D 3. PxP/PxP 4. P4BD

Variante Burguesa - 2. P4D/P4D 3. C3BD/PxP 4. CxP

Variante das Trocas - 2. P4D/P4D 3. PxP/PxP 4. B3D

Variante Tartakower - 2. P4D/P4D 3. P3BR

Variante - 2. C3BD/P4D 3. C3B/P3R 4. P4D

Variante - 2. C3BD/P4D 3. C3B/PxP 4. CxP/B5C

Variante - 2. P4D/P4D 3. P5R/B4B 4. B3D/BxB 5. DxB/P3R



Partida do Centro - 1. P4R/P4R 2. P4D/PxP

Defesa Berger - 3. DxP/C3BD 4. D3R/C3B

Gambito do Centro - 3. C3BR

Gambito Nórtico - 3. P3BD/PxP 4. B4BD/PxP

Gambito Nórtico Recusado - 3. P3BD/P4D 4. PRxP

Variante - 3. DxP/C3BD 4. D3R/B5C+

Variante - 3. P4BR/B4B 4. C3BR/C3BD



Partida dos Três Cavalos - 1. P4R/P4R 2. C3BR

Variante - 2. .../C3BD 3. C3B/B5C 4. C5D/C3B 5. B4B/0-0

Variante - 2. .../C3BR 3. C3B/B5C 4. B4B/0-0 5. P3D/P3B



Partida dos 4 Cavalos - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. C3B/C3B 4. B5C

Defesa Rubinstein - 4. .../C5D

Variante simétrica - 4. .../B5C 5. 0-0/0-0



Partida Escandinava - Contra Gambito do Centro - 1. P4R/P4D 2. PxP

Sistema Kiel - 2. .../C3BR

Variante - 2. .../DxP

Variante - 3. B5C+/B2D 4. B4B/B5C

Variante - 3. C3BD/D1D 4. P4D

Variante - 3. C3BD/D4TD 4. P4D

Variante - 3. P4D/CxP 4. P4BD



Partida Escocesa - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. P4D

Gambito Escocês - 3. .../PxP 4. B4BD

Gambito Göring - 3. .../PxP 4. P3B

Gambito Relfson - 3. .../PxP 4. B5CD

Variante - 3. .../PxP 4. CxP/B4B 5. B3R/D3B 6. B3BD/CR2R

Variante - 3. .../PxP 4. CxP/C3B 5. C3BD/B5C 6. CxC/PCxC

Variante - 3. .../PxP 4. CxP/C3B 5. CxC/PCxC 6. P5R/D2R

Variante - 3. .../P3D 4. PxP/PxP 5. DxD+/RxD 6. C3B/P3B



Partida Espanhola (Ruy Lopes) - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. B5C

Sistema Alapin - 3. .../B5C

Sistema Berlinês - 3. .../C3B

Sistema Bird - 3. .../C5D

Sistema Cordeli defesa clássica - 3. .../B4B

Sistema Cozio - 3. .../CR2R

Sistema Jaenish - 3. .../P4B

Sistema Morphy - 3. .../P3TD

Variante Aberta - 4. B4T/C3B 5. 0-0/CxP

Variante Fechada - 4. B4T/C3B 5. 0-0/B2R

Variante da Troca - 4. BxC

Variante Siesta - 4. B4T/P3D

Defesa Möller - 4. B4T/C3B 5. 0-0/B4B

Sistema Steinitz - 3. .../P3D



Partida Francesa - 1. P4R/P3R 2. P4D/P4D

Variante Clássica - 3. C3BD

Ataque Chatard - 3. .../C3BR 4. B5CR/B2R 5. P5R/CR2D 6. P4TR

Variante - 6. .../0-0 7. B3D/P4BD 8. C3T

Variante - 6. .../P3BR 7. B3D/P4BD 8. D5T+/R1B

Variante - 6. .../P4BD 7. BxB/RxB 8. P4B/C3BD

Ataque English - 3. .../C3BR 4. B5CR/B2R 5. P5R/CR2D 6. BxB/DxB 7. D2D

Variante Mac Cutcheon - 3. .../C3BR 4. B5CR/B5C 5. P5R/P3TR

Variante Rubinstein - 3. .../PxP 4. CxP/C2D 5. C3BR/CR3B

Variante Rubinstein Atrasada - 3. .../C3BR 4. B5CR/PxP 5. CxP/B2R 6. BxC/PxB

Variante Winawer - 3. .../B5C

Variante - 4. B2D/C2R 5.PxP/PxP

Variante - 4. B3D/P4BD 5. PRxP/DxP 6. B2D/BxC

Variante - 4. C2R/PxP 5. P3TD/B2R 6. CxP/C3BD ou C3BR

Variante - 4. C2R/PxP 5. P3TD/BxC+ 6. CxB/C3BD

Variante - 4. D4C/C3BR 5. DxPC/T1C 6. D6T

Variante - 4. P3TD/BxC+ 5. PxB/PxP

Variante - 4. P5R/P4BD 5. P3TD/BxC+ 6. PxB

Variante - 4. PxP/PxP 5. B3D/C3BD 6. C2R/CR2R

Variante das Trocas - 3. PxP

Variante Nimzowitch - 3. P5R/P4BD

Variante - 4. D4C/C3BD 5. C3BR/CR2R

Variante - 4. P3BD/C3BD 5. C3BR/D3C

Variante - 4. P3BD/C3BD 5. P4BR/PxP

Variante Tarrasch - 3. C2D

Variante - 3. .../C3BR 4. P5R/CR2D 5. B3D/P4BD 6. P3BD/C3BD

Variante - 3. .../P4BD 4. PxPD/PRxP 5. B5C+/B2D 6. D2R+/D2R



Partida Húngara - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. B4B/B2R 4. P4D

Variante - 4. .../P3D 5. P5D/C1C

Variante - 4. .../PxP 5. CxP



Partida Italiana (Giuoco Piano) - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. B4B/B4B

Ataque Max Lange - 4. 0-0/C3B 5. P4D/PxP 6. P5R

Ataque Möller - 4. P3B/C3B 5. P4D/PxP 6. PxP/B5C+ 7. C3B/CxPR 8. 0-0/BxC 9. P5D

Gambito Evans - 4. P4CD

Gambito Evans Aceito - 4. .../BxP 5. P3B/B4T 6. P4D/P3D

Gambito Evans Recusado - 4. .../B3C 5. B2C/P3D 6. P4TD/P3TD

Variante Canal - 4. P3B/C3B 5. C3B/P3D 6. B5CR

Variante Greco - 4. P3B/C3B 5. P4D/PxP 6. PxP/B5C+ 7. C3B/CxPR 8. 0-0/CxC



Partida Nimzovitch - 1. P4R/C3BD 2. P4D/P4D

Variante - 3. C3BD/P3R 4. C3B/B5C

Variante - 3. C3BD/PxP 4. P5D/C4R

Variante - 3. P5R/B4B 4. P3BD/P3B



Partida Phillidor - 1. P4R/P4R 2. C3BR/P3D 3. P4D

Variante - 3. .../B5C 4. PxP/BxC 5. DxB

Variante - 3. .../C2D 4. B4BD/P3BD

Variante - 3. .../C3BR 4. C3B/CD2D

Variante - 3. .../C3BR 4. PxP/CxP 5. D5D



Partida Ponziani - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. P3B

Variante - 3. .../C3B 4. P4D/P4D

Variante - 3. .../P4D 4. D4T/C3B 5. CxP/B3D



Partida Prussiana (2 cavalos) - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. B4B/C3B

Ataque Fegatello - 4. C5C/P4D 5. PxP/C4TD 6. CxPB

Variante Canal - 4. P4D/PxP 5. 0-0/CxP 6. T1R/P4D 7. BxP/C3B



Partida Russa (defesa Petroff) - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BR

Variante Clássica - 3. CxP/P3D 4. C3BR/CxP 5. P4D/P4D

Variante Lasker - 3. CxP/P3D 4. C3BR/CxP 5. D2R

Variante Steinitz - 3. P4D/PxP 4. P5R/C5R 5. DxP/P4D



Partida Siciliana - 1. P4R/P4BD

Defesa Boleslavsky - 2. C3BR/C3BD 3. P4D/PxP 4. CxP/C3B 5. C3BD/P3D 6. B2R/P4R

Variante - 7. C3B/P3TR 8. 0-0/B2R 9. T1R/0-0 10. P3TR/P3T

Variante - 7. C3C/B2R 8. 0-0/0-0 9. P4B/P4TD 10. P4TD/C5CD

Defesa Bolesllavsky Najdorf - 2. C3BR/P3D 3. P4D/PxP 4. CxP/C3BR 5. C3BD/P3TD 6. B2R/P4R

Variante - 7. C3B

Variante - 7. C3C

Gambito Wing - 2. P4CD

Sistema Fechado - 2. C3BD/C3BD 3. P3CR/P3CR 4. B2C/B2C 5. CR2R

Variante Becker - 2. C3BR/C3BD 3. P4D/PxP 4. CxP/C3B 5. C3BD/P3D

Variante Draconiana - 2. C3BR/C3BD 3. P4D/PxP 4. CxP/C3B 5.C3BD/P3D

Ataque Richter - 6. B5CR/P3R 7. D2D

Variante Principal - 6. B2R/P3CR

Variante Nimzowitch - 2. C3BR/C3BR

Variante Scheveningen - 2. C3BR/P3R 3. P4D/PxP 4. CxP/C3BR 5. C3BD

Defesa Pausen - 5. .../P3D 6. B2R/P3TD 7. 0-0/D2B

Variante Principal - 5. .../P3D 6. B2R/C3B 7. 0-0/B2R

Variante - 5. .../B5C 6. P5R/C4D 7. B2D/CxC

Variante Tartakower - 2. C3BR/P3R 3. P4D/PxP 4. CxP/C3BR 5. C3BD



Partida Viesense - 1. P4R/P4R 2. C3BD/C3BR

Variante - 3. P4B/P4D 4. PxPR/CxP 5. D3B

Variante - 3. P4B/P4D 4. PBxP/CxP 5. C3B

Variante - 5. .../B5CD 6. D2R/CxC 7. PDxC/B2R 8. B4B/P4BD

Variante - 5. .../B4BD 6. P4D/B5CD 7. D3D/P4BD 8. PxP/CxP

Variante - 5. .../B2R 6. P3D/CxC 7. PxC/0-0 8. B2R/P3BR

Variante - 5. .../B5CR 6. D2R/CxC 7. PCxC/P4BD

Variante - 5. .../C3BD 6. D2R/B4BR 7. D5C/P3TD

Variante - 3. B4B/CxP 4. D5T/C3D 5. B3C/B2R

Variante - 3. P4B/P4D 4. PxPR/CxP 5. C3B/B2R

Variante - 3. B4B/CxP 4. D5T/C3D 5. B3C/B2R

Variante - 3. B4B/C3B 4. P3D/B5C 5. B5CR/P3TR

Fonte: geocities.yahoo.com.br/xadrezvirtual/aberturas



brunosergiom

12/05/2003
01:28:50

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ABERTURAS DO PEÃO DO REI

Message:

ABERTURAS DO PEÃO DO REI


Abertura do Bispo - 1. P4R/P4R 2. B4B

Variante - 2. .../C3BR 3. P4D/PxP 4. C3BR/CxP 5. DxP/C3BR

Variante - 2. .../P3BD


Contra Gambito do Peão da Dama - 1. P4R/P4R 2. C3BR/P4D 3. PxP/DxP 4. C3B/D3R 5. B5C+/B2D 6. 0-0

Gambito do Rei - 1. P4R/P4R 2. P4BR

Contra Gambito Falkbeer - 2. .../P4D 3. PRxP/P5R 4. P3D/C3BR 5. C2D 5. .../P6R

Gambito do Rei Aceito - 2. .../PxP

Gambito do Bispo do Rei - 3. B4B/P4D 4. BxP/C3BR 5. C3BD/B5CD

Gambito do Cavalo do Rei - 3. C3BR/C3BR 4. P5R/C4TR 5. P4D/P4D

Gambito Muzio - 3. C3BR/P4CR 4. B4B/P5C 5. 0-0

Gambito Kieseritski - 3. C3BR/P4CR 4. P4TR/P5C 5. C5R

Variante - 2. .../B4B 3. C3BR/P3D 4. C3B/C3BR 5. B4B/C3B



Gambito Letão (Contra Gâmbito Grego) - 1. P4R/P4R 2. C3BR/P4BR

Variante - 3. CxP/D3B 4. P4D/P3D 5. C4B/PxP 6. C3B/D3C

Variante - 3. P4D/PBxP 4. CxP/C3BR 5. B4BD/P4D 6. B3C/B3R



Partida Alekhine - 1. P4R/C3BR

Variante Principal - 2. P5R/C4D 3. P4BD/C3C 4. P4D/P3D 5. P4B/PxP

Variante - 2. C3BD/P4D 3. PxP/CxP 4. B4B/C3C 5. B3C/P4BD

Variante - 2. P5R/C4D 3. P4BD/C3C 4. P4D/P3D 5. C3BR/B5C

Variante - 2. P5R/C4D 3. P4BD/C3C 4. P4D/P3D 5. PxP/PRxP

Variante - 2. P5R/C4D 3. P4BD/C3C 4. P5B/C4D 5. C3BD/CxC 6. PDxC 6. .../P3D

Variante - 2. P5R/C4D 3. P4D/P3D 4. C3BR/B5C 5. B2R/P3BD



Partida Berlinesa - 1. P4R/P4R 2. B4B/C3BR

Variante - 3. C3BR/CxP 4. C3B/CxC 5. PDxC/P3BR

Variante - 3. P3D/B4B 4. C3BD/P3D

Variante - 3. P3D/C3B 4. P4B/PxP

Variante - 3. P4D/P3BD 4. PxP/CxP 5. C2R

Variante - 3. P4D/PxP 4. C3BR/CxP



Partida Caro-Kann - 1. P4R/P3BD 2. P4D/P4D 3. PxP/PxP 4. P4BD

Variante Burguesa - 2. P4D/P4D 3. C3BD/PxP 4. CxP

Variante das Trocas - 2. P4D/P4D 3. PxP/PxP 4. B3D

Variante Tartakower - 2. P4D/P4D 3. P3BR

Variante - 2. C3BD/P4D 3. C3B/P3R 4. P4D

Variante - 2. C3BD/P4D 3. C3B/PxP 4. CxP/B5C

Variante - 2. P4D/P4D 3. P5R/B4B 4. B3D/BxB 5. DxB/P3R



Partida do Centro - 1. P4R/P4R 2. P4D/PxP

Defesa Berger - 3. DxP/C3BD 4. D3R/C3B

Gambito do Centro - 3. C3BR

Gambito Nórtico - 3. P3BD/PxP 4. B4BD/PxP

Gambito Nórtico Recusado - 3. P3BD/P4D 4. PRxP

Variante - 3. DxP/C3BD 4. D3R/B5C+

Variante - 3. P4BR/B4B 4. C3BR/C3BD



Partida dos Três Cavalos - 1. P4R/P4R 2. C3BR

Variante - 2. .../C3BD 3. C3B/B5C 4. C5D/C3B 5. B4B/0-0

Variante - 2. .../C3BR 3. C3B/B5C 4. B4B/0-0 5. P3D/P3B



Partida dos 4 Cavalos - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. C3B/C3B 4. B5C

Defesa Rubinstein - 4. .../C5D

Variante simétrica - 4. .../B5C 5. 0-0/0-0



Partida Escandinava - Contra Gambito do Centro - 1. P4R/P4D 2. PxP

Sistema Kiel - 2. .../C3BR

Variante - 2. .../DxP

Variante - 3. B5C+/B2D 4. B4B/B5C

Variante - 3. C3BD/D1D 4. P4D

Variante - 3. C3BD/D4TD 4. P4D

Variante - 3. P4D/CxP 4. P4BD



Partida Escocesa - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. P4D

Gambito Escocês - 3. .../PxP 4. B4BD

Gambito Göring - 3. .../PxP 4. P3B

Gambito Relfson - 3. .../PxP 4. B5CD

Variante - 3. .../PxP 4. CxP/B4B 5. B3R/D3B 6. B3BD/CR2R

Variante - 3. .../PxP 4. CxP/C3B 5. C3BD/B5C 6. CxC/PCxC

Variante - 3. .../PxP 4. CxP/C3B 5. CxC/PCxC 6. P5R/D2R

Variante - 3. .../P3D 4. PxP/PxP 5. DxD+/RxD 6. C3B/P3B



Partida Espanhola (Ruy Lopes) - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. B5C

Sistema Alapin - 3. .../B5C

Sistema Berlinês - 3. .../C3B

Sistema Bird - 3. .../C5D

Sistema Cordeli defesa clássica - 3. .../B4B

Sistema Cozio - 3. .../CR2R

Sistema Jaenish - 3. .../P4B

Sistema Morphy - 3. .../P3TD

Variante Aberta - 4. B4T/C3B 5. 0-0/CxP

Variante Fechada - 4. B4T/C3B 5. 0-0/B2R

Variante da Troca - 4. BxC

Variante Siesta - 4. B4T/P3D

Defesa Möller - 4. B4T/C3B 5. 0-0/B4B

Sistema Steinitz - 3. .../P3D



Partida Francesa - 1. P4R/P3R 2. P4D/P4D

Variante Clássica - 3. C3BD

Ataque Chatard - 3. .../C3BR 4. B5CR/B2R 5. P5R/CR2D 6. P4TR

Variante - 6. .../0-0 7. B3D/P4BD 8. C3T

Variante - 6. .../P3BR 7. B3D/P4BD 8. D5T+/R1B

Variante - 6. .../P4BD 7. BxB/RxB 8. P4B/C3BD

Ataque English - 3. .../C3BR 4. B5CR/B2R 5. P5R/CR2D 6. BxB/DxB 7. D2D

Variante Mac Cutcheon - 3. .../C3BR 4. B5CR/B5C 5. P5R/P3TR

Variante Rubinstein - 3. .../PxP 4. CxP/C2D 5. C3BR/CR3B

Variante Rubinstein Atrasada - 3. .../C3BR 4. B5CR/PxP 5. CxP/B2R 6. BxC/PxB

Variante Winawer - 3. .../B5C

Variante - 4. B2D/C2R 5.PxP/PxP

Variante - 4. B3D/P4BD 5. PRxP/DxP 6. B2D/BxC

Variante - 4. C2R/PxP 5. P3TD/B2R 6. CxP/C3BD ou C3BR

Variante - 4. C2R/PxP 5. P3TD/BxC+ 6. CxB/C3BD

Variante - 4. D4C/C3BR 5. DxPC/T1C 6. D6T

Variante - 4. P3TD/BxC+ 5. PxB/PxP

Variante - 4. P5R/P4BD 5. P3TD/BxC+ 6. PxB

Variante - 4. PxP/PxP 5. B3D/C3BD 6. C2R/CR2R

Variante das Trocas - 3. PxP

Variante Nimzowitch - 3. P5R/P4BD

Variante - 4. D4C/C3BD 5. C3BR/CR2R

Variante - 4. P3BD/C3BD 5. C3BR/D3C

Variante - 4. P3BD/C3BD 5. P4BR/PxP

Variante Tarrasch - 3. C2D

Variante - 3. .../C3BR 4. P5R/CR2D 5. B3D/P4BD 6. P3BD/C3BD

Variante - 3. .../P4BD 4. PxPD/PRxP 5. B5C+/B2D 6. D2R+/D2R



Partida Húngara - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. B4B/B2R 4. P4D

Variante - 4. .../P3D 5. P5D/C1C

Variante - 4. .../PxP 5. CxP



Partida Italiana (Giuoco Piano) - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. B4B/B4B

Ataque Max Lange - 4. 0-0/C3B 5. P4D/PxP 6. P5R

Ataque Möller - 4. P3B/C3B 5. P4D/PxP 6. PxP/B5C+ 7. C3B/CxPR 8. 0-0/BxC 9. P5D

Gambito Evans - 4. P4CD

Gambito Evans Aceito - 4. .../BxP 5. P3B/B4T 6. P4D/P3D

Gambito Evans Recusado - 4. .../B3C 5. B2C/P3D 6. P4TD/P3TD

Variante Canal - 4. P3B/C3B 5. C3B/P3D 6. B5CR

Variante Greco - 4. P3B/C3B 5. P4D/PxP 6. PxP/B5C+ 7. C3B/CxPR 8. 0-0/CxC



Partida Nimzovitch - 1. P4R/C3BD 2. P4D/P4D

Variante - 3. C3BD/P3R 4. C3B/B5C

Variante - 3. C3BD/PxP 4. P5D/C4R

Variante - 3. P5R/B4B 4. P3BD/P3B



Partida Phillidor - 1. P4R/P4R 2. C3BR/P3D 3. P4D

Variante - 3. .../B5C 4. PxP/BxC 5. DxB

Variante - 3. .../C2D 4. B4BD/P3BD

Variante - 3. .../C3BR 4. C3B/CD2D

Variante - 3. .../C3BR 4. PxP/CxP 5. D5D



Partida Ponziani - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. P3B

Variante - 3. .../C3B 4. P4D/P4D

Variante - 3. .../P4D 4. D4T/C3B 5. CxP/B3D



Partida Prussiana (2 cavalos) - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BD 3. B4B/C3B

Ataque Fegatello - 4. C5C/P4D 5. PxP/C4TD 6. CxPB

Variante Canal - 4. P4D/PxP 5. 0-0/CxP 6. T1R/P4D 7. BxP/C3B



Partida Russa (defesa Petroff) - 1. P4R/P4R 2. C3BR/C3BR

Variante Clássica - 3. CxP/P3D 4. C3BR/CxP 5. P4D/P4D

Variante Lasker - 3. CxP/P3D 4. C3BR/CxP 5. D2R

Variante Steinitz - 3. P4D/PxP 4. P5R/C5R 5. DxP/P4D



Partida Siciliana - 1. P4R/P4BD

Defesa Boleslavsky - 2. C3BR/C3BD 3. P4D/PxP 4. CxP/C3B 5. C3BD/P3D 6. B2R/P4R

Variante - 7. C3B/P3TR 8. 0-0/B2R 9. T1R/0-0 10. P3TR/P3T

Variante - 7. C3C/B2R 8. 0-0/0-0 9. P4B/P4TD 10. P4TD/C5CD

Defesa Bolesllavsky Najdorf - 2. C3BR/P3D 3. P4D/PxP 4. CxP/C3BR 5. C3BD/P3TD 6. B2R/P4R

Variante - 7. C3B

Variante - 7. C3C

Gambito Wing - 2. P4CD

Sistema Fechado - 2. C3BD/C3BD 3. P3CR/P3CR 4. B2C/B2C 5. CR2R

Variante Becker - 2. C3BR/C3BD 3. P4D/PxP 4. CxP/C3B 5. C3BD/P3D

Variante Draconiana - 2. C3BR/C3BD 3. P4D/PxP 4. CxP/C3B 5.C3BD/P3D

Ataque Richter - 6. B5CR/P3R 7. D2D

Variante Principal - 6. B2R/P3CR

Variante Nimzowitch - 2. C3BR/C3BR

Variante Scheveningen - 2. C3BR/P3R 3. P4D/PxP 4. CxP/C3BR 5. C3BD

Defesa Pausen - 5. .../P3D 6. B2R/P3TD 7. 0-0/D2B

Variante Principal - 5. .../P3D 6. B2R/C3B 7. 0-0/B2R

Variante - 5. .../B5C 6. P5R/C4D 7. B2D/CxC

Variante Tartakower - 2. C3BR/P3R 3. P4D/PxP 4. CxP/C3BR 5. C3BD



Partida Viesense - 1. P4R/P4R 2. C3BD/C3BR

Variante - 3. P4B/P4D 4. PxPR/CxP 5. D3B

Variante - 3. P4B/P4D 4. PBxP/CxP 5. C3B

Variante - 5. .../B5CD 6. D2R/CxC 7. PDxC/B2R 8. B4B/P4BD

Variante - 5. .../B4BD 6. P4D/B5CD 7. D3D/P4BD 8. PxP/CxP

Variante - 5. .../B2R 6. P3D/CxC 7. PxC/0-0 8. B2R/P3BR

Variante - 5. .../B5CR 6. D2R/CxC 7. PCxC/P4BD

Variante - 5. .../C3BD 6. D2R/B4BR 7. D5C/P3TD

Variante - 3. B4B/CxP 4. D5T/C3D 5. B3C/B2R

Variante - 3. P4B/P4D 4. PxPR/CxP 5. C3B/B2R

Variante - 3. B4B/CxP 4. D5T/C3D 5. B3C/B2R

Variante - 3. B4B/C3B 4. P3D/B5C 5. B5CR/P3TR

Fonte: geocities.yahoo.com.br/xadrezvirtual/aberturas



brunosergiom

12/05/2003
01:34:47

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Mieczslaw Mendel Najdorf

Message:
Mieczslaw Mendel Najdorf (1910 a 1997)



A INFÂNCIA

Nasceu na Polônia e antes de completar seu "Bar-Mitzvá" ( 13 anos), impressionava toda congregação da sinagoga de sua cidade pela memorização impressionante de trechos completos do Talmud ( livro sagrado dos judeus). Anos depois entre (1948 e 1950) visitando Recife, à convite do brilhante enxadrista Dr. Luís Tavares, cirurgião notável que alcançou o titulo de campeão brasileiro, esteve no Clube de Xadrez do Recife onde tive o prazer de conhecer-lo. Duma simplicidade e cavalheirismo impressionantes, jogou um por um com os presentes, espantados por ter-lo entre nós.

Após pediu um jornal local, passando a vista pausadamente, entregou-nos e fechando os olhos, repetiu os títulos de pagina por pagina sem erros. Possivelmente foi o enxadrista de maior poder de memorização.

A JUVENTUDE
Seguindo sua extraordinária vocação para o Xadrez, defendeu seu pais natal nas olimpíadas de 35,37 e 39 a última em Buenos Aires. A Europa incendiada pela barbárie nazista não permitiu que voltasse, sua esposa e filha foram exterminadas, apesar de poloneses eram de religião judia.

O APÓS GUERRA


Em 1947 no Brasil na cidade de São Paulo joga as cegas contra 45 tabuleiros durante 23 horas e meia. 39 vitórias 4 empates e 2 derrotas e após reproduziu, uma por uma todas as partidas.

Conforme declarou esperava que com esta extraordinária façanha, a noticia da mesma seria publicada em todos os jornais do mundo e soubesse o paradeiro de sua família.

Entretanto o silencio foi a resposta do terrível extermínio da mesma.

Quando na mencionada visita à Recife, tocou no assunto não havia mais nenhuma esperança em seu coração. Era uma extraordinária grandeza espiritual.

A NATURALIZAÇÃO ARGENTINA


Torna-se cidadão argentino e dedica-se aos negócios onde prosperou com uma empresa de seguros e transformou-se pelo resto da vida um patrocinador de torneios de xadrez, fugindo da miséria que ceifou outros brilhantes enxadristas, de religião judaica, foragidos da besta nazista. De 1950 a 1976, integrou as equipes Argentinas nos mundiais por equipes , onze ao todo jogando com o 1o tabuleiro em dez delas, foram 171, vencendo 66 empatando 88 e somente perdendo 18!

A VELHICE GLORIOSA

Aos 70 anos com elo de 2510 venceu o torneio "Clarim" de Buenos Aires frente a Spassky e Petrosian.

Aos 76 anos desafia o grande mestre e campeão Argentino Raimundo Garcia.

A variante Najdorf da Defesa Siciliana permanecerá na mente de todos enxadristas.

e4 c 5
Cf3 d6
d4 cxd4
Cxd4 a6

OS ÚLTIMOS ANOS

Torna-se o mecenas do xadrez Argentino dando bolsas substanciais aos torneios que patrocinou.

Um dos mais importantes foi o torneio em homenagem a variante Polugaievsky em Buenos Aires.

e4 c 5
Cf3 d6
d4 cxd4
Cxd4 Cf6
Cc3 a6
Bg5 e6


Criação do genial Lev Polugaievsky o grande mestre judeu russo, que faleceria poucos meses após.

A MORTE


Mendel Najdorf faleceu em 4 de julho do corrente ano na Espanha.

Fonte: www.cex.org.br/html/sobre/Biografias/najdorf.htm



brunosergiom

12/05/2003
01:47:07

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Pintando o Sete (I)

Message:
Pintando o Sete (I)

O nosso leitor (no singular mesmo, talvez só exista um) pode ficar tranqüilo: não pretendemos elaborar nenhuma análise numerológica do xadrez. Para nós, tanto faz que as palavras, SMYSLOV, SPASSKY, KRAMNIK e FISCHER contenham, cada uma, sete (7) letras. Estamos longe de bancarmos o Paulo Coelho para lembrar que o reinado de Capablanca durou 7 anos (e terminou no ano de 1927), que Mequinho venceu Korchnnoi depois de um intervalo de 7 anos (1967-1974), que Kasparov e Karpov se encontraram pela primeira vez sete anos depois que Karpov ocupou o trono de Fischer, que Alekhine retomou o título em 1937. Sem falar das torres na sétima, do peão na sétima, e o mais estarrecedor: que Kasparov conquistou o título mundial numa semana de sete dias! (Espantado, amigo leitor? Tanto quanto Macbeth, quando descobriu que não tinha nascido de mulher...)

Duzentos e cinqüenta e dois anos depois da publicação do primeiro volume da Enciclopédia de Diderot e D’Alembert, reafirmamos o compromisso com as luzes da Razão no combate às trevas da ignorância, do fanatismo, da intolerância e da superstição!

Por que então o número sete? Por um motivo simples: resolvemos dar um passeio pelas partidas que terminaram em apenas sete. Os erros são bastante instrutivos e todas têm final bonitinho.

Nosso primeiro exemplo é a repetição de uma velha e sempre instrutiva cilada da variante dragão da defesa siciliana que volta e meia apanha algum incauto:



Springer,P - Felder,M

Campeonato da Suíça, Luzern, 1994

1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 g6 [começo da variante dragão. Dizem que a posição das pretas lembra vagamente a forma de um dragão chinês.] 6.Be3 Cg4?? [Talvez pensando: "Agora, Herr Springer, dê o seu salto!". O correto é um lance simples como 6...Bg7. As pretas não precisavam conhecer a cilada para respeitar o velho princípio de não mover duas vezes a mesma peça na abertura.] 7.Bb5+ e as pretas abandonaram porque depois de 7...Bd7 as brancas jogam 8.Dxg4! ganhando a peça. 1–0

Alguns amadores preferem aberturas e defesas menos adotadas pelos bons jogadores. Entretanto, deveriam estar cientes dos motivos pelos quais os mestres evitam determinadas linhas:



Grass,R - Agustoni,M

Campeonato da Suíça, 1994

1.e4 e5 2.Cf3 d6 [A defesa Philidor não goza de boa reputação entre os GMs porque as pretas ficam com posição restringida e sem muita compensação.] 3.d4 Cd7 4.Bc4 Be7 [Esse lance não é bom. As pretas deveriam ter jogado 4...c6 para seguir com 5.Cc3 Be7.] 5.0–0 [É melhor jogar logo 5.dxe5 Cxe5 6.Cxe5 dxe5 7.Dh5 g6 8.Dxe5 Cf6 9.Bh6 com vantagem inquestionável. De qualquer modo, esse lance, o roque, já foi a opção de um bom GM como o peruano J. Granda, precocemente afastado do xadrez.] 5...h6? [Perda de tempo injustificada. O correto teria sido 5...Cf6 6.Cc3 O-O.] 6.dxe5 dxe5? [A emenda pior do que o soneto. Depois de 6...Cxe5 7.Cxe5 dxe5 8.Dh5 g6 9.Dxe5 as brancas teriam peão a mais e posição superior, com grandes chances de vitória. Mas o que as pretas escolheram na partida leva à derrota imediata.] 7.Dd5 e as pretas abandonaram. Com efeito, depois de 7...Cdf6 8.Dxf7+ tem início a caça ao rei preto: 8...Rd7 9.Cxe5+ Rd6 10.Td1+ Rc5 11.Be3+ Rb4 (solitário, o rei monarca atravessa o campo inimigo sob ataque implacável dos adversários) 12.a3+ Ra4 (12...Ra5 13.b4+ Ra4 14.Cc3#) 13.b3+ Ra5 14.b4+ Bxb4 15.axb4+ Rxb4 16.c3# 1–0

Mais importante do que decorar os lances da abertura, é conhecer os temas principais, o porquê de cada seqüência. Só então é que deveremos memorizar os cachos de variantes... Um exemplo simples é encontrado na partida abaixo (os números entre parêntesis indicam o valor do Rating Fide):



Boeven,M (2140) - Kristiansen,E (2260)

Campeonato mundial de Seniors , Grieskirchen 1998

1.d4 Cf6 2.Cc3 g6 3.e4 d6 [Por transposição, as pretas entram na Defesa Pirc.] 4.f4 c5? [Esse avanço de peão só deve ser feito depois que o bispo foi para g7. Por exemplo: 4...Bg7 5.Cf3 c5 (também é bom 5...0–0 6.Bd3 Ca6) 6.Bd3 Cc6 lances típicos do chamado Ataque Austríaco.] 5.dxc5 Da5 [Aí está a diferença: esse lance só é forte quando está combinado com o Bg7, ameaçando ...Cxe4 com triplo ataque sobre c3.] 6.cxd6 Cxe4?? [Era preciso se conformar com 6...exd6 7.Dd3 (defende os pontos e4 e c3, prepara o roque grande, impede ...d5) 7...Cc6 8.Bd2 com enorme superioridade das brancas.] 7.Dd5 e as pretas abandonaram ao perceber que depois de 7...Dxd5 8.Cxd5 Ca6 (não há como evitar 10.Cc7+) 9.Bxa6 bxa6 10.Cc7+ Rd8 11.Cxa8 exd6 12.Be3 Bb7 13.Bxa7 Bxa8 e a vantagem da qualidade + peão garante a vitória branca. 1–0

Pode ser uma receita conservadora para a vida diária, mas é ainda válida para o jogo de xadrez: no começo da partida, a dama deve ser recatada, não ousando passear para longe de casa (veja a seção anterior de miniaturas). Na partida abaixo, a dama preta parte em direção do campo inimigo sem qualquer proteção, rodeada de súditos que em vez de protegê-la a impedem de retornar à casa abrigada:



Keskisarja,T (2290) - Pitkanen,S (2175)

Espoo We MatSK Espoo 1998

1.e4 d5 2.exd5 Dxd5 3.Cc3 Da5 [As pretas jogam a defesa escandinava. O lance 3...Dd8 também é válido, mas nesta partida as pretas preferiram manter a dama numa casa supostamente ativa.] 4.d4 Cf6 5.Bc4 Cc6 [A variante mais utilizada nos torneios de mestres atuais é: 5...c6 6.Bd2 Bf5 que admite duas possibilidades: A) 7.Cf3 e6 8.Ce4 (8.Cd5 Dd8 9.Cxf6+ gxf6) 8...Dd8 9.Cg3 Bg4 10.c3 Cbd7; e B) 7.De2 7...e6 8.0–0–0 Bb4 9.Cf3 Cd5 10.Cxd5 Bxd2+ 11.Cxd2 cxd5 12.Cb3 Dd8 13.Bb5+ Rf8] 6.Bd2 [Preparando uma cilada para a dama. Repare que o Cc6 impede o retorno da dama preta. De qualquer modo, o usual aqui é 6.Cge2 Bg4 7.f3 Bf5 8.Be3 ou então 6.d5 Ce5 7.Bb3] 6...a6?? [As pretas poderiam ter despreocupadamente tomado o peão, como nesta antiga partida de dois GMs inimigos do empate rápido: 6...Cxd4 7.Cb5 Db6 8.Be3 Da5+ 9.Bd2 Db6 10.Be3 Da5+ 11.Bd2 ½–½ Spielmann,R-Mieses,J/St Petersburg 1909, ou então 6...Db4 7.b3 e5 (seria horrível 7...Dd6? por causa de 8.Cb5 Dd7 9.Bf4 e as brancas estão ganhas, Kvicala,J-Mieses,Jm Praga 1908) 8.dxe5 Cxe5 9.Cd5 Dd6 10.Bb4 c5 11.Cxf6+ Dxf6 12.Bc3 De7= Przepiorka,D-Mieses,J, Duesseldorf 1908] 7.Cd5 e as pretas abandonaram porque a dama simplesmente não tem casa para onde fugir! 1–0

Nos contos de fada, as damas aprisionadas são resgatadas pelos cavaleiros. Mas na sangrenta realidade do tabuleiro, isso nem sempre acontece. A pobre mocinha é devorada pelo bárbaro inimigo:



Both,H - Engel,W

Rheinland-S Heimbach Weis, 1997

1.d4 g6 2.c4 Bg7 3.Cc3 d6 4.e4 c5 [As pretas jogam uma linha que não é exatamente a defesa índia do rei porque não colocaram o cavalo em f6.] 5.Be3 [Aqui normalmente se joga 5.d5 e6 6.Bd3 Ce7 ou então 5.Cge2 Cc6 6.d5 Cd4 7.Be3] 5...Db6 [5...Da5!?] 6.Ca4 [6.Cd5 Dc6=] 6...Db4+?? [A dama é insaciável na busca por xeque! A partida estaria igualada depois de 6...Da5+ 7.Bd2 Dc7 8.d5 Cf6=] 7.Bd2 e a dama preta não tem para onde fugir. Sendo assim, as pretas abandonaram. 1–0

A timidez pode fazer algum sucesso na arte do amor, porém Caissa (a deusa indiana do xadrez) não ama os tímidos. Aqui, o excesso de contenção das brancas leva à perda da dama e da partida. Infeliz no amor, infeliz no jogo:



De Mol,F - Van Hengel,H

Soest op 1995

1.e4 Cf6 2.d3 [Maneira pusilânime de enfrentar a defesa Alekhine. Os mestres preferem 2.e5] 2...d5 3.f3? [Esse lance é ruim por vários motivos elementares: retira uma boa casa para o cavalo branco (f3), não contribui para o desenvolvimento de nenhuma peça, e ainda deixa enfraquecida a diagonal e1–h4. Teria sido melhor jogar 3.Cd2] 3...e5 [As pretas se expandem com vigor no centro.] 4.Bg5 Bc5 5.Ce2 dxe4 6.fxe4?? [Era forçado 6.Bxf6 Dxf6 7.dxe4 (7.fxe4?? Be3 (ameaça o mate 8...Df2#) 8.Cf4 exf4) 7...Db6 8.Dc1 (defende o peão b2) 8...Bf2+ 9.Rd1 0–0 e a posição preta é muito melhor.] 6...Cxe4! 7.dxe4 [Se 7.Bxd8 Bf2#; Também perde, embora demore um pouquinho mais 7.d4 Dxg5 8.dxc5 Df5 9.Dd5 c6 10.Db3 Df2+ 11.Rd1 Re7! (para poder jogar logo 12...Td8. O rei preto não corre qualquer perigo porque as brancas não têm peças desenvolvidas nem o centro está totalmente aberto.) 12.Cd2 Td8 ganhando.] 7...Bf2+ e as brancas abandonaram porque depois de 8.Rxf2 Dxd1 as pretas ganhariam a dama. 0–1

Parece que ganha, mas não ganha. A dama que vai é a dama que fica. E o cavalo só salta para depois poder galopar. Eis aqui, ó gajo, uma bela justa do campeonato lusitano:



Evora,F - Santos,L

Campeonato de Portugal, Evora, 1995

1.Cf3 c5 2.c4 Cf6 3.Cc3 d5 4.cxd5 Cxd5 5.e4 Cb4 6.d4? [Esta variante é uma das mais complexas do xadrez atual. Basta ver o que fortes GMs jogaram recentemente: 6.Bb5+ C8c6 7.a3 Cd3+ 8.Re2 Cf4+ 9.Rf1 Ce6 10.d3 g6 11.h4 Bg7 Piket,J-Leko,P, SuperGM, Dortmund GER 2000] 6...cxd4 7.Cxd4?? [Embora as brancas ficassem com posição inferior, deveriam ter jogado 7.Da4+ C4c6 8.Ce2 e5 9.Cxe5 Bb4+ 10.Bd2 Bxd2+ 11.Rxd2 0–0] 7...Dxd4! Esse é o detalhe. As pretas ganham a peça porque sua dama não pode ser capturada: 8.Dxd4 Cc2+ 9.Rd1 Cxd4. As brancas abandonaram. 0–1

E como essa foi a sétima miniatura apresentada, vamos ficando por aqui. Na próxima coluna, continuaremos com nosso tema!

Fonte: www.centraldoxadrez.hpg.ig.com.br/mini07.htm


brunosergiom

12/05/2003
08:15:32

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A hora e a vez do capivara

Message:

Você conhece o Hydrochoerus hydrochoeris? Trata-se do grande roedor da família dos cavídeos, que os índios tupi-guaranis chamavam de kapi’wara ("comedor de capim"). É esse mesmo, nosso amigo e companheiro capivara.

Existem dois tipos de capivaras. O capivara absoluto e o capivara relativo.

O capivara absoluto é todo jogador de xadrez que não é o campeão do mundo. Nesse sentido, podemos dizer que atualmente Kaspárov é um capivara (ele não capivarou violentamente em duas partidas contra Krámnik?).

Talvez devamos ampliar o conceito de capivara absoluto (seria exatamente o caso de adotarmos o conceito de capivara relativo). Assim, capivaras seriam todos os que, nos últimos dez anos, em menhum momento alcançaram rating superior a 2700. Os jogadores "turistas", segundo a definição com a habitual pouca sutileza de Gári Kaspárov. Para o grande jogador ex-soviético e ex-campeão do mundo, só não pertencem ao universo dos turistas e capivaras os que, pelo menos com alguma freqüência, são (ou foram) capazes de jogar de igual para igual contra ele. Não é o caso, por exemplo, do autor deste artigo.

É possível ampliar a noção de capivara até onde se queira. Por exemplo, capivaras seriam todos os que não possuem o título de GM (grande mestre internacional). Mais ainda, os que não possuem nem mesmo o título de MI. E assim por diante.

Na verdade, o conceito de capivara é maravilhosamente flexível e democrático: capivara é todo aquele jogador que, acreditamos, joga menos do que nós. Por isso, amável leitor, você pode chamar muitos outros de capivaras e, tenha certeza, também já foi (e é) chamado de capivara por um bando de jogadores. Enfim, uma alegre confraria de macacos que não olham os próprios rabos!

Mas será que isso significa que existe um abismo intransponível que separa o mestre do capivara? É claro que não! A história registra alguns poucos e efêmeros instantes em que o humilde capivara, o desconhecedíssimo amador, o apagadíssimo jogador de fim-de-semana alcançou a glória suprema de bater o mestre. Essa possibilidade é remotíssima de acontecer numa partida com controle de tempo dilatado (por exemplo, duas horas para cada jogador) mas aumenta um pouquinho em partidas rápidas (25 minutos para cada um). A grande chance de o capivara obter um sorriso favorável da deusa Sorte acontece em partidas de cinco minutos ("ping", "Blitz" ou "relâmpago", como se chamam) e, principalmente, nas exibições simultâneas.

Qualquer um de nós já perdeu uma partida de cinco minutos contra um jogador que, acreditamos, joga menos do que a gente. O ping realmente tem um aspecto de loteria que pode favorecer o adversário mais débil.

As simultâneas são a grande oportunidade do capivara. O mestre enfrenta vinte ou trinta tabuleiros numa sessão de três ou quatro horas. Ou seja, na prática ele irá dedicar apenas uns poucos minutos para cada jogo. A pressa, o cansaço, a dificuldade de se concentrar (precisa mudar a perspectiva a todo momento!), a tendência a menosprezar o que sai da mente enxadrística pervertida do capivara, tudo isso aumenta as possibilidades de erro e proporciona a grande chance da vida do capivara.

Se você já venceu um mestre numa partida simultânea, sabe do que estamos falando. Você guardará a planilha da partida para sempre, mostrará para os netos, colocará numa moldura na parede, abrirá um site apenas para que o mundo também se impressione com sua (sua mesmo e não do mestre) genialidade. Sem falar nas situações em que você pode recordar a grande vitória. Por exemplo, você poderá dizer "Eu não gosto dessa linha de abertura. Até já usei, mas abandonei depois que tive dificuldades para vencer Karpov." Ou então, "Ah, eu hoje levei mate no décimo lance porque estou fora de forma. Queria ver se fosse naquela época em que eu vencia Kramnik!" Ou ainda: "Ah, eu deixei a dama no ar porque aquela vitória sobre Anand me cansou muito."

O GM soviético Iuri Averbach contou que havia muitas exibições simultâneas nas aldeias mais remotas da URSS. Eram verdadeiros acontecimentos nas cidadezinhas, com a população aglomerada em torno dos jogadores, com gritos de "urra" pelos bons lances e "oohhh" para as surpresas. O camponês que conseguia um resultado positivo era colocado nos ombros dos rapazes, recebia beijos das moças bonitas, se tornava um verdadeiro herói local. Às vezes, alguns jogadores mais obsessionados pela vitória davam um jeitinho de retirar a torre do tabuleiro enquanto que o mestre não estava olhando. Uma boa maneira de reforçar a posição! O resultado era inevitavelmente a pergunta do mestre: "Ué, cadê a torre que estava em c3? Devolvam imediatamente!"

Certa vez, um amigo nosso aqui do Brasil jogou uma simultânea contra o GM filipino Eugenio Torre. Entraram num final de peões que parecia empatado. Os perus que ficam em volta para ver e dar peruada também murmuravam "está empatado". Foram para o canto, armaram o tabuleiro, empurraram os paus para lá e para cá, acumularam os palpites e análises e chegaram ao veredicto: não tem jeito não, está empatada mesmo. Nosso amigo dirigiu-se ao grande mestre: "Tablas?". Torre, que estava no apogeu de sua carreira (chegou a participar do Torneio de Candidatos), simplesmente respondeu: "No". E a multidão de perus disse "ooohhh". Logo vieram os cochichos "Esses GMs são muito prepotentes. Será que ele não se conforma com a situação?". Torre ainda voltou ao tabuleiro algumas vezes. Executou rapidamente alguns movimentos inesperados de peões e de rei até que... venceu a partida!

Pois é, amável leitor. Não queremos mais importuná-lo com análises científicas sobre a natureza dos capivaras. Vamos fazer alguma coisa mais amena. Que tal conhecer algumas partidas em que amadores e ilustres desconhecidos derrotaram grandes mestres de primeiríssima linha?

Para começar, o inacreditável: vencer a "máquina" Capablanca em pouquíssimos lances? Somente numa exibição simultânea, é claro. A autora da proeza foi a senhorita Mary Bain. O local? Só poderia ser o da fábrica dos sonhos, Hollywood...

Capablanca – Bain, Mary

(Simultâneas em Hollywood 1933)

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Cc3 Cf6 4.Bb5 Bc5 5.O-O O-O 6.Cxe5 Te8 7.Cd3 [Lance pouco jogado. O usual aqui é 7.Cf3 Cxe4 8.d4 Cxc3 9.bxc3 Bf8 (9...Be7 10.d5 Cb8 11.Bf4 Maróczy-Pillsbury, Nürnberg 1898) 10.Cg5 (10.c4 h6 11.Bf4 a6 12.Ba4 Ca5 13.Ce5 Kámsky-Winants, Tilburg 1992; 10.Bd3 h6 11.Bf4 d6 12.Tb1 Df6 13.Bg3 b6 Schlechter-Marshall, Montecarlo 1904) 10...h6 11.Ch3 d6 12.Df3 Bd7 13.Tb1 Tb8 14.Dg3 Beliavsky-Ljubojevic, Linares 1993.] 7...Bd4 [7...Bb6 8.e5 Cxe5 9.Cxe5 Txe5 10.d4 Te8=] 8.Ce2?! [Parece melhor 8.Te1 Bxc3 9.dxc3 Cxe4 10.Bf4 com ligeira vantagem branca.] 8...Txe4 9.Cxd4? [Seguramente, teria sido melhor 9.Cdf4 Bb6 (9...Be5 é ruim por interromper o retorno da torre preta: 10.d3 Tb4 11.Bxc6 dxc6 12.c3) 10.d3 Te8, com uma posição confortável para as pretas.] 9...Cxd4 10.Ba4?? [Erro grosseiro do grande Capablanca, talvez perturbado com a beleza da adversária. Era necessário 10.f3 Te8 11.a4 (de modo algum 11.Ba4? b5 12.Bb3 c5 13.Cf4 g5 14.Ch3 c4 ganhando) 11...c6 12.Bc4 d5 13.Ba2 Bf5 e de qualquer modo a posição preta é bastante superior.] 10...Ce2+ 11.Rh1 Cxc1 0-1 Capablanca abandonou porque a perda da peça era inevitável.

Em 1943, Alekhine vivia a decadência final. Contudo, mesmo nessa época ele foi capaz de cultivar belas flores no tabuleiro, flores regadas a bastante álcool é verdade, mas ainda assim perfumadas. Para termos uma idéia, basta sabermos que ele foi capaz de vencer bons torneios em Munique 1942, à frente de Keres, Foltys, Bogoljubow, Kurt Richter e Barcza, em Salzburgo 1942, novamente à frente de Keres e Bogoljubow e em Praga 1943 (2½ na frente de Keres, que já era uma estrela de primeira grandeza mundial, vencedor do célebre torneio Avro de 1938!). Em Guijon 1944, Alekhine enfrentou os melhores jogadores espanhóis e fez 7½ pontos em 8 (apenas o jovem A. Pomar foi capaz de controlá-lo).

A partida abaixo foi um amistoso Blitz (partida relâmpago – de 5 minutos para cada jogador). Alekhine envolveu-se numa variante complicada, até hoje pouco conhecida pela teoria, e ficou rapidamente perdido.

Perez – Alekhine

(Madrid 1943, Blitz)

1.e4 e5 2.Cc3 Cc6 3.f4 exf4 4.Cf3 g5 [Uma escolha muito arriscada. Mais sólido é 4...Be7!? 5.Bc4 c6 6.d4 Bh4+ 7.Rf1 Bg4 8.Bxf4 Cge7 Hector-Skembris, Genova 1989] 5.d4 g4 [Já não é fácil encontrar boas continuações para as pretas. A experiência tem mostrado que 5...Bg7 geralmente leva à superioridade branca. Por exemplo, 6.d5 Ce5 7.d6 Cxf3+ 8.Dxf3 cxd6 9.h4 Be6 10.g3 g4 11.Dxg4 Zeitlin-Petran, Budapeste 1992.] 6.Bc4!? [As brancas sacrificam uma peça para obter um ataque muito difícil de enfrentar.] 6...gxf3 7.Bxf4 [7.O-O Cxd4 8.Bxf4 Bg7 9.e5 d5! 10.exd6 c6 com superioridade negra, Zeitlin-Ciolac, Wattens 1992.] 7...fxg2 [Não queremos apresentar as dezenas de variantes e subvariantes complicadas que são – na esmagadora maioria – favoráveis às brancas. Contudo, a resistência preta seria bem maior com 7...Bg7 (ao não tomar 7...fxg2 as pretas tiram a oportunidade de as brancas explorarem tanto a diagonal h5-e8 e a coluna ‘f’) 8.Dxf3 Cxd4 9.Dg3 Df6 10.O-O-O Dg6 !] 8.Bxf7+! [Destrói a proteção do rei, abre possibilidades na diagonal h5-e8 e na coluna ‘f’.] 8 ...Rxf7 [Se 8...Re7 9.Cd5+ Rxf7 10.Dg5+ Rg7 11.Tg1 ganhando. Por exemplo, 11...Be7 12.Txg2+ Rf8 13.Tf2 Cf6 14.Bh6+ Rg8 15.Cxf6+ Bxf6 16.Dd5#.] 9.Dh5+ Rg7 10.Tg1 Cge7 11.Bh6+ Rg8 12.Txg2+ 1-0

A partir da segunda metade dos anos 1930s até o começo dos anos 1960s o norte-americano Samuel Reshevsky estava seguramente entre os melhores do planeta. Derrotou de forma convincente jogadores do calibre de Capablanca, Alekhine, Botvínnik, Smyslov e Bobby Fischer. Esteve a um passo da disputa do título mundial ao se colocar em segundo lugar no Torneio de Candidatos de 1953. A partida abaixo foi jogada numa exibição simultânea em Israel. Para termos uma idéia da alta qualidade do xadrez de Reshevsky naquele momento, basta recordamos alguns resultados de torneios da época: Dallas 1957, 1º lugar ao lado de Gligoric e na frente de Szabo, Larsen, Najdorf, Olafsson. Buenos Aires 1960, 1º lugar ao lado de Korchnnoi e na frente de Szabo, Taimanov, Gligoric, Uhlmann, Bobby Fischer, Ivkov, Pachman, Eliskases.

Reshewsky – Margolits

(Haifa, simultâneas, 1958)

1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4 4.e3 c5 5.Cge2 d5 [Mais usual aqui é 5...cxd4 6.exd4 d5 7.a3 Bxc3+ 8.Cxc3 dxc4 9.Bxc4 Cc6 10.Be3 O-O 11.O-O h6, Miles-Hulak, Bad Wörishofen 1985.] 6.Bd2 [6.a3 Ba5 7.cxd5 dxc4 8.Dxd4 exd5 9.De5+ Rf8 10.Bd2, Podgaez-Shamkovich, URSS 1972.] 6 ...Da5 7.a3 Cc6 8.axb4? [O correto é 8.cxd5 Cxd5 (8...exd5 9.Cf4 Bxc3 10.Bxc3 Dd8 11.dxc5 com grande vantagem branca) 9.e4 Bxc3 10.Cxc3 e as brancas têm um peão a mais e posição superior.] 8 ...Cxb4 9.Txa5?? [Claro que também perderia 9.Cf4 Dxa1 10.Dxa1 Cc2+ 11.Rd1 Cxa1.] 9 ...Cd3# mate 0-1

Numa paráfrase ao famoso romance beatnik de J. Kerouac (On the road), em 1964 Bobby Fischer também botou o pé na estrada e percorreu os Estados Unidos de costa a costa jogando simultâneas contra centenas de capivaras. Ao todo, foram 1882 partidas! Fischer ganhou 1719, empatou 102 e perdeu 61. Seu escore foi de 94%, considerado excelente. De qualquer modo, surpreso leitor, houve 61 felizardos que levarão para o túmulo o feito de terem vencido Fischer!

Para termos uma idéia das condições em que eram realizadas essas simultâneas, vejamos como Fischer perdeu um peão no segundo lance (!): 1 e4 Cf6 2.Cf3?? Cxe4. Um lance horroroso desse tipo se explica pela velocidade com que Fischer precisava jogar. Com quase toda a certeza, ele olhou o tabuleiro por uma fração de segundo e imaginou que estivesse jogando 1.e4 e5, daí seu lance imediato 2.Cf3. Foi então que percebeu que seu adversário havia respondido com a defesa Alekhine... Esse pequeno e significativo episódio resume as condições de Fischer e de seus adversários. As dezenas de fortes amadores conseguiram vencer porque Fischer jogava muito, muito rápido. Fácil de compreender: Fischer enfrentava 60 ou mais tabuleiros. Façamos as contas. Se ele dedicasse apenas um minuto por tabuleiro, gastaria uma hora para toda a simultânea. Deveríamos acrescentar ainda o tempo para deslocar pelo salão, tomar uma água, respirar um pouco. E aí já teríamos várias horas. Calculando tudinho, podemos concluir que Fischer dispunha apenas de uns poucos segundos para estudar cada lance. Um amador que empatou com ele na simultânea, Irving Pierce, pôs os pingos nos iis: "avalio que para toda a nossa partida Fischer gastou uns quatro minutos, ao passo que eu utilizei quatro horas de reflexão!"

Além disso tudo, pense no ritmo incessante da exibição, o mestre passando de tabuleiro para tabuleiro, de posição para posição, de cálculo para cálculo. Com gente falando, fotógrafos, gritinhos de crianças, calor, garotas louras bonitas e peitudas fixando os olhos em cima de Fischer... Pense na necessidade de concentração, de flexibilidade e velocidade mental, amigo leitor. Mesmo um gênio como Fischer acabava se desconcentrando aqui e ali, dando oportunidade para que fortes amadores arrancassem um empate ou até conseguissem o ponto inteiro.

Justificativas a parte, prestemos homenagem a esses heróis anônimos que conseguiram vencer Bobby Fischer:

Fischer – Dondis

(Fitchburg sim 1964)

1.e4 e5 2.Cc3 [A abertura vienense tem aparência pacífica mas oculta muito veneno.] 2 ...Cf6 3.Bc4 Cxe4 [Também se pode jogar 3...Cc6 4.d3 Bb4 5.Bg5 h6 6.Bxf6 Bxc3+ 7.bxc3 Dxf6 8.Ce2 d6 Perez-Kuzmin, Andorra op 2000.] 4.Dh5 Cd6 5.Bb3 Cc6 6.d4 [Lance raríssimo. Hoje em dia se dá preferência a 6.Cb5 g6 7.Df3 f5 8.Dd5 De7 (também se joga 8...Df6 9.Cxc7+ Rd8 10.Cxa8 b6 11.d4 Cxd4 12.Cf3 Bb7 Sulkos-Motilev, Linares op 2000.) 9.Cxc7+ Rd8 10.Cxa8 b6 11.Cxb6 axb6 12.Df3 Bb7 com jogo complicado.] 6 ...Cxd4 7.Cd5 Ce6 8.Dxe5 c6 [O GM inglês J. Nunn avalia que a posição está equilibrada. Mas estará mesmo?] 9.Cc3 [Quais seriam as opções? a) 9.Bg5? Dxg5! 10.Cc7+ Re7 (naturalmente, não 10...Rd8? por 11.Cxe6 ganhando) 11.Dxg5+ Cxg5 12.Cxa8 b6 (o cavalo branco está preso) 13.O-O-O Rd8 14.Ce2 Bb7 com grande vatagem preta; b) 9.Cf4 De7 10.Cf3 Cf5 11.O-O (11.Dxf5?? Cd4+) 11...Ced4 12.Dxe7+ Bxe7 13.Cxd4 Cxd4 com vantagem preta, segundo análises do GM Adams.] 9 ...Df6 [Na avaliação do GM L. Evans, as pretas já têm posição melhor.] 10.Dxf6 [As pretas continuariam superiores depois de 10.De2 Be7] 10 ...gxf6 11.Cge2 Cf5 12.g4 Cfd4 13.Cxd4 Cxd4 14.Be3 Cxb3 [Naturalmente, as trocas favorem as pretas, que entram no final com um peão a mais. Fischer nada pode fazer.] 15.axb3 d5 16.Txa7 Txa7 17.Bxa7 Bxg4 18.Bd4 Be7 19.Rd2?? [Erro incrível que leva à perda da peça. É também uma demonstração da precariedade da qualidade do jogo do grande mestre numa simultânea, daí as oportunidades que podem ser aproveitadas pelos capivaras de plantão. (De qualquer modo, depois de, por exemplo, 19.Ca4 Tg8 as pretas estariam muito superiores).] 19 ...c5 0-1

Na partida abaixo, Fischer comete um erro horroroso e sofre a humilhação de ter que abandonar em apenas doze lances. Conta-se que toda a vez que perdia uma partida nas simultâneas, ele educadamente cumprimentava o adversário e dizia "Obrigado pela lição". Eis aí a lição de Fischer:

Fischer – Burger

(San Francisco sim 1964)

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Cf6 4.Cg5 d5 5.exd5 Cd4 [Uma escolha mais rara. O usual aqui é 5...Ca5.] 6.c3 b5 7.Bf1 Cxd5 8.cxd4 Dxg5 9.Bxb5+ Rd8 10.Df3 Bb7 11.O-O exd4 [11...Tb8 12.Dg3 Dxg3 13.hxg3 exd4 14.d3 Shabalov-Ivanov, Parsippany 1996} 12.Dxf7?? [Distração imperdoável. As brancas dispunham de várias boas continuações como 12.d3 Cf4 [12...De5!? Paoli-Robatsch 1967) 13.Bxf4 Dxb5 14.Dg3 c5 15.Ca3 Dd7 16.Cc4 Winants-Ferguson, GBR 1998] 12 ...Cf6 0-1 Depois de 13.g3 Bd5 as brancas perderiam muito material.

Nem sempre o amador de hoje é o amador de amanhã. Nem sempre o capivara de hoje é realmente um capivara. Em 1971 Fischer estava no apogeu de sua carreira. Meses depois, consagrar-se-ia campeão do mundo. Depois de derrotar T. Petrosian pelo torneio de candidatos, dedicou-se a algumas sessões simultâneas contra jogadores argentinos. É possível que o preconceito etnocêntrico tenha funcionado um pouco, com o norte-americano considerando que "amadores do terceiro mundo" não teriam muito a oferecer. Mas um país de cujos campeonatos nacionais participaram GMs da categoria de Najdorf, Eliskases, Panno, Pilnik, Guimard, Rossetto e Quinteros deveria ter sido levado mais a sério...

Fischer – Garcia Palermo

(Buenos Aires sim 1971)

1.e4 e5 2.f4 d5 3.exd5 e4 4.Bb5+ c6 5.dxc6 Cxc6 6.d3 Cf6 7.dxe4 [7.De2 Bg4 8.Bxc6+ bxc6 9.Cf3 Da5+ 10.Bd2 Db6 11.Cc3 Dxb2 12.O-O Chigorin-Marco, Viena 1898.] 7 ...Da5+ 8.Cc3 Bg4 9.Dd4 Be7 10.Da4 Db6 [Depois de 10 ...Dxa4 11.Ba4 os dois peões garantiriam um fácil final para as brancas.] 11.h3 O-O-O 12.Bxc6?? [Incrível. As brancas poderiam vencer com 12.hxg4. Por exemplo: 12...Cxg4 13.Ch3 Bh4+ (agora, esse xeque não é mais assustador) 14.Rf1 Cf2 15.g3 Cxh1 16.gxh4 Cg3+ 17.Rg2 Ch5 18.Cd5 Dc5 19.Be3 Dd6 20.Bxc6 bxc6 21.Da6+ Rd7 22.Dxa7+ Re8 23.Cc7+ etc.] 12 ...Cxe4 13.Bd7+ [Não há o que fazer. A ameaça preta de Df2# é muito forte: a) 13.Bxe4 Bh4+ 14.Rf1 Df2#; b) 13.Bxb7+ Rb8! (13...Rxb7?? 14.Dxe4+ ganhando) 14.Bxe4 Bh4+ etc.] 13 ...Txd7 14.Dxd7+ [Forçado para evitar o mate.] 14 ...Bxd7 15.Cxe4 Bc6 0-1. As brancas não tinham como se defender: 16.Cg3 Bxg2 17.C1e2 (17.Th2 Dxg1+) 17...Bh4! 18.Bd2 (18.Tg1 Bxg3+) 18...Bxg3+ 19.Cxg3 Te8+ 20.Rd1 Dxb2 e as brancas não escapam do massacre.

O soviético Leonid Stein foi um dos mais fortes jogadores do mundo na década de 1960 e começo da década de 1970, quando faleceu prematuramente (1973), o auge de suas forças. Venceu três vezes o poderíssimo campeonato da URSS! Seu compatriota Mark Ruderfer não era exatamente um capivarão. Mas, honestamente amigo leitor, quem de nós já tinha ouvido falar desse ilustre desconhecido? Pois o ilustre desconhecido entra na história ao triunfar de forma convincente:

Ruderfer – Stein

(União Soviética 1972)

1.e4 c5 2.Cf3 Cc6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 d6 6.Bg5 Da5 [Uma variante raramente utilizada. O usual aqui é 6...e6.] 7.Bxf6 gxf6 8.Cb3 De5 9.Dd2 [9.Bd3 f5 10.O-O Keres-Karner, Parnü, 1971] 9...f5 10.f4 De6 11.Cd4 Cxd4 12.Dxd4 Tg8 13.O-O-O [13.Cd5 Dxe4? (13...Rd8 14.O-O-O =) 14.Dxe4 fxe4 15.Cc7+ Rd8 16.Cxa8, Eley,B-Markland,P, Canterbury 1973.] 13...fxe4 14.Cd5 Rd8 [14...Dd7?? 15.Bb5! ganhando.] 15.Dc4 Dd7 [Se 15...Bh6, então 16.Dc3 com vantagem] 16.Dxe4 f5? [O erro fatal. Era necessário 16...Tg6 embora as brancas conservassem superioridade depois de 17.Db4 Dc6 18.Bd4.] 17.Db4 b6 [Se 17...Dc6 18.Bb5 Dc5 19.Dxc5 dxc5 20.Cb6 ganhando. Ou então 17...De6 18.Bb5 Bd7 (18...Txg2 19.Dc4 Bd7 20.Dc7+ Re8 21.The1) 19.The1 Dh6 20.Bxd7 Rxd7 21.Dexb7+ Re8 22.Txe7+ Bxe7 23.Dxe7#.] 18.Bb5 Db7 [18...De6 19.Dc4 19.The1 Tg7 [A variante 19...e6 mostra a dimensão do massacre a que foram submetidas as pretas: 20.Cf6 Tg6 (20...Txg2 21.Txd6+ etc) 21.Txd6+ Rc7 22.Dd4 Bxd6 (22...Txf6 23.Tc6+ Dxc6 24.Bxc6 ganhando) 23.Ce8+ Rd8 24.Dxd6+ Bd7 25.Cc7 Dc8 (25...Dxc7 26.Df8+) 26.Txe6 Tg8 (26...Txe6 27.Cxe6+ Re8 28.Df8#.) 27.Te7 ganhando.] 20.Dxd6+ 1-0. Stein abandonou diante da evidência de 20...Bd7 [20...exd6 21.Te8#] 21.Cxe7 Txe7 22.Txe7 Bxe7 23.De6 Rx8 24.Txd7.

Nenhum jogador conseguiu vencer tantos torneios de primeira categoria quanto o soviético Anatoli Kárpov, campeão mundial de 1975 a 1984. Em 1990, Kárpov ainda era o único jogador do mundo capaz de enfrentar de igual para igual o fantástico Karpárov. Mas na partida abaixo, o amador jogou com bastante consistência e aproveitou a impossibilidade de o grande mestre jogar com precisão durante uma exibição simultânea. Delicie-se, amigo leitor, e sonhe com uma possibilidade igual:

Kárpov – Mercuri

(Harvard sim 1990)

1.e4 c5 2.Cf3 e6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 Cc6 6.Cbd5 d6 7.Bf4 e5 8.Bg5 a6 9.Ca3 b5 10.Cd5 Be7 11.Bxf6 Bxf6 12.c3 O-O 13.Cc2 Bg5 14.a4 bxa4 15.Txa4 a5 16.b4? [Dez anos depois, esta posição ainda está na moda. Acontece que Kárpov menospreza o adversário e joga um lance experimental. Não obstante, teria sido melhor jogar 16.Bb5 (também se tem jogado 16.Bc4) 16...Bb7 (outra variante muito jogada hoje em dia é 16...Ce7 que é seguida, por exemplo, de 17.Ccb4 Bd7 18.Cxe7+ Bxe7 19.Bxd7 axb4 20.Bc6 Txa4 21.Dxa4 bxc3 22.bxc3 Db8 23.O-O Bd8 ½-½ Svidler-Ivanchuk, Rubinstein mem Polanica Zdroj 2000.) 17.Cce3 Bxe3 18.Cxe3 Ce7 19.O-O Tb8 (19...Db6 20.Dd3 f5 21.exf5 e4 22.De2 Cxf5 23.Bc4+ Rh8 24.Td1 Short-Gelfaand, Pamplona 2000.) 20.Dd3 Db6 21.Bc4 Bc6 22.Ta2 Tfd8, Kaspárov-Van Wely, Wijk aan Zee 1999.] 16 ...Bb7 17.Bc4 [17.b5 Cb8 18.Ca1 Cd7 19.Cb3 Bxd5 20.exd5 Cb6 21.Txa5 (21.Ta3? Dc8 22.Dd3 a4 23.Ca1 Dc5+ ganhando, Vesely-Hardicsay, Schwarzach 1997) 21...Cxd5 22.Dxd5 Txa5 23.h4! (23.Cxa5 Dxa5 e as pretas têm ótimo jogo) 23...Bf6 24.Cxa5 Dxa5 25.Th3 as pretas estão levemente superiores.] 17 ...Rh8 18.O-O g6 19.Dd3 f5 20.b5?! Ce7 21.Ba2 Tc8 22.exf5 gxf5 23.Cxe7? [23.Cce3 Te5 24.c4=] 23 ...Dxe7 24.Txa5 [24.c4!? Be4 25.Dc3 Bd7 26.f3 Bxc2 27.Dxc2 Dxb5 28.cxb5 Txc2 29.Txa5 Be3+ 30.Rh1 Tb2 e a vantagem preta não é de fácil concretização.] 24 ...Be4 25.Dd1 Txc3 26.Cb4 Dc7 27.Ta6 Tc1 [O domínio da coluna ‘c’ confere uma vantagem decisiva às pretas.] 28.De2 Dc5 29.Txc1 [Não adiantaria 29.Cd3 Txf1+ 30.Dxf1 Dxb5] 29 ...Dxc1+ 30.Df1 Dd2 31.Ta4 Tc8 32.Bc4 Txc4 0-1

E agora, mãos à obra amigo leitor! Existe um número infinito de capivaras prontos para nos derrotar e depois, alegremente, dizer que venceram mais um capivara!

Fonte: www.centraldoxadrez.hpg.ig.com.br/artigo01.htm


brunosergiom

12/05/2003
09:00:10

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XADREZ: esporte, história e...

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XADREZ: esporte, história e sua influência na sociedade
Ciro José Cardoso Pimenta*

RESUMO

O objetivo deste texto é apresentar o xadrez como esporte, mostrar suas particularidades, expor sua história e relacionar seus fatos mais importantes com a história da humanidade. O Xadrez, conhecido como “Jogo dos Reis”, conquista todo o mundo após sua invasão ao Ocidente. Depois de algumas convergências, o jogo adota um aspecto padronizado em todo planeta. Desde então, vem sendo praticado de todas as formas possíveis, sendo usado como artigo de marketing, como elemento da educação na área escolar, como lazer, esporte, passatempo e até como artifício hegemônico na recente Guerra Fria, sempre promovendo a inteligência, a competitividade e a criatividade dos homens.

ABSTRACT

The objective of this text is to present the chess as sport, to show its particularitities, to display its history and to relate its more important facts with the history of the humanity. Known as “Kings Game”, the chess conquest the whole world after its invasion to the Ocidente. After some convergences, the game adopts a standardized aspect in all planet. Since then, it comes being practised of all the possible forms, being used as article of the marketing, as element of the education in the pertaining to school area, as leisure, sport, pastime and until as hegemonic artifice in the recent Cold War, always promoting intelligence, the competitiveness and the creativity of the men.


CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Definir o xadrez é, sem dúvida, um ato complexo, pois o esporte aborda diversas áreas da expressão humana. Muito oportuna foi a colocação do famoso poeta, romancista e cientista alemão GOETHE (1786), “O xadrez é a ginástica da inteligência”, entretanto MELÃO JÚNIOR (1998) refere-se ao xadrez de forma mais ampla e poética, definindo-o como:

O xadrez não passa de um punhado de tocos de pau, dispostos sobre uma tábua quadriculada, situada entre duas criaturas incompreensivelmente absortas, que, dominadas por uma espécie de autismo, desperdiçam inutilmente seu tempo, olhando para este brinquedo sem graça, enquanto o mundo ao seu redor pode desmoronar sem que se apercebam disso. Esta é a interpretação do homem vulgar, insensível e apático; incapaz de enxergar as essências, homem que se conforma com uma visão superficial das coisas e se deixa seduzir pelas aparências de outras atividades menos belas e eloqüentes. Para o homem mediano, o xadrez é um mero acessório, útil tão somente porque contribui para desenvolver diferentes faculdades mentais, melhorando o desempenho escolar nas crianças, intensificando a acuidade mental nos adultos e preservando por mais tempo a agilidade mental nos idosos. Porém, para o homem espirituoso, criativo e empreendedor, o xadrez é uma das mais ricas fontes de prazer, um meio no qual se encontram elementos para representar as mais admiráveis concepções artísticas, um campo pelo qual a imaginação pode voar livremente, produzindo, com encantadora beleza, idéias deliciosamente sutis e originais. O xadrez é uma das raras e preciosas atividades em que o homem pode explorar ao fundo suas emoções, atingindo estados de prazer tão sublimes, tão ternos, tão intensos, que só podem ser igualados pelas sensações proporcionadas pelo amor e pela música.

Por esta sua característica de exercitar de forma competitiva e saudável o cérebro do homem, o xadrez expandiu-se de um simples jogo regional indiano ao apaixonante esporte que é hoje. Suas origens remetem a muitas fontes. De certo, a fonte histórica mais antiga que possui o xadrez é uma pintura indiana que retrata duas pessoas jogando algo parecido com ele, por volta de 3000 ac. De tão incerta que é a origem do xadrez conta-se até uma interessante lenda que nos faz divagar sobre parte da matemática do esporte.

Até os dias atuais foram muitas as evoluções, sempre seguindo em paralelo aos rumos que tomou a história da humanidade. O xadrez é levado ao Ocidente com a invasão do Império Persa pelos Árabes. A partir daí então, foram mudadas algumas peças, o jogo perde o fator sorte e passa a depender tão somente dos conhecimentos de cada jogador. As capacidades de memória, estratégia, combinação, tomada de decisões e bom senso tornam-se elementos primordiais ao bom jogador de xadrez. Surgem os primeiros campeões, o xadrez se expande cada vez mais atingindo também o novo continente. Sua difusão só não é mais ampla pela forte discriminação que há na época contra negros e mulheres. Passam-se os séculos e o xadrez continua presente na sociedade, sempre com seu aspecto dinâmico e realista.

Chega a ser disputado como exibição em algumas olimpíadas, mas após contestado seu lado esportivo é retirado. Entretanto o xadrez responde com sua participação importantíssima como elemento de status na Guerra Fria, tornando-se ainda mais difundido em todo planeta e tendo até hoje a segunda maior federação do mundo em número de filiados, a FIDE, com cerca de 200 países filiados, estando à frente de esportes como vôlei, tênis e basquete e sendo disparadamente o esporte mais praticado no mundo.

Sua importância é salientada nas duas últimas décadas, onde governos de todo o mundo desenvolvem grandes projetos envolvendo o xadrez no âmbito escolar, já que é do conhecimento de todos a importância deste jogo na formação da criança e do cidadão.

Tantas conquistas trazem ao xadrez o status novamente de esporte, sendo que tomará definitivamente parte das competições olímpicas a partir de Atenas 2004.

HISTÓRIA E LENDA DO XADREZ

Por falta de documentos é muito difícil obter uma fonte clara sobre a data de invenção do xadrez. Historiadores postulam sobre várias possibilidades, de certo, o registro mais antigo que há sobre o xadrez é uma antiga pintura egípcia que mostra duas pessoas jogando algo parecido com o jogo cerca de 3000 anos ac. Todavia, costuma-se aceitar como introdução à história do xadrez uma bela lenda, que posiciona bem o caráter intelectual e psicológico do esporte, exposta por BECKER (1971, p. 259) em sua obra:

Pela lenda, o xadrez foi inventado há 1950 anos por um hindu de nome Sissa, a fim de distrair o seu rei. Ao conhecer o jogo, o rei da Índia ficou tão entusiasmado que ofereceu a Sissa a liberdade de escolher o que ele bem desejasse como recompensa por tão notável invento. Toda a corte esperava que Sissa fosse pedir grandes riquezas, mas ele surpreendeu a todos com o seguinte pedido: um grão de trigo pela primeira casa do tabuleiro; dois grãos de trigo pela segunda casa; quatro grãos de trigo pela terceira casa; oito grãos de trigo pela quarta casa e assim sucessivamente, sempre dobrando o número de grãos da casa anterior até a casa de número sessenta e quatro (o tabuleiro de xadrez tem 64 casas). Seu pedido provocou risos. O rei meio que contrariado disse-lhe: “Um invento tão brilhante e um pedido tão simples? Escolha uma grande riqueza meu jovem, um de meus castelos, um palácio ou até uma de minhas mulheres!” Mas Sissa mostrava-se inapelável à proposta do rei, e, como palavra de rei é palavra de rei, este, ainda contrariado, pediu a seus criados que entregassem a Sissa um grande saco de grãos de trigo. Sissa entretanto, recusou a oferta dizendo que queria receber exatamente o que havia pedido, nem um grão a mais, nem um grão a menos. O rei pediu então para que seus calculistas fizessem as contas. Depois de muito tempo e muitas contas, o matemático oficial do reino chegou assustado para avisar ao rei que eles encontraram o número 18.446.744.073.709.551.615 de grãos de trigo a serem pagos ao jovem Sissa, ou seja, dezoito quintrilhões, quatrocentos e quarenta e seis quatrilhões, setecentos e quarenta e quatro trilhões, setenta e três bilhões, setecentos e nove milhões, quinhentos e cinqüenta e um mil e, seiscentos e quinze. É um número tão grande de grãos de trigo, que seria necessário semear seis vezes a superfície da terra para obtê-lo. Se uma pessoa contasse de um até este número, gastando um segundo por número, levaria quase sessenta bilhões de séculos para chegar até ele. Vendo-se incapacitado em cumprir a promessa, o rei mandou chamar Sissa para lhe oferecer outra recompensa. Sissa, entendendo a aflição do monarca por não poder cumprir sua promessa perdoou a dívida, afinal, seu objetivo havia sido atingido, ou seja, chamar a atenção do monarca para o cuidado que deveria ter com suas promessas e julgamentos e para reconhecer que atitudes aparentemente humildes formam grandes conquistas. Por fim, Sissa aceitou ser conselheiro do rei e todos viveram felizes para sempre.


Já a história do xadrez segue a proposta de alguns autores.

Segundo MURRY (1955), aproximadamente em 570 dc surge na Índia o chaturanga (jogo dos quatro elementos), que é o ancestral do xadrez. Jogavam quatro pessoas, sendo que cada qual possuía oito peças: um ministro (hoje dama), um cavalo, um elefante (hoje bispo), um navio (mais tarde uma carruagem, hoje a torre) e quatro soldados (atualmente os peões). O tabuleiro era monocromático (de uma só cor) e as peças dos quatro jogadores diferenciavam-se pelas cores vermelha, verde, negra e amarela. A peça a ser movimentada era definida por um lance de dados. Este jogo indiano teve três evoluções: num primeiro momento, eliminaram-se os dados; posteriormente, os jogadores em diagonal unem-se (aliados) e mais tarde, os aliados passaram para o mesmo lado do tabuleiro. Através de rotas comerciais e culturais o chaturanga é exportado para a China tornando-se lá o "Jogo do Elefante" e posteriormente o "Jogo do General" no Japão e na Coréia. Na Pérsia ele passa a ser chamado de "Jogo de Xadrez" (em persa chatrang) e goza de imensa popularidade. É nesta época que o número de parceiros é reduzido a dois e cria-se uma nova peça; o Xã (Rei). Com a Pérsia sendo conquistada pelos árabes (por volta de 651 dc) estes adotam e difundem o jogo pela África e Europa. No século XI, o xadrez já é conhecido em toda a Europa e sofre a seguinte modificação: o Ministro torna-se Rainha (Dama). Na verdade o jogo ao adentrar a Europa começa a apresentar um aspecto monárquico. No século XIII as casas do tabuleiro passam a ser dividas em duas cores para facilitar a visualização dos enxadristas. Por volta de 1561 o padre espanhol Ruy Lopez de Segura idealiza a criação do roque, movimento que será aceito na Inglaterra, França e Alemanha somente 70 anos depois. O movimento en passant já era usado em 1560 por Ruy Lopez, embora não se conheça seu criador. O duplo avanço do peão em sua primeira jogada surge em 1283, em um manuscrito europeu. Entretanto, a principal alteração que sofrerá o xadrez acontecerá aproximadamente em 1485, na renascença italiana, surgindo o chamado xadrez da "Rainha Enlouquecida", pois até esta época a rainha só podia deslocar-se uma casa por vez pelas diagonais, os bispos, que se moviam em diagonal de duas casas, passam a ter, também, movimentos mais longos. Os peões que chegam à última fila são promovidos a uma peça já capturada. São escritos vários livros importantes que contribuem para uma compreensão cada vez mais profunda do xadrez. Dentre estes livros famosos podemos citar: Livro de la Invención liberal y arte del juego del ajedrez, escrito por Ruy Lopez em 1561 e traduzido para quase todos os idiomas; Trattado del nobilissimo e militare esercitio de scacchi, escrito por Gioachino Greco (1600- 1634); Le noble jeu des échecs, escrito pelo sírio Felipe Stamma em 1737; L'Analyse du jeu des échecs escrito em 1749 pelo francês François André Philidor. Neste livro Philidor propõe um dos primeiros regulamentos enxadrísticos, contendo o roque, o en passant, a promoção ilimitada, além da máxima "peça tocada, peça jogada; peça largada, lance efetuado”. Em 1851 abre-se a era moderna do xadrez com o Primeiro Torneio Internacional durante a Primeira Exposição Universal de Londres, que foi vencido pelo alemão Adolf Anderssen. Anderssen teve inúmeros sucessores, mas os que mais se destacam são o pai do xadrez moderno, Wilhelm Steinitz (1836-1900) e seu sucessor, Emanuel Lasker (1868-1941). Steinitz é tido como um Aristóteles do xadrez. Seus planos são novos, baseado no acúmulo de pequenas vantagens que o adversário cede, se consideradas separadamente, nada representam, mas acumuladas podem construir uma vantagem decisiva. O mérito de Steinitz está em perceber que a teoria de uma partida de xadrez gira em torno de um delicado equilíbrio de forças. Para conseguir vantagem em um desses elementos, tempo, espaço e matéria, deve-se ceder algum outro tipo de vantagem de igual ou aproximado valor. Em outras palavras, nada se obtém grátis em uma partida bem equilibrada de Xadrez. Steinitz foi campeão mundial por 28 anos, de 1866 a 1894. Já Emanuel Lasker, que derrotou Steinitz, é considerado uma das maiores personalidades da história do Xadrez. Doutor em filosofia e matemático, via o xadrez como uma constante luta de duas vontades. Como teórico procurou desvendar os princípios fundamentais que regem a conduta da partida de xadrez. Seu estilo consiste em desequilibrar a posição, nem sempre realizando as melhores jogadas, mas sim os lances mais desagradáveis para cada adversário. A este estilo criado por Lasker, dá-se o nome de "Escola Psicológica". Após ser Campeão Mundial por 27 anos, de 1894 a 1921, Lasker perde o título para o cubano José Raul Capablanca. Todavia duas alterações importantes no panorama enxadrístico internacional merecem ainda menção: Em 1924, é fundada em Paris a Fédération International Des Échces, a FIDE, que hoje é a segunda maior federação esportiva do mundo, ficando atrás apenas da FIFA (Federação Internacional de Futebol e Associados) em número de países filiados. Em dezembro de 1986 a FIDE e a UNESCO criam a Comission For Chess In Schools que tem um importante papel na difusão do ensino e na democratização do Xadrez enquanto instrumento pedagógico utilizado nas escolas.

XADREZ, ESPORTE E MARKETING

Nas últimas décadas o xadrez ressurge como esporte, posição contestada, anteriormente, pela provável ausência do aspecto físico na sua prática. Nas olimpíadas de Sidney é aceito como esporte de demonstração e será reintegrado definitivamente às competições que valem medalhas a partir de 2004 em Atenas. Esta conquista do mundo enxadrístico deve-se, na sua essência, ao abrupto aumento do número de praticantes do xadrez após a popularização da Internet. O esporte por ser de fácil acesso, necessita apenas de um tabuleiro e de um jogo de peças para ser praticado, é amplamente praticado na rede mundial de computadores atraindo adeptos de todo o mundo.

Para a inclusão do xadrez nas Olimpíadas de Verão, a modalidade necessitou comprovar seu aspecto esportivo, a fim de convencer o COI (Comitê Olímpico Internacional) de que realmente era um esporte. Para tanto foram realizados estudos que comprovaram o xadrez como atividade física, sendo que, monitorados os batimentos cardíacos de jogadores em partidas de xadrez relâmpago, o resultado foi surpreendente. No ápice da disputa alguns jogadores apresentavam níveis de batimento cardíaco comparados ao de um corredor ao final da prova. Os altos níveis de atividade cerebral, o aumento da circulação sangüínea, da liberação hormonal e a movimentação, principalmente dos membros superiores, exigem do enxadrista uma boa capacidade física e sobretudo motora. Há de se salientar também o aspecto postural e emocional, trabalhados constantemente durante o jogo.

Outro aspecto que reforça o xadrez como esporte é a parte financeira. Os torneios em todo mundo movimentam, segundo a FIDE, cerca de 20 bilhões de dólares por ano. Tanto dinheiro causa muitas intrigas entre os jogadores profissionais. O ex-campeão mundial Gary Kasparov, após desavenças financeiras, rompeu os laços com a FIDE (Federation Internacional Des Échecs) e criou a PCA (Professional Chess Association), que logo depois transformou-se em WCC (World Chess Company). O Russo Kasparov alega que a FIDE retém as verbas dos jogadores, cartelisando o sistema de premiações. Entretanto ele não parece disposto a reatar laços com a entidade, pois indica ter descoberto uma mina de dinheiro ao entrar na ala financeira da promoção do xadrez. No final da década de noventa Kasparov assinou contrato com a IBM, de Bill Gates. O russo jogaria a cada ano um match contra um supercomputador da empresa a fim de promover o equipamento e a marca até ser derrotado. Nas três primeiras oportunidades Kasparov venceu com muita facilidade, porém na quarta vez, a IBM montou Deepblue, um monstro de silício que chegava a processar cerca de 200 bilhões de posições a cada segundo. O marketing sobre a disputa foi enorme, a IBM passava por um processo judicial e enfrentava novos concorrentes. Só a vitória interessava à empresa. Após as primeiras partidas Bill Gates e seus assessores perceberam que o supercomputador não venceria Kasparov. Dizem que ofereceram-lhe então um cachê de 10 milhões de dólares para o russo perder. Kasparov aceitou, o mundo enxadrístico vaiou, ficando claro que o russo havia entregado as partidas. Entretanto a IBM alcançou seu objetivo e ganhou fôlego no mercado, sendo que no dia da vitória de Deepblue suas ações recuperaram-se de grande queda que vinham sofrendo gradualmente. Este é apenas um dos eventos que mostram a importância do xadrez como elemento de Marketing. Por estar relacionado à inteligência subjetiva e à esperteza, o xadrez é sempre procurado para promover algum produto que se relacione a estes dois elementos.


XADREZ E A GUERRA FRIA

Após a Segunda Guerra Mundial criou-se no mundo um aspecto bipolar. Bipolaridade refere-se ao fato de que dentre os países do mundo, dois dominavam o cenário a fim de impor suas políticas; eram eles: Estados Unidos, capitalistas e União Soviética, socialistas. Estes dois países formaram blocos com países aliados, o bloco capitalista e o socialista. Iniciou-se assim então a chamada Guerra Fria que durou até o final da década de noventa quando da desintegração da União Soviética. Contudo, a Guerra Fria se caracterizou não em suma por combates bélicos físicos propriamente ditos, mas sim por um amplo desenvolvimento cultural e tecnológico de ambos blocos. A Guerra consistia na verdade em fazer e demonstrar ao mundo e ao adversário a superioridade em busca da hegemonia. Foi assim na corrida espacial, no arsenal nuclear e também nas artes e esportes, sobretudo no xadrez. Em 1972 foi disputado em Reykjavich, capital da Islândia, o match pelo Campeonato Mundial de Xadrez envolvendo um norte-americano, Bobby Fischer e um Soviético, Boris Spasski, atual campeão mundial da época. Como o xadrez representava a capacidade intelectual, a inteligência, a ciência, a arte, ou seja, todas expressões culturais, artísticas e intelectuais, a vitória significaria uma grande conquista para o bloco vencedor, já que este usaria da conquista para sobrepujar a capacidade intelectual do inimigo em relação à sua.

Era uma situação totalmente nova no cenário mundial, pois ambas as nações, EUA e URSS viam grande possibilidade de vitória, já que os Soviéticos eram os atuais e maiores campeões em toda a história do Xadrez e os norte-americanos tinham no lendário Bobby Fischer uma oportunidade única para obterem este trono. Foi dada tanta importância para esta disputa que para a realização do match foram realizados diversos acordos entre o alto escalão dos dois governos, desde ao local de jogo, um ambiente neutro, até a posição das cadeiras. O match foi marcado por uma acirrada disputa e pela geniosidade do norte-americano Bobby Fischer. O jogador reclamava a cada momento, desde por uma câmera de vídeo que estava atrapalhando sua concentração, até pelo estofamento de sua cadeira. Os veículos de comunicação de todo o mundo cobriam a disputa como um espetáculo de proporções olímpicas. As provocações eram intensas. O match durou quase um mês. A cada partida o clima ia tornando-se mais tenso. Bobby Fischer chegou a ameaçar abandonar a disputa após entraves com os organizadores, mas a situação foi contornada e saindo de uma situação de desvantagem ele conseguiu uma vitória esmagadora, tornando-se o primeiro e único norte-americano Campeão Mundial de Xadrez.

XADREZ NO BRASIL

O Brasil sempre possuiu jogadores notáveis e talentosos no cenário mundial. Acredita-se que o jogo tenha chegado ao país já em 1500 quando na descoberta, por parte dos portugueses, das terras tupiniquins. O primeiro jogador brasileiro de sucesso foi Caldas Viana, que já em 1883 ganhou vários torneios pelo Brasil. Desde então diversos foram os nomes de destaque no país, mas nenhum deles comparado ao gaúcho Henrique Mecking, o Mequinho, uma verdadeira lenda do xadrez mundial. Mecking ganhou seu primeiro campeonato brasileiro de xadrez aos doze anos de idade. Venceu dezenas de torneios por todo o mundo, chegando a ser o terceiro melhor jogador do mundo, atrás apenas de Karpov e Kortchnoi, no final da década de setenta. Suas conquistas fizeram com que se tornasse muito conhecido por todo país e por todo mundo. Chegou a ser até homenageado por Raul Seixas numa de suas canções. Entretanto, no auge da carreira Mequinho foi vítima de uma rara doença, considerada incurável e degenerativa, doença esta que atrofia os músculos levando o enfermo à morte progressiva. O grande mestre brasileiro decidiu então se converter severamente à religião católica. Retirou-se e rezou arduamente pela cura, a qual conseguiu surpreendentemente. Convencido de que fora salvo por um milagre, recolheu-se a um mosteiro e abandonou o xadrez por mais de quinze anos. Voltou a jogar somente em 2000, já conseguindo alguns resultados significantes. Atualmente treina para recuperar sua velha forma.

Entretanto mesmo com a ausência de Mecking, o Brasil continuou a formar grandes talentos no xadrez. Atualmente a equipe brasileira é a mais forte das Américas, tendo nomes de destaque como Rafael Leitão, Giovani Vescovi, Jaime Sunye Neto, Gilberto Milos e Darcy Lima.

XADREZ E CINEMA

Não há como negar o cinema como arte de suma importância dentro da sociedade e da história da humanidade. Filmes marcam época e retratam os mais valiosos acontecimentos eternizando-os. O xadrez como esporte apaixonante que é, conta com muitas produções, sendo algumas “Hollywoodianas” famosas como “Casablanca”, “O Sétimo Selo” e o recente “Lances Inocentes”. É difícil vermos um filme atualmente em que não haja alusão ao jogo de xadrez em algum momento.

XADREZ ESCOLAR

Os seres humanos se destacam dos outros seres vivos pela aquisição da capacidade de agir sobre a natureza, ou seja, mudar, pensar logicamente. Dentro deste contexto, tem-se a implantação do xadrez como atividade de suma importância para o treinamento deste raciocínio lógico. É do conhecimento de todos, que o xadrez vem a enriquecer não só o nível cultural do indivíduo, mas também várias outras capacidades como a memória, a agilidade no pensamento, a segurança na tomada de decisões, o aprendizado na vitória e na derrota, a capacidade de concentração, entre outros. O ensino e a prática do xadrez têm relevante importância pedagógica, na medida em que tal procedimento implica, entre outros, no exercício da sociabilidade, do raciocínio analítico e sintético, da memória, da autoconfiança e da organização metódica e estratégica do estudo. O jogador de xadrez, constantemente exposto a situações em que precisa efetivamente olhar, avaliar e entender a realidade, pode mais facilmente, aprender a planejar adequada e equilibradamente, a aceitar pontos de vista diversos, a discutir questionários e compreender limites e valores estabelecidos e a vivenciar a riqueza das experiências de flexibilidade e reversibilidade de pensamentos e posturas. Em países como a França e a Holanda o xadrez já há muito tempo faz parte do currículo escolar como atividade extracurricular. Após sua implantação, percebeu-se um elevado nível de alunos com melhora no coeficiente escolar e uma queda no nível de atendimentos a alunos com dificuldades de concentração. Na Rússia, o xadrez está para eles como o futebol esta para nós, brasileiros. O governo russo apoiou intensivamente a difusão do xadrez, criando até universidades específicas para o melhor estudo do jogo; sendo que nas escolas, todos, sem exceções, praticam xadrez.

O psicólogo BINET (1891), primeiro criador dos testes de quociente da inteligência e professor da Universidade da Sorbonne, em Paris, iniciou suas experiências sobre algumas das possíveis contribuições do xadrez para o desenvolvimento intelectual. Suas conclusões, que abordaram a memória, a imaginação, o autocontrole, a paciência e a concentração, serviram de base para futuros trabalhos sobre o funcionamento do cérebro.

Os psicólogos da Universidade de Moscou DIACOV, PETROVSKY e RUDIK (1926), foram encarregados pelo governo soviético de investigar o eventual valor educativo do xadrez. Eles verificaram que os enxadristas são muito superiores à população em geral quanto à memória, imaginação, atenção distribuída e ao pensamento lógico, passando então a recomendar este esporte como um método de auto desenvolvimento das capacidades intelectuais.

VYGOTSKY (1933), afirmou que “embora no jogo de xadrez não haja uma substituição direta das relações da vida real, ele é sem duvida, um tipo de situação imaginária”. Pode-se dizer que, conforme propõe este grande psicólogo, através da aprendizagem do xadrez, a criança estaria elaborando habilidades e conhecimentos socialmente disponíveis, passando a internalizá-los, propiciando a ela um comportamento alem do habitual de sua idade.

O psicólogo, matemático e enxadrista GROOT (1946), o qual representou seu país em três olimpíadas de xadrez, publicou seus estudos sobre o processo do pensamento dos mestres enxadristas. Este autor pensa ser capaz de confirmar a teoria da “concepção linear” de SELZ, considerando que cada momento do pensamento é determinado em sua totalidade pelo conjunto dos momentos que o procederam. Para ele, o pensamento no xadrez é essencialmente “não verbal”, e sim, deriva de uma série de retro-análises que vêm em forma codificada à cabeça do jogador.

Os psicólogos da Universidade de Gand, CHRISTIAEN e VERHOFSTADT (1981), investigando a influência do xadrez no desenvolvimento cognitivo, observaram que alunos do grupo experimental ao nível de 5º série, que receberam aulas de xadrez durante dois anos, obtiveram resultados significativamente superiores em testes cognitivos do tipo proposto por PIAGET, do que os alunos do grupo controle que não as receberam.

Desde 1976, o Ministério da Educação da França patrocina as competições de xadrez escolar oficiais e sugere às autoridades acadêmicas que incentivem o ensino do xadrez como atividade “sócio-educativa”, como atividade de “estimulação cognitiva” e como “estudo dirigido”. Neste país, inúmeras experiências, do jardim-de-infância à universidade estão sendo realizadas.

Na década de 1980, com os jogadores KARPOV e KASPAROV, o xadrez transformou-se no esporte número um da então União Soviética, e seus torneios escolares chegavam a receber um milhão de alunos, somando-se as diversas etapas.

Atualmente cerca de 300.000 mil estudantes estão sendo beneficiados por uma resolução do ministério da educação da Holanda, que autorizou a inclusão do xadrez como disciplina escolar no currículo de primeiro grau durante meia hora semanal.

Nos últimos anos, o tema “xadrez e educação” tem estado presente nos debates institucionais. Se em países desenvolvidos a utilização de jogos de estratégia em salas de aula já se encontra perfeitamente aceitável, o mesmo não se pode afirmar, salvo algumas exceções, quanto aos países em desenvolvimento, entretanto, no Brasil, a implantação do xadrez nas escolas já é vista como fundamental por pedagogos e coordenadores, e isto vem sendo feito, mas mais especificamente nos últimos quinze anos.

No estado do Paraná o projeto encontra-se em fase bastante avançada, sobretudo pelos esforços do grande mestre Jaime Sunye Neto e de sua equipe de trabalho. Em Curitiba já existem torneios que mobilizam mais de oitocentas crianças em cada etapa, e em todo estado estima-se que o número de alunos envolvidos com o xadrez passe de quinhentos mil.

Entender os benefícios que este esporte pode trazer ao aluno e a educação em geral é a maior barreira para os educadores, porém, como já é demonstrado, basta analisar os resultados obtidos e também aprofundar o estudo em relação aos verdadeiros benefícios do xadrez para saber como aplicá-lo, que a iniciativa será justificada.


10. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O xadrez por tão apaixonante que é, torna-se para alguns arte, para outros ciências e para outros ainda esporte. Entender a trajetória deste jogo, seus aspectos físicos, lúdicos e psicológicos, é entender como o xadrez, um jogo elegante e irrefutável, transforma-se no esporte mais praticado do mundo hoje. A grande legião de aficionados do xadrez se engrandece a cada dia, pois o xadrez não é simplesmente o “chegar e jogar”, requer todo um conhecimento e estudo da sua história, requer sobretudo o interesse cultural do jogador. Vimos aqui sua importância também no contexto histórico, desde atividade lúdica do período feudal passando a se ocidentalizar perante as conformações impostas pela Igreja Católica, até a ser considerado elemento hegemônico da guerra fria. Sua importância como disciplina já é reconhecida. No âmbito escolar já é respeitado como atividade essencial à formação dos alunos. Creio que o objetivo principal deste trabalho é levar diversos conhecimentos relativos ao xadrez ao leigo, para que este possa descobrir este novo mundo, cheio de vida e de qualidades que só vêm engrandecer, alegrar e distrair o homem.

Referências Bibliográficas

BECKER, Idel. Manual de Xadrez. 7ª edição. São Paulo: Ed. Nobel, 1978.
BINET, Alfred. Psychologie dês Grands Calculateurs et Jouers d’échecs. Paris: Ed. Hachette, 1894.
CHRISTIAEN, Johansen; VERHOFSTADT, Lebut. Xadrez e Desenvolvimento Cognitivo. Amsterdan, v.36, 1981.
DA SILVA, Wilson; TIRADO, Augusto. Meu Primeiro Livro de Xadrez. Curitiba: Ed. Expoente, 1995.
DIAKOV, Irvin; PETROVSKY, Norbert; RUDIK, Paulsen. Psychologija v Sachmatnoj Igri. Moscou, 1926.
GOETHE, Johann. Uma Aventura no Mundo do Xadrez. Disponível em:
Site: http: //www.bsi.com.br/~landrade/> Acesso em: 17 mar. 2002.
GROOT, Antun. Het Denken van den Schaker: Een Experimenteel Psychologische Studie, Amsterdan, 1946.
LASKER, Edward. A Aventura do Xadrez. São Paulo: Ibrasa, 1962.
MELÃO JÚNIOR, Hindemburgo. Tributo à Deusa Caissa. Disponível em: www.terravista.pt/Enseada/2502/Tributo2.htm - Acesso em: 20 mar. 2002.
SA, Antonio. O Xadrez e a Educação: Experiências nas Escolas Primárias e Secundárias da França. Rio de Janeiro, 1988.
VASCONCELOS, F. Apontamentos para uma História do Xadrez e 125 Partidas Brilhantes. Brasília: Editora Santa Casa, 1991.
VYGOTSKY, Lev. A Formação Social da Mente. São Paulo: Fontes, 1989.

Sugestões de Sites sobre o Xadrez:
www.cbx.org.br - Confederação Brasileira de Xadrez
www.cex.org.br - Centro de Excelência de Xadrez
www.fexpar.esp.br - Federação Paranaense de Xadrez
www.fpx.com.br - Federação Paulista de Xadrez


--------------------------------------------------------------------------------

* Ciro José Cardoso Pimenta
Graduando em Educação Física pela UFPR.
Técnico, professor, árbitro, jogador e palestrante de xadrez.
Vice-Presidente da Federação de Xadrez do Paraná.
ICQ#:79081940
E-mail: ciropimenta@bol.com.br

Fonte: www.cdof.com.br/xadrez.htm



pereicel

12/06/2003
09:17:50

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MATCH - FIDE

Message:
Pessoal

Iniciamos mais um match contra o time FIDE. Eles são fortíssimos, mas nós escalamos parte dos nossos feras. Bons jogos a todos. Os jogos são:
board #1310717 Conexão leosp (2010) vs FIDE lucius (1985)
board #1310718 Conexão leosp (2010) vs FIDE lucius (1985)
board #1310719 Conexão rafpig (1911) vs FIDE symuk (1973)
board #1310720 Conexão rafpig (1911) vs FIDE symuk (1973)
board #1310721 Conexão gbsalvio (1889) vs FIDE katryna (1894)
board #1310722 Conexão gbsalvio (1889) vs FIDE katryna (1894)
board #1310723 Conexão lbra (1601) vs FIDE mrenroke (1569)
board #1310724 Conexão lbra (1601) vs FIDE mrenroke (1569)

Boa sorte

Celso



brunosergiom

12/08/2003
06:58:26

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JUDAISMO E XADREZ

Message:
JUDAISMO E XADREZ
Gustavo D. Perednik

Na década dos anos noventa Israel protagonizou uma revolta enxadrista ocupando o quinto posto no ranking mundial, depois da Rússia, Iugoslávia, Inglaterra e Hungria. Os grandes mestres israelenses passaram de cinco a mais de vinte, os clubes de xadrez se quintuplicaram (superando a centeia) e desde 1993 mais de cem escolas e centros comunitários abriram cursos de xadrez. Em Tel Aviv fundou-se a primeira Academia Internacional de Xadrez, que leva o nome do campeão mundial Garry Kasparov (nascido Weinstein). O fortalecimento do xadrez israelense não tem por causa sòmente a grande imigração russa, senão a relacionamento entre os judeus com o jogo-ciência, que supera uma mera coincidência.

O mestre internacional e campeão britânico, Conel H. Alexander, dizia que os enxadristas poderiam se dividir em quatro grupos de talento decrescente: os judeus russos, os russos não judeus, os judeus não russos e os não russos nem judeus.

Judeus predominam entre os grandes mestres e teóricos. Além de Boleslavski, Botvinnik, Bronstein, Fine, Nimzowitzch, Reshevsky, Tal e Tartakover, foram judeus os campeões que mais tempo perduraram. Dentre eles, Emanuel Lasker, filho de um chazan e neto de um rabino, combinou o xadrez com sua carreira de filosofo e matemático, as três ciências? tão afim. Lasker é considerado o enxadrista mais cabal de todos os tempos,e sua biografia foram prolongada por Albert Einstein. O nazismo tirou sua glória, carreira e patrimônio.

Se mencionarmos também os últimos campeões como Fischer, Korchnoi ou Spassky, a desproporção de judeus entre os melhores enxadrista é notável. Entre os latino-americanos, lembremos a Júlio Kaplan e a Júlio Bolbochán.

Miguel Najdorf compartiu com George Koltanowski duas sortes: salvaram-se do Holocausto graças a sus presencia num torneio de xadrez em Buenos Aires no começo da segunda Guerra e por isso não regressaram a Europa. A outra é que ambos especialiçaram-se em partidas simultâneas a ciegas, nas que alcançaram importantes fazanas. Um dois mais lembrados nesta especialidade foi Gyula Breyer, quem obteve o Record jogando vinte e cinco simultâneas a ciegas no Torneio de Berlim em 1920. Faleceu no ano seguinte a idade de 28 anos.

Najdorf jogou quarenta e cinco partidas em 1947 e Koltanowski superou a todos em 1960 quando jogou cinqüenta e sete simultâneas a ciegas, das quais ganhou cinqüenta depois de quase dez horas de jogo. Que os judeus se destaquem no xadrez não significa a existência de uma relação com o judaísmo como civilização. Porém, o xadrez requer uma forma de pensamento muito especial, tal vez similar ao que destila a tradição de Israel. Grandes mestres internacionais tiveram sólida formação talmúdica como Chajes, Aron Nimzovith e Akiva Rubinstein



UM POUCO DE HISTORIA

O midrash exagera quando se refere ao jogo de xadrez entre o rei Salomão com seu conselheiro Benaiá Bem Iehoiadá, mas ainda não foi dilucidado quando os judeus conheceram o jogo. O investigador contemporâneo Victor Keats coincide com o máximo exegeta, Rashi (século 11) que a menção talmúdica do nardeshir (Ketuvot 61b) refere-se ao xadrez. Há dois eruditos que no século passado negaram essa possibilidade. Franz Delizsch concluiu que como o Talmud foi fechado no século 5, e o xadrez foi transmitido pelos persas só a fim desse século, o nardeshir não se deve identificar com o xadrez. Além de isso, o pai da bibliografia judia, Moritz Stenschneider, conjetura em sua monumental obra que o primeiro judeu que recomeça o jogo, foi o filho do rabi Saul de Taberistan, depois do século 9.

O século 12 parece reafirmar a relação entre judaísmo xadrez. Maimonides se refere ao jogo em seu comentário na Mishná, Iehuda Halevy o menciona ao final do Cuzari, e seu amigo Abraham Ibn Ezra redacta o regulamento de xadrez existente mais antigo sob o título de Haruzim. O Sefer Hachasidim recomenda o jogo no século13 , e em 1575 os rabinos de Cremona sentenciaram que “todos os jogos são ruins e causam problemas com exceção do xadrez..”

Na modernidade, a amizade entre Moisés Mendelshon e Gotthold Lessing, quem tivera grande influencia na Emancipação judia e o iluminismo, nasceu frente ao tabuleiro de xadrez. Em 1837 redacta a primeira enciclopédia sobe o jogo, um judeu francês, Aron Alexandre. Um par de anos depois, um dos novos educadores iluministas, Jacob Einchenbaum, quem era matemático, escreve um poema extenso em hebraico sobre a partida de xadrez, ao que denominou Há-kerav (a batalha). Consiste em oitenta estrofes rimadas de seis versos duodecasílabos cada uma. Essa combinação de matemático-literato-xadrecista de Einchenbaum, deu-se também em outro grande judeu como Louis Zangwill. Na pintura, o húngaro Isidor Kaufmann, quen cobrou notoriedade ao pintar a vida cotidiana no shtetl, produz um conhecido quadro no que se observa a presencia do xadrez entre os judeus ortodoxos de Galitzia. Na literatura, é bom lembrar a novela de Stefan Zweig O jogador de xadrez.



Aos judeus se devem as escolas moderna (Wilhelm Steinitz) e hipermoderna (Richard Réti) e a fundação da Chess Review dos Estados Unidos (Israel Horowitz).

Gerald Abrahams explica a proximidade entre os judeus e o xadrez com quatro hipóteses. Devido as migrações, tradição de estudo e cosmopolitismo, os judeus:



Produzem mais que outros grupos intelectuais
Amam o estudo e o aprendizagem
São muito perseverantes, e
têm a habilidade para os idiomas, incluído um muito peculiar: o xadrez.


De judeufobia não esteve excetuado o xadrez. Alexandre Alekhine chegou a ser campeã mundial em Buenos Aires, título que manteve durante quase duas décadas; faleceu diante de um tabuleiro depois de dedicar-lhe toda sua vida. Não se privou de escrever uma desgraçada série de notas judeufóbicas durante o Holocausto. Nelas tipifica uma forma especial dos judeus jogar xadrez, por contraposição ao “xadrez ario”. O texto de Alekhine traz a memória a infâmia que em 1850 publicara Richard Wagner (O judaísmo na música) na que o gênio negava a possibilidade de cultura o de criatividade dos judeus.

Em absurdo paralelo, o ruso Alekhine se propôs explicar como o modo judaico de jogar xadrez se caracteriza pelo oportunismo, a defesa a ultranza e a ganância material a toda custa. Quando aconteceu o primeiro Torneio Internacional (Londres, junho de 1851) o alemão Adolf Anderssen venceu ao matemático judeu Lionel Kieseritzky, destacando-se a partida por uma beleza insuperável, valendo-lhe o nome de La Imortal. De acordo com o esquema de Alekhine, aquela vitória marcou o triunfo do “xadrez ario” por sobre a sinuosidade judia que dominaria durante o século posterior.

Ao deixar de lado tais libelos, não caiamos em outro extremo que é negar toda possível relação entre o xadrez e o judaísmo.



UM POUCO DE FILOSOFIA

É lamentável que a disciplina filosófica não tenha se ocupado do jogo de xadrez, quando poderia ser matéria de estudo. Dois filósofos judeus poderiam exemplificar suas respectivas escolas com o tabuleiro de xadrez. Refiero-me a Henri Bérgson e a Salomão Maimon.

Do primeiro, seu conceito de durée traz uma visão do tempo contraposto ao tempo matemático “tudo transcurrido”, que serve de fundamento para o chamado análises post-mortem da partida enxadrista. Por enquanto Maimon, por meio de seu sistema podem os nos aproximar a pergunta de qué tipo de verdades são as do xadrez. Emanuel Kant considerou a Salomão Maimon “quem melhor sua doutrina”.

Em rigor, os dois tipos de verdades kantianas, as a–priori e as a-posteriori (as que antecedem ou sucedem a experiência de nossos sentidos) não deixam lugar suficiente para um tipo especial de verdade que é a enxadrista e que têm uma notável condição.

A verdade do tabuleiro parece ser a–priori como a matemática, é dizer um conhecimento ao que podemos alcançar pelo raciocínio e sem necessidade da experiência. Porém, descobrimos que as verdades do bispo e do roque ficam vigentes somente quando a partida é conhecida em seu conjunto.

Por um lado, é possível jogar xadrez com a imaginação e sem sequer abrir os olhos e chegar a conclusões sobre suas verdades. Pelo outro, é difícil saber se uma verdade é certa até tanto não seja vista desde a perspectiva da partida já terminada. E dizer que suas verdades valem quando podem se identificar num universo de dados que a precedem. Só nesse universo concluído uma jogada pode definir-se como brilhante, medíocre o deficiente.

Digamos que nesse contexto Salamão Maimon acusou a lei de determinabilidade, poe meio da qual tentou colocou as duas kantianas um terceiro tipo de verdades, uma espécie de mistura das originais.

Em tudo caso, o xadrez fascina não só desde a psicologia do jogador, os computadores e matemática, ou sua inspiração artística. Também no terreno filosófico pode atrair, e um dos poços investigadores que se ocupou desta questão é José Bernadete da Universidade de Syracuse.



UM POUCO DE TALMUD

Há sete dimensões paralelas entre o estudo talmúdico, característico da mentalidade judaica e o do xadrez. Estas são: a indispensabilidade do estudo, a memória, a compreensão visual, a centralidade da lei rígida, a importância do debate, a necessidade da atrevida inteligência, e um pensamento antiautoritario e original.

Tal vez a partir dessas similitudes, analisadas uma por uma, poderíamos entender melhor por que os judeus tiveram e têm uma presencia tão notável no xadrez.

Os dois conceitos talmúdicos do Sinai (erudito) frente a Oker Harim (perspicaz) têm aplicação nas escolas de xadrez. Dos judeus poderiam encarnar-as, como o dogmático Tarrasch frente ao flexível Lasker. Enquanto o primeiro irradiava conhecimentos, o último irradiava sabedoria.

Em soma, a fundação da academia de xadrez deve ser recebida com jubilo, sobre tudo porque sua criação se produz em Israel, um pais que deveria entender-se como seu marco natural. E aventuremos-nos que seu programa de estudos, além da aventura do tabuleiro em si, abarcara muitas disciplinas auxiliares. Junto com a matemática e a filosofia, fazemos votos para não faltar a página do Talmud.

Fonte: www.perednik.org/articulo40.htm






brunosergiom

12/08/2003
08:06:26

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Akiba Rubinstein

Message:
(1881 - 1961) Akiba Rubinstein

Biografia:
O mais jovem de 12 irmãos, nasceu em Stawiski uma cidade polonesa na fronteira da Rússia. Ele aprendeu xadrez aos 16 anos e dedicou sua vida ao jogo, se tornando um dos quatro melhores jogadores até a Primeira Guerra Mundial. Ele poderia ser um Campeão Mundial, mas sendo um judeu pobre do gueto, ele nunca teve apoio para ter uma chance no título. Sua grande vitória veio em Carlsbad 1907 com todos de lá esperando Lasker, então com um empate no primeiro lugar com Lasker (a quem ele bateu) em Petersburg 1909. A última vitória de Rubinstein veio em Vienna 1922. Uma timidez por toda a vida desenvolveu-o a um complexo de perseguição. "Lá está quase outro mestre que sofre dos nervos, o qual lhe causou momentos de complexa exaustão, de forma que ele cometeu erros brutos", notou Reti.

Estilo:
Por precisão, profunda e bela, os finais de jogos de Rubinstein tem raramente sido parecidos. Ele enriqueceu aberturas incontáveis, espalhando dúvida em ambas as Defesas Tarrash e dos Quatro Cavalos com sérias armas para torneios. Um perfeccionista que evitava incerteza, ele cortava simplificações e 'acalmava' linhas sem complicações. Ele invariavelmente começava com 1. d4 e respondia com 1. ... d5.

Fonte: www.webbusca.com.br/xadrez/rubinstein.htm


brunosergiom

12/08/2003
09:19:06

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Cubatense consegue empatar com Mequinho

Message:
Desafio de Xadrez

Cubatense consegue empatar com Mequinho durante simultânea


Durante 3 horas e 20 minutos, o Grande Mestre Internacional, Henrique Costa Mecking, o Mequinho, enfrentou 20 enxadristas de Cubatão (em tabuleiros diferentes), na simultânea realizada no Bloco Cultural do Paço Municipal, na última sexta-feira (14/11/2003). Como já se imaginava, ele foi o grande campeão. Porém, a grande surpresa foi o empate de ½ a ½ , coincidentemente, com um chara seu – o cubatense Henrique dos Santos Nascimento, de 21 anos.



Há 27 anos sem perder uma partida no Brasil, Mequinho , quase no fim da partida, pediu para parar e registrar o empate. “Ele pediu empate porque não tinha como ganhar nenhum dos dois. Embora tenho iniciado mal, o jogo ficou bastante equilibrado depois”, confessou orgulhoso o rival Henrique.



O cubatense ainda afirmou que o jogo não foi o mais difícil em sua experiência de seis anos nos tabuleiros , defendendo a Cidade nos torneios. “Foi bom, ma experiência ótima e uma satisfação incrível”, desabafa. Henrique foi um dos responsáveis em colocar a equipe de Cubatão na 4ª melhor do Estado, nos Jogos Abertos do Interior.



Simultâneas - Promovida em comemoração aos 10 anos do Clube de Xadrez de Cubatão, juntamente com a organização da Gerência de Esportes e Lazer, a simultânea de xadrez teve início às 15h15 e a última partida foi encerrada às 18h35. Mequinho obteve 97,5 % de aproveitamento.



Os 20 jogadores que enfrentaram o Mestre Mequinho foram, por ordem de mesa : Cleiton dos Santos; Leonardo Bispo; Rafael Faris; Verônica Melo de Lima; Hélio Santana; Beatriz Siqueira; Marcos Guimarães da Silva; Thais maia; Henrique Nascimento; Bia de Oliveira Gomes; Jonathan Pereira; Leonardo Peres; Vanessa Araújo Gomes; José Natalício de Almeida; Ana Beatriz Lemos; Maria Isabel Bahia dos Santos; Danilo Marques; Marco Antonio da Silva; Aparecido José Ilário; e Luciano Miranda.



O evento teve a participação do prefeito Clermont Silveira Castor, do gerente geral da Petrobras, João Adolfo Oderich; do gerente de Esportes e Lazer da prefeitura, Leonildo Corghi; do professor e responsável pelo CXC, Olavo Fachini, de vereadores; professores; e dezenas de parentes e amigos dos jogadores.



Antes dão início das partidas, o prefeito Clermont deu incentivo aos atletas de Cubatão, ressaltando a importância dão esporte para uma vida saudável. “Nunca estudei xadrez mas, tenho certeza que nossos enxadristas vão se dar bem”, brincou.



O professor Olavo aproveitou para agradecer o patrocínio da Petrobras e do apoio do Grêmio dos Servidos, que forneceu as mesas, cadeiras e toalhas.



Milagre de Deus - Responsável em levar o xadrez para o grande público, Mequinho ficou afastado por 20 anos da mídia, quando em 1979 foi acometido de uma grave doença chamada Miastemia Gravis, que ataca o sistema nervoso. A mesma moléstia foi responsável pela morte do milionário armador grego Aristóteles Onassis.



Desacreditado pelos médicos dos Estados Unidos, ele atribui sua cura a um milagre de Deus, quando três senhoras da Renovação Carismática Católica rezaram por ele e naquele mesmo dia começou a sentir a melhora e já podia até voltar a comer normalmente. “Jesus fez um milagre. Não fiquei 100% bom porque era o plano de Deus que eu tivesse uma cura progressiva”.



Curado milagrosamente, Mequinho, que já esteve entre os três primeiros no ranking mundial, viaja por todo o País jogando xadrez e anunciando a palavra de Deus para as pessoas e contando seu milagre, no qual relata no livro Como Jesus Cristo Salvou Minha Vida, que está em sua 6ª edição.



Em 2002, Mequinho representou o Brasil na Olimpíada Mundial de Xadrez, na Eslovênia, na qual disputou oito partidas, vencendo 5 e empatando três, colocando o País pela primeira vez na frente dos Estados Unidos e Cuba. Atualmente, está em busca de patrocínio para participar de mais campeonatos internacionais e adquirir um Laptop (computador portátil).

Fonte: www.jornaldoesporte.com.br/cidcubatao.html



brunosergiom

12/08/2003
09:27:36

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Cultura...

Message:
Nosso Grande Mestre de xadrez, Mequinho, dava uma entrevista, anunciando sua volta aos tabuleiros. Na concentração da Seleção, alguns jogadores assistiam ao noticiário e um deles comentou:

- É... lá no Rio também, após umas 30 passagens pela Delegacia, qualquer um é grande mestre de xadrez...

Fonte: www.detrivela.com.br/historias/casos.htm


brunosergiom

12/08/2003
09:32:00

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Xadrez para todos

Message:
Xadrez para todos

Caio Franco

João Paulo II posiciona seu par de bispos contra os cavalos de Napoleão. Karl Marx avança perigosamente seus peões contra a dama de Humphrey Bogart. Fidel Castro utiliza suas torres para atacar dissimuladamente o rei de Machado de Assis...

Se esses encontros fossem possíveis, essas personalidades (entre muitas outras) estariam medindo forças utilizando-se de um tabuleiro de 64 casas e 16 peças para cada uma, posicionadas de lados opostos no tabuleiro, pois tinham algo em comum: o amor pelo xadrez. Há quinze séculos, esse jogo vem apaixonando e intrigando estudiosos e praticantes com as ilimitadas possibilidades que oferece e uma bem-dosada mistura entre esporte, arte e ciência.

As competições de xadrez — torneios, confrontos individuais, olimpíadas específicas — atraem a atenção de milhões de pessoas em todo o mundo e conferem ao jogo o status de um verdadeiro desporto. As seqüências de jogadas (as chamadas combinações) podem proporcionar a efetiva fruição estética; e, finalmente, seu atual nível de desenvolvimento permite, em muitos finais de partidas, que se determine com precisão matemática o desfecho — empate ou vitória de um dos oponentes.

Essa feliz síntese é o que faz de nós, enxadristas, seus eternos devotos. Como se isso não fosse suficiente, o nobre jogo — como já comprovaram pesquisadores de diversos países —possibilita aos que a ele se dedicam um aprimoramento constante de suas capacidades de raciocínio, memorização e concentração, elementos que, aliados, mantêm e, ao mesmo tempo, aperfeiçoam o que o ser humano tem de melhor: a inteligência.

Mas, afinal, o que é o xadrez? Será que é um jogo romântico, que evoca damas e cavaleiros medievais a lutar, com seu peculiar código de honra, ou é o esporte capaz de fazer um campeão perder peso (devido ao enorme esforço mental) durante uma partida excepcionalmente tensa? É um pouco disso tudo — e muito mais, pois praticá-lo é útil e divertido. A “ginástica da inteligência” (Goethe) constitui, ao mesmo tempo, agradável passatempo e proveitoso estímulo à criatividade, à perspicácia e à autodeterminação, desenvolvendo, assim, o caráter e despertando o indivíduo para fenômenos sociais e culturais que estão ao seu redor.

O preconceito leva as pessoas a pensarem que o xadrez é um jogo para indivíduos excêntricos, enfermiços e pouco sociáveis. Mas isso é tolice. O melhor jogador da atualidade, Gary Kasparov (que foi derrotado, em 1997, pelo supercomputador deep blue, da IBM, capaz de analisar 200 milhões de posições por segundo), pratica atletismo, natação, futebol e tênis e é formado em Letras — em resumo, é um esportista completo.

O xadrez é também o jogo de tabuleiro mais popular e sobre o qual mais livros se publicam no mundo.

No Brasil, da década de 70, assistimos a um considerável aumento no interesse pelo jogo, devido, sobretudo, ao aparecimento de Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, na época, um dos três melhores jogadores do planeta e sério candidato ao título mundial. No entanto, essa febre enxadrística aos poucos esmoreceu, relegada ao esquecimento pela crônica e proverbial cegueira de nossas autoridades. Apesar disso, algumas boas iniciativas para a implantação do xadrez nas escolas foram realizadas nas cidades de Curitiba, Osasco e, mais recentemente, Florianópolis (com excelentes resultados e até site na Internet). Eis aí uma grande idéia: incluído como matéria opcional — sem haver reprovação — no currículo escolar, não há dúvida de que, por todas as razões já apontadas, o xadrez se revele um formidável suporte pedagógico a alunos e professores.

Imitação da vida ou da guerra que é o viver, o “rei dos jogos e o jogo dos reis” é objeto de muitos tipos de metáfora. Desde as mais elaboradas — como no filme O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, em que o protagonista joga uma partida contra a Morte, tentando, em vão, enganá-la — às mais corriqueiras, como quando dizemos "fulano passará o resto de seus dias no xadrez". Aliás, o título deste artigo tem — como já terá advertido o leitor mais atento (um enxadrista?) — duplo sentido, pois defende não somente o ensino do jogo de xadrez nas escolas como também "xadrez" para os corruptos que empobrecem, em todos os sentidos, este país.

Xadrez para todos!

Fonte: www.aprendebrasil.com.br/articulistas/artigo0025.asp





brunosergiom

12/09/2003
07:29:49

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A Defesa Câmara

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A Defesa Câmara

Os irmãos Hélder e Ronald Câmara

A Defesa Câmara (1 e4 e5 2 Cf3 De7!?) tem sua origem entre os anos de 1952 e 1953, aparecendo oficialmente em 1954, durante o Torneio Nacional Comemorativo do IV Centenário da Cidade de São Paulo (out/1954) e o XXII Campeonato Brasileiro de Xadrez de 1954 (nov-dez/1954), realizados em São Paulo. Naquelas ocasiões, em três partidas, consegui uns injustos 50% de aproveitamento, quando na realidade devia ter ganho a primeira delas e perdido as outras duas.

Desde a época em que conseguira reproduzir as partidas da revista soviética Sharmaty Bulletin, guardadas em casa pelo meu pai, isso por volta de 1947, eu me dexei fascinar por uma defesa que a partir de então adotava em qualquer oportunidade: a Índia do Rei.


Os meus parceiros naqueles tempos do antigo Centro Enxadrístico do Clube dos Diários, em Fortaleza (Ceará), sabiam da minha idolatria por essa defesa e, assim, por esperteza ou pirraça, só começavam suas partidas contra mim com 1 e4.

Aos poucos, porém, fui-me apercebendo de que a Índia do Rei não era uma defesa subordinada a regras ortodoxas, obedecendo à imperiosidade de lances ordeiros e precisos, mas um maleável esquema defensivo. E observei também que a sua formação estrutural podia ser concluída independentemente da linha de jogo adotada pelas brancas.

Na India do Rei, estabelecida a sua formação básica (...Cf6, g6, Bg7, d6, 0-0, e5, Cbd7, c6), as pretas devem eleger um plano de jogo. Elas podem pressionar o centro com 9...exd4 e 10...Te8; podem garantir a casa c5 para o seu cavalo de d7 com 9...a5; ou podem manter a tensão central com 9...Dc7 ou 9...De7 (!). E é exatamente aí que nasce a Defesa Câmara: uma inversão de nove lances capaz de garantir, com um quase imperceptível disfarce, o emprego do esquema índio contra a abertura peão-rei.

O detalhe insólito da minha defesa é que ela, além de oferecer um meio de jogar a Índia do Rei contra 1 e4, ainda proporciona um verdadeiro impacto ao contrariar os mais elementares princípios da teoria das aberturas: a dama, desenvolvida prematuramente para defender um simples peão, não apenas se expõe a eventuais ataques de peças menores, como impede a saída natural do bispo de f8.

Outro detalhe importante: um jogador que não conheça esse esquema defensivo, ao defrontar com alguém que o empregue, por certo imaginar-se-á diante de um neófito. E fatalmente não se comportará com a necessária determinação, como faria contra um adversário de presumida força média ou superior.

Com relação a datas, o ano de 1953 é fundamental no comportamento técnico da India do Rei. Embora existissem os antecedentes das partidas Taimanov-Aronin (1-0 in 40) e Taimanov-Bronstein (1-0 in 41), ambas do 20º Campeonato da URSS, Moscou 1952, foi somente após a famosa partida Najdorf-Gligoric, Mar Del Plata, 1953 (0-1 in 48), que a novidade teórica 7...Cc6 (1 d4 Cf6 2 c4 g6 3 Cc3 Bg7 4 e4 d6 5 Cf3 0-0 6 Be2 e5 7 0-0 Cc6! N) adquiriu um enorme e definitivo destaque internacional e passou a ser considerada como a melhor continuação nesta linha, razão pela qual os “indianistas” em sua quase totalidade deixaram de adotar o superclássico 7...Cbd7. Por isso, deve-se estabelecer a idéia norteadora da Defesa Câmara como anterior a 1953!

No histórico de seu opúsculo monográfico sobre a Defesa Brasileira, editado em 1969, logo nas primeiras linhas, o autor Washington de Oliveira escreveu: “O lance 2...De7 foi sugerido, em 1954, pelo atual vice-campeão brasileiro Hélder Câmara quando, na Guanabara, analisava partidas com Almeida Soares, Sílvio Mendes, Nilo Coelho e outros”. A redação desse histórico, porém, devia ser inteiramente outra, ou seja, “o lance 2...De7 foi mostrado em 1954 pelo atual vice-campeão brasileiro Hélder Câmara quando, no Distrito Federal de então, reproduzia as partidas jogadas por ele contra Manoel Madeira de Ley (½-½), José Thiago Mangini (1-0) e Waldemar Santacruz de Oliveira (0-1), em competições realizadas em São Paulo, de onde acabara de chegar”.

De fato, quando pela primeira vez eu vim para o sul do País (1954), vim com a finalidade única de participar do Torneio Nacional Comemorativo do IV Centenário da Cidade de São Paulo. A minha defesa deveria servir como um marco enxadrístico para aquela data memorável. Circunstancialmente, um mês depois desse torneio comemorativo, joguei também o XXII Campeonato Brasileiro, quando experimentei por duas vezes mais o meu sistema defensivo. Na volta, sim, aproveitando o convite dos meus parentes no Rio de Janeiro, ali demorei-me uns três meses antes de regressar para Fortaleza em princípios de 1955. E só voltei para o sul definitivamente em 1957.

Em 1957, agora radicado no Rio de Janeiro, passei a freqüentar o maior centro de xadrez do País naquele tempo, o Olympico Club. Nas minhas primeiras semanas cariocas, com a sofreguidão própria dos meus 20 anos de idade, passava tardes e até noites inteiras em alucinantes sessões de xadrez relâmpago (partidas de 5 minutos).

No meu repertório teórico, entre violentos gambitos e variantes inusuais ou desconhecidas, estava, é claro, a Defesa Câmara, utilizada por mim à exaustão. Mas logo não faltou que se apressasse na dolorosa observação:

-- Olhem, ele também conhece a Defesa Brasileira!

Naquele exato momento, como se um raio atravessasse a minha mente, compreendi que se haviam aproveitado da minha ingenuidade para a vaidosa satisfação pessoal de alguns que jamais pensaram em me ver de volta reclamando os frutos da minha inspiração. Mas o nome de Defesa Brasileira já contava com o aval dos desinformados e com a minha desesperada e impotente indignação.

Naquela época, em termos de xadrez, eu ainda não obtivera nenhum título relevante e, assim, a minha voz não era bastante forte para reclamar daquela esbulhação.

Em 1958, tornei-me campeão carioca. Desde então, as pessoas que conheciam a verdade histórica desse meu esquema defensivo passaram a chamá-lo de Defesa HC, como era originariamente conhecido. Depois, porém, em homenagem ao nome da única família que revelou dois irmãos (Ronald e Hélder) campeões brasileiros de xadrez, aliás, bi-campeões, passei a denominá-la de Defesa Câmara – que é o nome pelo qual ele deverá ser conhecida na posteridade.

Com relação à sua prática, devo registrar que eu a empreguei inclusive para obter o meu título de Mestre Internacional, no Sul-Americano de 1972, em São Paulo, e na minha única participação individual fora do Continente Sul-Americano, em 1973, no Magistral de Nethanya, em Israel. Isso para não dizer dos inúmeros campeonatos estaduais e nacionais, além de outras provas de menor vulto, embora também oficiais.

O economista Luís Nassif publicou um artigo na Folha de S. Paulo (22.07.93) intitulado “Os salários e a abertura brasileira”, relatando que “No Interzonal de Xadrez de 1972, a maior inovação brasileira não foi Mequinho. Foi um mestre internacional criativo e muito louco (no tabuleiro) chamado Hélder Câmara, sobrinho do arcebispo, que lançou oficialmente para o mundo a abertura brasileira. Consistia em mover a dama no segundo lance – uma heresia para os especialistas. Qual era o lance seguinte?

-- ‘Não me perguntem, porque ainda não pensei’, respondia o enxadrista”.

Com isso, Nassif estabelecia uma correlação entre a minha temerária e heterodoxa defesa (que ele confundiu com abertura) e um plano econômico do governo Itamar Franco de reajuste integral de salários – indagando e ao mesmo tempo duvidando “se alguém pensou no lance seguinte e se tem coragem de expor a sua conclusão”.

Na realidade, não posso deixar de concordar com Nassif de que os economistas contratados por quase todos os nossos governos vivem atrapalhados, sem conseguir aliviar as aflições do povo brasileiro. Mas com uma ressalva: eu sempre soube muito bem que lance seguinte devia fazer na minha defesa.

Mercê dos inestimáveis préstimos do amigo Dr. Semi Ammar, que guardara em seus preciosos arquivos não apenas os boletins do “Torneio do IV Centenário da Cidade de São Paulo”, mas também os do “XXII Campeonato Brasileiro Individual de Xadrez”, ambos de 1954, podemos recuperar estas raridades históricas, as primeiras partidas da Defesa Câmara, que, desconhecida àquela época, recebeu a coerente denominação de Defesa Irregular...

1. Manoel Madeira de Ley (SP) x (CE) Hélder Câmara (4ª rodada, Torneio do IV Centenário da Cidade de São Paulo, SP, 19.10.54 – Defesa Câmara, C 40) 1 e4 e5 2 Cf3 De7!? N 3 Bc4 g6! 4 Cc3 c6 5 d3 Bg7 6 a4 Cf6 7 h3 0-0 8 Be3 Td8 9 Bg5 h6 10 Bxf6 Dxf6 11 0-0 d6 12 Dd2 Bxh3! 13 Ch2 Be6 14 Rh1 d5 15 Ba2 d4 16 Ce2 Bxa2 17 Txa2 De6 18 Taa1 c5 19 f4 f5?! 20 exf5 gxf5 21 fxe5 Bxe5 22 Cf4 Df6 23 Df2 Tf8 24 Tae1 Cc6 25 Df3 Tf7 26 Dd5 Td8 27 De6 Dxe6 28 Cxe6 Td5 29 Cf4 Bxf4 30 Txf4 Te5 31 Tdf1 Te2 32 T1f2 Txf2 33 Txf2 Ce5 34 Te2 Cg4 35 Cxg4 fxg4 36 Rh2 Rg7 37 Rg3, ½-½.

2. José Thiago Mangini (RJ) x (CE) Hélder Câmara (4ª rodada, XXII Camp. Brasileiro de Xadrez, SP, 30.11.54 – Defesa Câmara, C 40) 1 e4 e5 2 Cf3 De7!? 3 Bc4 g6 4 0-0 Bg7 5 d4 d6 6 dxe5 dxe5 7 b3 c6 8 Ba3 Df6 9 Cc3 Bg4 10 Be2 Bxf3 11 Bxf3 Ce7 12 De2 Cc8 13 Bg4 Cb6 14 Tad1 Bf8 15 Bc1 Bb4 16 Td3 0-0 17 f4 exf4? 18 e5 De7 19 Ce4 Cd5 20 Bxf4 Cxf4 21 Txf4 Td8? 22 Txd8+ Dxd8 23 Cf6+ Rg7 24 Txb4, 1-0.

3. Waldemar Santacruz de Oliveira (PE) x (CE) Hélder Câmara (9ª rodada, XXII Camp. Brasileiro de Xadrez, SP, 06.12.54 – Defesa Câmara, C 40) 1 e4 e5 2 Cf3 De7 3 b3 d6 4 Cc3 c6 5 Be2 g6 6 d3 Bg7 7 Bg5 Cf6 8 h3 Cbd7 9 Dd2 h6 10 Be3 d5 11 exd5 cxd5 12 d4 e4 13 Ch2 a6 14 0-0 Cb6 15 f3 Ch5? 16 fxe4 Cg3 17 Cxd5 Cxd5 18 exd5 Cxf1 19 Txf1 0-0 20 Bd3 g5 21 c4 f5 22 c5 f4 23 Bf2 h5 24 Bc4 Df6 25 Td1 g4 26 hxg4 Bxg4 27 Te1 Tae8 28 Txe8 Txe8 29 a4 f3 30 g3 Rh8 31 Cxg4 hxg4 32 d6 Df7 33 d5 Db1+ 34 Bf1 Dg6 35 Db4 Df5 36 Dxb7 Dc2 37 d7? Dxf2+!, 0-1.

Do meu livro Diagonais – Crônicas de Xadrez (Saraiva, 1996).

Fonte: www.hcamara.com.br/teoria.htm




pereicel

12/09/2003
16:07:45

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MATCH: eenok

Message:
Pessoal

Iniciamos mais um pequeno match contra o referido time. Os jogos são:
board #1320315 Conexão brunosergiom (1572) vs eenok akon (1668)
board #1320316 Conexão brunosergiom (1572) vs eenok akon (1668)
board #1320317 Conexão erinmore (1422) vs eenok janek (1301)
board #1320318 Conexão erinmore (1422) vs eenok janek (1301)

Boa sorte aos escalados.

Celso



pereicel

12/10/2003
03:30:19

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MATCH - POLAND

Message:
Pessoal

Iniciamos mais um desafio:

board #1322215 karkarov (1904) Conexão VS █ Poland █ chrishanaj (1833)
board #1322216 karkarov (1904) Conexão VS █ Poland █ chrishanaj (1833)
board #1322217 gbsalvio (1896) Conexão VS █ Poland █ kathyszar4 (1781)
board #1322218 gbsalvio (1896) Conexão VS █ Poland █ kathyszar4 (1781)
board #1322219 pereicel (1496) Conexão VS █ Poland █ kazelot (1568)
board #1322220 pereicel (1496) Conexão VS █ Poland █ kazelot (1568)
board #1322221 duck (1461) Conexão VS █ Poland █ przemcio (1303)
board #1322222 duck (1461) Conexão VS █ Poland █ przemcio (1303)

Bos sorte a todos os escalados

Celso


pereicel

12/10/2003
10:18:54

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MATCH - Polgar's Knights

Message:
Pessoal

Iniciamos mais um match:

board #1323285 rivensorcerer (1859) Conexão VS Polg@r azazel (1734)
board #1323286 rivensorcerer (1859) Conexão VS Polg@r azazel (1734)
board #1323287 pereicel (1507) Conexão VS Polg@r neogeek (1469)
board #1323288 pereicel (1507) Conexão VS Polg@r neogeek (1469)
board #1323289 duck (1481) Conexão VS Polg@r lrnjt (1375)
board #1323290 duck (1481) Conexão VS Polg@r lrnjt (1375)

Boa sorte aos escalados

Celso


brunosergiom

12/11/2003
01:49:13

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Defesa Câmara

Message:
[Event "1 BDTT - P - 12"]
[Site "?"]
[Date "1996.??.??"]
[Round "?"]
[White "Mrs Lezcano, Maria A."]
[Black "Fuzishawa, Richard M."]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. Bc4 d6 5. O-O Nd7 6. d4 exd4 7. Nxd4 g6
8. Bf4 Ngf6 9. Re1 Ne5 10. Bb3 Bg7 11. Qd2 O-O 12. Rad1 Rd8 13. Qe3 a5
14. Bg5 h6 15. Bf4 Neg4 16. Qd2 1/2-1/2


[Event "1 BDTT - P - 12"]
[Site "?"]
[Date "1996.??.??"]
[Round "?"]
[White "Fuzishawa, Richard M."]
[Black "Mrs Lezcano, Maria A."]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 Nf6 4. Bc4 Nc6 5. O-O Na5 6. Be2 d6 7. b3 Be6
8. d4 exd4 9. Nxd4 O-O-O 10. Bd2 Kd7 11. Nd5 Nxd5 12. exd5 b6 13. dxe6+
fxe6 14. Bxa5 bxa5 15. Bb5+ Kc8 16. Qe2 1-0


[Event "1 BDTT - P - 09"]
[Site "?"]
[Date "1996.??.??"]
[Round "?"]
[White "Freitas, Jose M."]
[Black "De Smet, Karl"]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. d4 d6 5. Bg5 f6 6. Be3 exd4 7. Nxd4 g6
8. Bc4 Nh6 9. h3 Nf7 10. f4 Bg7 11. Qd2 O-O 12. O-O-O b5 13. Bb3 a5 14. a3
b4 1/2-1/2


[Event "1 BDTT - P - 10"]
[Site "?"]
[Date "1997.??.??"]
[Round "?"]
[White "De Smet, Karl"]
[Black "Perez, Rene Rodriguez"]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. Bc4 h6 5. O-O Nf6 6. d3 d6 7. a4 Nbd7
8. h3 Nb6 9. Bb3 Be6 10. Bxe6 Qxe6 11. d4 a5 12. Be3 Nc4 13. Bc1 Be7 14. b3
Nb6 15. Be3 Bd8 16. Qe2 O-O 17. Rad1 Bc7 18. Rd3 Rfd8 19. Re1 Nbd7 20. d5
cxd5 21. exd5 Qe7 22. Nh4 e4 23. Bd4 Ne5 24. Rg3 Qd7 25. Nxe4 Nxd5 26. c4
Ne7 27. Nf6+ 1-0


[Event "1 BDTT - P - 01"]
[Site "?"]
[Date "1996.??.??"]
[Round "?"]
[White "Wolff, Thomas"]
[Black "Aspasio, Benassi"]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Bc4 Nf6 4. Ng5 h6 5. Nxf7 Rh7 6. d4 exd4 7. e5 d5
8. Be2 Qxf7 9. exf6 Qxf6 10. O-O g6 11. c3 c5 12. cxd4 cxd4 13. Bf3 Be6
14. Re1 Nc6 15. Bxd5 Re7 16. Bf3 Bg7 17. Nd2 Ne5 18. b3 Rd8 19. Ba3 Rc7
20. Qe2 Kf7 21. Rac1 Rxc1 22. Rxc1 Nxf3+ 23. Nxf3 Rd7 24. Rc8 d3 25. Qd2
Bg4 26. Ne1 Qg5 27. f4 Qf5 28. h3 Bxh3 29. gxh3 Qxh3 30. Bc5 Re7 31. f5
Qxf5 32. Bxe7 Bd4+ 33. Kh2 Be5+ 1/2-1/2


[Event "1 BDTT - P - 09"]
[Site "?"]
[Date "1996.??.??"]
[Round "?"]
[White "De Smet, Karl"]
[Black "Freitas, Jose M."]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. Bc4 d6 5. d4 Bg4 6. dxe5 dxe5 7. O-O Nd7
8. Bg5 Ngf6 9. h3 Bxf3 10. Qxf3 g6 11. Rad1 Bg7 12. Rd2 O-O 13. Rxd7 Qxd7
14. Bxf6 b5 15. Bxg7 bxc4 16. Rd1 1-0


[Event "1 BDTT - P - 09"]
[Site "?"]
[Date "1996.??.??"]
[Round "?"]
[White "De Smet, Karl"]
[Black "Lorrain, Andre"]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. Bc4 d6 5. O-O g6 6. d4 Bg7 7. Be3 Nf6
8. h3 O-O 9. a4 Nbd7 10. Qe2 Kh8 11. Rfd1 Nb6 12. Bb3 exd4 13. Bxd4 Be6
14. a5 Nbd7 15. Bxe6 fxe6 16. e5 dxe5 17. Nxe5 Nd5 18. Nxd5 cxd5 19. Nxd7
Qxd7 20. Bxg7+ Kxg7 21. Re1 Rae8 22. c4 d4 23. Qe5+ Kg8 24. Rad1 Rf5
25. Qxd4 Qxd4 26. Rxd4 Rxa5 27. Rd7 b6 28. Kf1 h6 29. Red1 Rf8 30. Re7
1/2-1/2


[Event "1 BDTT - P - 09"]
[Site "?"]
[Date "1996.??.??"]
[Round "?"]
[White "Lorrain, Andre"]
[Black "De Smet, Karl"]
[Result "0-1"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. d4 exd4 5. Qxd4 d6 6. Bg5 f6 7. Bh4 Be6
8. Be2 Nd7 9. O-O Nh6 10. Rfd1 Nb6 11. Bg3 Nf7 12. a4 Ne5 13. b3 h5 14. Qe3
Nbd7 15. Nd4 g5 16. f4 h4 17. fxe5 hxg3 18. Qxg3 Nxe5 19. Nxe6 Qxe6 20. Qf2
Nd7 21. Bc4 Qe5 22. Qg3 d5 23. exd5 Bc5+ 24. Kf1 cxd5 25. Re1 0-1


[Event "1 BDTT - P - 02"]
[Site "?"]
[Date "1996.??.??"]
[Round "?"]
[White "Wolff, Thomas"]
[Black "Paz y B., Gustavo"]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Bc4 Nc6 4. d3 Nf6 5. Nc3 h6 6. O-O d6 7. Be3 Bd7
8. Nd5 Nxd5 9. Bxd5 g6 10. c3 O-O-O 11. a4 Kb8 12. b4 f5 13. a5 Qf6 14. b5
Ne7 15. Bxa7+ Kxa7 16. b6+ Kb8 17. Bxb7 Kxb7 18. a6+ Ka8 19. bxc7 Rc8
20. Qb3 Rxc7 21. Rfb1 1-0


[Event "1 BDTT - P - 02"]
[Site "?"]
[Date "1996.??.??"]
[Round "?"]
[White "Paz y B., Gustavo"]
[Black "Wolff, Thomas"]
[Result "0-1"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Bc4 d6 4. d3 Bg4 5. O-O Nf6 6. Nc3 Nc6 7. h3 Bxf3
8. Qxf3 Nd4 9. Qd1 Qd7 10. Be3 b5 11. Bb3 a5 12. a3 Be7 13. Bxd4 exd4
14. Ne2 c5 15. c3 a4 16. Ba2 dxc3 17. bxc3 O-O 18. Rb1 Rfb8 19. d4 c4
20. Ng3 d5 21. e5 Ne8 22. Qc1 Nc7 23. Ra1 Re8 24. Qb2 Bh4 25. Rae1 f6
26. exf6 g6 27. f7+ Qxf7 28. Nh1 Qf8 29. Ra1 Re6 30. Ng3 Rae8 0-1


[Event "1 BDTT - P - 12"]
[Site "?"]
[Date "1995.??.??"]
[Round "?"]
[White "Scott, Herman"]
[Black "Fuzishawa, Richard M."]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. d4 d6 5. Bg5 Nf6 6. Qd2 h6 7. Bh4 Bg4
8. O-O-O Nbd7 9. Be2 Bxf3 10. Bxf3 exd4 11. Qxd4 Qe5 12. Bg3 Qxd4 13. Rxd4
Ne5 14. Be2 Be7 15. f4 Ng6 16. Rf1 O-O-O 17. e5 Ne8 18. Bg4+ Kc7 19. Rfd1
b5 20. exd6+ Bxd6 21. f5 Ne7 22. Ne4 Bxg3 23. Rxd8 Bf4+ 24. Kb1 Nd5
25. R8xd5 cxd5 26. Rxd5 Kc6 27. Rd8 Kc7 28. Ra8 Kb7 29. Rd8 Kc7 30. Rd3
Bxh2 31. Nc5 Nf6 32. Bf3 Re8 33. Na6+ Kb6 34. Nb4 Re1+ 35. Rd1 Rxd1+
36. Bxd1 a5 37. Nd3 Nd5 38. Bf3 Ne3 39. g4 Bd6 40. a3 f6 41. Kc1 h5
42. gxh5 Nxf5 43. Kd2 Nd4 44. Bd5 a4 45. c3 Nf5 1/2-1/2


[Event "1 BDTT - P - 12"]
[Site "?"]
[Date "1995.??.??"]
[Round "?"]
[White "Fuzishawa, Richard M."]
[Black "Scott, Herman"]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 Nf6 4. Bb5 c6 5. Be2 d6 6. d4 Nbd7 7. O-O g6
8. Be3 Bg7 9. d5 c5 10. Rb1 O-O 11. a3 a6 12. Qd3 b5 13. Ra1 c4 14. Qd2 Bb7
15. Bg5 Rfe8 16. Rfe1 Qf8 17. b3 cxb3 18. cxb3 Nc5 19. Bd1 Rec8 20. Rc1 Rc7
21. b4 Ncd7 22. Be2 Rac8 23. h3 h6 24. Be3 Kh7 25. Bd3 Ne8 26. Bb1 Qe7
27. Rc2 Nef6 28. Rec1 Ne8 29. Ne2 Rxc2 30. Bxc2 Qd8 31. Nc3 Nc7 32. Qd3 Qe7
33. Bb3 Qd8 34. Bd1 1/2-1/2


[Event "1 BDTT - P - 05"]
[Site "?"]
[Date "1998.??.??"]
[Round "?"]
[White "Vaz Porto, Franscico Jose"]
[Black "Hernandez, Raul Perez"]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. d4 exd4 5. Qxd4 d6 6. Bf4 b5 7. O-O-O Nf6
8. a3 a5 9. e5 dxe5 10. Nxe5 Be6 11. Qb6 Bd7 12. Qb7 1-0


[Event "1 BDTT - P - 05"]
[Site "?"]
[Date "1997.??.??"]
[Round "?"]
[White "Vaz Porto, Franscisco Jose"]
[Black "Valder, Jonathan"]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. d4 d6 5. Bg5 Nf6 6. h3 Nbd7 7. Qd2 h6
8. Be3 exd4 9. Qxd4 Ne5 10. O-O-O Nxf3 11. gxf3 Be6 12. f4 g6 13. Bg2 Rg8
14. e5 dxe5 15. fxe5 Nd7 16. Ne4 O-O-O 17. Nd6+ Kc7 18. Qxa7 1-0


[Event "1 BDTT - P - 02"]
[Site "?"]
[Date "1995.??.??"]
[Round "?"]
[White "Trokenheim, Marek"]
[Black "Wolff, Thomas"]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. d4 d5 5. dxe5 dxe4 6. Nxe4 Bg4 7. Nd6+ Kd8
8. Nxf7+ Kc8 9. Nxh8 Nd7 10. Be2 g6 11. Ng5 Qxe5 12. Nhf7 Qe8 13. O-O Qxe2
14. Qxe2 Bxe2 15. Re1 1-0


[Event "1 BDTT - P - 02"]
[Site "?"]
[Date "1995.??.??"]
[Round "?"]
[White "Wolff, Thomas"]
[Black "Trokenheim, Marek"]
[Result "0-1"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Bc4 Nf6 4. Ng5 h6 5. Nxf7 Rh7 6. d4 d5 7. Bxd5 exd4
8. Bc4 g6 9. e5 Rxf7 10. Bxf7+ Kxf7 11. Qxd4 Ng4 12. f4 Nc6 13. Qc4+ Be6
14. Qe2 Nd4 15. Qd3 Rd8 16. Nc3 Qc5 17. Rb1 Bf5 0-1


[Event "1 BDTT - P - 13"]
[Site "?"]
[Date "1997.??.??"]
[Round "?"]
[White "Scott, Herman"]
[Black "Cassola, Aldo Guilherme"]
[Result "0-1"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. d4 d6 5. Bg5 Nf6 6. Qd2 h6 7. Bh4 Bg4
8. Be2 Bxf3 9. Bxf3 g5 10. Bg3 Nbd7 11. h3 Bg7 12. O-O-O exd4 13. Qxd4 Nh5
14. Qxd6 Nxg3 15. Qxe7+ Kxe7 16. fxg3 Bxc3 17. bxc3 Ne5 18. Rd4 b5 19. Rhd1
Rhd8 20. Rxd8 Rxd8 21. Rxd8 Kxd8 22. Kd2 Nc4+ 23. Kd3 Ke7 24. Kd4 Kd6
25. Kd3 c5 26. g4 Ke5 27. Ke2 Na3 28. Kd2 Nb1+ 29. Kd3 c4+ 30. Ke3 Nxc3
31. a3 a5 32. g3 Nb1 0-1


[Event "1 BDTT - P - 13"]
[Site "?"]
[Date "1997.??.??"]
[Round "?"]
[White "Skaza, Adam P."]
Seleção de dezoito partidas de Defesa Câmara. Elas estão em formato PGN, basta copiar e salvar num editor PGN. Assim, os componentes do time poderam estudar e jogar a defesa.

Um abraço,
Bruno


[Black "Scott, Herman"]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 Nf6 4. Bc4 c6 5. Bb3 b5 6. a3 a5 7. O-O Ba6
8. Qe1 h6 9. d4 d6 10. Be3 g6 11. Nd2 Bg7 12. f4 O-O 13. fxe5 dxe5 14. dxe5
Qxe5 15. Nf3 Qc7 16. e5 Nfd7 17. e6 fxe6 18. Nd4 Re8 19. Nxe6 Rxe6
20. Bxe6+ Kh7 21. Rf3 Nf6 22. Bd4 Nbd7 23. Bxd7 Qxd7 24. Bxf6 1-0



brunosergiom

12/11/2003
02:23:00

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Querem levar a Defesa Brasileira

Message:
Alerta Geral

Querem levar a Defesa Brasileira

No fórum da FIDE (forum.fide.com/) um engraçadinho de Malawi (dizem que fica no Sudoeste da África) chamado Kajani Kaunda ensaiou uma campanha para rebatizar a nossa Defesa Brasileira 1-e4 e5 2-Cf3 De7!.
Quer chamá-la de Defesa Malawi. Pode?
O sujeito que diz ser o campeão das selvas garante ter todas as refutações para o ataque branco, coisa que a velha guarda do xadrez nacional já sabia há uns 30 anos mais ou menos.
Alô patrão Darcy, olho vivo nesse capivara!

(dviana@dviana.jor.br)

Fonte: www.cbx.org.br/_site/index.php?cbx=ler¬id=75


brunosergiom

12/11/2003
02:43:42

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Defesa Câmara - 2

Message:
Mais alguma partidas da Defesa Câmara.

Um abraço,
Bruno

[Event "1BDTT-S-01"]
[Site "BDTT"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "Wolff, Thomas (GER)"]
[Black "Plummer, Rolf (GER)"]
[Result "0-1"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Bc4 Nc6 4. Nc3 Nf6 5. O-O d6 6. d3 h6 7. Be3 g6 8. d4
Bg7 9. dxe5 dxe5 10. Nd5 Nxd5 11. Bxd5 Bd7 12. a3 a5 13. b4 axb4 14. axb4 Rxa1
15. Qxa1 Nxb4 16. Qa8+ Qd8 17. Qxb7 Nxd5 18. Qxd5 Bg4 19. Qxd8+ Kxd8 20. Nd2
Ke7 21. Ra1 Rb8 22. Ra3 Be6 23. Kf1 Rb2 24. Rc3 Kd7 25. Ke2 Bf8 26. Nc4 Rb5 27.
Kd3 h5 28. Rb3 Rxb3+ 29. cxb3 f6 30. g3 Bb4 31. f4 exf4 32. gxf4 c5 33. Bf2 Bh3
34. Ne3 Be6 35. Kc2 Ba5 36. Bh4 Bd8 37. Nc4 Kc6 38. Kd3 g5 39. fxg5 fxg5 40.
Bg3 h4 41. Be5 g4 42. Bf4 Kb5 43. Kc3 Bf6+ 44. e5 Bd8 45. Na3+ Kc6 46. Nc4 Kd5
47. Kd3 Bf5+ 48. Kc3 Ke4 49. Be3 Be7 50. Bf2 Kf3 0-1

[Event "1BDTT-S-04"]
[Site "BDTT"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "Chranowski, Rick C. (CAN)"]
[Black "Wolff, Thomas (GER)"]
[Result "0-1"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 Nf6 4. Bc4 Nc6 5. O-O Na5 6. d3 Nxc4 7. dxc4 c6 8.
Bg5 d6 9. Qd3 Bg4 10. Rad1 Qe6 11. h3 Bh5 12. Bxf6 Qxf6 13. g4 Bg6 14. Ne2 Rd8
15. Ng3 Be7 16. Nf5 Bxf5 17. g5 Qg6 18. exf5 Qh5 19. h4 Qg4+ 20. Kh2 e4 21. Qd4
c5 22. Qxg7 exf3 0-1

[Event "1BDTT-S-04"]
[Site "BDTT"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "Wolff, Thomas (GER)"]
[Black "Rodriguez Perez, Rene (CUB)"]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Bc4 d6 4. Nc3 c6 5. d4 Nf6 6. dxe5 dxe5 7. Ng5 Be6 8.
Nxe6 fxe6 9. Bg5 Nbd7 10. Qf3 O-O-O 11. O-O-O h6 12. Be3 b6 13. Qh3 Re8 14.
Ba6+ Kc7 15. Rd2 g6 16. Rhd1 Nc5 17. Bxc5 Qxc5 18. Qg3 g5 19. a4 1-0

[Event "1BDTT-S-04"]
[Site "BDTT"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "Lopez, Raul Osvaldo (ARG)"]
[Black "Cassola, Aldo Guilherme (ARG)"]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]
[PlyCount "27"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. d4 d6 5. Bg5 Nf6 6. Qd2 h6 7. Bh4 b5 8. dxe5
dxe5 9. O-O-O Nbd7 10. Bxb5 Qe6 11. Bxf6 Qxf6 12. Nd5 Qd6 13. Qc3 cxd5 14. Rxd5
1-0

[Event "1BDTT-S-04"]
[Site "BDTT"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "Chranowski, Rick C. (CAN)"]
[Black "Cassola, Aldo Guilherme (ARG)"]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. Bc4 d6 5. O-O Nf6 6. Re1 Be6 7. Bxe6 Qxe6 8.
d4 Be7 9. d5 Qc8 10. Bg5 Nbd7 11. Qd3 h6 12. Bxf6 Nxf6 13. dxc6 bxc6 14. Rad1
O-O 15. Ne2 Rb8 16. b3 Nh5 17. Ng3 Nxg3 18. hxg3 Rd8 19. c4 a5 20. Nh4 Bxh4 21.
gxh4 Qg4 22. g3 Qe6 23. Qc3 Ra8 1/2-1/2

[Event "1BDTT-S-03"]
[Site "BDTT"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "Benassi, Aspasio (ITA)"]
[Black "Stuber, Guido (GER)"]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Bc4 1-0

[Event "1 BDTT-S-03"]
[Site "BDTT"]
[Date "1998.??.??"]
[Round "?"]
[White "Scott, Herman (USA)"]
[Black "Benassi, Aspasio (ITA)"]
[Result "0-1"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 c6 4. d4 d6 5. Bg5 Nf6 6. Qd2 h6 7. Bh4 Bg4 8. Be2
Bxf3 9. Bxf3 Nxe4 10. Nxe4 Qxh4 11. dxe5 d5 12. Ng3 g6 13. O-O-O Bg7 14. Rde1
O-O 15. h3 Nd7 16. Kb1 Nxe5 17. Be2 Qf6 18. Qd4 c5 19. Qc3 b5 20. Bxb5 Rfb8 21.
a4 a6 22. f4 Qxf4 23. Rhf1 Qg5 24. h4 Qxh4 25. Rh1 Qg5 26. Bf1 Ng4 0-1

[Event "1BDTT-S-03"]
[Site "BDTT"]
[Date "1998.??.??"]
[Round "?"]
[White "Porto, Francisco J Vaz (BRS)"]
[Black "Scott, Herman (USA)"]
[Result "1-0"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Nc3 Nf6 4. Bc4 c6 5. Bb3 b5 6. Ng5 d6 7. Bxf7+ Kd8 8.
Bb3 Kc7 9. Nf7 Rg8 10. d4 Be6 11. dxe5 dxe5 12. Nxe5 Bxb3 13. Bf4 Kb7 14. axb3
Nbd7 15. Nxd7 Nxd7 16. O-O Rd8 17. Nxb5 a6 18. Nd6+ Kb6 19. Qd4+ c5 20. Rxa6+
1-0

[Event "1BDTT-S-03"]
[Site "BDTT"]
[Date "1998.09.01"]
[Round "1"]
[White "Aspasio, Benassi (ITA)"]
[Black "Porto, Francisco J V (BRS)"]
[Result "0-1"]
[ECO "C40"]

1. e4 e5 2. Nf3 Qe7 3. Bc4 h6 4. O-O Nf6 5. d4 d6 6. Nc3 c6 7. a4 a5 8. b3 Qc7
9. Ba3 Na6 10. Qe2 exd4 11. Nxd4 Be7 12. Rfe1 O-O 13. e5 dxe5 14. Bxe7 Qxe7 15.
Qxe5 Qxe5 16. Rxe5 Nb4 17. Rae1 Rd8 18. Nce2 Bd7 19. Nf4 b5 20. axb5 cxb5 21.
Bxb5 Bxb5 22. Nxb5 Nxc2 23. Rf1 Rab8 24. Na7 Nd4 25. Rxa5 g5 26. Nh3 Rxb3 27.
Ra2 Rb7 28. f3 Ra8 29. Rfa1 Nd5 30. Kf1 Kg7 31. Kg1 31... Ne3 {Kg2 Ndc2} 32.
Kf2 Ndc2 0-1



pereicel

12/11/2003
03:29:25

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100 jogos de saldo

Message:
Pessoal

Atingimos o numero 100 jogos de saldo positivo.

Ainda estamos na 30a. posição na classificação geral dos times, mas esse numero é muito importante.

Agora estamos com jogadores de peso e podemos enfrentar qualquer time do gameknot com igualdade ou mesmo superioridade de condições.

Parabéns a todos os integrantes do Conexão Macaxeira.

Eu gostaria de fazer um pedido. Os nossos jogadores que têm rating CBX ou FIDE que me dessem retorno dessa classificação.

Abração

Celso


brunosergiom

12/12/2003
03:01:08

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Ludek Pachman

Message:
O Grande Mestre Ludek Pachman morre aos 78 anos.


Foi um ícone do tempo, grande enxadrista e um ativista político que depois da invasão soviética em sua terra nativa, Tchecoslováquia, foi torturado até quase a morte em um porão de Praga. Depois de sua horrível experiência, Ludek Pachman se mudou para a Alemanha e começou uma próspera carreira como colunista de xadrez e autor. Também foi um dos primeiros GMs a jogar uma partida contra um computador. Leia tudo sobre isto em nosso adeus para Ludek Pachman.

Ludek Pachman, 1924–2003

Por Frederic Friedel

O grande mestre tcheco, Ludek Pachman morreu no dia 6 de março de 2003, na cidade de Passau, Alemanha, com 78 anos de idade.

Pachman nasceu no dia 11 de maio de 1924, na Tchecoslováquia. Entre os anos de 1945 e 1968 jogou com sucesso em muitos torneios internacionais de xadrez, inclusive Interzonais. Na realidade na história Sicilian Vespers dissemos a Bobby Fischer em seu 60º aniversário que Ludek Pachman era um dos jogadores que Fischer teria que estar à frente no circuito final do Interzonal de Portoroz em 1958 para a qualificação do Torneio de Candidatos.

Em um artigo de uma revista de xadrez alemã, Karl Pachman descreve seu primeiro encontro com Fischer: "me encontrei com ele pela primeira vez em maio de 1959 em Santiago do Chile [aparentemente Pachman não havia “conhecido” Fischer em Portoroz no ano anterior]. Um dia antes do torneio me pediu que traduzisse para ele. Tinha chegado no Chile acompanhado por sua mãe, e o organizador quis saber se os dois precisariam de quartos separados. Bobby respondeu: “Você não entendeu, eu quero que você coloque minha mãe em um quarto que esteja pelo menos a dez milhas de distancia!” Depois quis saber sobre o prêmio em dinheiro. O organizador perguntou se ele não leu a carta de convite? “Nunca leio cartas, disse Bobby". O prêmio anunciado era muito baixo então ele ameaçou partir. Disse a ele que seu comportamento não estava correto, mas simplesmente respondeu “tenho que conseguir mais”.

(foto)
Ludek Pachman em 1960

Ficamos no mesmo hotel e conversamos diariamente, freqüentemente nos preparávamos juntos para nossos jogos. Isso se tornou incomum, desde que o Bobby se recusou a fazer analises com os outros jogadores. Ele suspeitava de todos, temendo que roubariam suas idéias. Mas por alguma razão me considerou uma exceção. Tivemos um tipo de relação pai-filho. Eu o entendi e lhe desejei um grande futuro, esperando que amadurecesse como pessoa no processo. Mas permaneceu exatamente o mesmo. Era completamente apolitical. Odiava os russo, mas não por razões políticas. A última vez que o encontrei foi na Olimpíada de xadrez de 1968 em Lugano. Apenas algumas semanas depois da invasão soviética na Tchecoslováquia. Eu estava tentando conseguir que a FIDE expulsasse a União soviética do torneio e da organização do xadrez mundial. Depois de uma entrevista coletiva, Fischer veio e me agradeceu por ter atacado os soviéticos. “Continue, ataque os russos”, ele disse. Este é o jogo do torneio de Santiago entre os dois:

Pachman,L - Fischer,R [D07]

Santiago do Chile (6), 1959

1.Nf3 Nf6 2.c4 e6 3.d4 d5 4.e3 Nc6 5.Nc3 Bb4 6.Bd2 0-0 7.a3 Bxc3 8.Bxc3 Ne4 9.Qc2 a5 10.b3 b6 11.Bb2 Ba6 12.Bd3 f5 13.Rc1 Rc8 14.0-0 Rf6 15.Rfd1 Rh6 16.Bf1 g5 17.cxd5 g4 18.Bxa6 gxf3 19.gxf3 Qg5+ 20.Kf1 Rxh2 21.fxe4 Rf8 22.e5 f4 23.e4 f3 24.Ke1.

(tabuleiro)

Em vez de proteger seu cavalo (24... exd5 25.exd5 Ne7) com ótimas chances de vitória o impetuoso Fischer perseguiu o rei oponente. Este foi um engano pelo qual Pachman foi severamente punido.
24...Qg1+? 25.Kd2 Qxf2+ 26.Kc3 Qg3 27.Qd3 exd5 28.Rg1 Rg2 29.Rxg2 Qxg2 30.Qf1 dxe4 31.Qxg2+ fxg2 32.Rg1 Rf2 33.Bc4+ Kf8 34.Bd5 Rf3+ 35.Kc4 b5+ 36.Kc5 Ne7 37.Rxg2 Nxd5 38.Kxd5 Rxb3 39.Kxe4 b4 40.axb4 axb4 1-0.

No ano da invasão de seu país, Pachman foi preso em Praga no meio da noite, e levado para um porão de tortura onde quase foi assassinado. Na Véspera do natal de 1969 os doutores chamaram sua esposa para informar que provavelmente ele não sobreviveria àquela noite. Sobreviveu, e no inicio dos anos setenta emigrou para Alemanha Ocidental, onde logo se tornou conhecido como um ativista político, com fortes visões anticomunistas. Sua eloqüência lhe proporcionou regulares aparições em discursos políticos.



(dentro da caixa amarela)

Leia mais detalhes em The Prague Spring, um artigo que narra a história de dois campeões Tchecos – Ludek Pachman e Lubosh Kavalek. Fala sobre o livro de Pachman “Checkmate in Prague: memoirs of Ludek Pachman".

No primeiro parágrafo de Checkmate in Prague Pachman escreve: "Em um torneio internacional um jornalista me perguntou como vim jogar xadrez. Lhe disse que minha tia havia me ensinado, mas que seu jogo era um pouco diferente – ela colocava os bispos no lugar de cavalos e vice-versa. O grande mestre Estoniano Paul Keres, que ouviu a conversa observou com seu típico humor: “claro que a pessoa precisa ter isto em mente ao ler seus livros de xadrez”.

Durante o torneio de Praga em 1943, o primeiro evento sério de Pachman com a idade de 18 anos, ele escreve em seu livroCheckmate in Prague:

“Depois de minha vitória sobre Folty, o grande Alekhine me convidou para ir até seu quarto. Fez com que eu demonstrasse meu jogo, fez alguns comentários, me elogiou, e então me mostrou seu jogo, explicando várias combinações e aceitando elogios também. Sra. Alekhine estava lá com seus dois gatos. Tive que segurar um por um pouco e o desgraçado me arranhou, mas foi uma noite maravilhosa, algo da natureza com um grande valor em minha vida”.

Alekhine me convidava diariamente.Sempre analisávamos algo e descobri logo que não era bom discordar dele porque isso o enraivecia. Assim eu apenas escutava respeitosamente o que dizia. Também me convidou para um café. No Luxo do café, até parecia que você poderia adquirir café real pela conta – um luxo caro que tive que ignorar. Descobri que Alekhine fez questão de não pagar a conta. Normalmente havia alguém com ele, caso contrário simplesmente ia embora do restaurante. Os garçons o conheciam, assim enviaram a conta ao diretor de torneio. Soube também um pouco sobre o contrariado Sr. Kende que ameaçou sair do torneio, Alekhine retirou 5,000 de seu original pagamento de 40,000, taxa de coroa. Afortunadamente fui salvo por um protetor inesperado. Era Sr. Stork, comerciante e proprietário de terras que se apresentou a mim com um salame enorme em reconhecimento a minha realização, mais um convite para almoçar diariamente em sua casa. A comida era melhor que qualquer outra que comi, e sem cerimônia pude pagar pelo café de Alekhine".

(fim da caixa)



Pachman e o computador

Encontrei Ludek Pachman pela primeira vez em 1979. Como um jornalista científico eu estava fazendo um filme documentário sobre xadrez de computador. Estava centrado em um match entre o IM David Levy e o programa Chess 4.7 instalado em um computador mainframe CDC Cyber 176. Como parte do evento, organizamos uma exibição simultânea para jogadores locais contra o computador, o qual estava em Minneapolis, E.U.A. Convidamos também Ludek Pachman para falar com a audiência e jogar uma partida informal contra Chess 4.7 .

(foto)

Algum tempo antes, em 4 de fevereiro de 1979, vemos Prof. Frieder Schwenkel da Universidade Hamburg explicando algumas coisas sobre o computador ao GM Pachman.

(foto)
O jogo de blitz, com o autor deste artigo executando os movimentos do computador.

(foto)
Pachman vence o jogo contraChess 4.7. O operador de computador é o famoso Dave Cahlander do Controle de Dados.

Depois que o filme sobre xadrez de computador tinha sido divulgado, produzido e transmitido, o assunto se tornou um tópico favorito em programas de entrevistas da TV alemã. Estes foram os anos em que os primeiros comerciais sobre xadrez de computadores apareceram. Estive em vários programas junto com Pachman, que era muito profissional com relação a isto. Depois do primeiro ter sido uma discussão enfadonha sobre como computadores jogam xadrez ele me disse: “Escute, precisamos ser mais adversários". E dali em diante fez questão de sempre me interromper no meio de uma oração, colocando a mão em meu braço e dizendo "Mas querido Mr Friedel, isto está errado...." Tivemos algumas desagradáveis discussões –e a audiência adorava.

Não era difícil provocar uma briga com Ludek. Em xadrez de computador, se houvesse um tabuleiro disponível, mostraria uma série de belas posições que um computador “nunca poderia entender ou resolver". Sempre havia posições para as quais você tinha que achar uma "exceção", algo extremamente criativo ou imaginativo. Um de seus favoritos era um problema de xadrez com underpromotions múltiplo para bispos. Me agiteu e protestei, este era exatamente o tipo de coisa que computadores superariam; eram planejamentos de longo alcance e jogadas estratégicas que eram desesperadamente inferiores a grandes mestres. Mas quando mostrei a ele que alguns dos computadores aprenderam underpromotion e estavam resolvendo suas posições, começou com seus argumentos. Eram muito bons para serem abandonados só porque não eram totalmente precisos. Como disse: a audiência adorou.

A última vez que vi Ludek foi no dia 11 de maio do último ano ( a foto em nossa primeira página foi tirada lá). Foi um convidado de honra na 125ª celebração do Jubileu da Federação de Xadrez Alemã. Era frágil, mas alegre. Discutimos qundo realizávamos uma entrevista, mas havia muitas outras coisas acontecendo. Agora nunca mais acontecerá. Que triste.


Dossiê

(grafico)

Anos fortes de Ludek Pachman (total de jogos no banco de dados: 1629)

Destaques da carreira Zlin 1943 9.5/13 +6 Classificação 3 Praga 1945 6.5/10 +3 Classificação 3 Arbon 1946 5/7 +3 Classificação 3 Hilversum zt 1947 9.5/13 +6 Classificação 2 Varsóvia 1947 6/9 +3 Classificação 3 Southsea 1949 8.5/10 +7 Trencianske Teplice 1949 13.5/19 +8 Classificação 3 Veneza 1950 9.5/15 +4 Classificação 4 Marianske Lazne zt 1951 13/16 +10 Classificação 1 CSR-ch Praga 1953 10.5/15 +6 Classificação 2 CSR-ch Praga 1954 12.5/17 +8 Classificação 2 CSR-ch m Praga 1954 3.5/6 +1 Classificação 1 Praga zt 1954 15/19 +11 Classificação 1 Hastings 5455 1954 5.5/9 +2 Classificação 4 Arruine del Plata 1955 9.5/15 +4 Classificação 4 Dresde 1956 9/15 +3 Classificação 4 Marianske Lazne/Praha 1956 12/19 +5 Classificação 4 Praga m 1956 2.5/6 -1 Classificação 2 Dublin zt 1957 14.5/17 +12 Classificação 1 Gotha 1957 10.5/15 +6 Classificação 2 CSR-ch Bratislava 1959 12.5/17 +8 Classificação 1 Lima 1959 10.5/13 +8 Classificação 2 Santiago 1959 9/12 +6 Classificação 2 Arruine del Plata 1959 10.5/14 +7 Classificação 2 Sarajevo 1960 7.5/11 +4 Classificação 2 CSR-ch Kosice 1961 14/19 +9 Classificação 1 Sarajevo 1961 7.5/11 +4 Classificação 2 Graz 1º 1961 9/11 +7 Classificação 1 CSR-ch Praga 1963 14.5/19 +10 Classificação 1 Capablanca mem 1963 16/21 +11 Classificação 4 Kecskemet zt 1964 9.5/15 +4 Classificação 3 Sarajevo 1966 10/15 +5 Classificação 4 CSR-ch Int 1º 1966 11/17 +5 Classificação 3 Solingen 1968 9/15 +3 Classificação 3 Netanya-uns 1973 9.5/15 +4 Classificação 3 Eckernfoerde tt 1974 4/5 +3 Classificação 3 Int de FRG-ch Mannheim 1975 10.5/15 +6 Classificação 2 Barcelona zt 1975 4.5/7 +2 Classificação 3 Reggio Emília 7576 1975 6/9 +3 Classificação 1 FRG-ch Neuenahr 1978 Ruim 8.5/11 +6 Classificação 1 Bayern-ch Pang 1983 8.5/12 +5 Classificação 1 Sindelfingen 1984 8/13 +3 Classificação 4


Anexo

(foto)

Logo após termos enviado este artigo sobre Ludek Pachman, recebemos um e-mail de Ljubomir Kavalek (esquerda), um compatriota e grande mestre da mesma categoria, que escrevia a coluna de xadrez para o Washington Post. Lubos publicará seus elogios a Pachman na segunda-feira no jornal, mas nos enviou amavelmente suas desagradáveis notas sobre Ludek Pachman que compartilhamos com você aqui.


Ludek Pachman (1924-2003)

O grande mestre Tcheco, escritor prolífico, treinador, professor, compositor, faleceu no dia 6 de março de 2003 em Passau, Alemanha.

Nascido no dia 11 de maio de 1924 em uma pequena cidade Tcheca, Bela pod Bezdezem. Pachman caminhou por seu primeiro título até uma vila próxima chamada Cista (população 900) onde havia um clube de xadrez com 110 membros. Pachman se tornou o campeão em 1940.

O primeiro fracasso de Pachman veio em 1943, quando foi convidado na última hora para um torneio internacional em Praga. Alekhine dominou o evento, Keres foi o segundo. Pachman terminou no meio (9º lugar entre 19 participantes). Alekhine lhe fez um elogio em um artigo na "Frankfurter Zeitung" e a partir do quinto round todas as noites o convidou para analisar jogos e variações. "Não tenho que lhe dizer como um novato de um clube de xadrez de vila se sentiu naquele momento", Pachman escreveu. Isto poderia ter iniciado o interesse de Pachman sobre aberturas e nos anos cinqüenta se tornou perito mundial em aberturas, publicando seu livro de quatro volumes “Theory of Modern Chess”.

Em dezembro de 1954, logo depois que aprendi como as peças de xadrez se movem, chamei Pachman, o principal grande mestre Tchecoslováquio naquele momento, e o desafiei a um jogo de xadrez, explicando a ele meu plano de o derrotar. Claro que, Pachman riu da proposição de um menino de 11 anos de idade, mas não se esqueceu de mim. Quatro anos mais tarde, depois de me tornar um dos jogadores mais fortes de Praga, me convidou a sessões analíticas com membros do time de estudantes Tchecoslováquios da olimpíada. Isto foi algo incomum desde que eles eram pelo menos cinco anos mais velhos, mas fiquei muito feliz de conseguir o primeiro reconhecimento como jogador profissional. Só depois fiquei sabendo que Pachman teve uma experiência semelhante na mocidade com Alekhine.

Pachman venceu o campeonato Tchecoslováquio por sete vezes (a primeira vez em 1946, a última em 1966). Tornou-se campeão alemão em 1978. Jogou em seis torneios Interzonais (a primeira vez em Saltsjobaden 1948, a última em Manila 1986), e representou a Tchecoslováquia nas olimpíadas de xadrez (1952-1966). Em 1962 treinou em Cuba e em 1967 em Porto Rico.

Por conta própria venceu 15 torneios internacionais, mas considera que compartilhou o segundo lugar em Havanna, 1963, com M. Tal e E. Geller, atrás de V. Korchnoi, seu melhor torneio.

Seu ano mais produtivo parece ter sido 1959. Depois de vencer o campeonato Tchecoslováquio saiu em excursão para a América do sul, vencendo torneios em Mar del Plata (junto a M. Najdorf), Santiago do Chile (com Ivkov) e Lima (novamente com Ivkov). Nesta excursão derrotou Bobby Fischer, 16 anos de idade, duas vezes. No mesmo ano terminou "Estratégias do Xadrez Moderno", um bom livro que pensou ter sido seu melhor. Pachman publicou por volta de 80 livros em cinco idiomas.

Política sempre teve um papel principal na vida de Pachman e interromperam sua carreira de enxadrista várias vezes. Era um orador e escritor apaixonado por qualquer causa que defendesse, a favor do comunismo no começo da vida ou contra o comunismo depois de 1968. Era difícil predizer se Pachman consideraria você como seu amigo ou inimigo. Amava discussões e freqüentemente mudava de idéia com relação a pessoas.

Participei das olimpíadas de xadrez em Tel-Avive em 1964, jogando a variação de Steinitz, troca de Reis, contra o campeão soviético Leonid Stein no último round. Pachman ficou furioso ao ver meu rei marchando no tabuleiro cheio de peças e me disse: "Você insultou a escola soviética de xadrez e verá as conseqüências depois que voltarmos a Praga". Não sabia naquele momento que Pachman pré - organizou empates nos primeiros três jogos com os soviéticos, lhes garantindo as medalhas de ouro. Meu jogo de trocas ameaçou destruir o acordo.

Em 1967 Pachman começou a mudar suas convicções, enquanto confrontava o regime comunista depois da invasão Soviética da Tchecoslováquia em agosto 1968. Em outubro fomos juntos para a Olimpíada em Lugano, onde os soviéticos ameaçaram expulsar a África do Sul da FIDE. Discutimos que a União Soviética e outros países do Pacto da Varsóvia que invadiram a Tchecoslováquia é que deveriam ser expulsos. Os soviéticos repensaram sua proposta.

Em dezembro 1968 Pachman venceu um torneio em Atenas, mas depois de seu retorno a Praga sua vida tomou outro rumo. Foi aprisionado e até mesmo tentou cometer suicídio. Correspondi-me por muito tempo com prof. Max Euwe que tentou ajudar Pachman naquele momento.

Na noite de 28 de novembro de 1972, Pachman pôde deixar a Tchecoslováquia e chegou em Munich com sua esposa e seu gato que agarrava a idéia de liberdade desaparecendo nos corredores de hotel. Levou algum tempo para que o achássemos.

Nunca entendi por que Pachman tentaria criar conflitos com pessoas que tentaram ajudar-lo, se foi o prof. Euwe ou Egon Evertz que organizavam os movimentos de Pachman partindo de Praga para Solingen e o ajudaram a adquirir cidadania alemã.

Depois de sua chegada na Alemanha, Pachman foi boicotado freqüentemente por países da coligação Leste, mas prevaleceu e então pararam de atormenta-lo depois que Pachman se qualificou para o Interzonal de Manila em 1986.

Depois da revolução Aveludada em novembro 1989, Pachman adquiriu a cidadania da Tchecoslováquia de volta, mas em 1998, depois de se desiludir com o governo Tcheco, devolveu-a e se instalou em Passau.


Fonte: site ChessBase; www.clubedexadrez.com.br/menu_artigos.asp?s=cmdview1420


brunosergiom

12/12/2003
10:27:12

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Mestre da mecânica: Stoltz

Message:


Você leva o carro até o mecânico pra ele dar uma olhada num probleminha. Mas é hora do almoço e o mecânico está descansando. No canto da oficina, entre parafusos e engrenagens sujas de graxa, ossadas de veículos e fotos de garotas peladas, o homem toma uma cervejinha e observa as peças sobre o tabuleiro. Xadrez! - exclama você surpreso. Dá alguns passos e observa com um leve sentimento de superioridade. "Meu mecânico sabe empurrar as peças... isso sim é que é ter carro de luxo!" Mas, espere um instante, o mecânico pergunta se você quer jogar.

Claro que quer. Senta confiante, observa o pobre homem com indulgência ("ele não sabe que eu jogo bem") e inicia a abertura. As mãos grosseiras, enegrecidas e oleosas do sujeito movem rápido as figuras de madeira. Ele nem parece prestar atenção na sua presença. De repente, o homem entrega uma uma peça. Ou melhor, sacrifica uma peça. Será que ele sabe o que é isso? Capivarada simplesmente ou sorte de capivara? Você coça a cabeça, sacode os dedos e não tem certeza para onde mover. Até que percebe que o mate é inevitável.

Essa cena ocorreu inúmeras vezes em Estocolmo, onde trabalhava um grande mecânico de automóveis, bebedor de cerveja e também (quase ia esquecendo de dizer), o Grande Mestre Internacional sueco Gösta Stoltz.

Nos anos 1930s e 1940s, a Suécia possuía enxadristas de alto nível como os GMs Stahlberg (chegou a ser um dos dez melhores do mundo), Lundin e Stoltz. O jogo agressivo e altamente tático de Stoltz agradava o público. Inspirado, ele podia derrotar qualquer um. Inúmeros super-GMs foram vítimas de suas artimanhas: Nimzowitsch, Gligoric, Bogoljubow, Vidmar, Tartakower, Maroczy, Spielmann e tantos outros.

Gösta Stoltz nasceu em Estocolmo, Suécia, no dia 9 de maio de 1904, de uma família de trabalhadores. Seu primeiro êxito foi Estocolmo 1930, onde chegou ao lado de Bogoljubow e na frente de Spielmann e Stahlberg. Em Göteborg 1931, Stoltz obteve o primeiro lugar, ao lado de S. Flohr. Recordemos que Flohr já se incluía entre os mais fortes GMs do mundo. Para termos uma idéia, em alguns torneios, pouco tempo depois, colocou-se à frente de Alekhine e de Capablanca, além de empatar um mach com Botvinnik. Pois um dos grandes feitos de Stoltz foi derrotar Flohr num match em 1931 pela contagem de 4.5-3.5 (+3 =3 –2).

O grande momento de Stoltz ocorreu aos 37 anos, no Torneio de Munique 1941, que ele venceu à frente do campeão mundial A. Alekhine e do ex-desafiante E. Bogoljubow.

Como outros GMs do período (Stahlberg, Euwe, Eliskases), Stoltz teve que interromper a carreira no apogeu de suas forças criativas por causa da II Guerra. Retornou no torneio de Groningen 1946 e se apresentou de maneira razoável, colocando-se 1 ponto inteiro na frente do GM soviético Kotov. No mesmo ano, Stoltz ainda conseguiu o 2o lugar em Beverwijk, meio ponto atrás de O'Kelly, e 2o lugar em Praga (atrás de Najdorf, com quem empatou depois de 31 lances), na frente de Trifunovic, Gligoric e Pachman.

Foi no torneio Interzonal de Saltsjobaden 1948 que o GM iugoslavo S. Gligoric presenciou o curioso episódio que reproduzimos. Uma hora antes de começar a rodada, Stoltz e o GM M. Najdorf foram ao bar e começaram a se servir de cerveja. Soltz, grande amante da bebida, entornava sem parar. Gligoric, sempre parcimonioso, preferiu suco de frutas. A esposa de Najdorf se aproximou, encarou a cena grotesca e falou em espanhol para o marido (idioma que Stoltz não compreendia): "você está querendo embebedar o adversário?". Ao que Najdorf, desconcertado, respondeu: "mas é ele que insiste em continuar bebendo!" Minutos depois, os dois mestres cambaleantes sentaram-se um diante do outro e começaram a partida. Diz a lenda que Soltz podia ser inspirado pelo álcool. Verdade ou não, o fato é que o sueco saiu com vantagem na abertura, conduziu o meio-jogo com categoria e entrou no final com um peão a mais, com maioria na ala de dama, bispo superior e uma incômoda torre na sétima. No 42o lance, a situação era crítica para as pretas. De repente, Najdorf virou-se para Stoltz e disse: "você não quer empatar? Eu te pago uma garrafa inteira!". Os olhos de Soltz brilharam e ele aceitou alegremente trocar um final quase ganho por uma noite de bebedeira. Najdorf certamente tinha motivos para comemorar!

A história é verdadeira e um tanto engraçada e o próprio GM argentino a confirmava. Mas o final é triste. O mestre só troca um ponto pela bebida quando está muito doente. E o leitor já deve ter percebido a doença de Stoltz: ele havia se tornado alcoólatra. Seu problema se agravou com o passar dos anos até liqüidar o talento para o xadrez e a própria vida. Neste torneio interzonal, ele foi uma sombra do passado, conseguindo pouco mais além de bons empates com Szabo, Bondarevsky, Lilienthal e Gligoric. O grande jogador de ataque conformava-se em empatar com os grandes!

Em Marianske Lazne 1951 alcançou o 3o/4o lugar ao lado de Barcza, mas foi apenas 16o colocado no interzonal de 1952, registrando de positivo pouca coisa além dos empates com Geller e Taimanov e uma linda vitória contra H. Steiner. Sua carreira estava chegando ao fim.

Em 1950 a FIDE concedeu a Stoltz o título de MI (Mestre Internacional). Em 1954, ele foi elevado a GM (Grande Mestre Internacional). Além dos êxitos internacionais, foi tricampeão sueco de 1951-52-53.

Stoltz faleceu em Estocolmo no dia 25 de julho de 1963, aos 59 anos.

A principal característica do estilo de Stoltz era sua agressividade e técnica nas posições táticas, como podemos observar nesta partida, exatamente contra um dos maiores jogadores de ataque da história:

. Spielmann,R - Stoltz

Estocolmo, 1931

1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cd2 Cf6 4.e5 Cfd7 5.Bd3 c5 6.c3 Cc6 7.Ce2 Db6 8.Cf3 cxd4 9.cxd4 Bb4+ 10.Rf1 [Nesta variante, a perda do roque não costuma ser muito prejudicial às brancas porque elas conservam bom jogo de peças e seu rei não está ameaçado.] 10...f6 [Hoje em dia se recomenda 10...Be7 11.g3 f6 12.exf6 Cxf6 13.Rg2 0–0 14.Tf1 Rh8 15.h4 Bd6 16.Be3 Szanapik-Minev, Eksjö 1980.] 11.Cf4 [11.Dc2 f5 12.h4 Cf8 13.Be3 Be7 Puc,S-Boleslavsky,I, Krynica 1956] 11...fxe5 [11...Cd8 12.Dc2 f5 13.h3 Dc6 Gruzman-Petukhov, URSS 1965] 12.Cxe6 [12.dxe5 Cdxe5 13.Cxe5 Cxe5 14.Be3 Bc5 (14...Dd6 15.Tc1 Cxd3 16.Cxd3 Da6 17.Dh5+ g6 18.De2 Be7 19.h4 Bd7 20.Bd4 Bb5 21.Th3 1–0 Milic,B-Boleslavsky,I, Krynica 1956) 15.Bxc5 Dxc5 16.Dh5+ Cf7 17.Te1 Dd4 18.Bb5+ Rf8 19.Txe6 Bd7 20.Bxd7 Dxf4 21.g3 Dc7 22.Bb5 Golubovic,B-Vukovic,Z, Kastel Stari 1997] 12...e4 [12...Cf6 13.Cxg7+ Rf8 (13...Rf7 14.Ch5! Cxh5 15.Cg5+ Re7 16.Dxh5 Dxd4 17.Be2 Bd7 18.a3 Ba5 19.Be3! Dxb2 20.Td1 d4 21.Cf7!+-) 14.Bh6 Cg4 15.Dc1 com vantagem branca. (baseado nas análises do GM Uhlmann)] 13.Bf4 exf3!! [Stoltz oferece um espetacular sacrifício de dama. Sacrifício no sentido literal da palavra, porque não há nenhuma linha visível de mate pela frente. Ele apenas contava com as possibilidades futuras de ataque.] 14.Bc7 [Spielmann aceita o sacrifício.] 14...Cf6 15.Cxg7+ Rf7 16.Bxb6 Bg4 17.g3 [Podemos imaginar o desconforto com que Spielmann jogava. Ele era um excepcional de jogador de ataques ao rei, um dos maiores da história, e agora fazia o papel de vítima do atacante.] 17...Bh3+ 18.Rg1 Rxg7 19.Bc7 The8 [O domínio da coluna 'e' pelas torres será fundamental para o projeto preto.] 20.Be5 [É compreensível que Spielmann queira trocar as peças. Tomar o peão de f3 não melhoraria a defesa: 20.Dxf3 Cxd4 21.Df4 (21.Dd1 Te1+ 22.Bf1 Txf1+ 23.Dxf1 Cf3#) 21...Te4 22.Dg5+ Rf7 23.De3 (as brancas não tinham outro modo de se defender da ameaça ...Cf3) 23...Txe3 24.fxe3 Bc5 25.Bf1 (25.exd4 Bxd4#) 25...Cc2 26.Bxh3 Cxa1 27.Bf5 Bxe3+ 28.Rg2 Cc2 29.Bxc2 Tc8–+] 20...Cxe5 21.dxe5 Txe5 [As pretas voltam a dominar a coluna 'e'.] 22.Db3 Bc5!! [Sensacional: depois de sacrificar a dama, Stoltz oferece a torre!] 23.Bf5?! [A melhor defesa teria sido 23.Tf1! Bxf1 24.Rxf1 (24.Bxf1 Ce4 25.Dxf3 Tf8 26.Dg4+ Rh8 27.b4 Bb6 28.Rg2 Txf2+ 29.Rh3 Tc2 30.Dh4 h5 31.a4 Cg5+ 32.Dxg5 Txg5–+) 24...Tae8 25.Dc3 (25.Dd1 Cg4 26.Dxf3 Cxf2 27.Rg2 Tf8–+) 25...Cg4 26.Bb5 T8e7 27.b4 (27.Dxf3 Cxf2 28.Rg2 Tf7 29.Dc3 d4 30.Dc2 Cg4! 31.Te1 Th5 32.Dd3 Txh2+ 33.Rg1 Tff2 e as pretas mantêm o forte ataque.) 27...Bb6 28.Dxf3 Cxf2 29.Rg2 (devolver a dama leva à derrota: 29.Dxf2 Bxf2 30.Rxf2 Te3–+) 29...Tf7 30.Db3 Cxh1 31.Rxh1 Te1+ 32.Rg2 Tf2+ 33.Rh3 Th1 34.Dc3+ d4 35.Dc8 Thxh2+ 36.Rg4 Tf8 37.Dd7+ Tf7 38.De8 h5+ 39.Rg5 Thf2 e embora as pretas tenham vantagem, as brancas ainda possuem alguns recursos defensivos.] 23...Bxf5 24.Dxb7+ [Não tem jeito. Recusar a torre não melhoraria a vida das brancas: 24.h3 Tae8 25.Tf1 (25.Tc1 Bxh3 26.Dxf3 Tf5 27.Dc3 Bxf2+ 28.Rh2 Th5) 25...Ce4 26.g4 (26.Dxf3 Cd2 27.Dc3 Cxf1 28.Rxf1 d4 29.Da5 Bd3+ 30.Rg1 Bb6 31.Dd2 Be4 32.Th2 Bd5–+) 26...Cxf2 27.Rh2 Te2–+] 24...Rg6 25.Dxa8 [25.h3 Tae8 de modo análogo à variante anterior.] 25...Te2 [Todas as peças pretas estão prontas para devorar o rei inimigo, ao passo que as peças brancas estão numa ridícula posição: a dama, fora de jogo, as torres, ainda nas casas iniciais.] 26.h4 Bxf2+ 27.Rf1 Bd3 28.h5+ Rg5 as brancas abandonam. Levariam mate de qualquer maneira: 29.Dxa7 (29.Td1 Td2#) 29...Txb2# Como escreveu o GM R. Fine, "esse tipo de posição-problema é muito mais fácil de ser composto do que ser construído numa partida real!" 0–1

Corajoso e empreendedor, o jovem Stoltz não se intimidava diante do adversário, mesmo se ele fosse uma celebridade como o tcheco Richard Réti:

. Réti,R - Stoltz

Estocolmo, 1928

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0–0 Be7 6.De2 b5 7.Bb3 d6 8.c3 0–0 9.d4 Bg4 10.Td1 exd4 11.cxd4 d5 12.e5 Ce4 13.Cc3 Cxc3 14.bxc3 Ca5 [Tarrasch sugeriu o plano preto 14...Dd7 15.Bc2 Bf5 para trocar os bispos de casas claras.] 15.Bc2 Dd7 16.Dd3 g6 De acordo com Euwe, se as pretas tivessem seguido o plano proposto por Tarrasch, não precisariam jogar isso.] 17.De3 Tfb8 [Libera a casa f8 para o bispo e prepara as ações na ala de dama.] 18.Dh6 Bf8 19.Dh4 [Naturalmente, Réti sabia da resposta preta ...Bf8 e manobrou intencionalmente para colocar a dama em h4.] 19...Bf5 [Finalmente a troca de bispos é oferecida.] 20.Bxf5 Dxf5 21.Te1 Tb6 [A torre agora serve a propósitos ofensivos e defensivos.] 22.Bh6 Ba3 [Naturalmente, 22...Bxh6 levaria a 23.Dxh6 com idéia de Cg5 proporcionando vantagem para as brancas.] 23.Bc1 [As brancas não conseguem vantagem de 23.Cg5 Be7 (23...Bb2) 24.g4 Df4 (24...Dd7 25.Te3 Cc4 26.Th3) 25.e6 fxe6 26.Cxe6 Df7] 23...Bf8 24.Bh6 Ba3 25.Bc1 Bxc1!? [Depois de 25...Bf8 a partida estaria empatada por repetição de posição. É evidente que Stoltz estava jogando para ganhar.] 26.Taxc1 Rg7 27.Cd2 Cc4 [Ótima casa para o cavalo, de onde impede que a torre branca possa mergulhar na ala do rei utilizando e3 como trampolim.] 28.Cb3 [28.Cxc4 bxc4 teria dado a coluna 'b' para as pretas.] 28...g5! ["Enquanto que as brancas esperam ações ala de dama, subitamente as pretas começam um avanço na ala do rei." (Euwe)] 29.Dg3 h5 30.h4? [O correto teria sido 30.h3 h4 31.Dg4] 30...Tg6 31.Cc5 gxh4 [Abre a coluna 'g' para a torre.] 32.Dxh4 Cd2! [As peças pretas se aproximam do rei inimigo.] 33.Rh2 [33.Rh1? Cf3 34.Dh3 (34.gxf3 Dxf3+ 35.Rh2 Dg2#) 34...Dxh3+ 35.gxh3 Cxe1 ganhando a qualidade.] 33...Rh7 [Dá passagem para a ação da outra torre.] 34.Te3 [34.Dh3 Txg2+ 35.Rxg2 Tg8+ 36.Dg3 Txg3+ 37.fxg3 Df3+ 38.Rh3 (38.Rh2 Df2+ 39.Rh3 Cf3 40.Th1 Cg5+ 41.Rh4 Df5 42.Rxh5 Cf3#) 38...h4! 39.Tg1 Df5+ 40.g4 (40.Rh2 Dg4 41.Cd3 Cf3+ 42.Rg2 Dxg3+ 43.Rf1 Cxg1) 40...Df3+ 41.Rh2 De3–+] 34...Tag8 35.Tg1 Tg4 36.Df6 Dxf6 37.exf6 Th4+ 38.Th3 Cf3+! [Golpe tático que acaba com as pretensões defensivas das brancas.] 39.gxf3 [39.Rh1 Txh3+ 40.gxh3 Txg1#] 39...Txh3+ 40.Rxh3 Txg1 41.Cxa6 Tc1 42.Cxc7 b4 e as brancas abandonaram (se 43.Cxd5 bxc3 etc)7 0–1

A partida a seguir é uma das mais belas de Stoltz. Ele efetua um sacrifício real de dama, ou seja, entrega a dama para ativar suas peças e obter chances par ao ataque, sem que tivesse efetuado nenhum cálculo concreto de variantes. Pura avaliação posicional. Xadrez de alto calibre e inegável efeito estético:

. Stoltz,G - Steiner,H

Saltsjobaden Interzonal, 1952

1.c4 e5 2.Cc3 d6 3.g3 f5 4.Bg2 Cf6 5.d4 Be7 6.e3 [6.dxe5 dxe5 7.Dxd8+ Bxd8 8.Cf3 Cc6 9.0–0 Schandorff,L-Gulko,B, Politiken Cup, Copenhagen DEN 2000] 6...0–0 7.Cge2 Rh8 [7...Ca6 8.0–0 c6 9.d5 Bd7 10.b3 De8 11.dxc6 bxc6 12.Ba3 Be6 13.Dd2 Td8 Schandorff,L-Agrest,E, zt 2000] 8.Dc2 De8 [A partida envereda por uma linha que até os dias de hoje foi raríssimas vezes adotada.] 9.b3 Cc6 10.Ba3 exd4 11.exd4 f4! 12.0–0–0 [12.d5 f3! 13.Bxf3 Ce5 14.Bg2 Dh5 15.0–0 Bf5 e as pretas têm compensação pelo peão sacrificado.] 12...Ch5 13.Be4 g6 14.Cd5 Dd8 15.Bb2 f3 16.Cef4 [16.Cec3!? Bg5+ 17.Rb1 a5 18.h4 Bh6 19.Bc1] 16...Bg5 17.Bxg6! [Começa o tiroteio. Stoltz sacrifica a peça para destruir a proteção do roque preto.] 17...hxg6? [A defesa correta teria sido 17...Cxf4 18.gxf4 Txf4! 19.Bd3! (19.Cxf4 Bxf4+ 20.Rb1 hxg6 21.Dxg6 Dg5) 19...Th4+ 20.Rb1 Bh3! 21.Thg1 Bg2 e embora a situação preta seja delicada, ainda há bons recursos defensivos à disposição.] 18.Dxg6 Cg7 19.h4 Bxf4+ 20.gxf4 [Abre a coluna 'g' que será muito importante para agredir o rei preto.] 20...Bf5 21.Dh6+! Bh7 [O rei não pôde se mover porque ficaria sob fogo direto através da coluna 'g': 21...Rg8 22.Tdg1 Tf7 (22...Dd7 23.Tg5 Cd8 24.Ce7+! Dxe7 25.d5 Tf7 26.Thg1 De4 27.Txg7+ Rf8 28.Txf7+ Rxf7 29.Tg7+ Re8 30.Dh8#) 23.Tg3 Be4 24.Thg1 Dd7 25.Txg7+ Txg7 26.Cf6+ Rf8 27.Cxd7++-] 22.Ce3 Tf6 23.Dg5 Tg6 [Outra possibilidade defensiva teria sido 23...Df8 24.d5 e agora haveria duas possíveis escolhas para as pretas: A) A tentativa de tampar a diagonal a1–h8 não é bem sucedida: 24...Ce5 25.fxe5 (25.h5 Txf4=) 25...Tg6 (tomar a peça equivale ao suicídio: 25...dxe5 26.h5 Te8 27.Tdg1 Tf7 28.h6 Cf5 29.Cg4 Tfe7 30.Cf6 Df7 31.Cxe8 Txe8 32.Df4+-) 26.Tdg1! Txg5 (26...Te8 27.exd6 cxd6 28.Dxg6! Bxg6 29.Txg6 Te5 30.Thg1 Ch5 31.Cf5 Cf4 32.Th6++-) 27.hxg5 dxe5 (27...Rg8 28.g6 Bxg6 29.Txg6 dxe5 30.Bxe5+-) 28.g6 Df6 29.Txh7+ Rg8 30.Tgh1 Ce8 31.g7 Dg5 (31...Cxg7 32.Th8+ Rf7 33.Txa8) 32.Th8+ Rxg7 (32...Rf7 33.g8D+) 33.T1h7+ Rf6 (33...Rg6 34.Tg8+ Rxh7 35.Txg5) 34.Tf8+ Rg6 35.Tg8++-; B) talvez o que haja de melhor (ou menos ruim) para as pretas sejam as variantes derivadas de 24...Tg6 25.Df5 (25.dxc6 Txg5 26.hxg5 Rg8 27.Th6 Dxf4 28.Tdh1 De4 29.Txh7 Dxh7 30.Txh7 Rxh7 31.cxb7 Tb8 favorece as pretas.) 25...Cb4 (25...Dxf5 26.Cxf5 Cb4 27.h5! Tg2 28.h6 Cxa2+ 29.Rb1 Cc3+ 30.Bxc3 Bxf5+ 31.Rc1 Rg8 32.hxg7 Rf7 33.Th6 com grande vantagem branca.) 26.Dxf8+ Txf8 27.a3 Ca6 28.h5 Tgf6! 29.h6 Ce8 30.b4 Rg8 31.f5 Cb8 32.Tdg1+ Rh8 33.Tg5 Cd7 34.Cg4 Ce5 (34...Tg8 35.Te1 Txg5 36.Txe8+ Tg8 37.Cxf6 Txe8 38.Cxd7+ Rg8 39.Cf6+ Rf7 40.Cxh7+-) 35.Cxe5 dxe5 36.Bxe5 e as brancas têm grande superioridade.] 24.d5!! [As brancas não hesitam em sacrificar a dama para dar continuidade ao ataque.] 24...Txg5 25.hxg5 Ce7 26.Cg4 Dc8 [26...Rg8 27.Cf6+ Rf7 28.Txh7 Rg6 (28...Cef5? 29.g6+ Rxg6 30.Tg1+ Rf7 31.Ch5 Rg8 32.Thxg7+ Cxg7 33.Cxg7 Rh7 34.Ce6 Dh4 35.Cg5+ Rh6 36.Cf7+ Rh5 37.Tg5+ Dxg5 38.Cxg5 Rg4 39.Ce6 c6 40.Rd2+-) 29.Th6+ Rf5 (29...Rf7 30.Tg1 Cg6 31.Th7 vantagem branca.) 30.Tg1 Cg6 31.Cg4 Cxf4 32.Ce3+ Re4 33.Bxg7 Dd7 34.Bf6 ganhando.] 27.g6 [O peão também é peça de ataque!] 27...Dxg4 [27...Cxg6 28.Cf6 Dg8 (28...Cf8 29.Tdg1 Df5 30.Cxh7 Cxh7 31.Txg7 e o mate é inevitável.) 29.Th2! Tf8 30.Cxg8 Rxg8 31.Tdh1 Cxf4 32.Bxg7 Rxg7 33.Txh7+ Rg6 34.Txc7 Cd3+ 35.Rd2 Cxf2 36.Tf1 Cg4 37.Te7+-] 28.Txh7+ Rg8 29.Txg7+ Rf8 [29...Rh8 30.Th7+ Rg8 31.Th8#] 30.Tf7+ Re8 [30...Rg8 31.Txe7 Dxf4+ 32.Rb1 Df5+ 33.Ra1 a5 34.Th1 e o mate é inevitável.] 31.Te1 Dxg6 32.Texe7+ Rd8 33.Bf6 Dxf6 [33...Rc8 34.Te8#] 34.Txf6 1–0

Na partida abaixo, Stoltz aproveita um pequeno deslize das pretas e acerta a colocação de suas peças para iniciar o ataque. É instrutivo o modo como ele derrota um gigante do jogo posicional:

. Stoltz,G - Flohr,S

Match, Gotenburg 1931

1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cc3 Cf6 4.e5 Cfd7 5.Dg4 c5 6.Cf3 Cc6 7.dxc5 f5 8.exf6 Cxf6 9.Dg3 Bxc5 10.Bg5 0–0 11.Bd3 Cb4? [As pretas querem o par de bispos, mas o lance tem o inconveniente de abandonar a vigilância sobre a casa e5.] [Teria sido melhor 11...Bd6 12.Dh4 h6 13.Bxf6 (13.Bd2 e5) 13...Dxf6 14.Dxf6 gxf6 e as pretas têm o par de bispos e um ótimo conjunto de peões centrais.] 12.0–0–0 [Como era de se esperar, Stoltz efetua o roque largo já com olho na ala do rei inimiga.] 12...Cxd3+ 13.Txd3 Bd7 14.Ce5 [Resultado do fraco lanco 9 das pretas, Stoltz ocupa a casa e5 com o cavalo.] 14...Be8 15.Dh4 Dc7 16.Te1 Tc8 [Flohr prepara as suas ações ofensivas.] 17.Te2 [Reforça a defesa de c2.] 17...d4 [17...Bd6? 18.Dh3! (18.f4 Bxe5 19.fxe5 Ce4 20.Cxe4 dxe4 e o rei preto será submetido ao ataque.) 18...Bxe5 19.Dxe6+ Bf7 20.Dxe5 as brancas ganharam o peão e conservam boa posição.] 18.Ce4 Cxe4 19.Dxe4 [Se tomasse de torre, perderia a peça: 19.Txe4? Bd6 20.Td2 Bxe5–+] 19...Bb5 20.Th3 [As possibilidades de ataque brancas são baseadas no forte cavalo instalado em e5.] 20...Tf5 21.g4! Bxe2 [Não era possível tomar a peça: 21...Txg5 22.Dxh7+ Rf8 23.Cg6+ (23.Tf3+ Re8 24.Dh8+ Re7 25.Dh4 Rd6! -lance que escapou à análise de Euwe- 26.Tf7 Dd8 27.Td7+ Dxd7 28.Cxd7 Bxe2 29.Dxg5 Rxd7 30.Dxg7+ Rc6 31.De5 Bc4) 23...Txg6 24.Dxg6 e as brancas estão ganhas em todas as variantes: A) 24...Bxe2 25.Dxe6+-; B) 24...Bc4 25.Txe6! Df4+ (25...Bxe6 26.Dxe6+-) 26.Rb1 Rg8 27.Th7 Df7 28.Th8+ Rxh8 29.Dxf7+-; C) 24...Df4+ 25.Rb1 Df6 26.Dxf6+ gxf6 27.Th8+ Re7 28.Txc8+-] 22.gxf5 d3 23.c3 Ba3 24.Bd2 [Naturalmente, 24.bxa3 Dxc3+ 25.Rb1 De1+ 26.Rb2 d2 e as pretas ganham.] 24...Bxb2+? [Movimento desesperado que facilita as coisas para as brancas. Mais tenas teria sido 24...Bf1 25.Tg3 Be7 26.Cxd3 embora seja óbvio que as brancas têm boa vantagem.] 25.Rxb2 Db6+ 26.Ra1 Dxf2 [As viagens da dama não traduzem em compensação alguma para as pretas, que entrarão num final com peça a menos.] 27.Dxb7 Dg1+ 28.Rb2 Db6+ 29.Dxb6 axb6 30.fxe6 Te8 31.Cxd3 1–0

Fonte: www.centraldoxadrez.hpg.ig.com.br/mestre04.htm


brunosergiom

12/12/2003
10:30:45

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Alexei Suetin

Message:

Mais uma glória soviética se apaga. Na cidade de Moscou, no dia 10 de setembro de 2001, faleceu Alexei Stepanovich Suetin.

Nascido em Kirovogrado, na Rússia Soviética, em 16 de novembro de 1926, Suetin foi um dos GMs (Grandes Mestres Internacionais) da antiga URSS. Embora não fizesse parte da lista selecionada de t**ãs, que incluía campeões mundiais de Botvínnik a Kaspárov, e feras como Keres, Korchnnoi, Geller e Polugaevsky, Suetin foi capaz de, em alguns momentos felizes, igualar-se ou até mesmo superar várias dessas figuras lendárias do xadrez.

O simples fato de que conseguiu se classificar dez vezes para as finais do campeonato soviético, o torneio mais forte do planeta, atesta a qualidade de seu jogo. Quando participou da sua primeira final (em 1952), tinha 26 anos de idade e conseguiu terminar ao lado de Keres, que se encontrava no apogeu da carreira. Dois anos depois, alcançou a 7a colocação, fruto de um inegável bom desempenho. Afinal, ser o "sétimo da URSS", onde estavam quinze dos vinte melhores do mundo, certamente constituía uma glória. Neste torneio, Suetin fez o mesmo número de pontos de dois fortíssimos GMs: E. Geller e S. Flohr.

Em Minsk 1957, Suetin venceu seu primeiro torneio de alto nível, à frente de GMs como Boleslavsky e Sokolsky.

Recebeu o título de MI (mestre internacional) em 1961, com 35 anos de idade. O título de GM foi obtido em 1965, quando já contava com 39 anos. Tempos diversos aqueles, nos quais o título internacional era concedido com tanta parcimônia!

Ao longo de sua extensa carreira (jogou em alto nível por mais de meio século!), Suetin colecionou vitórias sobre GMs do porte de Korchnnoi, T. Petrosian, Taimanov, Bronstein, Polugaevsky, Spassky, Smyslov, Kholmov, M. Tal, Vaganian, Beliavsky, Geller, Gligoric e A. Sokolov.

O período mais criativo foi a década de 1960. Tudo começou com o 4o lugar no campeonato da URSS 1963, ao lado de Geller e Bronstein e na frente de super-GMs como Polugaevsky, Korchnnoi, Averbach e Taimanov. No zonal de Moscou 1964, Suetin chegou ao lado de Korchnnoi. Foi 1o em Kopenhagen 1965, junto com Gligoric e Taimanov, e na frente de Larsen e Hort. Foi 1o absoluto em Sarajevo 1965, à frente de Polugaevsky, Matulovic, Hort, Uhlmann e Trifunovic, GMs de altíssimo nível na época. No campeonato da URSS de 1966, Suetin voltou a ficar no ótimo 4o lugar, superando Keres, Bronstein, Simaguin, Vasiukov e Gufeld. Em Titovo Uzice 1966, ficou em 1o lugar, na frente de Parma, Averbach, Gligoric e Pachman. No tradicional torneio de Hastings 1966/67, compartilhou o 1o lugar com L. Stein, Hort e Gheorghiu. Em Havana 1968, Suetin e o fortíssimo L. Stein voltaram a dividir o prêmio, desta vez o 2o/3o lugar. Mas no ano seguinte, 1969, na mesma Havana, Suetin repartiu o 1o/2o lugar com o grande V. Korchnnoi, na frente de Gligoric, Donner, Uhlmann, Radulov, Panno.

Nos anos 1970s, o peso da idade fez o xadrez de Suetin declinar, embora eventualmente ele obtivesse bons resultados em nível de GM. Por exemplo, em Budapeste 1970 superou Portisch (grande estrela mundial da época), Averbach, Csom, Gheorghiu, Kholmov, Radulov. Foi 1o/2o em Keskskemet 1972 ao lado de Ribli. Também chegou em 1o/2o em Brno, ao lado de Hort, e na frente de Taimanov e Uhlmann (todos na lista dos 20 melhores do mundo nos anos 60/70). Outro 1o lugar foi conquistado em Lublin 1976, na frente de jovens e promissores GMs como Makarichev, Hulak e Georgadze. Seu último grande torneio foi Sochi 1977, onde compartilhou o 2o/3o lugar com Geller, na frente de Adorjan, T. Petrosian e I. Zaitsev. Estava com 51 anos de idade.

Nos anos seguintes, Suetin entrou na velhice e não conseguiu repetir as atuações do passado. Entretanto, às vezes era capaz de fazer o mundo lembrar de que foi um bom jogador. Por exemplo, em Hastings 1991/92 empatou com megaestrelas contemporâneas como Shirov e Bareev.

Suetin foi também autor de bons livros de xadrez. Sua obra mais interessante foi, na tradução inglesa: "Contemporary approach to the middlegame". Em espanhol, foi publicado pela editora Aguilera sob o título "Manual para jugadores avanzados". Com certeza, é um dos melhores trabalhos já escritos sobre o meio-jogo. Dessas jóias que ainda não foram totalmente descobertas (ou redescobertas. Foi lançado em Moscou em 1982.) Suetin destaca alguns pontos que essenciais para o xadrez contemporâneo: a profunda ligação entre a estratégia e a tática e a supervalorização dos elementos dinâmicos (mobilidade das peças, iniciativa). Como o título espanhol anuncia, trata-se de uma obra pra quem já estudou outros livros sobre meio-jogo. Creio que somente jogadores com rating acima de 2000 poderão apreciá-la e absorver com maior profundidade seus conteúdos. Veja, amigo leitor, por exemplo, esses trechos:

"A condução dinâmica da luta nos revela, junto com os fatores inalteráveis que se depreendem das propriedades visíveis de uma posição, em muitas situações complexas operam também fatores ocultos muito variáveis. Isso inclui, por exemplo, a coordenação de forças, sua colocação imediata em relação às mundanças inesperadas, etc. A avaliação de tais posições revela por fim suas respectivas e decisivas particularidades. (...) O plano não tem que reprimir o desenvolvimento da partida; mais ainda, tem que ajustar-se às circunstâncias para englobar toda a riqueza da reflexão enxadrística. (...) O tratamento dinâmico da posição enriqueceu, sob muitos aspectos, a aproximação dos principais fatores da luta – material, tempo e espaço – e se tornou estritamente vinculado com os esforços realizados para adquirir qualquer tipo de vantagem. O leitor teve a oportunidade de estudar os vínculos que unem os elementos posicionais com os fatores materiais e espaciais (...). Desejamos agora atrair especialmente sua atenção para a interpretação atual do fator tempo. Não se determina o tempo mediante um cálculo mecânico do número de jogadas, mas sim através de metas bem traçadas que se alcançam por meio das jogadas. Sob esse aspecto, o tempo surge como um fator posicional imperceptível."




Partida 01: Suetin,A - Petrosian,T

XVIII Camp. URSS Moscou, 1950

Baseado nas análises do GM I. Boleslavsky. 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0–0 Be7 6.d4 exd4 7.Te1 0–0 8.e5 Cd5 [8...Ce8 9.c3 (9.Cxd4 Cxd4 10.Dxd4 d5 Shredder 5-Junior 6.0, Computer Chess Match Tournament, Cadaqu 2001) 9...dxc3 10.Cxc3 d6 11.exd6 A) 11...Cxd6 12.Cd5 (12.Bf4 b5 13.Bb3 Cc4 14.Cd5 Bd6 15.Bg5 Romanishin,O-Tukmakov,V, Campeonato da URSS, 1978) 12...Be6 13.Bxc6 bxc6 14.Cxe7+ Dxe7 15.Cg5 Df6 16.Cxe6 fxe6 17.De2 Tf7 Timman,J-Beliavsky,A, Moskva 1981; B) 11...Dxd6 12.Cd5 Be6 13.Bxc6 bxc6 14.Cxe7+ Dxe7 15.Bg5 Cf6 16.Cd4 Minasian,A-Candela Perez,J, V Ubeda Open, Ubeda ESP 2000] 9.Cxd4 Cxd4 10.Dxd4 Cb6 11.Bb3 [11.Cc3 d5 12.exd6 Dxd6 13.Dxd6 Bxd6 14.Bb3 Brendel,O-Van den Doel,E, Bundesliga 2001 ] 11...d5 [11...c5 12.De4 d5 13.exd6 Bxd6 14.Bf4 Bxf4 15.Dxf4 Df6 16.Dxf6 gxf6 17.Ca3 Bronstein,D-Rajna,G, Budapest 1977] 12.exd6 Dxd6?! [É melhor 12...Bxd6 13.De4 Df6 14.Cc3 Bd7 15.Dxb7 Bc6; 12...Bxd6 13.Bf4 (13.De4 Df6 14.Cc3 Bd7 15.Dxb7 Bc6 e as pretas ganham) 13...Bxf4 (13...Dh4 14.g3 Dg4 15.h3 Df3 16.Cd2 Dc6) 14.Dxf4 Be6 15.Bxe6 fxe6 16.Dg4 Tf5 17.Cc3 Minic,D-Hecht,H, Wijk 1971; 12...Bf6! 13.De4 (13.Dd3 Dxd6 14.Dxd6 cxd6 15.Cc3 Be6! 16.Bxe6 fxe6 17.Txe6 Bxc3 18.bxc3 Cc4 e as pretas têm compensação pelo ma terial. (Donev,I)) 13...cxd6! 14.Cc3 (14.c3 d5 15.Df4 Be6) 14...Bxc3 15.bxc3 d5 16.De7 Dxe7 17.Txe7 Cc4= Feistenauer,F-Donev,I, Gotzis 1990] 13.De4! [Lance que comporta várias sutilezas: as duas peças dobradas garantem às brancas o domínio da coluna 'e' pelo tempo necessário. Além disso, a dama poderá apoiar Bf4, visando ao ponto fraco das pretas (quase imperceptível) que é o peão c7, que Petrosian não conseguirá defender convenientemente.] 13...Bf6 14.Cc3 Tb8 [Seria melhor 14...Dd4 15.Bf4 Dxe4 16.Cxe4 Bd8 17.Tad1 Bd7 18.Cc5 Bc6 e as brancas têm apenas leve vantagem.] 15.Bf4 Dc5 16.De3 Dc6 [16...Dxe3 17.Txe3 Bd8 (17...Ca8 18.Be5 Bxe5 19.Txe5 Bd7 20.Te7 Bc6 21.Tae1) 18.Td1 Bd7 19.h3 com idéia de seguir com 20.Ted3, Txd8, e Bxc7] 17.Dg3 Be6 [17...Bd8 18.Be5 g6 19.Tad1 Bd7 20.Df4 com ataque.] 18.Bxc7 [Cai o peão fraco das pretas.] 18...Tbc8 19.Be5 Bxb3 [O bispo preto de casas escuras não podia se mover porque o Bb3 branco ganharia muito poder. Daí a decisão da troca, que também serve para dobrar os peões brancos na ala de dama.] 20.axb3 Cd7 21.Bxf6 Cxf6 22.Tad1 Tfe8 23.h3 [Lance preventivo. As brancas querem mover as torres sem correr o risco de levar mate de torre na horizontal 1.] 23...h6 [As pretas seguem o mesmo raciocínio branco: defesa contra um possível mate na última horizontal.] 24.Te3 Txe3 25.Dxe3 Dc7 26.Dg3 Dxg3 [Era preferível 26...Dc5 embora as brancas mantivessem melhor jogo com 27.Df4] 27.fxg3 [Os peões dobrados brancos na ala de dama não são ruins, porque existe a possibilidade de criar um peão passado naquele flanco.] 27...Rf8 28.Rf2 Re7 29.Re3 Re6 [Estratégia básica dos finais: os dois reis buscam o centro.] 30.Td4 Ce8? [Recuo injustificável do cavalo. Merecia consideração 30...h5!? ] 31.Rd3 Cd6 32.Ce2 g5 [Impede que as brancas joguem Cf4.] 33.g4 f5 34.gxf5+ Cxf5 35.Te4+ Rf6 36.Cd4 Cxd4 [Melhor teria sido 36...Td8 já que não seria possível 37.Rc4?? por causa de (37.Rc3 Tc8+ 38.Rd3 Td8) 37...Cd6+] 37.Txd4 Tc7 38.Td6+ Rf5+- [Se 38...Rg7 as brancas teriam jogado 39.g4 planejando jogar Tb6 +-] 39.Txh6 Rf4 40.c4 Td7+ 41.Rc3 Tg7 42.g4 Te7 43.c5 Rg3 [43...Te3+ 44.Rb4 Te5 45.Tf6+ Rg3 46.Tf5 Te4+ 47.Ra5 Rh4 (47...Te3 48.b4 Rh4 49.Tf7 Rxh3 50.Txb7 Rxg4 51.c6 Te6 52.Tb6!+-) 48.Tf7 Rxh3 49.Txb7 Te5 50.b4 Rxg4 51.Rxa6+-] 44.b4 Te3+ 45.Rc4 Te4+ 46.Rb3 Te3+ 47.Ra4 Te2 [Com dois peões a menos, as pretas pouco podem fazer para se defender.] 48.Th5 Txb2 49.Txg5 Rxh3 50.Tg7 Rh4 51.Txb7 Rxg4 52.Tf7 [Corta a passagem do rei preto para a ala de dama.] 52...Ta2+ 53.Rb3 Ta1 54.Rc4 [Ao contrário de seu rival, o rei branco goza de grande liberdade para avançar.] 54...Tc1+ 55.Rd5 Td1+ [55...Tb1 56.c6 Tc1 (56...Txb4 57.c7) 57.c7 Rg5 58.Rd6 ganhando.] 56.Rc6 Tb1 57.Rb6! [Os conhecimentos de finais dos grandes mestres proporcionam a necessária tranqüilidade para jogar assim.] 57...Txb4+ 58.Rxa6 Rg5 59.c6 Rg6 60.Tf1 e as pretas abandonaram. 1–0




Partida 02: Suetin,A - Polugaevsky,L

XXXIV Camp. URSS Tbilisi, 1966

Baseado nos comentários de A. Suetin. 1.e4 c5 2.Cf3 Cc6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 e6 5.Cc3 d6 6.Be3 Cf6 7.Be2 Be7 8.0–0 0–0 9.f4 Bd7 10.Cb3 a6 11.Bf3 [11.a4 b6 (11...Tc8 12.a5 Dc7 13.Bf3 Cb4 14.Tf2 Bc6 15.Dd4 d5 16.e5 Cd7 17.Bg4 g6 18.Dd2 ½–½ Nataf,I-Hansen,C, 16th North Sea Cup, Esbjerg DEN 2001) 12.Rh1 Dc7 13.Bf3 Tab8 14.De2 Bc8 15.Tad1 Bb7 16.Df2 Cd7 17.g4 Tfe8 18.g5 Bf8 19.Bg2 g6 Brenjo,S-Movsesian,S, TCh-YUG, Herceg Novi YUG 2001] 11...Tb8 [11...b5 12.a4 b4 13.Ce2 e5 (13...Dc7 14.g4 d5 15.e5 Ce4 16.Cg3 Cxg3 17.hxg3 Yudovich,M-Estrin,Y, Moscow 1967) 14.f5 Ca5 15.Cxa5 Dxa5 16.c4 bxc3 17.Cxc3 ½–½ Dolgov,A-Dragomarezkij,E, Moscow 1997; 11...Dc7 12.g4 (12.De1 b5 13.a3 Tab8 14.g4 b4 15.axb4 Cxb4 16.Df2 Tfc8 17.g5 Ce8 18.Cd4 Pritchett,C-Kottnauer,C, Dundee 1967) 12...b5 13.g5 Ce8 14.a3 Tb8 15.h4 (15.De2 Dc8 16.Dg2 a5 17.Tf2 a4 18.Cc1 Bd8 19.Cd3 Suetin,A-Polugaevsky,L, URSS 1966) 15...b4 16.axb4 Cxb4 17.Tf2 d5 18.exd5 Cd6 19.Th2 Cf5 20.Bc1 Bd6 21.Dd2 exd5 Subasic,I-Espig,L, Kecskemet 1987] 12.g4 [12.De1 b5 13.Td1 (13.g4 b4 14.Ce2 e5 15.g5 Cg4 16.Bxg4 Bxg4 17.h4 f6 18.Dd2 Ryc-Malich,B, DDR 1977) 13...Dc7 14.g4 b4 15.Ce2 a5 16.g5 Ce8 17.Bg2 g6 18.Cg3 Cardoso,R-Gheorghiu,F, Manila 1973] 12...b5 13.g5 Ce8 14.Dd2 Cc7 15.a4 bxa4 [15...Dc8 16.axb5 axb5 17.Tfd1 Td8 18.Df2 Be8 19.Ca5 Ta8 20.Cxc6 Bxc6 21.f5 Db7 22.f6 Bf8 Smejkal,J-Tukmakov,V, Hastings 1968] 16.Cxa4 Cb5 17.h4 Dc7 18.c3 Cba7 19.Bd1 Tb5 20.Bc2 Tfb8 21.Cc1 Ca5 22.Df2 Cc8 23.b3 Bf8? ["A luta estratégica chegou em seu ponto culminante. Essa posição é uma faca de dois gumes: cada jogador ataca em um flanco, e por isso é tão importante obter a iniciativa. O sacrifício posicional 23...Cxb3!? 24.Cxb3 Txb3 25.Bxb3 Txb3 26.f5 Bf8 (26...Dc4 27.f6) 27.g6 levaria a um jogo violento que tendia a favorecer as brancas, porém as negras teriam mobilizado suas peças para entrar com empenho na luta. As negra, todavia, optaram por uma defesa passiva. Isso se revelou um grave erro, pois no lance seguinte as brancas assumiram o domínio das ações." (Suetin)] 24.f5 e5 25.h5 Bc6 [25...d5 26.exd5 Txd5 27.f6 (27.c4 Cxc4 28.bxc4 Dxc4 29.g6 Bc6 e as pretas resistem) 27...g6 (27...gxf6 28.Dg2! e4 29.Bxe4 Tdb5 30.gxf6+ Rh8 31.Tf3 Ca7 32.Tg3 Bd6 33.Tg7 Txh5 34.Bxh7 Th3 35.Tg8+) 28.hxg6 hxg6 (28...Bxa4 29.gxh7+ Rh8 30.Txa4 Dxc3 31.Th4) 29.Bxg6 Cd6 (29...fxg6 30.f7+ Rg7 31.Df6+ Rh7 32.Df3) 30.Df3 e o ataque branco não pode ser parado.] 26.h6 g6 [26...Bd7 27.hxg7 Bxg7 28.c4 Cxb3 (28...T5b7 29.Cc3 Bc6 30.f6 Bf8 31.Cd5 Dd8 32.Dd2 com superioridade esmagadora) 29.Ta3! Ta5 (29...Dxc4 30.Cb2 Dc3 31.Cd1 Dc4 32.Bd3 ganhando) 30.Bxb3 Txb3 31.Cxb3 Txa4 32.Txa4 Bxa4 33.Cd2 e as brancas têm uma excelente posição.] 27.fxg6 hxg6 28.b4 Cc4 29.Bd3 Be8 ["As pretas têm problemas descomunalmente sérios para resolver, pois seu rei corre grave perigo." (Suetin)] 30.Cb3 T5b7 31.Bc1 Ta7 32.Cb2 Cxb2 33.Dxb2 Cb6 34.Be3 Taa8 35.Ca5 Ca4 [35...d5 36.Dd2 Td8 37.Df2 d4 38.cxd4 exd4 39.Bd2±] 36.Txa4! ["Este sacrifício temporário da qualidade abre uma série de ameaças sobre o ponto f7." (Suetin)] 36...Bxa4 37.Bc4 Be8 38.Df2 Td8? [As pretas poderiam ter resistido muito mais com 38...Tc8 39.Df6 (39.Bb6 Dd7 40.Df3 Txc4 41.Cxc4 Db5) 39...Rh7 (39...Tab8?? 40.Dxg6+ Rh8 41.Txf7 Bxf7 42.Df6+ Rh7 43.Bxf7+-) 40.Df3 De7] 39.Bb6 De7 40.Bxd8 Txd8 41.Dh4 Tc8 ["Encaminhar para o final daria melhores perspectivas paras as pretas. Por exemplo, 41...Da7+ 42.Df2 Dxf2+ 43.Rxf2 Be7 embora depois de 44.Tg1 Tc8 45.Tg3 Bb5 46.Bd5 as brancas conservassem a vantagem. De qualquer modo, as pretas conservariam possibilidades de defesa. Agora, o ataque branco se desenvolve." (Suetin)] 42.Tf3 Dd8 43.Bd5 Be7 44.Df2 Dd7 45.Dg3 Da4 46.Cc4 Tc7 47.Df2 Bxg5 [As brancas teriam vencido com 47...Dd1+ 48.Rg2 Dc1 49.Txf7! Dxg5+ 50.Rf1 Dc1+ 51.Re2 Dc2+ 52.Cd2 Bb5+ 53.Rf3 Dd1+ (53...Rh8 54.Rg2) 54.Rg2 (54.Rg3?? Bh4+ 55.Rxh4 Dh5+ 56.Rg3 Dg5+ 57.Rh2 Dxh6+ 58.Rg1 Dg5+=) 54...Dg4+ 55.Dg3 Dxg3+ 56.Rxg3 Rh8 57.c4 Ba4 58.Tg7 Bd1 59.Cf1 Ba4 60.Ce3 Ta7 61.Txg6+-] 48.Cxd6 Bf4? [As pretas perderiam com 48...Bxh6 49.Cxe8 Dxe8 50.Db6 Td7 51.Dxg6+ Bg7 52.Tg3 Df8 53.Dxa6+-; Mas a defesa correta 48...Rh7! dificultaria o serviço das brancas: A) 49.Cxf7 (parece bom mas as pretas têm antídotos) 49...Dd1+ 50.Rg2 Bxf7 (50...Bf4 51.Cd6 Bc6 52.c4±) 51.Bxf7 (51.Txf7+ Rxh6! 52.Txc7 Dg4+ 53.Dg3 De2+ 54.Rg1 Dd1+ 55.Rg2 De2+=) 51...Td7 (51...Dd7 52.Dg3 De7 53.Dg4 Td7 54.Bd5±) 52.Bd5 Bxh6 53.Dg3 De2+ 54.Df2 Dxf2+ 55.Rxf2 Bf4 e as pretas agüentam.; B) 49.Cxe8 49...Dxe8 50.Bxf7 Dd7 51.Bd5 e as brancas teriam dificuldades para vencer.] 49.Cxe8 Dxe8 50.Db6! ["Desagradável surpresa. As pretas vão sofrer uma sensível perda de material." (Suetin)] 50...Da4 51.Dxg6+ Rf8 52.Dg7+ Re7 53.h7 Dd1+ 54.Rg2 1–0




Partida 03: Suetin,A - Barczay,L

Tungsram Budapest, 1976

1.e4 c5 2.Cf3 e6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cc6 5.Cc3 d6 6.Be3 a6 7.f4 Cf6 8.Df3 Dc7 9.0–0–0 Bd7 10.g4 h6 11.Be2 b5? [O correto teria sido 11...Cxd4 12.Bxd4 e5 13.fxe5 dxe5 14.Dg3 Bd6 15.Be3 Tc8 16.Bf3 b5 17.Dg2 Ba3 18.Td3 Bc5 ½–½ Dueball,J-Filipowicz,A, Skopje 1972] 12.e5 dxe5 13.fxe5 b4 14.Cdb5!! [Sacrifício temático contra a defesa siciliana. As brancas entregam o cavalo para colocar o outro cavalo exatamente na mesma casa b5. A dama preta fica numa situação incômoda. Além disso, o rei preto ainda está no centro e as brancas contam com o melhor desenvolvimento e o domínio da coluna 'd'.] 14...axb5 [Não aceitar o sacrifício também não teria melhorado a vida das pretas: 14...Db7 15.exf6 axb5 (15...bxc3 16.fxg7 Tg8 17.gxf8D+ Rxf8 18.Bxh6++-; 15...g5 16.Ca4! axb5 17.Cb6 Td8 18.Bxb5+-) 16.fxg7 Bxg7 17.Ce4 0–0 (17...Da6 18.Txd7! Bxb2+ 19.Rxb2 Dxa2+ 20.Rc1 Rxd7 21.Dxf7+ Ce7 22.Td1+ Rc8 23.Dxe7+-) 18.Cf6+ Bxf6 (18...Rh8 19.Txd7) 19.Dxf6 Dc7 20.Bxh6 De5 21.Dxe5 Cxe5 22.Bxf8 Rxf8 23.Rb1+-] 15.Cxb5 Dc8 [Teria oferecido maior resistência 15...Dxe5 embora depois de 16.Bf4 Dc5 (16...Ta3 17.Cxa3; 16...Txa2 17.Bxe5 Cxe5 18.Db7!+-) 17.Cc7+ (17.Be3 De5) 17...Rd8 18.Cxa8 Cd4 (18...e5 19.Be3 Cd4 20.Bxd4 exd4 21.Db7+-) 19.Dd3 Cxe2+ 20.Dxe2 Da7 21.Cc7 (21.Bc7+? Rc8 22.Df3 Cd5) 21...Dxa2 22.Be5 as brancas ficariam com óbvia vantagem.; Levaria à derrota 15...Db8 16.exf6 Txa2 17.Rb1 (17.fxg7 Ta1+ 18.Rd2 Txd1+ 19.Txd1 Bxg7 20.Re1±) 17...Ce5 (17...Ta8 18.Txd7 Rxd7 19.fxg7+-) 18.Bf4 Cxf3 (18...Ta6 19.Bxe5) 19.Bxb8 Ta4 20.Cc7+ Rd8 21.Bb5 Rc8 22.Bxd7+ Rxb8 23.Bxa4 Rxc7 24.Td7+ Rb6 25.fxg7 Bxg7 26.Txf7+-] 16.exf6 b3 [16...g5 17.Txd7! Dxd7 18.Td1 Dc8 permite uma bela combinação de mate que inclui o sacrifício da dama: 19.Dxc6+! Dxc6 20.Cc7+ (outra peça sacrificada) 20...Dxc7 21.Bb5+ Dd7 22.Bxd7+ Rd8 23.Bb6#] 17.fxg7 Cb4 [17...Bxg7 18.Cd6+ ganha a dama.] 18.Cc7+ Dxc7 19.Dxa8+ Re7 20.Txd7+! Rxd7 21.Bb5+ e as pretas abandonaram porque depois de 21... Re7 22.De8+ Rf6 23.gxh8D+ nada mais poderiam fazer. 1–0




Partida 04: Suetin,A - Hulak,K

Lublin, 1976

1.e4 c5 2.Cf3 Cc6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 e6 5.Cc3 d6 6.g3 [Essa linha de desenvolvimento parece tranqüila mas guarda interessantes possibilidades agressivas, como veremos nesta partida.] 6...Be7 7.Bg2 a6 8.0–0 Bd7 9.Cxc6 [9.Te1 Tc8 10.a4 Cf6 11.Cxc6 Bxc6 12.Bg5 0–0 Olsson,A-Agrest,E, Rilton Cup, Stockholm SWE 1999; 9.Be3 Cf6 10.Cxc6 Bxc6 11.a4 (11.Te1 0–0 12.h3 Dc7 13.De2 b5 14.a3 Db7 Calapso,R-Petrosian,T, Venice 1967) 11...0–0 (11...Dc7 12.a5 0–0 13.Bb6 Dd7 14.De2 Tfc8 15.f4 De8 16.f5 Bd8 17.Bd4 e5 18.Be3 Bb5 ½–½ Yermolinsky,A-Spraggett,K, New York 1998) A) 12.a5 Cd7 A1) 13.De2 Tc8 (13...Dc7 14.Tfd1 Tae8 15.f4 d5 16.exd5 exd5 17.Df2 Almasi,Z-Portisch,L, Zalakaros 1992) 14.Tfd1 Dc7 15.Td2 Tfe8 16.h3 Bf8 Psakhis,L-Murugan,K, Calcutta 1988; A2) 13.Te1 Tc8 14.Ca4 De8 15.Cb6 Cxb6 16.Bxb6 e5 17.c4 f5 18.exf5 Txf5 19.Dd3 Df7 20.Tac1 Ivanov,A-Christiansen,L, New York 1989; A3) 13.Ca4 13...f5 14.Cb6 Cxb6 15.Bxb6 Dd7 16.Te1 fxe4 17.Bxe4 Bxe4 18.Txe4 Bf6 19.c3 d5 20.Te3 Sutovskij,E-Milov,V, Dresden 1998; B) 12.Te1 12...Dc7 ½–½ Marinkovic,S-Arsovic,Z, TCh-YUG Final, Herceg Novi YUG 2001] 9...Bxc6 10.Dg4 g6 [10...h5 11.De2 h4 12.Td1 (12.Be3 hxg3 13.fxg3 Cf6 14.Tad1 Da5 15.Bf3 Cd7 Zvara,P-Damjanovic,M, Prague 1990) 12...hxg3 13.hxg3 Da5 14.Bf4 Td8 15.Td3 b5 Kashtanov,R-Osnos,V, St Petersburg 1997] 11.De2 Dc7 12.a4 Cf6 13.Bh6 Bf8 14.Dd2 [As brancas conseguiram ligeira vantagem.] 14...Td8 15.Tfe1 Bxh6 16.Dxh6 Db6 17.Dg5 Cd7 18.Cd5! Bxd5 [18...exd5 19.exd5+ A) 19...Ce5 20.dxc6 bxc6 21.a5 Dc5 (21...Dc7 22.f4 ganha o cavalo) 22.b4 Dc3 23.f4+-; B) 19...Rf8 20.dxc6 bxc6 21.a5 Dc7 22.Bxc6 e as brancas têm grande superioridade.] 19.exd5 h6? [Era essencial tirar o rei do centro com 19...0–0 20.dxe6 (20.b3 e5 e a vantagem branca é reduzida.) 20...fxe6 21.Txe6 (21.De3 Dxb2 22.Dxe6+ Rh8 23.Db3 Df6) 21...Dxf2+ 22.Rh1 A) 22...Dxc2? (é possível que Hulak só tenha visto esta linha 23.Txd6 Rh8 (23...Dxb2 24.Tad1+-) 24.Tad1 Dxa4 25.Dd2 Tf7 26.Bh3 Tdf8 27.Txd7+-; B) 22...Ce5 (essa é a defesa correta) 23.Te7 Tf5 24.Dh6 Cf7 e as pretas conseguem se defender adequadamente. Por exemplo: 25.De3 Dxc2 26.Be4 Dxb2 27.Tb1 Dxb1+ 28.Bxb1 Tf1+ 29.Rg2 Txb1 30.Df3 Tb2+ 31.Rg1 Tb1+=] 20.Txe6+!! [O lance que as pretas não previram, mas que não é tão surpreendente assim quando nos lembramos que o rei preto ainda está no centro e que portanto a abertura de linhas de ataque poder terrível.] 20...Rf8 [Não é possível aceitar o sacrifício da torre branca: 20...fxe6 21.Dxg6+ Rf8 (21...Re7 22.Dg7+ Re8 23.Dxh8+) 22.dxe6 Ce5 23.Df6+ Rg8 (23...Re8 24.Dxh8+) 24.e7 Te8 25.Bd5+ Rh7 26.Te1 Dc7 27.Txe5! dxe5 28.Df7#] 21.De7+ Rg7 [21...Rg8 22.Txd6 Dc7 23.Ta3 (23.Bh3 também serve) 23...Th7 24.Tc3] 22.Be4 e as pretas abandonaram. Depois de 22...Ce5 (no caso de 22...Th7, então 23.Txd6 Dc7 24.Bxg6) 23.Df6+ Rg8 (23...Rh7 24.Bxg6+ Rg8 25.Txe5) 24.Txe5 etc. 1–0




Partida 05: Spassky,B - Suetin,A

Campeonato da URSS por equipes, Moscou, 1963

1.d4 d5 2.c4 dxc4 3.Cf3 Cf6 4.e3 e6 5.Bxc4 c5 6.0–0 a6 7.De2 b5 8.Bb3 Bb7 9.Td1 Cbd7 10.Cc3 Dc7 11.e4 cxd4 12.e5?! [A novidade de Spassky não foi bem aceita. O que se joga aqui é 12.Cxd4 Cc5!? 13.Be3 N (13.e5 Cfd7 14.Bf4 b4!=) 13...Be7 14.Tac1 0–0 15.f3 (15.Bc2!? com idéia de 16.a3) 15...Tac8 16.Bc2 Tfd8 17.a3 Db8 18.Cb3 Cxb3 19.Bxb3 Salov,V-Chernin,A, Wijk 1991] 12...dxc3 [Realmente, o melhor é aceitar o sacrifício.] 13.exf6 Cxf6 14.Ce5 Bc5 15.Bf4 Db6?! [Teria sido mais seguro o imediato roque: 15...0–0 16.bxc3 Bd6] 16.Cxf7! 0–0 [Se as pretas tomassem o cavalo, teriam muita dificuldade para se defender: 16...Rxf7 17.Td6 Bxf2+ 18.Rh1 Bxg2+ (18...Bd5 19.Bxd5 exd5 20.De6+ Rg6 21.Txb6 Bxb6 22.Dxb6 cxb2 23.Tb1 The8 24.Df2 Te4 25.Txb2 Tae8 26.h3+-; 18...Dc7 19.Dxe6+ Rf8 20.Td7+-) 19.Rxg2 Db7+ 20.Rxf2 Ce4+ 21.Rg1 The8 22.Te1 cxb2 (22...Cxd6 23.Bxe6+ Re7 24.De5 Rf8 25.Dxd6+ Te7 26.Bg5+-) 23.Tdd1 Tad8 24.Txd8 Txd8 25.Dxb2 e a posição branca é muito boa.] 17.Cg5 cxb2 18.Tab1 [18.Bxe6+? Rh8 19.Tab1 Tae8 e as pretas vencem.] 18...Tae8 19.Txb2 [19.Cxe6 Rh8 20.Bg3 (20.Txb2? Dc6 21.Df1 Txe6) 20...Ce4 21.Cxc5 Cxg3 22.Dxb2 Ce2+ 23.Rh1 Bxg2+ 24.Rxg2 Dc6+ 25.Bd5 Dxc5 ganhando.] 19...Dc6 20.Cf3 Ce4 21.Bg3 Cc3 22.Dd3 Cxd1 23.Dxd1 Td8 24.De2 De4 25.Bxe6+ Rh8 26.h4 Dxe2 27.Txe2 [As brancas não têm a menor compensação pela qualidade perdida. Já podiam ter abandonado a partida.] 27...Bxf3 28.gxf3 Txf3 29.Rg2 Tff8 30.f4 Bd6 31.Rf3 Tde8 32.Te4 Tf6 33.Bb3 Txe4 34.Rxe4 e finalmente as brancas reconheceram a derrota. 0–1




Partida 06: Suetin,A - Taimanov,M

União Soviética, 1968

1.e4 c5 2.Cf3 Cc6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 e6 5.Cc3 Dc7 6.Be3 Cf6 7.Be2 a6 8.0–0 Bb4 9.Ca4 Bd6 10.g3 b5?! [Kaspárov considera que é melhor jogar 10...Be7 e então haveria as seguintes possibilidades: A) 11.c4! d6 12.f3 Bd7 13.Tc1 0–0 14.Cxc6 Bxc6 (14...bxc6 15.c5 d5 16.Cb6±) 15.Cb6 Tad8 16.b4! Kasparov,G-Polgar,J, Linares 1997(16.Cd5 Bxd5 17.cxd5 Dd7 18.dxe6 Dxe6 com leve superioridade branca.) ; B) 11.Cxc6 11...bxc6 12.Cb6 Tb8 13.Cxc8 Dxc8 14.e5 Cd5 15.Bd4 c5 16.c4 cxd4 17.cxd5 Txb2 18.Tc1 Db8 19.d6 Bd8 Tal,M-Matulovic,M, Beograd 1974] 11.Cb6 Tb8 12.Cxc8 [12.Cxc6 Dxc6 13.Cxc8 Txc8 14.Bd3 Be5 15.a4 b4 16.De2 a5 Shirov,A-Hattu,A, Arthur Andersen Simul, Neuilly-Sur-Sein 2001] 12...Txc8 13.a4 Cxd4 14.Bxd4 e5 15.Be3 Bc5 16.Bxc5 [16.axb5 Bxe3 17.fxe3 axb5 18.Bxb5 0–0 19.Txf6 gxf6 20.Bxd7 Ta8 21.Dg4+ Rh8 22.Tf1 Tg8 23.Dh3 Dc5 24.Bf5 Dxe3+ 25.Rg2 h6= Shirov,A-Anand,V, FIDE WCh KO, Tehran IRI (7.3) 2000; 16.Dd3 Bxe3 17.Dxe3 0–0 18.c3 (18.axb5 axb5 19.c3 Tb8 20.Ta7 Db6 21.Dxb6 Txb6 22.f3 Korneev,O-Pogorelov,R, XVII Moratalaz Open, Madrid ESP 2001) 18...Dc6 19.axb5 axb5 20.Ta5 Tb8 21.f3 Shirov,A-De la Riva Aguado,O, Banc Agricol Blitz, Andorra AND 2001] 16...Dxc5 17.axb5 axb5 18.Bd3 [Vale a pena acompanhar todos os lances: 18.Ta5 Tb8 19.Dd3 0–0 20.c3 Dc6 21.Bf3 Tfe8 22.Tfa1 Te6 23.T1a3 Ce8 24.Tb3 Cc7 25.De3 Db6 26.Ta7 Dxe3 27.fxe3 Tc6 28.Be2 Rf8 29.Tb4 Re7 30.c4 Tc5 31.Rf2 Tb6 32.cxb5 ½–½ Galkin,A-Beshukov,S, St Petersburg 1997] 18...0–0 19.Ta5 Tb8 20.c3 Dc7? [Merecia atenção 20...d5!? 21.exd5 e4 22.Be2 Cxd5 23.Dd4 Dxd4 24.cxd4 Tfd8 25.Td1 (25.Txb5 Txb5 26.Bxb5 Cc7 27.Be2 Txd4 e as pretas melhoraram sua defesa.) 25...Cc7 26.Ta7 Cd5 embora o jogo branco obviamente seja superior, as pretas têm boas chances de igualar.] 21.Txb5 Txb5 22.Bxb5 Tb8 23.De2 Cxe4 24.Bxd7 Cxg3 25.hxg3 Dxd7 26.Td1! [Depois de 26.Dxe5 Txb2 as pretas teriam boas chances de empatar.] 26...Da4 27.b4 [As brancas ficaram com a inegável vantagem de uma dupla de peões passados unidos na ala de dama, ao passo que as pretas não têm nenhum peão passado na ala de dama.] 27...h6 28.Tb1 [Acompanha a velha regra de Tarrasch: torres devem ficar atrás dos peões passados.] 28...Tb5 29.Db2 Td5 30.b5 Dg4 31.Da2 Td3 32.b6 e4 [32...Td1+ 33.Txd1 Dxd1+ 34.Rg2 e o final está ganho porque as pretas não têm mais como dar xeques no rei branco.] 33.Dc2 Td8 34.b7 Tb8 35.Dd2 e3 36.Dxe3 [A posição é traiçoeira. Por exemplo: 36.Dd6?? exf2+ 37.Rxf2 (37.Rf1 Dh3+ 38.Rxf2 Df5+ 39.Df4 Dc2+ 40.Rf3 Te8! e as pretas conseguem resistir.) 37...Df5+ 38.Df4 Dc2+ 39.Rf3 (39.Re3 Te8+ 40.Rd4 Dxb1) 39...Te8! 40.Te1 (40.De5 Dd3+ 41.Rg2 Txe5 42.b8D+ Rh7 43.Dxe5 Dxb1 e as pretas têm boas chances.) 40...Dxc3+ 41.Te3 Dc6+ 42.Rf2 Db6 com vantagem preta.] 36...Df5 37.Tb4 Rh7 38.c4 Dd7 39.Db6 f5 40.Db5 Dd3 41.De5 f4 42.Dxf4 1–0




Partida 07: Suetin,A - Shamkovich,L

XXXII Campeonato da URSS, Kiev, 1964


Análises baseadas nos comentários de M. Shereshevsky. 1.e4 d5 2.exd5 Cf6 3.d4 Cxd5 4.Cf3 Bg4 5.c4 Cb6 6.c5 [Novidade teórica lançada por Suetin nesta partida. Mas também se pode jogar 6.Be2 e6 7.0–0 Cc6 8.Cc3] 6...Bxf3? [Suetin recebeu um prêmio especial na URSS por causa da Novidade Teórica 6.c5, que parecia muito forte. Entretanto, hoje sabemos que as pretas têm uma boa resposta: 6...C6d7! por exemplo: 7.Be2 (7.h3 Bh5 8.Db3 Cc6 9.d5 Bxf3 10.Dxf3 Cd4 11.De4 e5 12.dxe6 Cxe6 13.Dxb7 Bxc5 14.Bc4 0–0= Klovan,Y-Gutman,L, USSR 1972); 7.Bc4 e6 8.h3 Bh5 9.Be3 Be7 10.Cc3 0–0 11.g4 Bg6 12.h4 h5 e as brancas estão um pouco melhor. Suetin-Gipslis, Minsk 1993.) 7...e6 8.0–0 (8.Db3 b6 9.Be3 Be7 10.Cbd2 0–0 11.0–0 Cf6 Shamkovich,L-Rogoff,K, USA (ch) 1978) 8...Be7 9.h3 Bh5 10.Db3 b6 11.Cc3 0–0 12.Be3 c6 13.Tfd1 Dc7 14.cxb6 axb6 15.Tac1 Vuckovic,B-Kotronias,V, 4th Open, Korinthos GRE 2000; 6...Cd5 7.Db3 Bxf3 8.Dxb7 Ce3 (8...Cd7 9.gxf3 e6 10.Bc4±) 9.Dxf3 Cc2+ 10.Rd1 com vantagem branca. (B. Larsen)] 7.Dxf3 Cd5 8.Db3 b6 9.Bg5! [As brancas se previnem das tentativas pretas de completar com calma o desenvolvimento.] 9...Dd7 10.Cc3 e6?! [As pretas deveriam ter primeiro trocado os cavalos com 10...Cxc3 11.bxc3 para só então jogar 11...e6 embora seja óbvio que as brancas continuam melhor.] 11.Cxd5 Dxd5 12.Dxd5 exd5 ["Entrar direto no final é a melhor maneira das pretas de realizar sua vantagem posicional." (Shereshevsky)] 13.c6! "Se não fosse por essa manobra tática, as pretas estariam numa situação bastante tolerável. Mas agora a torre e o cavalo pretos ficam fora do jogo e por isso não constitui surpresa que o jogo termine poucas jogadas depois." (Shereshevsky)] 13...Be7 [Esse é o detalhe: as pretas não podem tomar o peão de c6: 13...Cxc6 14.Bb5 Rd7 15.Tc1 Te8+ 16.Rd2 Te6 (parece que salva, mas as brancas criam uma segunda cravada) 17.Txc6! Txc6 18.Tc1+-] 14.Be3 Rd8 15.Tc1 Te8 16.g3 Bg5 17.Bg2! [Fino lance. As brancas sacrificam temporariamente o peão para ganhar tempo e posicionar seu rei no centro. Observe que o Bg2 branco aponta para o peão d5 fraco das pretas.] 17...Bxe3 18.fxe3 Txe3+ 19.Rd2 Te6 20.Thf1 [20.Bxd5? Td6 21.Bxf7 Cxc6 22.d5 Tf6 23.Txc6 Txf7 24.Thc1 Td7 25.Re3 Txd5 26.Txc7 Td7 e as pretas resistem.] 20...f6 21.Tf5! ["O golpe decisivo." - Shereshevsky.] 21...Td6 22.Txd5 Txd5 23.Bxd5 Re7 24.Bg2 Ca6 25.a3 [Impede ...Cb4.] 25...Td8 26.Te1+ Rd6? [Acelera a derrota. De qualquer modo, depois de 26...Rf7 27.Rc3 Cb8 (27...Te8 28.Txe8 Rxe8 29.Rc4 Re7 30.Rd5) 28.b4 Td6 29.b5 as pretas são assadas em fogo lento. 29...a6 30.a4] 27.b4 b5 [27...Cb8 28.d5 com a devastadora ameaça de 29.Te6# mate.] 28.d5 Cc5 29.bxc5+ Rxc5 30.Te7 e as pretas abandonam. 1–0




Partida 08: Suetin,A - Korchnnoi, V

Campeonato da URSS por Equipes, Leningrado, 1962


1.e4 d6 2.d4 Cf6 3.Cc3 g6 4.Bg5 c6 5.Dd2 Bg7 6.Cf3 Bg4 [Lance pouco empregado.] [6...0–0 7.h3 Cbd7 8.e5!? dxe5 9.dxe5 Cd5 10.Cxd5 cxd5 11.Bh6 Cxe5! 12.Cxe5 Bxe5 13.Bxf8 Rxf8 14.c3 Dc7! e as pretas têm compensação pela qualidade a sacrificada. Santo_Roman,M-Gurevich,M, Clichy 1993; 6...Da5 7.0–0–0 (7.Bd3 Bg4 8.0–0–0 Cbd7 9.Rb1 0–0–0 10.Bh6 Bxh6 11.Dxh6 Bxf3 12.gxf3 a6 Fontaine,R-McNab,C, 2nd Viking GMB, York ENG 2000) 7...b5 8.e5 dxe5 9.dxe5 Cfd7 10.Rb1 Helbig,P-Wojtczik, corr 1967; 6...h6 7.Be3 Cbd7 8.h3 d5 9.exd5 Cxd5 10.Cxd5 cxd5 11.Bd3 Db6 12.0–0 Cf6 13.Ce5 Ce4 14.De2 0–0 15.c4 Dd8 16.Bxe4 dxe4 17.Dc2 Db6 18.Tad1 ½–½ Michalek,J-Pribyl,J, Czech Extra League 2001] 7.Df4 [7.0–0–0 h6 8.Be3 b5 9.Bd3 a6 10.Tde1 Cfd7 11.e5 d5 12.Ch4 Tal,M-Bronstein,D, USSR 1973] 7...Bxf3 8.Dxf3 Cbd7 [8...Da5 9.h4 (9.Be3 d5 10.exd5 cxd5 11.Bd3 Cc6 12.0–0 0–0 13.a3 Tad8 14.Dd1 Tfe8 15.f4 ½–½ Gormally,D-Zamora,J, Mermaid Beach 1998) 9...h6 10.Bf4 Cbd7 11.0–0–0 e5 12.dxe5 Cxe5 13.De2 0–0–0 14.Dd2 Cfd7 Watson,W-Murshed,N, Blackpool 1988] 9.0–0–0 Da5 10.h4 c5 11.e5! dxe5 [11...Cg8 12.Bc4 f6 13.Dxb7 Tb8 14.Dd5 Rd8 (14...Ch6 15.exf6 Cxf6 16.Dc6+ Rf8 17.dxc5 Dxc5 18.Dxc5 dxc5 19.Bf4 Tb4 20.b3 Cf7 21.a3 Tb6 22.Ca4 Tc6 23.Bb5 Tc8 24.Ba6 Tc6 25.Bb7 Te6 26.Cxc5 Tb6 27.The1 com vantagem decisiva.) 15.Df7 Bf8 (15...fxg5 16.Dxg7) 16.exf6 Cgxf6 17.Ce2 Db6 18.Bb3 cxd4 19.Cxd4 e as brancas ficam com excelente posição.; 11...Ch5 12.exd6 (É menos promissor 12.g4 cxd4 13.Txd4 Db6 14.Td5! Cxe5 15.Txe5 Bxe5 16.Bb5+ Rf8 17.gxh5 e6) 12...cxd4 13.Cb5 0–0 (13...exd6? 14.Cxd6+ Rf8 15.Dxf7#) 14.dxe7 Tfc8 15.Cd6! Dxa2 16.Dxb7 Cb6 17.Cxc8 ganhando.] 12.dxe5 Cxe5 13.Bb5+ Cfd7 [As pretas ficariam mal depois de 13...Dxb5 14.Cxb5 Cxf3 15.Cc7+ (ganha a qualidade) 15...Rf8 16.Cxa8 Cd4 17.Cc7] 14.Bxd7+ Cxd7 15.Txd7!! [Brilhante sacrifício que demonstra a classe de Suetin. As brancas aproveitam a situação precária do rei preto, que não conseguiu rocar.] 15...Rxd7 16.Td1+ Bd4 [16...Rc7 17.Dxf7 Tac8 (17...Bxc3 18.Dxe7+ Rb6 19.Td6+ Rb5 20.Dxb7+ Db6 21.Dd7+ Ra5 22.Txb6 axb6 23.bxc3+-) 18.Bf4+ Rb6 (18...Rc6 19.De6#) 19.Dxg7 Ra6 (19...Tce8 20.Cd5+ Rc6 21.De5 Thf8 22.c4! e já não existe defesa convincente para as pretas.) 20.Dxe7+-] 17.Dd5+ Rc8 [17...Re8 18.Txd4 f6 19.Bxf6 exf6 20.De6+ Rf8 21.Td7 com mate inevitável.] 18.Txd4! Td8 [A melhor defesa. Se 18...Dc7 então 19.Tc4 e6 20.Dxc5 Dxc5 21.Txc5+ Rd7 22.Cb5 Thc8 (22...a6? 23.Tc7+ Re8 24.Cd6+ Rf8 25.Bh6+ Rg8 26.Ce4 e as pretas não conseguem evitar 27.Cf6# mate.) 23.Txc8 Txc8 24.Cxa7 Tc4 25.b3 com grande superioridade branca.] 19.Dxd8+ Dxd8 20.Txd8+ Rxd8 21.Cd5 [As brancas quedaram com bispo + cavalo contra torre + peão, mas o fato de quase não haver colunas abertas favorece as brancas e reduz a mobilidade da torre preta.] 21...f6 22.Be3 Rd7 23.Rd2 [23.Bxc5? Rc6 com vantagem preta.] 23...b6 24.c4 Tf8 25.a3 e6 26.Cc3 a5 27.Bh6 Tg8 28.Ce4 Re7 29.Be3 Tc8 30.b3 [Pacientemente, as brancas consolidam sua posição, mantendo a segurança necessária para evitar contrajogo preto com a torre.] 30...Tc6 31.Rc3 e5 32.g3 Tc7 33.b4 axb4+ 34.axb4 f5 [34...cxb4+? 35.Rxb4 Tb7 36.Rb5 f5 37.Cc3 Rd7 38.Bxb6+-] 35.bxc5! [O peão passado é mais valioso do que a peça.] 35...fxe4 [É óbvio que se 35...bxc5 36.Cxc5 as brancas têm vantagem para vencer.] 36.cxb6 Tc8 37.Rb4 [O rei parte para apoiar seus peões passados.] 37...Ta8 38.Rb5 Rd7 39.b7 Ta2 [39...Tb8 40.Rb6 Te8 (40...h5 41.c5 Rd8 42.c6+-) 41.c5 Te6+ 42.Ra7 e nada resta às pretas.] 40.Bb6 e as pretas abandonaram. 1–0




Partida 09: Vasiukov,E - Suetin,A

Camp. 1a liga URSS Yerevan, 1955

Análises baseadas nos comentários do GM A. Soltis. 1.e4 e6 2.d4 d5 3.e5 c5 4.c3 Cc6 5.Cf3 Db6 6.Be2 cxd4 7.cxd4 Cge7 8.Ca3 Cf5 9.Cc2 Bb4+ 10.Rf1 Be7 [As pretas recuam o bispo para se antecipar à manobra a3-b4.] 11.h4 [Nos comentários do informador, Bareev classificou esse lance como "Novidade teórica". Com certeza, ignorava a partida de Suetin.] [11.g3 Bd7 12.b3N (12.Rg2) 12...0–0 13.Rg2 f6!? 14.g4!? (14.Bb2!?) 14...Cfxd4! (14...Ch6?! 15.exf6 Txf6!? 16.g5 Txf3 17.Bxf3 Cf5 18.h4!±) 15.Ccxd4 fxe5 16.Cxc6 bxc6 17.Tf1 Bd6 18.Bb2 Dc7! E as pretas têm a iniciativa, o que compensa um pouco a inferioridade material. Djuric,P-Masic,P, Jugoslavija 1996] 11...h5 12.g3 [12.b4² Bd7 13.a3 Tc8 14.g3 Cd8 15.Ce3 Bb5 16.Bxb5+ Dxb5+ 17.Rg2 Tc3! (17...Cc6? 18.Cxf5 exf5 19.Te1±; 17...Cxe3+ 18.Bxe3 Cc6 19.Tc1±) 18.Te1 Cxe3+ 19.Txe3 Tc4 20.Td3 Cc6 21.Be3 Bd8! (com idéia de Ce7-f5, igualando a partida) 22.a4! (22.Bg5 Bxg5 23.Cxg5 Ce7=) 22...Dxb4 23.Tb3 De7 24.Bg5 Dd7 25.Bxd8 Cxd8 26.a5 Dc7! (26...Cc6? 27.Db1!; 26...Th6? 27.a6 b6 28.Txb6) 27.Dd2 Th6 28.Dg5 Rf8 29.Tab1 Rg8 Benjamin,J-Bareev,E, Muenchen 1994] 12...Bd7 13.Rg2 Tc8 14.Bd2? [Esse bispo estará mal colocado em c3. As brancas deveriam ter tentado trocá-lo jogando 14.Tb1 que prepara 15.Bg5.] 14...a5 15.Bc3 Cb4 16.Ce3 Cxe3+ 17.fxe3 Bb5 18.a3 Bxe2 19.Dxe2 Cc6 20.Thf1 Da6! 21.Df2 [Depois de 21.Dxa6 bxa6 22.Tac1 a4 as pretas poderiam operar na ala de dama praticamente sem oposição.] 21...Dd3 22.Ce1 Dg6! [Bela manobra para reposicionar a dama preta em g4 ou e4.] 23.Dc2 Dxc2+ 24.Cxc2 b5 25.Tfc1 Rd7 26.Ce1 b4 27.axb4 axb4 28.Bd2 Ta8 29.Cd3 Thb8 30.b3 Ta3! 31.Tcb1 [31.Txa3 bxa3 32.Tb1 Ca7! de modo parecido como aconteceu na partida.] 31...Tba8 32.Txa3 bxa3 33.Rf3 Ca7! [Manobra inteligente que visa a colocar o cavalo preto em b5.] 34.Re2 Cb5 35.Cc1 Tc8 36.Rd3 f6 [As peças brancas estão todas na ala de dama, empenhadas em combater o peão passado 'a' preto. Agora, as negras abrem a coluna para penetração de sua torre na ala do rei.] 37.exf6 gxf6 38.Ca2 e5 [Pressiona o peão branco d4 e prepara o avanço do rei para e6.] 39.Tc1 [39.dxe5 fxe5 40.Bb4 (40.Be1 e4+ 41.Rd2 Tf8 tal como na variante principal.) 40...e4+ 41.Rd2 (41.Re2?? Bxb4 42.Cxb4 Cc3+ ganha a torre) 41...Tf8 42.Bxe7 Tf2+! 43.Re1 (43.Rd1 Rxe7 44.Cc1 a2 45.Ta1 Cc3+) 43...Txa2 44.Bf6 Tg2 45.Tc1 a2 46.Rf1 Txg3 47.Bg5 Tf3+ 48.Rg2 Cc3 49.Ta1 Rc6 50.Tc1 Rb5–+] 39...Tg8 40.Tg1 Tg4 41.Cc3 Cxc3 42.Rxc3 Bd6 43.Be1 [43.Tf1 Txg3 44.Txf6 a2 45.Tf1 exd4+ 46.Rxd4 Re6 47.Rd3 Be5 48.Bc3 Txe3+! 49.Rxe3 Bxc3–+] 43...exd4+ 44.exd4 f5! 45.Bf2 [45.Tf1 Re6 46.Tf3 Txd4! 47.Rxd4 Be5+ 48.Rc5 a2–+] 45...f4 46.gxf4 Txg1 47.Bxg1 Bxf4 48.Bf2 [48.b4 Bd2+! 49.Rb3 (49.Rxd2 a2) 49...Bxb4 50.Bh2 Be7 (50...Bd6?? leva a um final de peões empatado: 51.Bxd6 Rxd6 52.Rxa3 Re6 53.Rb4 Rf5 54.Rb5! Rg4 55.Rc5 Rxh4 56.Rxd5=) 51.Bg3 Re6 52.Be1 Rf5 53.Bf2 Rg4 54.Be3 Rxh4–+] 48...Bc1 e as brancas abandonaram. 0–1




Partida 10: Cobo Arteaga,E - Suetin,A

Capablanca mem Havana, 1968


Análises baseadas nos comentários do GM A. Soltis. 1.e4 c5 2.Cc3 e6 3.g3 Cc6 4.Bg2 Cf6 5.d3 Be7 6.f4 d5 7.Ch3 [Aqui se joga com mais freqüência 7.e5 que pode ser respondido de duas maneiras: A) 7...Cd7 8.Cf3 (8.Cge2 0–0 9.0–0 f6 10.exf6 Cxf6 11.Rh1 d4 12.Ce4 Cd5 13.c3 dxc3 14.bxc3 Zubarev,N-Gothilf,S/Moscow 1925) 8...b5 (8...Tb8 9.a4 a6 10.0–0 b5 11.axb5 axb5 12.Bd2 0–0 13.Be1 b4 14.Ce2 f6 Liljedahl,L-Hartoch,R/Siegen 1970) 9.0–0 b4 10.Ce2 0–0 11.De1 a5 12.g4 f6 13.exf6 Cxf6 14.Bh3 Kupreichik,V-Sveshnikov,E, Camp. URSS, Minsk 1979; B) 7...Cg8 8.Cf3 h5 9.h3 Ch6 10.Ce2 Cf5 11.c3 b5 12.d4 Db6 13.g4 hxg4 14.hxg4 Txh1+ 15.Bxh1 Ch6 Abramovic,B-Velimirovic,D/JUG-ch 1988] 7...d4 8.Ce2 e5 9.Cf2 h5 10.Cg1 Cg4 11.Cxg4 Bxg4 12.Bf3! [Elimina o bispo mau.] 12...exf4 13.Bxf4? [Depois de 13.gxf4 Bh4+ 14.Rf1 as brancas perdem o roque mas conservam excelentes chances por causa do domínio do ponto e5.] 13...g5 14.Bd2 Ce5 15.De2 Db6 16.0–0–0 Tc8 17.b3 [Isso não evita ...c5, como veremos a seguir. Por outro lado, 17.Bxg4 hxg4 teria deixado o flanco de rei branco imobilizado.] 17...c4! 18.dxc4 Txc4 19.Rb1 [19.bxc4 Ba3#; 19.Be1 d3 20.Txd3 Cxd3+ 21.Dxd3 Td4 22.De2 Ba3+ 23.Rb1 Dc6 24.h3 Bxf3 25.Cxf3 Txe4 26.Dd3 Th6–+] 19...Txc2! 20.Bxg4 [20.Rxc2 d3+] 20...hxg4 21.Ba5 [21.Tc1 d3 22.Dg2 Da6 23.a4 Dc6 24.Ce2 Cf3 25.Ba5 Bf6–+] 21...d3 22.Bxb6 [22.Txd3 Txe2 23.Bxb6 Te1+ 24.Rc2 axb6–+] 22...dxe2 23.Te1 Cd3 24.Cxe2 Tb2+ 25.Ra1 axb6 0–1




Partida 11: Tal,M - Suetin,A

Memorial Chigorin, Sochi, 1977


1.e4 e5 2.Cf3 Cf6 3.Cxe5 d6 4.Cf3 Cxe4 5.d4 d5 6.Bd3 Be7 7.0–0 Cc6 8.c4 Cf6 9.Cc3 0–0 10.Te1 dxc4 11.Bxc4 Bg4 12.Be3 [12.d5 Ca5 13.Bd3 c6 14.h3 Kasparov,G-Timman,J/Amsterdam 1994] 12...Ca5 [12...Bxf3 13.Dxf3 Cxd4 14.Bxd4 Dxd4 15.Txe7 Dxc4 16.Dxb7 c6 17.Db3 Dxb3 18.axb3 Tab8 19.Ta3 Tfe8 20.Txe8+ Txe8 ½–½ Kasparov,G-Karpov,A/Moskva (m/30) 1984] 13.Bd3 Te8 14.h3 Bh5 15.a3 a6 16.d5?! [No momento, este avanço do peão isolado parece inconseqüente. Prudência não era o forte de Tal, mas as brancas teriam jogo razoável após 16.b4 Cc6 17.g4 Bg6 18.Bc4 Ce4!=] 16...c5! 17.Bg5 b5 [Com idéia de 18...b4.] 18.Te5 Bg6 19.Bxg6 [19.Ch4 Bxd3 20.Dxd3 Cc4 21.Te2 (21.Tee1 Cxb2) 21...h6 (21...Cxd5 22.Tae1 Cxc3 23.Dxc3 Bxg5 24.Txe8+ Dxe8 25.Txe8+ Txe8 26.b3 Bf6 27.Dc2 Ca5 com posição difícil de avaliar, embora pareça que as peças pretas estão bem coordenadas.) 22.Bxf6 Bxf6 e as pretas são levemente superiores.] 19...hxg6 20.d6? [Arriscado demais. As brancas manteriam leve superioridade com 20.Dd3 ] 20...Dxd6 21.De2 Cc4 22.Ce4 [22.Bxf6 gxf6 23.Td5 De6! 24.Te1 Dxe2 25.Txe2 Bf8 e as pretas estão com boa posição.] 22...Dd8 [Merecia consideração 22...Dd7!? 23.Td1 Cxe5 24.Txd7 Cexd7 25.Cc3 c4 e as pretas têm boas perspectivas.] 23.Td1 Cxe5! [As pretas trocam sua dama por duas torres brancas.] 24.Txd8 Cxf3+ 25.Dxf3 Taxd8 26.Bxf6 [26.Cg3 c4] 26...Bxf6 27.Cxf6+ [27.Cxc5 Bxb2! 28.Cxa6 Te1+ 29.Rh2 Ta1 30.Cb4 (30.Dc6 Bxa3 31.Dxb5 Bd6+ 32.g3 Ta8 33.Cb4 Tb8) 30...Bxa3 31.Dc3 Tdd1 e as pretas têm enorme vantagem.] 27...gxf6 28.Dxf6 Td2 [A terrível torre na "sétima", sempre uma dor de cabeça para o adversário.] 29.Dxa6 [29.b3 Te1+ 30.Rh2 Te6 31.Df3 Tee2 e as pretas estão melhores.] 29...Txb2 30.Dc6 Te1+ 31.Rh2 Tee2 32.g4 [Tomar o peão também não adiantaria, porque a dupla de torre pretas está bastante coordenada e faria uma limpeza: 32.Dxc5 Txf2 33.Rg3 (O final de peões estaria totalmente perdido para as brancas: 33.Dg5 Txg2+ 34.Dxg2 Txg2+ 35.Rxg2 Rg7 36.Rf3 Rf6 37.Rf4 Re6 38.Rg5 Re5 39.h4 Re6 40.Rf4 Rd5 etc.) 33...Txg2+ 34.Rf4 Tb3 35.h4 Tgg3–+] 32...c4 33.Rg3 Tb3+ 34.Rh4 Txf2 35.Rg5 Txh3 36.a4 c3 [36...bxa4?? 37.De8+ Rg7 38.Dg8+! Rxg8= empate por afogamento!] 37.axb5 Rg7 38.Dc7 c2 0–1

Fonte: www.centraldoxadrez.hpg.ig.com.br/mestre01.htm


423884

12/13/2003
03:57:22

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Pan no Rio

Message:
Sexta-feira, 12/12/2003 - 18h12m
Pan-Americano de xadrez começa neste sábado
O Globo

RIO - Neste sábado começa o Pan-Americano de Xadrez por equipes no Sesc-Copacabana. A competição, que pela primeira vez acontece no Brasil, vai reunir os principais mestres da Colômbia, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Equador, Cuba e Brasil.

Cada equipe será formada por seis jogadores, sendo quatro titulares e dois reservas. Quem conquistar o título estará automaticamente classificado para o Mundial por equipes de 2004.

Cuba e Brasil são os principais favoritos ao título e prometem grandes partidas entre os dias 14 e 18 de dezembro, quando as rodadas acontecem oficialmente. A equipe brasileira é formada por Henrique Mecking, o Mequinho (que disputa seu primeiro título na competição), Darcy Lima, Everaldo Matsura e Cícero Braga. Os reservas serão Eduardo Lint e Rodrigo Visconti.

No último Pan-americano, realizado em 2000, na Venezuela, o Brasil conquistou o vice-campeonato


423884

12/13/2003
04:03:59

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Mequinho

Message:
Sexta-feira, 12/12/2003 - 09h25m
Mequinho, o peão de Deus, ressuscita
Maior enxadrista do Brasil conta como a fé salvou sua vida
O Globo


Mequinho de Volta ao Rio: 'Vivo para jogar xadrez e rezar'
RIO - Às 16 peças do xadrez, Henrique Mecking, o Mequinho, acrescentou mais uma, que carrega no bolso todos os dias. É uma pequena pedra que trouxe de Medjugore, na Bósnia, tirada de um monte onde católicos dizem avistar Nossa Senhora desde 1981. Quando passa por uma situação difícil, seja na vida particular ou sobre o tabuleiro, ele segura a pedrinha e pede a Jesus Cristo e à Maria que o ajudem. Quem conhece sua trajetória dificilmente duvidará da força de suas orações.

Desde que descobriu que outra mão mais poderosa move as peças deste mundo, o maior enxadrista brasileiro direcionou para os céus sua vida e o dom de jogar xadrez. Foi por Deus, diz ele, que voltou ao esporte depois de enfrentar uma doença raríssima, a miastenia gravis, que causa paralisia de toda a musculatura e hoje é controlada por remédios homeopáticos.

Em 1979, pouco depois de disputar um torneio no Rio, os médicos lhe deram apenas duas semanas de vida e nem Mequinho poderia acreditar que, 24 anos depois, voltaria a jogar um torneio oficial na cidade em que viveu o auge de sua carreira. No sábado, o enxadrista começa a disputar, no Sesc Copacabana, o Pan-Americano por equipes, a competição mais importante do continente.

Para Mequinho, de 51 anos, a volta aos tabuleiros não é só um dado histórico, mas um exemplo do milagre da ressurreição:

— Deus é o único que faz alguém da morte voltar à vida. Eu ia morrer em 1979 e estou vivo. Diziam que eu estava morto para o xadrez e também voltei à vida. Ainda sou o número um da seleção brasileira e não perco uma partida simultânea no Brasil há 27 anos. Agora, quero voltar a estar entre os melhores do mundo.

Para isso, Mequinho não cansa de repetir que precisa apenas de um lap top, que o ajudaria a estudar jogadas, e de um patrocinador para bancar suas viagens. Era o que ele recebia do governo Médici nos anos 70, quando chegou a ser o terceiro melhor enxadrista do mundo. Ser ídolo de um presidente militar — que exaltava sua genialidade ao dizer que o Brasil ideal teria os pés de Pelé e a cabeça de Mequinho — gerou críticas ao enxadrista, que desde aquela época não gosta de falar de política.

— O Médici foi maravilhoso. Se o governo atual der o mesmo apoio, também vou ficar maravilhado.

Vida simples e data para fim dos tempos

A ambição de Mequinho sobre o tabuleiro não combina com seu estilo de vida. Ele mora sozinho, em Taubaté (SP), numa casa onde os móveis são tão simples que até o tabuleiro de xadrez é de papelão. Não há TV, para não “perder tempo”. O rádio existe só para ajudá-lo a rezar o terço. O computador tem razões profissionais: ele participa do Internet Chess Club, site que reúne mais de 200 mil enxadristas do mundo inteiro e do qual já foi campeão mundial dez vezes. Na garagem, dorme um Fusca ano 80. Sua comida é totalmente natural, à base de arroz integral e aveia. Não admira que Mequinho tenha perguntado para que servem a sauna e a hidromassagem no quarto do hotel onde está hospedado, em Copacabana.

— Francisco de Assis dizia que se vai mais rápido ao céu de uma cabana que de um palácio. Vivo para jogar xadrez e rezar — resume.

Um dos raros sinais de vaidade é o incômodo com uma barriguinha quase imperceptível num corpo esquálido, que não passa dos 66kg.

— Corro quatro quilômetros por dia e vou perder essa barriga.

É do exercício da fé, porém, que Mequinho mais gosta de falar. Sua conversão ocorreu em 1977, quando chegou a ficar sem voz por causa da miastenia. Uma senhora católica rezou por ele, que sentiu grande melhora. Logo, aderiu à Renovação Carismática, movimento da Igreja Católica. Desde então, vai à missa e comunga diariamente. Formou-se em teologia e estudou para padre. Segundo ele, esta acabou não sendo a vontade de Deus, que o reconduziu ao tabuleiro, mas seu fervor religioso só aumentou. Por isso, Mequinho acredita que tem um trunfo a mais que os grandes enxadristas do mundo: a fé.

— Pedi a Jesus que tire 15 anos da minha velhice e que, assim, eu possa ter vigor para jogar xadrez mais tempo. O Anatoli Karpov (ex-campeão mundial) perdeu simultâneas porque a idade já o está corroendo.

Sua vontade de viver é compatível com o que crê. O fim dos tempos é um tema que o fascina. Chegou a adiar um tratamento dentário para janeiro de 2001 porque tinha certeza de que Jesus voltaria à Terra em 31 de dezembro de 2000. Agora, baseado em anúncios de Nossa Senhora, acredita que o Mal será eliminado do planeta em 2004. Mas adianta:

— Deus pode postergar a data se mais pessoas rezarem.

De tanto ouvir que sua vida daria um filme, Mequinho será tema de um documentário do cineasta Davi França Mendes. Parte da sua história já está no livro "Como Jesus Cristo salvou a minha vida". Se tudo isso servir para evangelizar o mundo e popularizar o xadrez, pensa ele, o xeque-mate final já estará dado.


pereicel

12/14/2003
16:56:15

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IMPORTANTE - Página do Conexão Macaxeira

Message:
Pessoal

Tem um tal de "historiador" que resolveu criar uma página do nosso time, exatamente no layout que eu utilizo.

Ele criou a 8a. página e deixou um registro lá.

Essa página criada por ele não é do time e não tem nada a ver conosco.

Gostaria que ninguém entrasse naquela página para responder nada e nem que entrassem em polêmica com ele.

Irei formalizar uma reclamação junto ao webmaster quanto a falta de ética e de respeito com o nosso time.

Abraço a todos

Celso


pereicel

12/14/2003
18:22:59

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TIMEOUT

Message:
Pessoal

Há poucos dias estava comemorando a marca 100 jogos de saldo positivo pelo nosso time. Hoje, infelizmente, devo confesar que estou decepcionado. Estamos com saldo de +91. Perdemos 9 jogos, portanto ! Desses 9 jogos perdidos, 8 foram por TIEMOUT, o fantasma que nos acompanha e inferniza a vida de qualquer equipe.

Não tenho o que dizer a respeito disso. A razão da ocorrencia dessas derrotas é sempre a mesma: problemas para acessar a internet. Eu já bati bastante na tecla de que é bem simples postergar jogos, basta um comando. Caso isso não seja possível, basta um telefonema a algum colega do time e ele pode comandar (neste caso tem que informar a senha).

Vamos lá pessoal, ânimo ! Vamos acabar de vez com esses casos de TIMEOUT e vamos vencer os jogos que estão pela frente. Agora estou adotando um sistema de emparceiramento que faz com que os jogadores que estão negativos peguem desafios um pouco mais tranquilos em detrimento dos que estão no topo da lista que só pegam pedreira.

Um abraço Boa sorte e Bons jogos a todos

Celso


brunosergiom

12/15/2003
02:28:28

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Peão avantajado

Message:
O GM Bernstein não via Bogoljubow há muitos anos. Quando finalmente o reencontrou, em Amsterdã, percebeu que Bogoljubow tinha engordado bastante. Bernstein não se conteve e exclamou: "Puxa, como você ficou gordo. Está parecendo um verdadeiro peão dobrado!"

Fonte: www.centraldoxadrez.hpg.ig.com.br/curta05.htm


brunosergiom

12/15/2003
02:29:54

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Finais impossíveis

Message:
O uso de poderosos computadores na análise de finais com pouquíssimas peças (os dois reis + duas ou três peças/peões) desvendou alguns mistérios e revelou interessantes surpresas. Por exemplo, nas posições normais, rei + dois bispos conseguem dar mate em rei + cavalo (na posição mais complicada, o mate forçado demora 66 lances). Rei + Dama vencem contra Rei + 2 bispos, mas Rei + Dama não conseguem vencer 2 cavalos. Rei + Dama vencem 2 bispos, mas nas posições mais difíceis, são necessários 71 lances para dar mate. O conhecimento desse fato levou ao questionamento da regra do empate depois de 50 lances sem movimento de peão nem captura de peça. Incrível mesmo é o final de Rei + Torre + Bispo contra Rei + 2 cavalos. Note bem, Dama contra dois cavalos dá empate, mas Torre + Bispo (que valem menos do que uma dama) vencem o final contra 2 cavalos! Final dificílimo. Em algumas posições, o mate inevitável acontece depois de 222 lances. Repetimos: R+T+B x R+ C+C pode terminar com mate forçado em 222 lances!

Fonte: www.centraldoxadrez.hpg.ig.com.br


brunosergiom

12/15/2003
02:32:31

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Incompatibilidade

Message:
Como se sabe, um bispo que corre nas casas brancas jamais poderá capturar ou ser capturado por um bispo adversário que corre nas casas pretas. Nunca se encostarão. São os bispos de cores opostas. Quando Boris Spassky se divorciou da primeira mulher, explicou os acontecimentos com uma comparação: "Eu e minha ex-esposa éramos como bispos de cores opostas."

Fonte: www.centraldoxadrez.hpg.ig.com.br


423884

12/15/2003
04:12:08

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Brasil 3 x 1 Paraguai

Message:
Pan por equipes: Primeira rodada: Brasil 3 x 1 Paraguai e Cuba 4 x 0 Equador.


Terminou, com grande assistência, a rodada inaugural do Pan-Americano por Equipes, no salão de eventos do SESC Copacabana, em dia quente e ensolarado que os cariocas de outrora chamariam de "domingo de regatas". Na primeira rodada, jogaram Brasil x Paraguai e Cuba x Equador. Nos matches, enfrentam-se:

BRASIL X PARAGUAI

GM Henrique Mecking 1 x 0 MI Luis Vera I

MI Cícero Braga 0,5 x 0,5 MI Edgar Espinoza

MI Everaldo Matsuura 1 x 0 MI Jorge Soza

MI Eduardo Limp 0,5 x 0,5 MI Jorge Vera I

CUBA X EQUADOR

GM Lernier Dominguez 1 x 0 GM Carlos Matamoros

GM Lazario Bruzon 1x 0 MI Daniel Mieles

GM Neyris Delgado 1 x 0 MI Plínio Pazos

GM Walter Arencibia 1 x 0 WGM Martha Fierro

As demais rodadas serão às 15h, até quinta-feira.Amanhã,Bolívia(que continua sendo aguardada) x Brasil e Paraguai x Cuba -- Newton Arruda




magista

12/15/2003
08:44:01

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Gilberto Milos Junior

Message:
Gilberto Milos Junior nasceu em Sao Paulo (SP) em 30 de outubro de 1963. Foi tri-campeao brasileiro de cadetes (1978/80) e tri-campeao brasileiro juvenil (1981/83). Venceu 6 vezes o Campeonato Brasileiro (em 10 atuacoes). Jogou em 7 Torneios Zonais da FIDE (tendo vencido em Santiago do Chile 1987 e em Sao Paulo 1999) e participou do Torneio Interzonal de Szirak, Hungria. Nos dois Campeonatos Mundiais da FIDE (Groningen 1997 e Las Vegas 1999) conseguiu atingir a terceira etapa. Disputou muitos torneios internacionais e representou o Brasil em 8 Olimpiadas Mundiais. Obteve o titulo de Mestre Internacional em 1984 e o de Grande-Mestre em 1988, tendo atingido em outubro de 2000 o rating de 2644, o mais alto ja' obtido por um jogador nacional . O talento natural, aliado a dedicacao sem limites ao jogo-ciencia, fez de Gilberto Milos Junior um dos mais fortes jogadores brasileiros de todos os tempos. Vive atualmente em Sao Paulo (SP).

Fonte: www.brasilbase.pro.br/jgmmilos.htm


brunosergiom

12/15/2003
10:02:18

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Defesa Siciliana/variante Judit Polgar

Message:

Richard Guerrero - MC J.C. Muñoz
Campeonato da Catalunha por equipes, 1999
Prêmio de melhor partida
Comentários: MC Richard Guerreiro
Fonte: Ajedrez Espectacular
Colaboração: Richard Guerreiro

F.Hernandez - Richard Guerrero
Cto. Catalunha de Equipes, 1998
[Richard Guerrero]

1.e4 c5 2.Cf3 Cc6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Db6

A variante Judit Polgar da Defesa Siciliana.

5.Cb3 Cf6 6.Cc3 e6 7.Be3 Dc7 8.a3 Be7 9.f4 d6 10.Df3 a6 11.g4 O-O

(11...d5!? 12.O-O-O!

(12.exd5?! Cxd5!

(12...exd5? 13.g5! +-) 13.Cxd5 Bh4+! =

(13...exd5?! 14.O-O-O! +/-)) 12...dxe4 13.Cxe4 +=)

12.Bd3 b5 13.g5 Cd7 14.O-O Bb7

(14...b4! <=>)

15.Dh3 Tfe8

(15...b4? 16.Cd5! exd5 17.exd5 g6

(17...Ca5?? 18.Dxh7#) 18.dxc6 Dxc6 19.Ca5! +-)

16.Tf2

(16.f5!? exf5 17.Cd5! Dd8! 18.Dxf5

(18.exf5? Bxg5 -/+) 18...Cce5 +=)

16...b4 17.Ce2

(17.axb4 Cxb4 18.Bf1!? d5! 19.f5! e5! 20.g6!?

(20.exd5 Cxd5 oo) 20...Cf6! =)

17...Bf8

(17...bxa3 18.bxa3!

(18.Txa3 Cb4! =+))

18.Taf1 bxa3 19.bxa3 g6

(19...Ce7!? 20.f5 exf5 21.exf5 Ce5!

(21...Cd5!?) 22.f6 Cxd3! 23.cxd3

(23.fxe7?! Dxe7! =+) 23...Cd5 24.Bd4

(24.fxg7?! Txe3! 25.gxf8D+ Txf8 =+) 24...g6 oo)

20.f5 exf5 21.exf5 Cce5 22.Bd4

(22.fxg6 fxg6! 23.Bd4 Bg7! =)

22...Cxd3

Um grave erro (22...Bg7! 23.Cg3 oo

(23.f6? Bf8! =+))

23.fxg6 fxg6

(23...hxg6 24.Dh8#) (23...Cxf2 24.gxh7#)

24.Tf7

ameaça mate em h7 e ao cavalo negro de d7.

24...h5 25.gxh6

Me seduziam enormemente as maravilhosas possibilidades táticas a que conduzia esta jogada... E não pude resistir! (Sem dúvida, mais fácil era a vitória com a prosaica e pouco brilhante 25.Txd7! Dc6 ameaça mate em h1. 26.Txb7!

(26.cxd3 Txe2 27.Txf8+! Rxf8

(27...Txf8? 28.Tg7+ Rh8 29.Txg6+ Rh7 30.Dxh5#) 28.Df1+!

(28.Txb7? Te1+!) 28...Df3 forçada 29.Txb7 Dxf1+ 30.Rxf1 Txh2 31.Bf2 +/-) 26...Dxb7

(26...Txe2 27.Tb6! Dd5 28.cxd3 Dxg5+ 29.Dg3 +-) 27.Dxd3 ganhando.)

25...C3e5

Única! (25...Dc6 26.h7#)

26.h7+

(Também se ganhava espetacularmente com 26.Cc5! dxc5

(26...Cxf7 27.h7#) (26...Bd5 27.Txd7! Cxd7 28.h7#) (26...Tad8 27.h7+ Rh8 28.Cf4! Bg7

(28...dxc5 29.Cxg6#) 29.Cxg6+! Cxg6 30.Bxg7#) (26...Te7 27.h7+ Rh8 28.Cf4! Txf7 29.Cxg6+ Rg7 30.h8D+ Rxg6 31.D3h5#) (26...Dxc5 27.Bxc5

(27.h7+!?) 27...Cxc5

(27...Cxf7 28.h7+! Rh8 29.Dxd7! +-) 28.Txb7! Cxb7 29.Db3+! seguido de 30.Dxb7) 27.h7+! Rh8 28.Txd7! tirando partido da cravada do cavalo negro! 28...Db8

(28...Dc6 29.Txf8+! Txf8 30.Bxe5+ Tf6 31.Cf4! Dh1+ 32.Rf2 +-) 29.Txb7! cxd4

(29...Dxb7 30.Txf8+! Txf8 31.Bxe5+ +-) 30.Txb8 Taxb8 31.Cxd4 Bc5 32.Dc3! Tbc8 33.Rh1 +-)

26...Rh8 27.Cf4

ameaça 28.Cxg6++! (Outras linhas vitoriosas são: 27.Dxd7!? Dxd7 28.Txd7 Be4 29.Txf8+! Txf8 30.Cc5! Bf3 31.Cg3! Tf4 32.Txd6) (e 27.Txd7!? Dxc2 28.Cf4! Bc8 29.Dg3! que permite uma sensacional configuração de mate, como veremos mais adiante.)

27...Dxc2

(Contra a defesa 27...Be4 tinha preparado uma pequena surpresa. Vejamos. 28.Txd7! Dxc2

(se 28...Dc6 era muito forte 29.Cd2! Bxc2 30.Cf3! Bg7 31.Txg7! Rxg7 32.h8D+! Txh8 33.Cxe5! +-) 29.Tc1! Da2 30.Df3!! A bomba! Uma magnífica jogada que teria decidido imediatamente a luta. 30...Te7

(30...Bxf3 31.Cxg6#) (30...d5 31.Cxg6+! Bxg6 32.Df6+ Bg7 33.Dxg7#) (30...Bf5 31.Cxg6+! Bxg6 32.Df6+) (30...Bg7 31.Dxe4 Dxb3

(31...Cxd7 32.Cxg6+ Rxh7 33.Ce7+! Rh8 34.Dh4#) 32.Cxg6+! Cxg6 33.Bxg7+ Rxh7 34.Bc3+! Rh6 35.Bd2+! Rh5 36.Th7#) 31.Dxe4 Txd7

(31...Dxb3 32.Cxg6+!) 32.Bxe5+ dxe5 33.Cxg6+ Rxh7 34.Ce7+! Rh8 35.Dxe5+ Rh7

(35...Bg7 36.Dh5+ Bh6 37.Dxh6#) 36.Dh5+ Rg7

(36...Bh6 37.Dg6+ Rh8 38.Dxh6#) 37.Dg6+ Rh8 38.Dg8#)

28.Txd7

(Também bastava 28.Dxd7! Be4

(28...Dxb3 29.Cxg6#) (28...Bc6 29.Dxc6! Dxc6 30.Cxg6#) (28...Bg7 29.Bxe5 Txe5 30.Dxb7! +-) 29.Txf8+! Txf8 30.Dxd6! ganhando)

28...Bc8

(28...De4 29.Txb7! Dxb7 30.Cxg6+ Rg7 31.h8D+ seguido de mate)

29.Dc3

Uma imprecisão produzida pelos apuros de tempo. Tinha ficado muito tempo entretido analisando as complexas variantes e quando me dei conta dispunha já de muito pouco tempo no relógio. Por isso, tive que jogar quase "ao toque" daqui até o lance 40 (quando se passava o controle), e isso me levou a cometer alguns erros. (Foi uma pena não dispor de mais tempo para poder encontrar a fantástica linha ganhadora 29.Dg3! Bxd7

(29...Bg7 30.Bxe5! Bxd7

(30...Bxe5 31.Dxg6! Bxd7 32.Dxc2 +-) (30...Txe5 31.Cxg6+! Rxh7 32.Cf8+! Rh6 33.Dh4+ Th5 34.Tf6+! Bxf6 35.Dxf6+ Dg6+ 36.Dxg6#) (30...dxe5 31.Cxg6+ Rxh7 32.Cf8+! Rh6 33.Dh4#) 31.Cd4!

(31.Cxg6+?! Dxg6! 32.Dxg6 Bxe5! +=) 31...dxe5 32.Cxg6+! Dxg6

(32...Rxh7 33.Cxc2 +-) 33.Dxg6 e4

(33...exd4 34.Tf7! +-) 34.Cf5! Bxf5 35.Dxf5 +-) 30.Cxg6+! Rxh7 31.Tf7+!! Uma estupenda jogada! 31...Rg8

(31...Cxf7 32.Cxf8+ Rh6 33.Dh4#) (31...Rh6 32.Be3+ Rh5 33.Dg5#) (31...Bg7 32.Cf8+! Txf8 33.Dxg7#) 32.Cxe5+ Rh8 33.Txf8+! Txf8

(33...Rh7 34.Dh4+ Rg7 35.Dh8#) 34.Cf7+! Rh7 35.Dg7#)

29...Df5

A defesa precisa. Agora a vantagem branca fica reduzida a sua mínima expressão. (É claro que se 29...Dxc3? 30.Cxg6#) (Eu só havia analisado 29...De4? contra o que me dispunha a seguir com a espetacular 30.Dc6!! Df5

(30...Dxc6 31.Cxg6#) (30...Dxd4+ 31.Cxd4 Bxd7 única! 32.Cxg6+! +-) 31.Bxe5+! Txe5

(31...dxe5 32.Cxg6+ ganhando de imediato.) 32.Dxa8! Bxd7 33.Dxf8+! +-)

30.Tc7 Dg5+

(Melhor era 30...Bh6! +=)

31.Rh1

Com esta desafortunada jogada, são as negras que agora tomam o mando das ações. (Era imprescindível 31.Dg3! Dxg3+ 32.hxg3 Bf5!

(32...Bg7?! 33.Cxg6+! Rxh7 34.Cxe5 dxe5 35.Tff7!) 33.g4! Tac8!

(33...Bxg4? 34.Cxg6#) (33...Be4? 34.Cc5! dxc5 35.Cxg6+!! Bxg6 36.Txf8+! Txf8 37.Bxe5+ e mate!) 34.Tfc1! Txc7 35.Txc7 e as negras têm que seguir lutando para conseguir a igualdade.)

31...Bf5

Ameaçando 32...Be4+! Neste momento não entendi a tremenda mudança que se havia produzido no tabuleiro e por que tinha passado de uma situação tão favorável a esta tão incômoda. Não sabia onde tinha me equivocado, ainda que tinha claro que o erro devia estar em alguma de minhas últimas jogadas. Olhei o relógio e vi que me restavam menos de dois minutos para realizar as 9 jogadas que me faltavam para chegar ao controle. E não sabia que diabos jogar! Todas minhas tentativas pareciam ruins e todas se refutavam da mesma forma: com 32...Bg7! Porém, tinha que jogar algo rápido ou perderia por tempo! Tive então um momento de repentina inspiração. Tinha que jogar algo dirigido expressamente contra 32...Bg7! Dei uma rápida olhada na posição e joguei quase de imediato.

32.Df3

Sei que esta jogada parece absurda, porém evita o xeque de bispo em e4, possibilita a idéia que queria levar a cabo, e ainda serve para desconcertar meu adversário, que também estava apurado de tempo... (Com a mesma idéia, podia ter jogado diretamente 32.De3 evitando a extravagante 32.Df3, porém me pareceu que dessa forma seria muito "normal" e o adversário teria visto a cilada. Era vital desconcertá-lo, e que utilizasse o pouco tempo que lhe restava para pensar porque "poderosa" razão havia jogado a dama antes a f3!)

32...Bg7 33.De3


A armadilha está pronta! O momento crítico.

33...Bg4

Não a viu! Visivelmente perturbado, meu adversário cometeu aqui o erro decisivo. (Após 33...Dd8! as negras teriam uma clara vantagem.)

34.Txg7

Depois de se dar conta de seu grave erro, o jogador das negras já podia abandonar, porém seguiu jogando por inércia para chegar ao controle de tempo.

34...Rxg7

(Se 34...Bf3+ poderia seguir 35.Dxf3!!

(35.Txf3!) 35...Cxf3

(35...Rxg7 36.h8D+! Rxh8

(36...Txh8 37.Ce6+!) 37.Tg1! +-) 36.Cxg6+! Dxg6 37.Txg6+ Cxd4 38.Cxd4 +-)

35.Ce6+ Bxe6 36.Dxg5 Bd5+ 37.Rg1 Te6

(Se 37...Bxb3 38.h8D+! Txh8

(38...Rxh8 39.Bxe5+! Txe5 40.Dh6+ Rg8 41.Dxg6+ Rh8 42.Tf3! +- seguido de 43.Th3++) 39.Df6+ Rh6

(39...Rg8 40.Bxe5 dxe5 41.Dxg6#) (39...Rh7 40.Tf4! igualmente, com rápido mate.) 40.Tf4! Bd1 única. 41.Th4+ Bh5 42.Txh5+! forçando o mate. 42...Rxh5 43.Be3 Cf7 44.Df3+ Rh4 45.Dg3+ Rh5 46.Dh3#)

38.Cc5

O mais forte!

38...dxc5

(38...Tee8 39.Tf6! com rápido mate.)

39.Bxe5+

E as negras abandonaram no momento em que perdiam por tempo. Não se pode evitar o mate. Se

39...Rxh7

(39...Txe5 40.Dxe5+ Rxh7 41.Tf4! Td8

(41...g5 42.Dxg5 seguido de 43.Th4+) 42.Th4+! Rg8 43.Df6! E mate na seguinte.)

40.Dh4+ Rg8 41.Dh8# 1-0



magista

12/15/2003
10:13:16

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A alma do xadrez

Message:
Grandcapi*

Boa-noite parceiro, como vai? Hoje faremos uma volta ao passado, para encontrar aquele que foi o grande precursor da teoria do jogo, aquele que já no século XVIII sabia que os humildes peões eram de fundamental importância para o nosso jogo, aquele que disse que “os peões são a alma do xadrez”. Sim: François-Andre Danican PHILIDOR.


Nascido em 1726, em Dreux, França, o mais moço de vinte irmãos, cujo pai era bibliotecário musical do rei francês, Luis XIII. Philidor já muito novo destacou-se em dois campos, a música e o xadrez, vindo a tornar-se um gigante em ambos.


Aos seis anos de idade ingressou no coro da Capela Real de Versalhes, onde aos dez anos aprende a jogar xadrez, apenas observando os demais músicos que jogavam nos intervalos dos ensaios.


Permaneceu no coro até 1740 quando, com o advento da puberdade, muda de voz e tem de deixá-lo, não sem antes ter uma composição sua executada para o rei Luis XV.


Em 1741 Philidor começa a estudar xadrez com M. de Kermur, senhor de Legal, o mais forte jogador da França, e com ele treina por três anos, até superá-lo, o que faz com que as lições não tenham mais objetivo.

Kermur ficou famoso na História do xadrez pelo “mate de Legal”,(1) que todos aprendem quando se iniciam no jogo, e veja você, caro parceiro, como tudo acaba se interligando...


Em 1744, em Paris, Philidor joga duas partidas simultâneas, às cegas, sem ver os tabuleiros, portanto, explicando que havia aprendido a fazer tal proeza nas suas noites de insônia. Tal feito foi pela primeira vez registrado, e uma menção a isto foi feita na famosa Enciclopédia de Diderot em 1751. Philidor foi o primeiro jogador na História que se notabilizou por jogar às cegas e fez isto durante toda a sua vida.


Philidor chegou, também, a enfrentar Voltaire e Rousseau que embora esforçados, não eram adversários para ele, não passando de capivaras como nós.


Em 1745 vai a Roterdam para uma série de concertos que são cancelados e se sustenta jogando xadrez e damas, indo dali para a Inglaterra, onde, enfim, alcança fama mundial no tabuleiro.


Em 1747, em Londres, Philidor desafiou Phillip Stamma, um dos mais fortes jogadores ingleses da época para um match de 10 partidas. A disputa foi peculiar, pois Stamma jogaria todas as partidas com as brancas e os empates contariam como vitória para ele. O resultado foi que Philidor ganhou 8, empatou 1 e perdeu 1. Na mesma ocasião Philidor jogou também com outro jogador inglês, Sir Abraham Janssen e ganhou com 4 vitórias e 1 derrota. A partir daí, Philidor foi considerado campeão do mundo de xadrez extra-oficial, uma vez que não existia tal título então.


Em 1748 escreve o seu “L’Analyse du Jeu des Echecs” (A análise do jogo de xadrez) mas precisava de patrocinadores para a sua publicação e os encontra nas pessoas do Lorde Sandwich (sim, o inventor do sanduíche!), do Duque de Cumberland e de oficiais do exército inglês. O livro foi um sucesso quando publicado, em 1749, e foi o primeiro livro de xadrez traduzido para o russo, tendo sido um dos livros de xadrez favoritos de Thomas Jefferson.


O livro trouxe inovações importantes, pois organizava aberturas, falava de meio-jogo, e pela primeira vez alguém mostrava a importância dos peões no xadrez, além da célebre frase : “les pions sont “l’âme du jeu”. No livro também já estudava a defesa que levou seu nome e que até hoje é jogada, a Defesa Philidor (1.e4 e5 2.Cf3 d6) e foi a primeira vez em que se estudava sistematicamente o final de Torre e Bispo contra Torre.


A importância da cadeia dos peões é fundamental, e isto até nós, capivaras de carteirinha, sabemos, pois dependendo da estrutura dos mesmos é que tudo vai se desenrolar durante uma partida, toda a estratégia a ser desenvolvida pelos jogadores se funda na posição dos peões, e isto foi primeiramente visto por Philidor, já no século XVIII.


Em 1760, com 34 anos de idade, casa com Angelique Richter e teve com ela 7 filhos.


Em 1777, publicou a segunda edição do seu livro, publicação que tem importância histórica para o xadrez, uma vez que ali ficou definitivamente estabelecido como se deve rocar. Sim, amigo parceiro, pois que até então o roque era feito de maneiras diversas, dependendo do país, e o jogador podia colocar o Rei e a Torre em qualquer casa, desde que fosse na última fila. Philidor estabeleceu nesta edição as regras que valem até hoje.


Outra contribuição ímpar de Philidor está no finais de Torre e Peão contra Torre em que o lado em inferioridade busca o empate (2). O seu estudo é válido até os dias de hoje,tornando-se coisa obrigatória para quem inicia os primeiros passos no jogo de xadrez.


A importância musical de Philidor é igualmente enorme, e é apontado por muitos como o criador da ópera cômica e é chamado de “o mais italiano dos compositores franceses”, em razão de seu estilo.


Compôs mais de 20 óperas e tem um busto no teatro da Opera de Paris, tal a sua importância no cenário musical.


Muito embora tenha tirado sua influência de Lully e Rameau, como quase todos os outros compositores franceses da época, nota-se em suas composições musicais uma forte presença de Haendel que considerava um gênio.


Suas composições mais famosas foram “Tom Jones”, “Le Sorcier”, “Les Femmes Vengées” e “Carmen Saeculare”, quase todas esquecidas hoje em dia, mas a produção musical de Philidor é vastíssima e há um movimento na França para se resgatá-la, havendo vários conjuntos musicais dedicados à sua obra.


Em 1792 Philidor, aos 65 anos, deixou a França, banido pela Revolução Francesa, deixando para trás sua mulher e filhos, indo para a Inglaterra, onde veio a falecer.


Em 31 de agosto de 1795 o seu obituário dizia: “na última Segunda feira, o senhor Philidor, celebrado jogador de xadrez, fez o seu último lance, no outro mundo”.


Interessante, caro parceiro, é que Philidor não é o único músico que atingiu o status de gigante do xadrez, havendo outros, e me lembrando que poderíamos falar em linguagem comum às duas artes, ou não? Pensemos nisto....


--------------------------------------------------------------------------------
* Grandcapi é capivara internacional, amante da boa música e ficou muito feliz de um dia ter visto o busto de Philidor em Paris, vendo que xadrez e música andam juntos como Arte.

Fonte: www.jornaleco.com.br/J21/Capivara.php



pereicel

12/15/2003
15:25:34

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MATCH - Russian Time e New York Lovers

Message:
Pessoal

Iniciamos mais 2 matches. Os jogos são:
board #1330931 Conexão gbsalvio (1920) vs Russian Time sergegr (1894)
board #1330932 Conexão gbsalvio (1920) vs Russian Time sergegr (1894)
board #1330933 Conexão rivensorcerer (1877) vs Russian Time mlka (1815)
board #1330934 Conexão rivensorcerer (1877) vs Russian Time mlka (1815)
board #1330935 Conexão brunosergiom (1578) vs Russian Time denis (1561)
board #1330936 Conexão brunosergiom (1578) vs Russian Time denis (1561)
board #1330937 Conexão pereicel (1499) vs Russian Time p-v-n (1418)
board #1330938 Conexão pereicel (1499) vs Russian Time p-v-n (1418)
board #1335451 Conexão gbsalvio (1920) vs New York Lovers didzis (1939)
board #1335452 Conexão gbsalvio (1920) vs New York Lovers didzis (1939)
board #1335453 Conexão camilo (1533) vs New York Lovers himura (1558)
board #1335454 Conexão camilo (1533) vs New York Lovers himura (1558)
board #1335455 Conexão duck (1492) vs New York Lovers tetis (1542)
board #1335456 Conexão duck (1492) vs New York Lovers tetis (1542)
board #1335457 Conexão jrgs (1423) vs New York Lovers vrati (1452)
board #1335458 Conexão jrgs (1423) vs New York Lovers vrati (1452)

Boa sorte a todos os escalados.

Celso


brunosergiom

12/16/2003
03:10:24

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Campeões Brasileiros Absoluto Masculino

Message:
2002 Darcy Gustavo Machado Vieira Lima

2001: Giovanni Portilho Vescovi

2000: Giovanni Portilho Vescovi

1999: Giovanni Portilho Vescovi

1998: Rafael Duailibe Leitão

1997: Rafael Duailibe Leitão

1996: Rafael Duailibe Leitão

1995: Gilberto Milos Jr.

1994: Gilberto Milos Jr.

1993: Aron Antunes Corrêa

1992: Darcy Gustavo Machado Vieira Lima

1991: Everaldo Matsuura

1990: Roberto T. Watanabe

1989: Gilberto Milos Jr.

1988: Herman C. van Riemsdijk

1987: Carlos Eduardo Gouveia

1986: Gilberto Milos Jr.

1985: Gilberto Milos Jr.

1984: Gilberto Milos Jr.

1983: Jaime Sunye Neto e Marcos Paolozzi da Cunha

1982: Jaime Sunye Neto

1981: Jaime Sunye Neto

1980: Jaime Sunye Neto

1979: Jaime Sunye Neto

1978: Alexandru Sorin Segal

1977: Jaime Sunye Neto

1976: Jaime Sunye Neto

1975: Carlos Eduardo Gouveia

1974: Alexandru Sorin Segal e Márcio Marcos Miranda

1973: Herman C. van Riemsdijk

1972: Eugênio Maciel German

1971: Herman C. van Riemsdijk

1970: Herman C. Van Riemsdijk

1969: Antônio Rocha

1968: Hélder Câmara

1967: Henrique Mecking

1966: José de Pinto Paiva

1965: Henrique Mecking

1964: Antônio Rocha

1963: Hélder Câmara

1962: Olício Gadia

1961: Ronald Câmara

1960: Ronald Câmara

1959: Olício Gadia

1958: João de Souza Mendes

1957: Luiz Tavares da Silva

1956: José Thiago Mangini

1954: João de Souza Mendes

1953: Wálter Oswaldo Cruz

1952: Flávio de Carvalho Jr.

1951: Eugênio Maciel German

1950: José Thiago Mangini

1949: Wálter Oswaldo Cruz

1948: Wálter Oswaldo Cruz

1947: Márcio Elísio de Freitas

1945: Orlando Roças Jr.

1943: João de Souza Mendes

1942: Wálter Oswaldo Cruz

1941: Ademar da Silva Rocha

1940: Wálter Oswaldo Cruz

1939: Octávio F. Trompowsky

1938: Wálter Oswaldo Cruz

1935: Thomas P. Acioli Borges

1934: Orlando Roças Jr.

1933: Orlando Roças Jr.

1930: João de Souza Mendes

1929: João de Souza Mendes

1928: João de Souza Mendes

1927: João de Souza Mendes



N/Jogador/Participação/Campeão/Vice-Campeão
1 Joao de Souza Mendes 24 7 3
2 Orlando Rocas 4 3 1
3 Thomas Accioly Borges 1 1 0
4 Walter Cruz 9 6 3
5 Octavio Trompowsky 4 1 2
6 Adhemar da Silva Rocha 1 1 0
7 Marcio Elisio de Freitas 7 1 1
8 Jose Thiago Mangini 17 2 1
9 Eugenio German 5 2 1
10 Flavio de Carvalho Junior 7 1 1
11 Luis Tavares da Silva 17 1 1
12 Olicio Gadia 15 2 0
13 Ronald Camara 4 2 0
14 Helder Camara 25 2 3
15 Antonio Rocha 22 2 2
16 Henrique Mecking 2 2 0
17 Jose de Pinto Paiva 13 2 1
18 Herman C. van Riemsdijk 26 3 4
19 Alexandru Sorin Segal 19 2 3
20 Marcio do Carmo Miranda 8 1 0
21 Carlos Eduardo Gouveia 6 2 0
22 Jaime Sunye Neto 10 7 1
23 Marcos Paolozzi 5 1 1
24 Gilberto Milos Jr 10 6 1
25 Roberto Watanabe 2 1 0
25 Everaldo Matsuura 12 1 1
27 Darcy Gustavo Lima 10 2 1
28 Aron Correa 10 2 1
29 Rafael Leitao 6 3 0
30 Giovanni Vescovi 8 3 4


brunosergiom

12/17/2003
06:21:47

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Curiosidades

Message:
No século XIX, a ascensão das rainhas Isabel II (Espanha) e Victória (Inglaterra) deu força à rainha no xadrez. Hoje a peça se movimenta quantas casas quiser e é a mais ofensiva do jogo. Mas não ameaça a supremacia do rei.

Outra peça que ganhou poder foi o peão. Quando chega a ultima linha do lado do adversário, pode se trocado por qualquer peça, exceto o rei. A jogada reflete o pensamento liberal dos séculos XVIII e XIX, segundo o qual qualquer pessoa podia subir na vida, embora jamais pudesse se tornar rei.

Fonte: geocities.yahoo.com.br/xadrezvirtual/historia/


brunosergiom

12/17/2003
06:25:20

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A ORIGEM DO XADREZ

Message:
A ORIGEM DO XADREZ - Por Sam Sloan (Traduzido por Francisco Lo Fiego)

Na década de 50, em certa época o mais famoso programa de televisão chamava-se a "Pergunta de $64.000". Os participantes, que dizia-se serem cuidadosamente avaliados previamente e eram experts, mas não profissionais, nos campos de sua escolha, respondiam a perguntas de dificuldade crescente. Esse foi o primeiro dos programas de jogos de TV de grande popularidade. Primeiro, havia a pergunta de $64. Se fosse respondida corretamente, o participante poderia abandonar e ficar com seu dinheiro, ou seguir em busca do dobro. As apostas iam de $64 para $128, $256, $512, $1000, $2.000, $4.000, $8.000, $16.000, $32.000 e $64.000.

A maioria dos participantes subia bastante na escala, e a tensão e a emoção cresciam de semana a semana à medida que eles se encaminhavam para seus objetivos. Apenas uma vez vi acontecer de um participante não acertar a primeira pergunta, de $64.

Na ocasião, um garoto de uns doze anos foi apresentado. Seu assunto era o xadrez. Ele foi, é claro, anunciado como um prodígio do jogo. Como de hábito, o apresentador começou com uma pergunta de $64 relativamente fácil. "Onde o xadrez foi inventado?", perguntou.

"Na China", o garoto respondeu.

"Errado!", disse o apresentador. "A resposta correta é Índia."

Assim, o garoto foi logo retirado de cena. Nunca mais se viu ou ouviu a respeito do suposto menino prodígio no mundo do xadrez.

Bem mais tarde, foi revelado que muita coisa no programa era falsa. Alguns participantes eram simples atores, a quem se dizia antecipadamente quais as respostas corretas. Muitas pessoas famosas, inclusive principalmente Mark Van Doren, que apareceu num programa similar chamado "21", tiveram suas reputações destruídas por causa desse escândalo.

Contudo, há ainda mais um escândalo não exposto a respeito desse programa em particular. O menino que respodeu China à primeira pergunta deveria ser trazido de volta para tentar os $128. A resposta que ele deu estava correta. O xadrez não foi inventado na Índia. O xadrez foi inventado na China!!

Quando digo isso aos meus, em outros aspectos, bem informados colegas enxadristas, eles me olham fixamente com uma expressão que indica horror, consternação ou desgosto, ou uma mistura de tudo isso. Finalmente, depois de uma pausa educada, normalmente dizem "Desculpe-me. Você está errado. O xadrez foi inventado na Índia. Veja em H.J.R. Murray."

É claro, o fato é que eu olhei em H.J.R. Murray. Também procurei nas fontes que ele cita. Isso não é tão fácil, na medida em que as páginas envelhecidas se esmigalhavam sob meus dedos, mas também não é tão difícil. Todas as fontes citadas por Murray podem ser achadas na Biblioteca Pública de Nova Iorque e locais similares.

Acredito que algum dia, relativamente próximo, a declaração sem base de Murray de que o xadrez foi inventado na Índia irá desmoronar como o clássico exemplo do cego conduzindo outro cego. Há muitos outros exemplos desse fenômeno, mas esse em particular é especialmente notável. Virtualmente todo ocidental de certo nível cultural, seja ou não jogador de xadrez, parece saber ou pelo menos aceitar como um fato cientificamente provado que o xadrez foi inventado na Índia. Toda fonte dessa informação cita Murray. Porém, Murray, de fato, não cita fonte alguma.

Ainda mais incrivelmente, a verdade sobre as origens do xadrez está há muito tempo encarando qualquer um que tenha estudado a questão. Esse caso é quase tão extremo quanto o dos astrônomos medievais. Na Idade Média, havia muitos astrônomos que estudavam o céu a olho nu. Realizaram cálculos matemáticos precisos que ainda são considerados válidos. Compreenderam em grande detalhe todos os ciclos e epiciclos que os corpos celestes seguiam em seus movimentos em torno da Terra, o centro do universo. À medida que seus cálculos se tornavam mais precisos, eles tinham crescente dificuldade em sua atividade, mas sempre era possível, postulando um novo epiciclo dentro de outro epiciclo, propor uma explicação matematicamente sólida.

Um dia, Copérnico estava olhando essa riqueza de dados coletados por outros, quando lhe ocorreu que tudo isso poderia ser explicado mais facilmente dizendo que a Terra se movia em torno do Sol, e não contrário.

Do mesmo modo, no caso em questão a evidência sempre mostrou claramente que o xadrez foi inventado na China e não chegou à Índia senão após cerca de um milênio, ou talvez bem mais. Contudo, como quase todo autor e pesquisador aceitou de forma acrítica a suposição de que o xadrez foi inventado na Índia no sexto ou sétimo século de nossa era e depois foi para os outros países, foi-lhes necessário executar um complicado processo de raciocínio para explicar seu aparecimento em outros lugares em épocas anteriores.

Já foi demonstrado que o xadrez apareceu na Índia em época não anterior ao século 6 d.c., e os próprios estudiosos indianos parecem acreditar que a época real foi consideravelmente mais recente que mesmo essa. É improvável que possa haver qualquer erro aí, porque há uma profusão de material literário disponível em sânscrito, indo até 1500 a.c. Se o xadrez tivesse existido na história antiga da Índia, é quase certo que isso teria sido mencionado em algum lugar. Ao mesmo tempo, pessoas que são consideradas autoridades em seus campos sabem há muito que o similaríssimo jogo de xadrez chinês, ou pelo menos um atepassado desse, existiu na China pelo menos desde o segundo século a.c. Como eles conciliam esses dois fatos?

Em essência, levantam duas questões. Primeiro, dizem que os antigos manuscritos chineses estão simplesmente errados. O jogo a que eles se referiam era talvez go, ou algum outro jogo, mas certamente não poderia ser xadrez, porque, como todo mundo sabe, o xadrez não foi inventado até o século 6 d.c.

A segunda é que o xadrez chinês é um jogo totalmente diferente, sem relação com o xadrez ocidental. Enfatizam que o xadrez chinês tem um rio, um canhão, um cavalo que não pula, e que as peças no xadrez chinês têm inscrições em caracteres chineses e são colocadas nos "pontos" em vez de nas casas. O fato de o xadrez chinês também ter uma torre, um rei, um peão e um bispo, todos eles ocupando as mesmas posições iniciais no tabuleiro e com os mesmos movimentos e os mesmos nomes que no conhecido antecessor medieval do xadrez ocidental, é simplesmente ignorado. Em alguns casos, é evidente que os chamados estudiosos nem sequer sabem as regras do xadrez chinês.

Há duas referências ao xadrez na literatura antiga chinesa. A primeira foi de uma coleção de poemas conhecida como " Chu Chi ". O autor chamava-se Chii Yuan. Ele foi o mais famoso escritor da dinastia Chou (1046 - 255 a.c.). Matou-se pulando num lago. A segunda é de um famoso livro de filosofia conhecido como " Shuo Yuan " que citava Chu Chi. É da dinastia Han (206 a.c.- 221 d.c.). Ambos são bem conhecidos de qualquer estudante de literatura chinesa.

Uma referência mais recente ao xadrez veio da dinastia Song (960 - 1279 d.c.). Havia uma famosa poetisa chamada Li Ching Zhou. Ela escreveu um livro intutilado " Retrato da Batida no Cavalo". Naquele tempo, as peças tinham os mesmos nomes que hoje.

Com o objetivo de, por exemplo, descobrir a origem de uma língua, os linguistas realizam um processo conhecido como reconstrução linguística. Primeiro, identificam os membros de uma família de línguas observando características que não podem ser explicadas de nenhum outro modo senão dizer que todas elas surgiram de uma origem comum. Depois disso, apontam com precisão as mudanças sonoras uniformes que se pode demonstrar terem ocorrido em uma vasta gama de ítens de vocabulário conforme as línguas estavam surgindo. Finalmente, estão aptos a desenvolver, em detalhe, uma proto-língua com uma descrição de como a língua original gradualmente se separou nas muitas línguas daquela família existentes hoje. Então, podem determinar quase o local exato do mundo onde a língua mãe se originou e o período em que começou a se difundir e dividir.

Por exemplo, sabe-se que o proto-indo-europeu se originou, ou pelo menos começou a se espalhar, 5000 anos atrás em uma área ao norte dos mares Negro e Cáspio e ao sul dos Urais, muito antes de a história escrita ter existido naquela região. O único sério desacordo nesse ponto gira em torno de um raio de 200 milhas dessa área. Teorias propagadas por grupos de interesses particulares, tais como as afirmações nazistas de que que as línguas indo-européias foram inventadas por uma raça de cabelos louros e olhos azuis na costa sul do mar Báltico, foi demonstrado que são simplesmente falsas. Como, alguém pergunta, eles podem estar tão certos disso, quando tudo isso ocorreu milhares de anos antes de qualquer história escrita daquela área?

O modo como o lugar de origem é determinado é por meio de palavras que são semelhantes em todas as línguas indo-européias e cuja semelhança não pode ser explicada por "empréstimo". Por exemplo, as palavras para "bétula", "cavalo", "carroça" e "biga" são comuns para todas as línguas indo-européias da Europa à Índia. Entretanto, cavalos, carroças, e bigas não existem naturalmente nem na Europa nem na Índia, mas existem em abundância nas áreas ao norte dos mares Negro e Cáspio, como também as bétulas, então essa é uma das muitas evidências que apontam para aquela área. (A especial relevância da não existência de cavalos e bigas naturalmente na Índia se tornará aparente em breve).

O próximo passo lógico é aplicar esse processo ao jogo de xadrez. Felizmente, assim como há muitos tipos de línguas indo-européias, também há muitos tipos de xadrez. Existe xadrez ocidental, xadrez chinês, xadrez japonês ("shogi"), xadrez coreano, xadrez burmês, xadrez cambojano, xadrez tailandês, xadrez malaio, xadrez indonésio, xadrez turco e possivelmente até xadrez etíope.

Seguindo o processo linguístico mencionado acima, o primeiro passo é determinar se, de fato, esses são todos ramos do mesmo jogo. Isso realmente não é difícil. Todos os jogos acima têm o objetivo de dar xeque-mate ao rei. Todos eles têm um rei no centro, uma torre no canto, um cavalo próximo a ela e peões em frente e os movimentos dessas peças é idêntico ou quase idêntico ao do xadrez ocidental. Nenhum deles, além do xadrez ocidental, tem uma dama, mas nós sabemos que a dama foi primeiro inventada na Itália no século 15, muito depois que os outros ramos da árvore tinham se dividido. Em relação ao bispo, apenas o xadrez japonês tem um bispo em estilo ocidental, mas os japoneses acreditam que essa coincidência é relativamente moderna. Outra formas de xadrez têm um elefante, como as versões árabe e persa do jogo. Entretanto, sabemos que o bispo moderno é uma inovação puramente ocidental que foi derivada do elefante, muito provavelmente no século 15.

No xadrez japonês, cada lado tem apenas um bispo, e ele começa num estranho lugar bem em frente ao cavalo do lado esquerdo. Essas diferenças indicam que o bispo japonês foi desenvolvido independentemente do ocidental e as semelhanças entre eles são puro acaso, ou que os ocidentais levaram o bispo ao Japão (ou os Japanese trouxeram seu bispo para o ocidente) em tempos relativamente modernos. Os elefantes do xadrez chinês claramente se tornaram os pratas do xadrez japonês, enquanto as bigas (torres) do xadrez chinês foram reduzidas às lanças do xadrez japonês.

Há muitas outras semelhanças entre todos esses jogos, mas já sabemos bastante para estarmos absolutamente certos de que eles têm uma origem comum, então agora precisamos determinar quando e onde essa origem se deu.

Primeiro, vamos nos livrar da afirmação de que o xadrez foi inventado na Índia. Sabemos que há escritos chineses sobre xadrez datados do século 2 a.c. A maioria dos autores, incluindo H.J.R. Murray, de fato não sabe disso, enquanto outros escritores de história do xadrez, como meu bom amigo Fred Wilson, apressadamente omitem isso e passam a um assunto que conhecem bem melhor, como a vitória de Bobby Fischer sobre Boris Spassky em 1972. Um escritor, que ao menos merece crédito por enfocar a questão, é Harry Golombek, que, em seu "Xadrez, uma História", afirma:

"Vi um poema datado do século 2 a.c. no qual, segundo o tradutor, há duas referências ao jogo de xadrez. Se o jogo era de fato jogado na época, isso iria causar uma completa reviravolta em todas as teorias atuais; mas há duas explicações possíveis para as referências, cada uma das quais deixaria as modernas teorias intactas. Eles poderiam ser relativas ao jogo de 'wei-chi', ou 'go', que sabe-se ser bem mais velho que o xadrez (ou que qualquer jogo de tabuleiro, o gamão, por exemplo). Ou elas poderiam se referir ao jogo de xadrez chinês com um rio, que de fato não é em absoluto xadrez como o conhecemos." Golombek, Xadrez, uma História, G. P. Putnam's Sons, New York, 1976, p. 10.

Algumas páginas depois torna-se claro que, por "jogo de xadrez chinês com um rio", Golombek refere-se ao moderno xadrez chinês, que tem um rio no meio. Ele passa a descrever as regras aproximadas desse jogo:

"O Jogo do Rio tem semelhanças com o chaturanga e o xadrez que são notáveis. Mas as diferenças também o são - tanto que ainda não está provado se é uma variante ou um derivado do chaturanga, ou se origina-se de algum jogo mais antigo (talvez o que é descrito em 'O Palácio Dourado') e foi então misturado com (ou fortemente influenciado pelo) chaturanga, à medida que seguiu para a China desde a Índia."

"Chaturanga" é o suposto ancestral do xadrez moderno que era jogado na Índia. Como tantos outros autores, Golombek está cego para a possibilidade de que o xadrez não se originou na Índia. Na página seguinte, afirma:

"Go, um jogo muito mais antigo que chaturanga, não tem qualquer semelhança com o xadrez. Conhecido como wei-chi, há muitas referências a ele na literatura chinesa antiga. Vi traduções destas que, erroneamente em minha opinião, os apresentam como xadrez. Um exemplo disso é o 'Palácio Dourado', um poema anônimo escrito no século 1 a.c." Ibid, p. 23.

Notavelmente, quando diz que o "jogo do rio" pode ter descendido de algum ancestral antigo, como descrito n'O Palácio Dourado, ele omite a clara possibilidade de que o antigo jogo, qualquer que fosse, pode ter sido o ancestral comum tanto do chaturanga como do xadrez chinês. Um linguista profissional teria notado essa possibilidade instantaneamente. Golombek, contudo, é apenas um mero jogador de xadrez.

Há muitos outros exemplos disso, mas deixemo-los de lado e passemos diretamente à fonte: H.J.R. Murray. O trabalho de Murray, "Uma História do Xadrez", foi publicado em 1913. Seu outro volume, "Uma Breve História do Xadrez", foi primeiramente publicado em 1963, mas havia sido escrito em 1917 e foi encontrado em seus escritos depois de sua morte. Logo, seu trabalho mais recente acerca da história do xadrez foi escrito em 1917.

Em quase qualquer outro campo de pesquisa acadêmica, um trabalho de tal idade está obsoleto. Porém, muito surpreendentemente, pesquisadores sérios aparentemente não se interessaram muito pela história do xadrez e não se importaram ou sequer pensaram em voltar e reexaminar a base subjacente à conclussão de Murray. Também surpreendentemente, no trabalho de Murray, que em outros aspectos é aparentemente bem documentado, ele parece ter apenas uma fonte concreta para sua declaração de que o xadrez foi inventado na Índia. A fonte é H.J. Raverty.

"Raverty", exclamei quando vi. Conheço Raverty bem, porque ele é a maior autoridade em outro assunto totalmente diferente, no qual por acaso tenho um profundo interesse. É a língua pashtu, que é falada no Afeganistão e na província noroeste da fronteira do Paquistão. Tenho o dicionário completo pashtu-inglês em casa, e o estudo frequentemente. É um execelente trabalho, obviamente compilado depois de anos de esforço prodigioso. Entretanto, é claro que Raverty era nada mais que um leigo, não um linguista treinado. Por exemplo, Raverty não entendia realmente a diferença entre consoantes retroflex and palatais. Essa diferença por acaso é crítica na língua pashtu e nenhum linguista treinado cometeria esse erro.

Raverty era um oficial inglês do século 19. Sua principal qualificação foi ter servido nas guerras perpétuas contra o Afeganistão durante aquele período. Aparentemente acreditando no adágio "conheça seu inimigo", Raverty estudou a língua, a cultura e a literatura das pessoas que ele estava combatendo. Murray, por outro lado, indubitavelmente era incapaz de ler uma só palavra em hindi, urdu ou pashtu, muito menos sânscrito, então teve que confiar naqueles que eram, como Raverty.

Em 1902, nos últimos anos de sua vida, Raverty publicou um artigo no Jornal da Sociedade Real Asiática de Bengala. Intitulava-se a "História do Xadrez e do Gamão". Raverty, H.J., "História do Xadrez e do Gamão", Jornal da Sociedade Real Asiática de Bengala, Vol. 71, Parte I, p. 47, Calcutá, 1902 .

Esse artigo pela primeira vez contou a história que agora é conhecida por todo jogador de xadrez. A história, em suma, é a seguinte: Havia uma vez um sábio chamado Shashi em Sind, no reino do rei Rai Bhalit, no noroeste da Índia. Uma noite Shashi inventou um maravilhoso jogo novo. Na manhã seguinte, levou-o ao rei, que ficou encantado e perguntou qual a recompensa que ele desejava. O rei disse que qualquer pedido cabível seria concedido. Shashi disse que apenas queria que um grão de trigo fosse colocado na primeira casa do tabuleiro de xadrez, dois na segunda, quatro na terceira, oito na quarta, e assim por diante, até que todas as 64 casas tivessem sido preenchidas. O rei prontamente concordou com seu pedido.

Todos nós sabemos o fim dessa história. De qualquer modo, de acordo com Raverty, Shashi tinha um filho chamdo Shah, e daí veio o nome "shak" ou xadrez. No mesmo artigo, Raverty também relata como o gamão supostamente foi inventado, segundo ele, apenas um pouco antes do xadrez. Está agora provado que pelo menos essa parte da história não tem o menor sentido.

Apesar de Murray considerar a história sobre a invenção do xadrez uma lenda, sem dar os devidos créditos a Raverty (é Davidson que esclarece que Raverty foi a fonte original para a história), ele a mantém mesmo assim. Diz que o xadrez foi inventado em uma única noite por um filósofo que vivia no noroeste da Índia. No tempo de Murray, antes da divisão da Índia em 1947, que a quebrou em duas partes, noroeste da Índia significava o que agora é a província noroeste da fronteira do Paquistão e, possivelmente, partes do Afeganistão.

Essa região geográfica era a área de especialidade de Raverty. Sind, entretanto, agora é a província mais ao sudeste do Paquistão, e inclui Karachi. Talvez Murray não soubesse exatamente onde era Sind. De qualquer modo, todo o atual Paquistão, incluindo Sind, poderia possivelmente ter sido então chamado noroeste da Índia.

Acontece que o Paquistão é um país sobre o qual eu sei alguma coisa. Escrevi um dicionário de uma língua falada lá e viajei e vivi bastante naquela região, especialmente na província noroeste da fronteira do Paquistão e também no Afeganistão. As pessoas de lá são basicamente habitantes do deserto. São grandes comerciantes e mercadores. Suas caravanas podem facilmente penetrar desde a Arábia até a China. Porém, dizer que essas pessoas, cuja vasta maioria ainda hoje não sabe ler nem escrever, inventaram um jogo como o xadrez, é ridículo, e tenho certeza de que meus vários amigos no Paquistão vão concordar comigo.

Os próprios indianos ficam perplexos com a afirmação de que o xadrez foi inventado por eles. Isso é o que foi dito no Trimestral Histórico Indiano, um jornal acadêmico sério: Chakravarti, Chintaharan, "Trabalhos em Sânscrito sobre o Jogo de Xadrez", Trimestral Histórico Indiano, Calcutá, Junho, 1938, Vol. 14, No. 2, Parte I, p. 275.

"Apesar de geralmente os estudiosos suporem ser o jogo de xadrez de origem indiana e dizer-se que se encontram referências ao mesmo em vários trabalhos indianos de época muito antiga, trabalhos em sânscrito a respeito do xadrez e descrevendo sua complexidade são comparativamente raros. De fato, não se conhece nenhum trabalho indiano antigo a respeito e até recentemente a obra acadêmica tinha pouquíssimas descrições do xadrez."

O jornal também cita certas declarações de que há referência ao xadrez em vários escritos de autores indianos antigos. Mas deixa claro que isso era um truque comum naqueles tempos. Quando alguém queria ganhar crédito por suas idéias, dizia que tal e tal pessoa famosa, morta tempos antes, disse ou escreveu aquilo. O jornal então passa a listar uma quantidade de autores famosos que supostamente escreveram sobre xadrez, e nega todas essas evidências. Finalmente, não consegue encontrar sequer uma fonte na literatura indiana concernente a xadrez datada de antes de Sulipani, no século 15 d.c. (mais de 900 anos depois que Murray diz que o xadrez foi inventado lá)!! Em suma, toda e qualquer fonte citada por Murray, Davidson, Forbes, Golombek, Eales e outros, que supostamente estabelece que na Índia se escreveu sobre xadrez durante o primeiro milênio depois de Cristo, está desacreditada. A conclusão é: "Isso é bastante curioso e aparentemente levanta uma dúvida com relação à genuinidade do trabalho."

É improvável que possa haver qualquer engano quanto a esse ponto. H. J. R. Murray cita dois trabalhos do século sete e mais dois do século nove, que ele diz conterem referências ao xadrez. Murray diz que referências ao xadrez estão contidas no Harshacharita de Bana e no Vasavadatta de Subhandu. Essas citações são seguidas sem critério por Golombek, Eales e outros. Mas essas são as obras clássicas famosas na literatura indiana. Se elas realmente contivessem referências ao xadrez, então qualquer garoto de escola indiano saberia disso. Murray também diz que o xadrez é discutido em pré-persa (pahlavi) no Karnamak e no "Chatranj Namak". O Karnamak é uma obra perdida que Murray não teria possibilidade de ler e que não é certo sequer ter existido. O "Chatranj Namak" parece ser uma obra puramente inventada por Murray que ninguém mais viu ou sobre a qual sequer ouviu. Obras mais recentes citadas por Murray, Haravijaya de Ratnakara e Kavyalankara de Rudrata, não contêm, de acordo com os estudiosos, qualquer referência ao xadrez. Murray sustenta que o famoso viajante Al-Beruni observou xadrez sendo jogado na Índia no ano 1030. Apesar disso, os eruditos árabes que estudaram as obras de Al-Beruni no original dizem que ali não há nenhuma citação sobre o xadrez.

"Chaturanga" era a palavra indiana para o familiar tabuleiro de damas de 8x8, sobre o qual muitos jogos eram e ainda são jogados. O uso do termo "chaturanga" na liteartura indiana não prova que o jogo que conhecemos agora como xadrez era jogado nesse tabuleiro.

Parece que Murray, um simples professor primário sem nenhuma credencial erudita, nunca leu essas obras, mas em vez disso confiou em material publicado na Alemanha no fim do século dezenove. (Murray parece nunca citar sua verdadeira fonte). Ou seja, a afirmação de que na literatura clássica indiana há referência ao xadrez tem base tão sólida quanto dizer que o xadrez era jogado pelos faraós do Egito e que Alexandre, o Grande, era um forte jogador de xadrez.

O fato de o xadrez não ser muito popular na Índia ainda hoje também é significativo. Os hindus são grandes filósofos, mas não se interessam muito por jogos. A Índia só se filiou à F.I.D.E. (a Federação Internacional de Xadrez) recentemente e não mandava times às competições internacionais até há poucos anos. O único grande jogador de xadrez indiano da História, Sultan Khan, não veio de onde hoje é a Índia em absoluto. Ele era um muçulmano de perto de Lahore, Paquistão, e sua fama de grandeza deriva em parte do fato de ter vindo de um país que era considerado não-jogador de xadrez. Há outras fontes para a afirmação de que o xadrez foi inventado na Índia, mas são todas baseadas em Murray. Antes de Murray, as maiores autoridades frisavam que a Pérsia era o local mais provável para a origem do xadrez. Mais ainda, por várias razões históricas, o próprio Murray indica que para que sua tese esteja correta, o xadrez não pode ter sido inventado antes da dominação huri do norte da Índia em torno de 500 d.c. Murray, H.J.R., "Uma Breve História do Xadrez" com B. Goulding-Brown e H. Golombek, Oxford at the Clarendon Press, p. 1 (1963). Depois de citar uma fonte datada de 600 d.c., Davidson diz "Essa é a mais antiga referência ao xadrez em toda a literatura."

Infelizmente, o problema de Murray parece ter sido que, não só ele não lia hindi or urdu, como também não sabia chinês. Raverty, em seu artigo, diz que Shuli, um dos primeiros grandes jogadores e discípulo do inventor, Shashi, morreu em 946. Também menciona várias figuras históricas desconhecidas, como o rei Rai Bhalit, que viveu no tempo de Shashi, também escrito Sassi, Sissa, Sahsih ou mesmo Shashi. (A pronúncia "Shashi" é a mais acurada para um falante anglófono, porque os dois sons /sh/ são ambos retroflex). Raverty também diz que Shashi era filho de Dahir, um soberano de Sind que morreu em batalha no ano de 712 d.c. durante a dinastia Akasirah. Isso indicaria uma origem para o xadrez no século oito.

As outras fontes são semelhantes a Murray. Por examplo, o Professor D. W. Fiske, que diz:

"O xadrez é um antigo jogo primeiramente mencionado em documentos datados dos primeiros anos do século 7 d.c. e associado ao noroeste da Índia e à Persia. Antes do século sete de nossa era, a existência do xadrez em qualquer lugar não é demonstrável por qualquer evidência contemporânea." Fiske, D.W., The Nation, 1900.

Então, aparece Davidson, outro conhecido escritor de história do xadrez. Ele diz:

"A trilha do xadrez conduz até cerca de 500 d.c. Então esbarramos em uma barreira atrás da qual a pequisa histórica não penetrou. Tudo o que sabemos é que, durante o século seis, os cidadãos jogavam chaturanga, um jogo essencialmente parecido com o xadrez moderno." Davidson, H.A., Uma Breve História do Xadrez, Greenberg, New York, 1949, p. 22.

Das fontes acima, podemos razoavelmente concluir que o xadrez apareceu na Índia não antes do século 6 d.c., e talvez bem depois. Mas também sabemos que se escreveu sobre o xadrez chinês muito antes disso.

Agora, precisamos lidar com a declaração, já que ela foi feita, de que o xadrez chinês não tem real relação com o xadrez ocidental. Quanto a isso, devemos usar a evidência bem estabelecida sobre as origens do moderno xadrez ocidental. Sabemos dos escritos de Lucena (do famoso "mate de Lucena") que a forma moderna do xadrez foi inventada ou pelo menos codificada na Itália durante o período de 1475 a 1497 d.c. e espalhou-se rapidamente por toda a Europa. Esse jogo trouxe três características que o xadrez medieval não tinha: a dama moderna, o bispo moderno e a captura de peão en passant. Roque em um lance e promoção automática de peão ainda não haviam sido codificados. Todavia, essas mudanças foram suficientes para fazer com que Ruy Lopez publicasse em 1561 suas famosas análises de aberturas. A partida mais antiga na "Enciclopédia Oxford de Partidas de Xadrez" é datada de 1490, só que não é jogada legalmente de acordo com as regras do xadrez moderno. Levy, David e O'Connell, Kevin, The Oxford Encyclopedia of Chess Games, Oxford University Press, 1983.

O jogo na Europa anterior a 1475 era ainda substancialmente idêntico àquele jogado pelos persas, indianos e árabes no século sete. De fato, os termos xadrez persa, xadrez indiano, xadrez árabe e xadrez medieval são aqui usados com sentidos mais ou menos idênticos, já que não parece haver diferenças marcantes conhecidas entre eles. O xadrez a quatro mãos, que alguns, começando com Forbes, acreditam que fosse o jogo original (Forbes, Duncan, The History of Chess, W.H. Allen 5 Co., London, 1860), está provado ser somente uma variante malsucedida.

Em outras palavras, o jogo, ou pelo menos o mais popular dos referidos, permaneceu o mesmo por cerca de 800 anos. Então, subitamente, três grandes mudanças foram feitas mais ou menos simultaneamente e o velho jogo foi quase imediatamente esquecido. Realmente, durante esses 800 anos, houve constantes experimentos com diferentes tipos de peças, como os griffins, os unicórnios e outros animais estranhos, como ainda ocorre hoje. Sem dúvida, o bispo moderno e a dama moderna foram primeiro pensados muito antes de 1497. Mas não foi senão aproximadamente naquele ano que todos esses elementos foram combinados no mesmo jogo ao mesmo tempo. O processo parece ter sido essencialmente darwiniano, com inumeráveias mutações, mas apenas as raras superiores sobrevivendo ao final.

O jogo original persa ou indiano tinha exatamente as mesmas peças com o mesmo movimento que no jogo medieval, mas as peças tinham nomes ligeiramente diferentes. A peça no canto não era uma torre, mas uma biga. (Lembre-se do que foi dito sobre as línguas indo-européias). Depois, veio o cavalo. (O cavaleiro é um termo puramente europeu). Depois disso, veio o elefante. (Ainda é um elefante em russo e em vários outros idiomas atuais. Também em espanhol é "alfil", que vem do árabe "al-fil", que significa "o elefante". "Al" quer dizer "o" e "fil" significa "elefante". Foram, é claro, os árabes que levaram o xadrez para a Espanha). O elefante pulava duas casas diagonalmente, nem mais nem menos. Depois, veio o chanceler ou ministro, que se movia apenas uma casa diagonalmente. Finalmente, no centro, apareceu o rei, que se movia como o nosso rei. O nome persa para o jogo era, e ainda é, shatranj. O tabuleiro era formado de 8x8 casas sem cor.

Agora, vamos examinar o xadrez chinês. O nome em mandarim para xadrez chinês se pronuncia shaingchi. Às vezes se escreve "hsiang-chi", e, usando o sistema pinyin de ortografia da República Popular da China, escreve-se "xiangqi". Mas nesse sistema, "X" é pronunciado "SH" (retroflex) e "Q" pronuncia-se "CH" (retroflex). O nome chinês, shiangchi, soa muto similar ao nome persa, shatranj. De fato, elas são tão similares quanto uma palavra persa e uma chinesa podem soar. Shiangchi também soa mais ou menos como "shakmat", a palavra russa para xadrez, como "shogi", que é o xadrez japonês, e como "chaturanga", o nome indiano. Qualquer linguista vai concordar que isso é uma forte, se não definitiva, evidência apontando para a conclusão de que todas essas são versões do mesmo jogo.

Agora, vamos dar uma olhada nas peças, da esquerda para o centro. A peça do canto no xadrez chinês chama-se biga. (Os jogadores chineses modernos às vezes a chamam de carro). O nome também é biga no xadrez persa. O movimento também é o mesmo. Move-se como a nossa torre. A peça a seguir é o cavalo ("asp" em persa, que eu conheço um pouquinho). Também é um cavalo em xadrez chinês. O movimento é o mesmo em ambos os jogos, exceto que o cavalo não pula no xadrez chinês. (Os chineses dizem que essa restrição foi uma inovação mais moderna, para reduzir a força do cavalo). A terceira peça é o elefante. Outra vez, o nome é o mesmo em persa e chinês, como também em árabe, russo e muitas outras línguas. O movimento também é o mesmo. Ambos se movem exatamente duas casas diagonalmente. No xadrez chinês, o elefante não pode pular sobre outra peça. Alguns dizem que ele podia pular no xadrez persa e indiano, mas isso não está claro. Em seguida, há o conselheiro, ministro ou chanceler. De novo, ambos têm essencialmente o mesmo nome tanto no xadrez chinês como no persa. O movimento também é o mesmo: uma casa diagonalmente. Contudo, aqui há uma diferença significativa. O xadrez chinês tem dois conselheiros ou guardas e, por essa razão, há nove peças enfileiradas, e não oito como no xadrez persa e no ocidental. Também, no xadrez chinês, os conselheiros e o rei não podem sair de uma área central conhecida como os "nove palácios". Finalmente, no centro de ambos os jogos está o rei.

Em vista de tudo isso, como é possível, então, que qualquer pessoa sensata e informada possa dizer que esses dois jogos não têm relação? A resposta é que os detratores valem-se princimente da existência do canhão e do rio. O canhão é uma peça única. Move-se como uma torre, mas só captura pulando a peça intermediária e capturando a peça atrás dessa. Não só essa peça não existe no xadrez ocidental, mas ela não existe no xadrez japonês ou em qualquer outra versão do jogo, exceto no xadrez coreano. A explicação para isso é simples. O canhão é uma inovação que os chineses dizem ter sido inventada não antes do século 10 d.c., depois que os outros ramos do jogo tinham se separado.

Quanto ao rio, tem sido colocada ênfase excessiva sobre ele. O rio é simplesmente uma fronteira artificial entre as forças opostas, sem nenhum significado real independente exceto prover um ponto de referência e realizar essencialmente a mesma função que ter as casas coloridas de branco e preto no xadrez ocidental. As bigas, cavalos e canhões podem mover-se para trás e para a frente ao longo do rio livremente. Além de marcar o centro do tabuleiro, apenas duas regras têm qualquer relação com o rio. A primeira é que os elefantes não podem cruzar o rio, logo são peças puramente defensivas. A segunda é que os peões adquirem o poder de se mover de lado ao cruzar o rio. A promoção de peão, como no xadrez ocidental, não existe no xadrez chinês. Sem essa regra, os peões no xadrez chinês estariam liquidados assim que atingissem a última fileira. No xadrez chinês, eles passam então a poder se mover para os lados e frequentemente cumprem um papel fundamental no mate ao rei inimigo no final de jogo. Finalmente, está claro que a criação do rio é apenas outra inovação relativamente recente. Até o similaríssimo jogo de xadrez coreano não tem rio, porque não precisa de um, apesar de o xadrez coreano ser também jogado num tabuleiro 9x10. A razão óbvia para isso é que, no xadrez coreano, o elefante tem um tipo diferente de movimento, e não está restrito a apenas um lado do tabuleiro, enquanto os peões podem se mover para os lados imediatamente e não precisam primeiro atingir o território inimigo.

O fato é que o xadrez chinês, como o xadrez ocidental, evoluiu gradualmente e as regras mudaram ao longo de um vasto período de tempo. Os chineses estudaram isso com mais zelo que seus colegas ocidentais e sabem muito mais sobre a história do seu jogo. Encontrei-me com o sr. Liu Guo Bin, Diretor e Árbitro Chefe da Federação Chinesa de Xadrez Chinês na rua Tiyuguan 9, Pequim, China, em abril de 1985, e ele vem a ser uma das autoridades na matéria. Diz ele que as regras modernas do xadrez chinês foram completadas na dinastia Song, que existiu em torno de 1000 d.c. Há controvérsia sobre esse ponto, mas é fato que os chineses estudaram cuidadosamente a história do seu jogo, ao passo que nós obviamente negligenciamos a nossa.

A escrita chinesa não mudou muito em 2000 anos, apesar de a linguagem falada ter naturalmente estado em constante mudança. As mesmas letras eram usadas para escrever o nome do xadrez chinês naquela época e agora. Quando um ocidental como Golombek assevera que os chineses não sabem seu próprio idioma e confundiram xadrez com go nas suas histórias antigas, ele está apenas mostrando uma opinião apressada indigna de consideração. Ao mesmo tempo, os próprios chineses têm que dividir parte dessa culpa, porque eles não protestaram mais vigorosamente, exceto em publicações escritas em sua própria língua.

Há dois grandes jogos chineses: "shiang-chi" e "wei-chi". Wei-chi é o jogo conhecido no Japão como go. Está bem estabelecido que o wei-chi é realmente um jogo antigo, datado talvez de 4000 anos, mas originalmente jogado num tabuleiro menor. (É interessante, os detratores dessa teoria asseguram que os antigos escritores estavam se referindo ao xadrez, e não ao go). O símbolo para "wei" é uma letra chinesa cujo significado é similar ao da palavra pronunciada "go" em japonês (que também usa as letras chinesas). Isso explica a diferença entre os dois nomes.

O outro jogo, shiang-chi, usa a letra chinesa que se pronuncia "shiang", que significa, ou significou, "elefante". A letra chinesa para "chi", que pode ser entendida como significando "jogo", é a mesma em ambos os jogos. Então, "shiang-chi" quer dizer "jogo do elefante". O xadrez japonês chama-se shogi no Japão. Como foi dito antes, isso se pronuncia semelhantemente a shiang-chi e até a shatranj. Só que em japonês são usados outros caracteres chineses. Como a palavra para "elefante" é pronunciada muito diferentemente em japonês, os japoneses, em sua atitude típica, procuraram uma palavra cuja pronúncia fosse a mais próxima possível de "shiang". Foi proposto "sho", que significa "general". O nome "jogo do general" é uma boa descrição para o jogo de shogi, então ficou. (Os japoneses chamam nosso jogo ocidental de "shogi internacional" e o xadrez chinês de "shogi chinês").

Há, porém, duas diferenças significantes entre o xadrez chinês e o persa ou o ocidental que não mencionei até agora. A primeira é que no xadrez chinês (e no coreano) as peças são colocadas nas interseções ou "pontos", enquanto no xadrez ocidental (e no japonês ) elas são colocadas nas casas.

Sabemos o motivo disso. É que no bem mais antigo jogo go, as pedras eram colocadas nos pontos, então, quando um novo jogo foi inventado, a convenção foi seguida. Apesar disso, não temos certeza se, no jogo de xadrez original, as peças eram posicionadas nos pontos ou nas casas. Mas isso não nega a origem comum desses dois jogos. Ao contrário, o fato explica a razão de outra diferença. O moderno tabuleiro de xadrez chinês tem 9x10 pontos. Isso vem a ser o mesmo que um tabuleiro de 8x9 casas, incluindo o rio no centro. Se o rio é eliminado (e o rio não pode mesmo ser chamado de casas), então temos realmente 8x8 casas num tabuleiro da xadrez chinês, exatamente o mesmo que no xadrez ocidental. Novamente, isso aponta para uma origem comum, e nós simplesmente não podemos ter certeza se a complexa versão chinesa do xadrez foi a primeira e então foi reduzida à simplificada versão persa, ou vice-versa. (Diga-se de passagem, o xadrez chinês é definitivamente mais complexo que o ocidental, ainda que essa afirmação possa ferir o orgulho dos ocidentais. Há mais tipos diferentes de peças no tabuleiro no xadrez chinês, mais jogadas legais e/ou razoáveis possíveis nas posições típicas, e o jogo dura mais, às vezes centenas de lances, no xadrez chinês. O xadrez japonês é, por sua vez, mais complicado que ambos.)

Há ainda outra pista tentadora a ser retirada da observação de que o xadrez chinês é jogado nos pontos devido a uma convenção do go. O go tem a peculiar propriedade de poder ser jogado num tabuleiro de qualquer tamanho, exceto que o número de pontos deve ser preferencialmente ímpar (para reduzir a possibilidade de empate). Ao longo da história, o go foi jogado em tabuleiros de muitos tamanhos diferentes. Hoje, três tamanhos são de uso comum: 19x19 (o padrão), 13x13 e 9x9. O tamanho 9x9 agora é usado principalmente para ensinar crianças e principiantes, mas mesmo assim é um jogo complexo e desafiador. Acontece que um tabuleiro de go de 9x9 também equivale a um tabuleiro de xadrez de 8x8. Isso é especilamente significativo, porque os tabuleiros de xadrez originais na Índia e na Pérsia não tinham casas brancas e pretas. (Essa, também, é uma inovação moderna). Murray diz que nos áridos tabuleiros de xadrez originais de 8x8, havia "marcas" misteriosas. Seria possível que essas "marcas" fossem os pontos fracos no go? (Infelizmente, há outra possibilidade perturbadora. A arte persa antiga, como a mostrada por Golombek (pp. 31, 36, 53), mostra os nomes das peças escritos em árabe no tabuleiro, em vez de peças "em pé". Além dessas, não fui capaz de localizar nenhuma marca. É quase inacreditável, mas talvez Murray não entendesse o que essas "marcas" árabes fossem.)

Ou seja, é fácil postular que quando o xadrez foi da China para a Índia, era jogado num tabuleiro de go de 9x9. Quando os indianos (ou persas ou árabes, quais tenham vindo primeiro), que não sabiam nada de go, viram aquilo, eles simples e naturalmente tiraram as peças dos pontos e puseram nas casas. Assim, um tabuleiro de go de 9x9 tornou-se um tabuleiro de xadrez de 8x8. Contudo, havia ali uma peça a mais, então os indianos simplesmente eliminaram um dos chanceleres. Também acrescentaram três peões, para preencher o espaço vazio em frente. (O xadrez chinês agora só tem cinco peões, mas pode ter tido mais em versões mais antigas do jogo). Dessa forma, é possível que eles tenham convertido o xadrez chinês em xadrez indiano de um só golpe.

A outra diferença restante é que o xadrez ocidental usa peças "em pé", enquanto a maioria das versões orientais do xadrez, inclusive o xadrez chinês, o coreano e o japonês, usam peças chatas com caracteres chineses escritos sobre elas. (Há pequenas diferenças entre esses três tipos de peças: as chinesas são circulares, as coreanas são octogonais, e as japonesas, pentagonais). Portanto, o cavalo chinês, o cavalo coreano ou o cavalo japonês simplesmente têm o caractere chinês para cavalo escrito sobre a peça, enquanto o jogo ocidental tem a figura verdadeira de um cavalo entalhada.

Qual veio primeiro? Novamente, não temos como saber a resposta. Entretanto, deve-se notar que a antiga arte persa e árabe relativa ao xadrez não mostra fisicamente as peças no tabuleiro, mas em vez disso tem os nomes das peças escritos em árabe sobre o tabuleiro, exatamente como as peças chinesas são agora escritas em chinês. A primeira evidência de peças físicas reais não aparece até que o jogo chegou à Europa cristã. Talvez isso explique o fato de os arqueólogos não terem tido muito sucesso em desenterrar jogos de xadrez realmente antigos, considerando saber-se quão popular o xadrez foi. Possivelmente, os nomes das peças eram escritos em simples papel, e os próprios tabuleiros de xadrez fossem desenhados na terra.

Segundo, alguns historiadores chineses acreditam que as peças originais no xadrez chinês eram peças "em pé" ao estilo ocidental. Eles dizem que foram desenterrados túmulos antigos da dinastia Song que contêm peças "em pé". A teoria é que, como a China sempre foi um país pobre, as pessoas não podiam comprar peças entalhadas individualmente, então acabaram aceitando usar simples discos com os caracteres chineses manuscritos sobre eles. Além disso, assim as peças podiam ser usadas para outros jogos. Por exemplo, uma variedade que ainda é jogada no parque em Chinatown em São Francisco é um jogo de apostas em que os jogadores começam com a face das peças voltada para baixo, para ocultar o tipo de peça do oponente. Gradualmente, à medida que o jogo avança, as peças são desviradas e seu caractere, revelado. Similarmente, os japoneses puseram essa característica a bom uso, porque o lado de baixo da maioria das peças deles contém outra peça para a qual a peça de cima pode ser promovida.

Aqui, resta ainda um aspecto que evitei até agora. É a afirmativa soviética de que o xadrez foi inventado no Uzbequistão. Todo mundo zomba disso, por causa da conhecida tendência soviética a dizer que tudo foi inventado na Rússia. Mas a verdadeira tendência deles é dizer que tudo foi inventado pelos russos, uma raça nórdica que originalmente veio da Escandinávia. Os nativos do Uzbequistão, por outro lado, não são uma das raças fovoritas dos soviéticos. Os uzbequistaneses são turcos, que são os arqui-inimigos dos russos. Na verdade, os uzbequistaneses são um tipo mongol que chegou ao que hoje é chamado Uzbequistão apenas em período histórico recente, e que aprenderam a falar turco com outras raças. Quem quer que tenha estado lá antes foi exterminado pelas hordas de Genghis Khan (que dizem ser ancestral de minha filha, Shamema, mas isso é uma outra história). De qualquer forma, o Uzbequistão, que se localiza numa área muito maior antes conhecida como Turquestão, é apenas um trajeto de caravanas tanto chinesas quanto indianas, e não pode ser totalmente descartado como uma possível fonte de ambos os jogos.

Por outro lado, o Uzbequistão é basicamente uma área deserta, como o Afeganistão, e seus habitantes sempre foram principalmente nômades. É difícil acreditar que eles inventaram um jogo como o xadrez. É mais provável que eles o tenham trazido de caravana de algum outro lugar. A alegação atual de que o Uzbequistão criou o xadrez é baseada principalmente no que parecem ser talvez peças de um antigo jogo de xadrez mostrando, entre outra coisas, a figura de um elefante, que foi desenterrado em 1972. Foi datado do século 2 d.c. (que, previsivelmente, causou alvoroço entre aqueles que têm certeza de que o xadrez ainda não havia sido inventado).(Dickens, A.S.M., Revista Britânica de Xadrez, Julho, 1973) Porém, muito antes disso, de fato antes do estabelecimento do moderno império soviético, o Uzbequistão havia sido aventado como um possível local de origem do xadrez. (Veja Savenkov, I.T., A Evolução do Jogo de Xadrez, Moscou, 1905, (em russo) citado por Murray) Realmente, sempre que a existência do xadrez no Uzbequistão é mencionada, na maioria das vezes é dito que isso evidencia uma origem do xadrez nas proximidades da China. Ninguém parece acreditar que os tão difamados uzbequistaneses sejam capazes de inventar tal jogo.

O Uzbequistão ainda é uma origem muito mais provável para o xadrez do que a Índia. Isso torna-se evidente quando adotamos a abordagem linguística examinando os nomes das peças. As peças maiores são a biga, o cavalo e o elefante. Cavalos, como foi dito antes, não existem naturalmente na Índia. Cavalos domados podem ser vistos, mas não cavalos selvagens. Acredita-se que os arianos da Ásia central usaram cavalos e bigas há 4000 anos para conquistar a Índia. Em tempos mais modernos, os ingleses facilmente conquistaram a Índia e o que é hoje o Paquistão atacando-os com cavalos. Os exércitos indianos fugiram assustados, porque eles nunca haviam visto cavalos. Nunca estive no Uzbequistão (exceto no lado afegão), mas recentemente passei um mês próximo a Kashgar, no lado chinês da fronteira, e não vi nada além de milhares, talvez milhões, de cavalos, muitos dos quais selvagens. Quer dizer, existem cavalos em grande número ao norte, mas não ao sul, das montanhas Kush Hindu e do Himalaia. Também os há ao longo de todo o norte da China. Duas das peças tanto no xadrez chinês quanto no persa e também supostamente no antigo xadrez indiano envolvem cavalos, chamados cavalo e biga. Um jogo de origem indiana ou paquistanesa envolveria mais provavelmente um camelo. Ao mesmo tempo, existiram elefantes na Índia e provavelmente na China, mas não na Pérsia, no Paquistão ou no Uzbequistão, apesar de que os persas tinham ouvido a respeito de elefantes. Por esse processo, parece que eliminamos a Pérsia, a Índia, o Paquistão e o Uzbequistão como possíveis locais para o origem do xadrez, sobrando apenas a China.

Realmente, muitos entre os próprios chineses acreditam que seu nome, "jogo do elefante", para o xadrez chinês, aponta claramente para uma origem indiana. Contudo, outros chineses dizem que (1) existiam elefantes na antiga China, mas se extinguiram devido a mudanças climáticas e (2) apesar de o caractere "shiang" em "shiang-chi" significar ou ter significado elefante, também teve outros significados anteriormente, e quando o significado do caractere mudou, mudou também o nome do jogo. Por examplo, quando "shiang" é combianda com outro caractere chinês, significa uma constelação no céu, e por esse motivo às vezes se diz que "shiang-chi" é um jogo astrológico. Também, o elefante é uma das peças mais fracas em quase todas as versões do xadrez. Sendo o elefante de verdade um animal forte, isso dá sustentação à alegação chinesa de que esse caractere significou alguma outra coisa em tempos antigos.

Finalmente, há um ponto, talvez o mais importante, que encerra meu caso. É que o xadrez chinês é o jogo mais popular do mundo, com centenas de milhões de jogadores em atividade. É muito mais popular que o xadrez ocidental numa comparação homem-a-homem. Aonde quer que se vá na República Popular da China, constantemente se encontra partidas de xadrez chinês sendo jogadas. Vêem-se jogos no trem, no ônibus, em hotéis, escritórios e outros pontos de encontro comuns, e até nas calçadas das ruas. É nitidamente mais difundido que o xadrez ocidental em termos de população. O jogo está também enraizado na cultura chinesa. Virtualmente toda pessoa do sexo masculino, no mundo, de origem chinesa conhece as regras do xadrez chinês e já jogou ao menos uma ou duas partidas, tendo aprendido durante a infância. Se alguém quer jogar uma partida de xadrez chinês na China, tudo o que tem que fazer é colocar um tabuleiro e as peças na calçada da rua e um adversário vai se materializar instantaneamente. Passados mais um ou dois minutos, uma multidão estará reunida para assistir ao jogo (e para fazer comentários e sugestões não solicitados sobre as jogadas). Além disso, há diversas variedades de xadrez chinês, algumas das quais desapareceram, mas outras ainda sendo jogadas.

A imensa popularidade do xadrez chinês é um ponto omitido por quase todas as fontes ocidentais. Golombek diz, por exemplo, que quando o xadrez entrou na China, foi eclipsado pelo bem mais popular jogo de go. (Golombek, Xadrez, uma História, Id., p. 22.) Na verdade, o oposto ocorreu. O xadrez chinês é o mais recente entre os dois jogos. Atualmente, na China, a quantidade de jogadores de xadrez chinês é muito maior que a de jogadores de go. Go é o jogo da elite intelectual. Xadrez é o jogo das massas.

Além do mais, voltando à lenda de Shashi sobre a invenção do xadrez, na qual o inventor queria um grão de trigo na primeira casa do tabuleiro, dois na segunda e assim por diante, sabemos ao menos que quem que inventou a lenda era tanto jogador de xadrez como matemático, que percebeu que 2 elevado à 64a. potência era um número bem grande. Sabemos também, por nossa própria experiência, que esse é o caso geral. Muitos jogadores de xadrez são matemáticos e a maioria dos matemáticos joga xadrez. A relação entre o xadrez e a matemática é bem conhecida. Agora mesmo, todo departamento de matemática em qualquer universidade dos Estados Unidos está buscando receber seu justo quinhão dos matemáticos que estão sendo mandados para fora pela República Popular da China em grande número. O envolvimento chinês com a matemática é parte de sua cultura e sua história, e não um desenvolvimento recente. É difícil para um ocidental entender o significado disso, porque, no mundo ocidental, as pessoas estão acostumadas a fazer as coisas por preferência pessoal, e não devido a sua origem cultural ou religiosa. É incomum para o ocidental compreender ou acreditar que, com a extensão com que se jogava o xadrez na Índia, ele era jogado pelos muçulmanos mas não pelos hindus. Entretanto, por toda a Ásia, a religião de um homem é um fator muito maior que sua preferência pessoal na determinação do que ele come, como se veste, qual o seu trabalho ou o que ele faz em seu tempo livre.

De tudo isso, parece não haver outra escolha senão concluir que o xadrez se originou na China. Partindo desse ponto, podemos perceber como o xadrez se desenvolveu e se difundiu ao longo dos séculos. A China sempre tendeu a ser um país isolacionista, durante sua história registrada. Construiu a Grande Muralha em época antiga e ainda hoje reluta em permitir o acesso de turistas. Marco Polo é famoso, não tanto porque foi à China, já que a viagem física não era tão difícil, mas porque sobreviveu para retornar e contar sobre isso. Somente durante o curto reinado mongol de Kublai Khan foi permitido a alguns estrangeiros entrar e sair da China. Antes e depois disso, a porta esteve fechada. Em vista dessa conhecida história, é improvável que um jogo de origem estrangeira possa ter entrado na China vindo da Índia e se tornado tão imensamente popular tão rápido. Em vez disso, é mais lógico que ele tenha sido inventado na China em época não posterior ao século 2 a.c., e tenham se passado 800 anos até que penetrasse em outros territórios. Chegou à Pérsia em torno do ano 650 d.c. Sua chegada lá se deu num momento oportuno, pois o islamismo estava em seu início e começava a se expandir.

Os árabes levaram o xadrez junto com o Corão por todo o norte da África até a Espanha e a França, em menos de cem anos. É por esse motivo que o xadrez parece ter aparecido em toda parte quase simultaneamente. (Murray, por outro lado, achava que o jogo se espalhou rapidamente a partir de uma única origem devido a seu grande mérito intrínseco). Ao mesmo tempo, indo na direção oposta, os árabes penetraram na China, resultando que o islamismo é ainda hoje a segunda religião mais difundida lá. Talvez tenha sido assim também que os árabes conheceram o xadrez, e não com os persas ou indianos.

Há uma tradição muçulmana que diz que, passados poucos anos da morte de Maomé, em 642 d.c., os califas Omar e/ou Ali já conheciam o jogo e talvez eles mesmos o jogassem. (Mais recentemente, os muçulmanos, todavia, passaram a afirmar que o jogo de xadrez é pecaminoso e tal fato jamais poderia ter ocorrido). Em todo caso, é fato historicamente provado que no período Ommayad da soberania síria, no século oito, que começou com a morte de Ali, o xadrez era popular em todo o mundo muçulmano. Desnecessário dizer, a aprovação do califa (ou de Ali, o primeiro imã, dependendo de a qual ramo do islamismo se pertença) foi suficiente para garantir que todos os muçulmanos iriam se dedicar ao jogo.

O xadrez também partiu da China na direção oposta. A visão tradicional é que ele atingiu o Japão no perído Nara, que durou de 704 a 790 d.c. Se isso é verdade, seria também forte evidência contra a origem indiana do xadrez, porque é improvável que pudesse ser inventado na Índia no século 6, cruzado desde Kashmir até a China (a rota suposta), e então atravessado toda a China e o Mar do Japão, para chegar ao Japão em apenas cerca de cem anos. Realmente, são tantas as diferenças entre o xadrez chinês e o japonês que os especialistas no Japão não acreditam que ele tenha vindo diretamente da China, ou mesmo da Coréia (o xadrez coreano é relativamente semelhante ao xadrez chinês). Ao contrário, eles supõem que o processo evolucionário demorou muito mais, certamente centenas ou talvez até mil anos. Não foi senão em torno do século 5 d.c. que o próprio go chegou ao Japão vindo da China, apesar do go ter se desenvolvido na China por mais de dois mil anos até então, e o Confúcio o mencionar no século 5 a.c.

O xadrez japonês evoluiu na direção oposta à do xadrez ocidental. No xadrez ocidental, as peças foram ficando cada vez mais fortes. No xadrez japonês, elas ficaram gradualmente mais fracas porém mais agressivas, já que geralmente perderam sua capacidade defensiva. A peça do canto tornou-se a lança japonesa, que, como a torre, pode se mover para a frente, mas, ao contrário da torre, não pode ir para os lados ou para trás. (Um dos caracteres para a lança japonesa ainda é o mesmo que o caractere chinês para a biga). O cavalo do xadrez chinês tornou-se a "kiema" no xadrez japonês, que se move como um cavalo, mas somente para a frente, não para os lados ou para trás. Talvez o nome "kiema" seja derivado de "ma", que é a palavra falada para cavalo em chinês. (O "cavalo" em si, no xadrez japonês, é uma peça totalmente diferente, o bispo promovido, e foi acrescentado muito depois). O elefante no xadrez chinês tornou-se o "prata" no xadrez japonês, que se desloca uma, e não duas, casas diagonalmente e também pode se mover uma casa para a frente. O chanceler tornou-se o "ouro" japonês, uma peça um tanto diferente mas também fraca. O rei continuou um rei e os peões continuaram peões. Os peões japoneses andam e capturam do mesmo modo que os peões chineses, uma casa para a frente, e não capturam diagonalmente como no xadrez ocidental.

Já que essas diferenças, que são bem maiores que as diferenças entre o xadrez ocidental e o chinês, não podem ser explicadas apenas pela entrada no Japão, os japoneses acreditam que o jogo seguiu uma improvável rota através da península malaia e de lá entrou no Japão. Apóia essa tese o fato de que o xadrez burmês e o tailandês têm uma peça que se move exatamente como um prata no xadrez japonês. Finalmente, acreditam os japoneses que o período entre os séculos 13 e 15 trouxe a reintrodução da torre e a introdução do bispo. Isso explica a estranha posição da torre e do bispo no shogi, comparando com outros jogos similares ao xadrez. Kimura, Yoshinori, "Uma Introdução ao Shogi – Passado e Presente", Revista Trimestral de Shogi Ocidental, Federação Norte-Americana de Shogi, No. 3, p. 3, Outono, 1985.

Acredita-se que a maior parte dessa evolução ocorreu dentro do próprio Japão. Os japoneses experimentaram largamente, e sugeriram mais de trinta tipos diferentes de peças num jogo chamado "grande shogi" e 21 peças no "médio shogi", comparadas às apenas oito do shogi moderno, sete do xadrez chinês, sete do xadrez coreano e seis do xadrez ocidental. Havia também o "grande shogi" e muitos outros tipos de shogi, vários dos quais gozaram de considerável popularidade em alguma época. O resultado final foi o jogo atual, tradicionalmente chamado "pequeno shogi", que contém muitas características que nenhuma outra forma popular de xadrez tem, inclusive o fato de as peças capturadas tornarem-se parte do exército inimigo, podendo reentrar no jogo, e de seis dos oito tipos de peças terem a possibilidade de ser promovidas a outra peça, uma vez que adentram o território inimigo. As peças japonesas também perderam sua cor e tornaram-se pentagonais em vez de circulares. Essas enormes mudanças não podem ser explicadas por qualquer processo evolutivo, que normalmente é lento. A única explicação possível é o fascínio japonês pela exerimentação e pelo aperfeiçoamento de qualquer idéia que se introduza em seu país.

O xadrez chinês também chegou à Coréia, mas relativamente poucas mudanças foram feitas. Os nomes e caracteres chineses para as peças antigas permaneceram os mesmos: biga, cavalo e elefante. O movimento do elefante mudou radicalmente, contudo. Agora move-se como um cavalo gigante, três para cima e duas para o lado, que é mais adequado para um elefante. As peças não são circulares, mas sim octogonais, e têm as cores verde e vermelho em vez de vermelho e preto. A posição inicial do rei é uma casa para a frente, e o cavalo e o elefante às vezes invertem suas posições iniciais entre si.

O xadrez também se disseminou em outras regiões sujeitas à influência chinesa. Indo para o sul, ele entrou em Burma, no Laos, no Vietnã e no Camboja. Dali atingiu a Tailândia e a Malásia e atravessou para a ilha de Java, na Indonésia, onde foram encontrados vestígios do xadrez. (Chien Chun Ching, "Pesquisa em xadrez chinês das dinastias Tang e Song", p. 86, Hong Kong, 1984 (em chinês). Apesar de o xadrez chinês ainda ser jogado também no Vietnã, outras variantes do jogo dominaram a maioria dos outros países. Algumas delas já desapareceram ou, como no caso do xadrez malaio, sofreram mudanças radicais em época recente com o intuito de se adequar melhor às regras do xadrez ocidental moderno. ("Regras do Xadrez Malaio", Real Sociedade Asiática - Striates Branch Journal, Cingapura, No. 49, p. 87-92 (1907), também No. 8, p. 261 (1917)). Porém, muitos, tal como o xadrez coreano, ainda são jogados com zelo fanático no país onde se estabeleceram.

Finalmente, e possivelmente o último de todos, o xadrez chegou ao ocidente. Foi provavelmente levado de caravana através do deserto de Gobi até o Uzbequistão, onde as mais antigas peças conhecidas, inclusive um elefante "em pé" datado do século 2 d.c., foram encontradas. De lá cruzou o Afeganistão, chegando à Pérsia por volta do século 7 d.c. Na época, a Pérsia tinha a cultura dominante na região. Até a língua indiana, o hindi, é substancialmente derivado do Persa. A história daquela região nos diz que naqueles dias a maior parte das coisas passava da Pérsia para a Índia, e não o contrário. O xadrez também atravessou da Pérsia para a Etiópia, onde uma forma pouco conhecida do jogo, na qual ambos os lados se movem simultaneamente e o mais rápido possível, ainda é jogada. "Xadrez Etíope", Jornal da Escola de Estudos Orientais e Africanos, Londres, 1912. (Suspeita-se, contudo, que isso na verdade não é xadrez como nós o entendemos.)

Há base sólida para afirmar que o xadrez ocidental é realmente a versão mais recente do jogo. O primeiro escritor sério de xadrez moderno que era capaz de produzir um bom jogo foi aparentemente Lucena, em 1497. (De fato, seus estudos de finais, tais como aquele famoso de torre e peão, se aplicavam igualmente bem ao xadrez medieval). Ruy Lopez, que claramente escrevia sobre a versão moderna do jogo em 1561, provavelmente não era melhor que um jogador de classe C pelos padrões atuais. Até McDonnell, da fama de LaBourdonnais - McDonnell, talvez não estivesse acima da classe A, e isso foi em 1834 e ele era o melhor jogador da Inglaterra. É evidente que, antes de Morphy, em 1860, nenhum jogador na história do xadrez havia jamais atingido o moderno padrão de grande mestre.

Em contraste, no Japão do ano de 1604 havia jogadores que, se vivos hoje, poderiam disputar o campeonato contra os maiores profissionais de shogi, sem necessidade de nenhum retoque nas aberturas. Similarlmente, no go, os melhores jogadores da história viveram há mais de cem anos, não hoje. Veja, por exemplo, "Invencível: Os Jogos de Shusaku, o maior gênio japonês de go que já existiu", traduzido por John Power, The Ishi Press, Chigasaki, Japão, 1983. Apenas por ser o xadrez ocidental tão novo é que existe a necessidade da mais nova versão da "Enciclopédia de Aberturas de Xadrez" para que nos mantenhamos em dia com os últimos desenvolvimentos. Daqui a duzentos anos, o conhecimento das novidades em teoria de aberturas pode não ser mais tão importante como é hoje.

SOBRE O AUTOR Sam Sloan, também conhecido como Mohammad Ismail Sloan, especialmente no Oriente Médio, é um expert ranqueado em xadrez (ou candidato a mestre). Também é oficialmente graduado como shodan* em shogi (xadrez japonês) pela Shogi Renmei (a Associação Japonesa de Shogi) em Tóquio. Morou um ano no Japão, onde se associou à Ishi Press, Inc., uma das maiores editoras de livros de go, shogi e outros jogos orientais. Viajou bastante pela República Popular da China, onde aprendeu a jogar xadrez chinês, e pelo Paquistão, Afeganistão e Índia. Bacharelou-se em linguística na New York University, e é autor de um Dicionário Khowar-Inglês, que é um dicionário de uma língua falada apenas no noroeste do Paquistão, onde Sloan é famoso. Fala khowar, pashtu e espanhol, além de um pouco de persa, árabe e chinês mandarim. Esteve em 62 países, inclusive quase todos os mencionados aqui. É Presidente e Secretário Chefe Executivo da Berkeley Computer Chess, Inc. e tem trêm filhos: Peter, Mary e Shamema.

Fonte: geocities.yahoo.com.br/xadrezvirtual/historia/


423884

12/17/2003
18:20:12

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Cuba é Campeã

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Empate define Cuba campeã panamericana por equipes


Cuba sagrou-se campeã panamericana por equipes, ao empatar nesta tarde com o Brasil, e atingir os 10 pontos, classificando-se para o Mundial. O match decisivo teve os seguintes confrontos:

GM Henrique Mecking 1 x 0 GM Lernier Dominguez

GM Darcy Lima 0,5 x 0,5 GM Lazario Bruzon

MI Cícero Braga 0,5 x 0,5 GM Neyris Delgado

MI Everaldo Matsuura 0 x 1 GM Walter Arencibia

O Brasil, com 5 pontos, enfrenta amanhã o Equador(3), encerrando o Pan-Americano por Equipes.

Entre os eventos paralelos ao PAN, começou hoje pela manhã no SESC Copacabana o Torneio Internacional, com 10 jogadores, prosseguindo até domingo.


brunosergiom

12/18/2003
09:23:32

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Judith Polgar

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(1976 - ) Judith Polgar

Biografia:
Nasceu em Budapeste, Hungria. Ela foi a caçula de três irmãs que se tornou grandemestra depois de seu pai treiná-las desde o seu nascimento para se sobressaírem no xadrez. Ela alcançou o título aos 15 anos e se tornou a mulher mais bem ranqueada da história antes de chegar aos 10 melhores, por ganhar um "match" treino de 10 partidas contra Spassky em 1992. Em 1998 ela também bateu Karpov por 5-3 em partidas de 25 minutos para cada um. Ela lutou para chegar ao topo, somente competindo em eventos mistos, apesar de teimosa resistência dos oficias Comunistas de xadrez em seu próprio país, que tentou demilitar ela e suas duas irmãs para jogar em torneios femininos.

Estilo:
Polgar é uma jogadora agressiva que invariavelmente abre com 1.e4 e esforça-se pela iniciativa desde o começo. 'Se tem uma boa opção, eu sacrifico até mesmo se leva risco, porque eu gosto de jogos bonitos, Mas eu também tento vencer' ela disse.

Fonte: www.webbusca.com.br/xadrez/polgar.htm


pereicel

12/18/2003
18:31:22

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Mais um reforço no Conexão...

Message:
Pessoal

É com grande alegria que informo o ingresso de mais um colaborador de peso em nosso time. Trata-se do MI Vinicius Marques que estará jogando com o login patrick_bateman.

Gostaria que voces dessem boas vindas ao patrick_bateman. Voces podem fazer isso já na nova página do nosso time, a 8a.

Um abraço e Bos sorte a todos.

Celso



pereicel

12/18/2003
18:51:53

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Abrindo nova página - a 8a.

Message:
Pessoal

Estou abrindo mais uma página para que nós possamos apresentar nossos comentários, idéias, notícias, etc...

Eu, mais uma vez, vou pedir a todos que participem mais ativamente desse forum.

Um grande abraço e boa sorte a todos.

Atualizem seus profiles com a 8a.pagina (link):

gameknot.com/fmsg/chess5/1456.shtml

Não deixem de ler as matérias publicadas pelos colegas 423884 e brunosergiom

Abração

Celso





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